Maio no clube do livro GWS: “Por Favor, Cuide Da Mamãe”, Kyung-Sook Shin

Por Girls With Style / gws@gwsmag.com

Por Laíza Felix: 

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Nesta data tão comercial, nada como substituir seu presente por uma reflexão sobre a relação entre mães e filhos, não é mesmo? Em votação no grupo do Facebook, escolhemos “Por favor, cuide da mamãe”, da sul-coreana Kyung-sook Shin, que me conquistou 1) pela linda capa da edição brasileira e 2) por ser de uma autora sul-coreana. Afinal, lemos poucas autoras não-ocidentais.

Como não tenho como explicar melhor, recorro a um trechinho da sinopse da editora: Park So-nyo é uma mulher simples, moradora de uma aldeia no interior da Coreia do Sul e mãe de cinco filhos já crescidos, que desaparece ao chegar a Seul para visitá-los. Publicado em 2012 pela Intríseca, é um livro relativamente fácil de achar.

Esse booktrailer tem uma entrevista curtinha mas muito boa com a autora e acho que vale a pena ver, são só dois minutinhos!

E você, já leu? Acompanha a gente na leitura e debate, vai ser legal!

>>> Participe do #ClubeDoLivroGWS <<<

— ♥ —

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10 lugares diferentões pra sair no Rio

Por Marie Victorino / marie@gwsmag.com

Sabe quando a gente entra naquele modo reclamão de que não tem mais nada pra fazer, os lugares são caros, vão as mesmas pessoas, não aguento mais ir lá, mas é a única opção, etc?

Então, pensando nisso e no meu próprio constante cansaço de frequentar sempre os mesmos lugares, eu resolvi experimentar lugares novos, com pessoas diferentes e acho que é justo compartilhar aqui. Se você quiser se aventurar num roteirinho mais diferentão, pega as minhas dicas.

Mas já vou avisando que pode não ser tão diferentão assim pra muita gente e também não muito atrativo pra outro tanto, afinal, pra maioria, você vai ter que curtir um bom inferninho.

1. Rio Novo Rock

rio novo rock - ventre Ventre

Ok, o Imperator não é um lugar diferentão (a não ser que, assim como eu, você esteja acostumada a sair só pela zona sul). A casa de shows é super tradicional (minha avó tem altas histórias dos bailes que ia quando era nova) e uma estrutura impecável. O espaço é ótimo, o som é bom, a cerveja custa R$6,00. O evento Rio Novo Rock rola de temporadas em temporadas, toda primeira quinta-feira do mês com bandas alternativas não só daqui, mas de outros cantos do Brasil também. Já tocaram lá: Beach Combers (hehe <3), Facção Caipira, Ventre, The Highjack, The Outs, Far From Alaska, El Efecto, Hell Oh… Já deu pra entender, né?

 

2. Buffallos Bar 

buffalos bar - gws

Saindo dali (do Imperator), você provavelmente vai querer esticar em algum lugar, já que os shows acabam cedo. E porque não continuar pelo Méier? O Buffallo Bar parece ser a nova sensação da comunidade roqueira (rs). Lá tem cerveja, Buffallo Wings, jukebox, sinuca e muito rock and roll. E ainda tem dia que eles fazem churrasco li-be-ra-do. Precisa de mais? Ok, aqui é a parte que eu me envergonho por estar recomendando um lugar que eu mesma ainda não fui… Mas né, recomendação dos amigos também vale. E tá na minha listinha, espero que você coloque na sua também e me diga como é se eu ainda não tiver ido!

 

3. Escritório (o bar)

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Ali bem pertinho do Buxixo, na Tijuca. O bar é comandado por um casal super simpático desde sempre e contam com a grande ajuda do “colega”, funcionário nota mil que tem se aventurado na cozinha e faz um dos hambúgueres vegetarianos mais gostosos da cidade, de falafel. Isso mesmo, produção caseira! No cardápio, além de opções maravilhosas de burgers e petiscos, tem drinks virgens, como a pink lemonade (bebida favorita da Nuta), drinks alcóolicos, cervejas e eu também tenho que recomendar o milkshake de nutella. Os preços são ótimos e o atendimento, mesmo com pouca gente trabalhando, também!

