Mulher latina: representatividade e estereótipos

Por Girls With Style / gws@gwsmag.com

Por Luana Reis:

No final da semana passada, eu fui surpreendida com o convite para escrever um texto “sobre algo que ninguém escreve”, vindo da Nuta. O papo começou após um post crítico sobre a visão da mídia em relação a representatividade e estereótipos da mulher latina em diversos filmes e séries hollywoodianos. Repetidamente vistas como sexies, explosivas, empregadas e incapazes de falar inglês corretamente. Dentro desse contexto, acabaram surgindo diversas indagações, inclusive sobre quem se enquadrava no conceito latina.

gws-mulher-latina-familia-hispanica

Antes da gente se aprofundar no tema, é necessário entender a designação latina. Latino, ao contrário do que aprendemos, não é algo essencialmente geográfico (natural do Lácio; povo latino). O termo latino é para todos que tem sua língua materna derivada do Latim. Portanto brasileiros são latinos, assim como mexicanos, portugueses, espanhóis, italianos, etc… Não são latinas as pessoas cuja língua mãe descende do anglo-saxão-germânico e outras.

Esse é o uso correto do termo e a noção disso teoricamente deveria nos unir. Mas sem utopias: o fenótipo nos separa, assim como o colorismo. Por isso nós, mulheres negras, batemos tanto na tecla do racismo brasileiro ser baseado no fenótipo x passabilidade branca. Ou seja, quanto mais escura a pele, maior será o preconceito. É importante observar que o movimento de indentificação vem tentando virar o jogo ao incentivar que as próprias pessoas se reconheçam, já que o racismo e o colorismo se baseiam na visão do outro, no que ele determina, e nas permissões sociais; encaixando e dividindo pessoas num esteriótipo já determinado. O entendimento de quem somos nos dá poder para reconhecer e lutar contra isso.

As brasileiras aqui são basicamente vistas e separadas como brancas ou negras, com muitas designadas brancas sem nunca ter a oportunidade de entender de onde realmente vieram. As famílias raramente reconhecem sua descendência africana quando ela não é evidente. As etnias africanas são amplas e nisso resulta uma gama de tonalidades e biotipos, porém é preciso lembrar que não é possível fazer esse resgate corretamente. Não há registros, localidade, datas de nascimento e nem tampouco sobrenome de nosso antepassados escravizados.

Numa outra esfera, presenciamos o fenômeno do parente negro, geralmente na forma de uma avó que já morreu, quando é necessário mostrar o orgulho negro-que-não-se-é. Quando a pessoa deseja abraçar a cultura negra sem precisar se preocupar com quem faz parte dela. Essa pessoa precisa desesperadamente tapar o sol com a peneira, sem o inconveniente de se reconhecer como parte do problema. Nessa hora, somos todos mestiços. É o que denominamos de afro conveniência, problema constatado hoje na indústria musical americana. A atriz Amandla Stenberg, mais conhecida por interpretar a Rue de Jogos Vorazes, é uma excelente porta-voz dessa questão e fala com uma propriedade incrível. Vale a pena ouvir um pouco do que ela tem a dizer! O grande problema dessa mestiçagem-conveniente é que ela não vale na hora do emprego e nem na da batida policial – essa, aliás, nunca erra! É interessante lembrar que pessoas negras também tem parentes brancos. E geralmente vivos. Todavia, nós nunca deixamos de ser negros aos olhos dos outros e da nossa sociedade. E o mesmo se segue, em proporção, para hispânicos e latinos.

mulher-latina-estereotipo

Já lá fora, não é bem assim que a banda toca. Existe pouca ou nenhuma vergonha em passar o preconceito bem na sua frente e a separação racial é evidente, sem máscaras. Por biotipo, pessoas de pele morena-clara ou clara com cabelos negros sendo lisos ou levemente ondulados podem ser lidas como latinas e automaticamente determinadas como quase lixo e deixadas à margem. Sendo os latinos separados como um grupo sócio-racial, a essas pessoas não será dada a oportunidade de se reconhecerem de outras formas, nem tampouco preencher formulários de identificação da maneira que desejarem. Não são vistos como brancos nem negros e sim como um grupo à parte. Isso se torna uma questão pois, apesar de uma parte aceitar essa denominação e se reconhecer assim, haverá quem prefira ser identificado pela sua nacionalidade ou descendência. Na outra ponta, a pele branca, a fair-skin, é bem diferente e facilmente reconhecível. É notável que os estadunidenses terão certa dificuldade em reconhecer a qual grupo tal pessoa pertence se essa mesma fugir do estereótipo comum e, na mesma proporção, estará a necessidade de classificá-la. Para brasileiros, geralmente é a primeira vez que dão de cara com a discriminação de forma tão evidente.