 

4. Escritório (o estúdio)

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Um verdadeiro inferninho localizado no Centro, entre a Praça Tiradentes e a Praça da República. Ali funciona o escritório-estúdio do Lê Almeida. Como eu posso explicar? É um sobrado bem apertadinho, mas tem espaço pra um bar, uma salinha que rola shows ou festinhas e um outro espaço que você encontra várias publicações independentes, desde fanzines até HQs. Nas paredes, muitos pôsteres irados, a maioria feministas! É demais! Tem que ficar ligado no Facebook pra saber quando rola evento por lá. Coloca aquele batom vermelhão e vai!

 

5. Coletivo Machina

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Para as mais junkies, assim como eu. Também no Centro, coladinho com a La Paz, ali funciona um estúdio onde várias bandas ensaiam e se encontram. No terraço, um espaço bem grande, rola um bar e um som, frequentado por artistas e músicos. Já teve festa de rock, festa black, bazar, exposição de arte e claro, shows. Às vezes a discotecagem é toda em vinil. É um lugar onde os amigos se encontram tipo um quintal de casa, mas não se intimide por isso. As festinhas são legais, a galera é simpática, a entrada é baratinha, quando não de graça e é um lugar legal pra conhecer gente nova. Você só precisa não ser muito fresca pra ir no banheiro, às vezes falta água…

 

6.  Bazar da Cantoria

bazar da cantoria
Sim, esse pode ser até um clichê! Mas, se você ainda não se aventurou a ir lá na Feira de São Cristóvão (Centro Municipal Luiz Gonzaga de Tradições Nordestinas) pra soltar a voz, você realmente não sabe o que está perdendo! Bom, primeiro não preciso nem dizer que é pra você ir com bastante fome, né? A comida nordestina é deliciosa e lá tem vários restaurantes típicos. Mas estamos aqui pra cantar! Também vale dizer que a feira deve ter pelo menos uns 10 karaokês, mas eu realmente recomendo o Bazar da Cantoria. O ambiente é fechado, mais intimista e fica com mais cara de seu show mesmo, tem até um palco! O catálogo é bem grande e eu ~só acho~ que você deveria ir num domingo. Primeiro porque é mais vazio (final da tarde) e segundo porque suas chances de encontrar o “Loiro Alemão” por lá são maiores. Esse é um frequentador assíduo do local e eu não quero falar mais nada, só vai e me diz depois se não valeu a pena assistir ao ‘show’ dele! E ainda tem a Gabriela! Sim, a cachaça!  ♥

 

7. Beco das Artes

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Fica ali no entorno da Praça Tiradentes. O local, antes conhecido como Beco das Putas, por conta da presença de garotas de programa nas redondezas, agora é rodeado por teatros e outros centros de artes, mas é na rua que o rock acontece. A programação é bem variada, tem exposições, sarau de poesia, cineclube, shows e intervenções artísticas diversas. Eu recomendo o Jazz, que costuma rolar às quartas e a Junkie Sessions, que é mais a minha cara ainda, porque rola banda. Bom, não preciso reforçar que é rua, né, mores? Aquela coisa de boteco, cerveja de garrafa, banheiro sujo, olho atento na bolsa, etc.

8. Saloon 79

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Mas, Marie, não era diferentão? Sim, mas fato que se você tá acostumado a ir pra Casa da Matriz, Fosfobox, Espaço Rampa e afins (não desmerecendo jamais, já me diverti muito nesses lugares e sinto falta da Pista 3 até hoje), então é diferentão sim! E pra quem não conhece, é uma casa de rock que fica ali em Botafogo e rola festa direto. A maioria com shows, mas também tem discotecagem. Pra saber a programação é só ficar de olho na página. O espaço é bem legal, dá pra dançar, dá pra sentar e comer, tem drinks e cervejas, espaço pra dançar, fumódromo e ainda um segundo andar mais tranquilo com uma mesa de sinuca (ou bilhar, nunca saberei a diferença).

9. Crazy Cats

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Pra vocês não acharem que eu sou uma maluca que gosta de ficar jogada no asfalto, suja e fedorenta… Guardei os dois últimos rolés pra lugares mais arrumadinhos! O Crazy Cats também fica ali em Botafogo e é tipo um bistrôzinho (bem pequenininho mesmo, tem até uma mesona compartilhada), muito charmoso!! É todo decorado com memorabília vintage e iluminação mais intimista. Claro que rola show (dã!), mas são versões mais suaves. Quem toca muito lá são Os Beatlemaníacos (obviamente cover de Beatles), em versão acústica. O preço não é lá muito convidativo, mas você paga pelo ambiente agradável, a música, o banheiro limpinho e atendimento, que é realmente bom. E é claro que você vai comer e eu recomendo o Nacho!

10. Manifesto BCA

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Mais um lugar bacaninha pra coçar o bolso! Eu comemorei meu aniversário lá e saí encantada! O bar conta com dois ambientes e no andar de baixo rola advinha o quê de vez em quando? Isso mesmo: show! Mas não é sempre, no meu aniversário mesmo não teve. O ambiente é lindo, aconchegante, é ótimo pra comemorações em grupos ou pra marcar um date do Tinder. Os drinks são simplesmente deliciosos assim como as comidas (e olha que eu experimentei várias coisas do cardápio!). O atendimento é realmente bom (tão difícil no Rio que a gente até se impressiona, não é?) e você pode escolher cartelas individuais pra não ter confusão na conta no final.

Espero que vocês curtam as dicas, é sempre bom dar uma mudada de ares e conhecer lugares novos, né? Se vocês tiverem mais dicas ~diferentonas, contem aí nos comentários! E se quiserem vem mais desses lugares, me segue no snap (shutupmarie), que eu tô sempre dando pinta em algum deles!

— ♥ —

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Toda garota tem algo de incrível para mostrar para o mundo

Por Nuta Vasconcellos / nuta@gwsmag.com

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Ilustração: Isabela Gabriel especialmente para esse post

A base do feminismo é melhorar o relacionamento de mulheres com mulheres. É só parar para pensar na nossa história, para ver como isso é importante. Como diz Chimamanda Ngozi na sua palestra We Should All Be Feminists: “Nós criamos as meninas para ver umas às outras como concorrentes” e isso é algo tão entranhado na gente, que mesmo quando nos assumimos feministas e sabemos da importância da empatia e da sororidade, sem perceber, reproduzimos discursos altamente machistas. E pior do que isso: discursos que limitam a nossa própria existência.

Vejo constantemente mulheres desmerecendo outras mulheres pelas suas escolhas estéticas, sua personalidade ou forma que vivem a vida, ou simplesmente dizendo o que devem ou não fazer para ganhar o respeito delas como “feministas”. Sem perceber, algumas mulheres estão criando regras tão crueis e absurdas como o próprio patriarcado fez. A última que eu li por aí e que foi definitivo para eu escrever esse post, foi que um grupo feminista no facebook resolveu não aceitar mais “feministas de direita” por achar que não existia coerência nisso. Não sei se isso é boato, ou verdade, mas também não vem ao caso. O caso aqui é que eu percebo cada dia mais, que algumas mulheres acreditam que outras devem caber dentro de um padrão, veja só um padrão, para receber o respeito delas.

Pra mim, ser feminista é acreditar na liberdade de SER de todas as mulheres. Foi esse o aprendizado mais importante que o feminismo me deu. Por isso, não consigo entender quando leio por aí, coisas como “Kylie Jenner é uma péssima referência para as adolescentes”. Eu ouvi essa frase de uma mulher, que se considera feminista. E eu perguntei por que ela acreditava nisso e a resposta foi: “Ela é fútil demais”. Sei lá, sou só eu quem achou, ou essa é uma frase extremamente machista? Sabe o que eu acho engraçado? Homens bem sucedidos podem colecionar relógios, carros, gravatas de marca e ainda sim, são considerados referências nos negócios, na família e na sociedade. Mas já reparou que o mesmo não acontece com a mulher? Uma mulher que coleciona carros, ostenta sapatos de marca e adora maquiagem tem menos valor que a mulher discreta, sem luxos. A voz dessa mulher é mais importante. Por quê? Kylie Jenner tem preenchimento labial, bolsas de marca e está constantemente maquiada e vestida de Balmain e ela também é uma jovem empresária, bem sucedida com a sua linha de cosméticos, sua marca de roupas e já usou suas redes sociais para uma campanha muito legal anti-bullying.

O que eu quero dizer com isso? Que precisamos urgentemente parar de achar que devemos caber dentro de um molde para ter respeito e para ser reconhecidas como feministas.