Partindo desse princípio, voltamos a discutir a influência e a importância da mídia nessas relações. Não há perdão nesse ramo. As atrizes latinas e hispânicas (Espanhóis, povos descendentes da península ibérica, ibéro-americanos; mas erroneamente confundidos nos Estados Unidos com o biotipo ameríndio ou indígena), com tonalidade de pele mais voltado ao tom de oliva, são destinadas à papeis hiperssexualizados e pouco inteligentes. Ou muito fúteis, ou o extremo oposto sem nenhuma vaidade. Não há complexidade nesses personagens, nem variações de humor, leveza, coollness e a noção de crescimento pessoal no final da trama. São sempre participações secundárias ou intermediárias que quase nunca levam à premiações. As latinas, em especial, servem como objeto de conquista do personagem masculino principal.

mulher-latina-jessica-alba-em-3-momentos

Sempre com sotaque, elas dão uma ajudinha aqui e ali, mas sempre terminam em alguma armadilha para que possam ser resgatadas. Acontece o óbvio romance e depois cada um vai pro seu lado. Ethan Hunt, interpretado por Tom Cruise em Missão Impossível é o perfeito exemplar que afirma a masculinidade e o fato de – vejam só – não ser preconceituoso se envolvendo com uma minoria em cada filme. Mas é possível observar que na mesma série, a esposa a quem ele ama e protege, além de ser frágil e com profissão nobre é branca de olhos claros (Michelle Monaghan). Bota fé! Pode ver de novo e prestar atenção! Rsrs Um outro exemplo que eu gosto de trabalhar é o da não-branca Jessica Alba. Dona da belíssima The Honest Company, pouca gente lembra que ela já foi a antagonista de Drew Barrymore em Nunca Fui Beijada. Mesmo sendo uma excelente atriz, é evidente o clareamento de pele e cabelos para conseguir melhores papéis. Os bons personagens são destinados às mulheres brancas de traços europeus, ou a quem se faça passar desta maneira. Isso tudo, é claro, quando é dada a uma mulher a oportunidade de protagonizar uma história.

mulher-latina-representatividade-the-hunger-games

Ainda nesse contexto, um caso interessante que vale a pena relembrar é o da personagem Katniss Everdeen, descrita no livro como olive-skinned, mas interpretada por Jennifer Lawrence. Numa linha semelhante, segue a “polêmica” da escolha da atriz Noma Dumezweni para o papel de Hermione Granger, anteriormente interpretado por Emma Watson, para a continuação da história nos palcos. A autora JK classificou a discussão como idiota, uma vez que ela afirma não ter descrito Hermione como branca. O primeiro livro da saga é claro: Olhos castanhos, cabelos crespos e dentes acentuados. Logo, características negras. A escalação de Emma, apesar de sua excelência como atriz, a descaracterizou. Tanto foi que adiante nos livros, após o lançamento do filme, existe uma passagem que fala sobre “a sua cara branca escondida atrás de uma árvore”. Precisamos nos perguntar porque isso acontece e entender que essa descaracterização dos personagem contribuem para um certo Apartheid no cinema e na TV, que se reproduz inconscientemente na nossa realidade.

O Oscar desse ano teve essa discussão como pano de fundo, inclusive sendo boicotado por grandes atores, mas sem ter o eco necessário nem receber a devida atenção. É claro que as latinas são inclusas nesta mesma onda de segregação e a consciência geralmente só chega quando bate na nossa porta. Das caracterizações de Cleopatra a Jesus Cristo, poucas são fiéis. Todavia, seguem firmes no imaginário coletivo. Desculpa se eu estiver estragando antecipadamente seu natal; mas historicamente falando, a chance de JC ser caucasiano de olhos azuis é zero.