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É impossível lutarmos contra as regras do patriarcado, criando outras regras; olhando feio para mulheres que acreditamos não preencher o que você considera certo. Esse pensamento limitado só prejudica o crescimento de nós mulheres como indivíduos. Quando a gente fala “Ame seu corpo”, não estamos dizendo: “Não mude nada no seu corpo se não você não se ama”. O quanto absurdo seria isso? Na minha opinião isso é tão grave e opressivo como a chamada da revista: “Prepare seu corpo para o biquini”. Não podemos nos limitar, não pode existir um jeito certo de ser uma garota. Queremos ser livres, precisamos ser livres.

Quando falamos em ter autoestima e se amar dizemos que isso deve ser independente do corpo que você está. É entender que tudo são fases e que você pode e deve mudar se quiser, mas esse desejo deve vir de você e deve ser construído através do amor próprio e não odiando seu corpo. Essa mesma ideia serve para ter cabelos compridos ou curtos, usar maquiagem ou não, se depilar ou não, ser contra ou a favor do aborto, de esquerda ou de direita, bela, recatada e do lar ou bela, desbocada e do bar.

Devemos apenas respeitar as escolhas das outras, a realidade da outra, a vivência da outra. E claro, as nossas. E saber que somos livres até para mudar de ideia porque isso, faz parte do nosso processo de evolução como ser humano.

Você nao precisa ser Malala Yousafzai para ser respeitada, para ter voz, para ser considerada feminista. Você pode ser como você quiser. Por dentro e por fora. Como já diz o lema do GWS, acreditamos que toda garota tem algo de incrível para mostrar para o mundo. Apenas respeite e ame seu corpo, sua personalidade e crenças. E exija de você, o mesmo respeito que você quer receber. Assim, vamos construir uma comunidade de mulheres fortes e verdadeiramente donas de si.

— ♥ —

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Volto Semana Que Vem – opiniões do clube do livro GWS

Por Girls With Style / gws@gwsmag.com

Por Laíza Felix:

Em abril, o Clube do Livro GWS aderiu ao projeto Lendo a Ditadura, que propõe – por meio da leitura de obras ambientadas nessa época – uma reflexão sobre esse período triste de nossa história. O livro escolhido pelo grupo no Facebook (entra lá!) foi “Volto semana que vem”, da jornalista gaúcha Maria Pilla.

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Infelizmente, a leitura veio num momento em que o país passa por uma grave crise política e ninguém sabe muito bem o que vem pela frente. Talvez por isso seja uma hora bastante apropriada para visitar o passado: para tentar entender as articulações que levaram àqueles acontecimentos (e aos atuais também); para empatizar com o que as pessoas viveram; para nunca esquecer; para nunca mais deixar acontecer.

Pessoalmente, achei que o livro fosse mais pesado. Os relatos curtos são divididos por ano e local, sem ordem cronológica, sem entrar na crueldade dos detalhes. Ao contrário, percebi que ela se ateve, em vários trechos, a momentos bastante sensíveis, como a rabanada das presas e a reconciliação com a mãe.

Diria que, se um militante pudesse manter um diário, seria bem parecido com a obra de Pilla, que conta, em menos de cem páginas, momentos de toda sua vida antes, durante e depois da ditadura: a infância em Porto Alegre, a prisão em Buenos Aires, o exílio em Paris. Olha o que o pessoal do clube achou:

gws - clube do livro - abril

Margareth Andrade Eu comecei a ler. Mas confesso que apesar de curtinho o livro não me manteve empolgada. Vou retomar a leitura e espero mudar de ideia.

Maíra Bueno Gostei MUITO do livro, muito mesmo. A narrativa é uma oportunidade de viajar pela mente de outra pessoa: cada “capítulo” (?) é uma memória. Quase nunca uma está ligada a outra e não temos certeza do que as une. Como nossas lembranças, mesmo. Talvez canse um pouco essa falta de linearidade, não é possível acompanhar os personagens, por exemplo. Mas, como eu disse, é uma oportunidade. Essa mulher viveu horrores que mal podemos imaginar, e ela é generosa o bastante para nos deixar ler seus pensamentos, suas memórias. Pelo que ela contou, as memórias eram uma das poucas alegrias das presas políticas (que narravam filmes às outras, por exemplo). E eu nunca tinha lido um livro assim. Livros de memórias já li vários. Mas livro de lembranças acho que esse foi o primeiro.

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