Uma questão que eu identifico por aqui e acho bem engraçada é o “paguei minha ascendência familiar e não largo!” Rsrsrs Muito comum em descendentes da Alemanha e da Itália, principalmente. Não me entendam de forma equivocada, por favor. O resgate cultural familiar é tão importante e bonito quanto manter viva antigas tradições. Esse é um tipo de beleza ausente no mundo que precisa ser preservada e quando é dessa maneira, é excelente! Mas a maioria usa infelizmente de certa desonestidade, por assim dizer, para se distinguir do lugar comum. Essa ancestralidade acaba servindo ao propósito duvidoso de se diferenciar, não precisando ser brasileiro de fato e assim propagando alguns preconceitos. Essas falas servem para se esconder sob a máscara de outra nacionalidade, não exercendo a cidadania plena e a reflexão sobre a responsabilidade social local. Por isso, entendam: Se sua família está aqui há mais de três gerações, prosperou aqui, criou os filhos aqui, chama essa terra de lar e você entende o português como sua primeira língua – darling, aceita! Você é brasileiro, latino-americano. A história desse país é SUA história. Portanto, participe dela, orgulhe-se dela! Mas também repudie nossos erros e os problemas que não conseguimos sanar até hoje. Você é parte do problema, mas também da solução. Instigar a síndrome de vira-lata não vale! O que vale é o comprometimento.

Velhos padrões precisam ser repensados para que possamos dar voz, lugar e papel para que verdadeiras mulheres possam finalmente se ver. Para que elas possam se enxergar no alto de sua complexidade, excelência, poder e capacidade. O caminho de se entender que se é único.

— ♥ —

assinatura-de-post-luana

9 Comentários

Tags:

2 anos de #ClubeDoLivroGWS!!

Por Girls With Style / gws@gwsmag.com

2-anos-clubedolivro

Quem diria que esse clube iria render esse tempo todo! A ~fundadora dele é a Carol Guido, que tocava o blog aqui com a gente. Ela é super fã de livros e leitora assídua, mas estava naquele período que a gente abandona bons hábitos, como ler e resolveu criar o clube como uma forma de incentivo. E funcionou! Ela tocou tudo por um ano.

Depois, ela se mudou pra Londres com o Gus e acabou precisando de ajuda na moderação, já que eu e Nuta não íamos dar conta! Eis que a gente convidou a Laíza, que tem tocado o grupo no facebook, estimulando vocês, fazendo as enquetes pra escolher as próximas leituras e os posts da tag aqui no blog.

É muito legal que o clube não só está firme e forte, como em constante crescimento! Todo dia tem gente solicitando entrar no grupo! \o/ A gente agradece por vocês participarem e convida quem ainda não conhece a entrar nessa com a gente! De uns tempos pra cá, temos priorizado autoras e temas mais feministas, mas isso não é regra! Foi um ano enriquecedor, com certeza, né?

Nestes dois anos, muitos títulos legais já foram lidos. Você pode conferir tudo que rolou no primeiro ano de #ClubeDoLivroGWS e aqui abaixo, vou colocar todos os livros que lemos nesse segundo ano! E que venham mais!

 

♥ Americanah,  Chimamanda Ngozi Adichie

“Lagos, anos 1990. Enquanto Ifemelu e Obinze vivem o idilio do primeiro amor, a Nigéria enfrenta tempos sombrios sob um governo militar. Em busca de alternativas as universidades nacionais, paralisadas por sucessivas greves, a jovem Ifemelu muda-se para os Estados Unidos. Ao mesmo tempo que se destaca no meio acadêmico, ela depara pela primeira vez com a questão racial e com as agruras da vida de imigrante, mulher e negra. Quinze anos mais tarde, Ifemelu e uma blogueira aclamada nos Estados Unidos, mas o tempo e o sucesso não atenuaram o apego a sua terra natal, tampouco anularam sua ligação com Obinze. Quando ela volta para a Nigéria, terá de encontrar seu lugar num país muito diferente do que deixou e na vida de seu companheiro de adolescência. Principal autora nigeriana de sua geração e uma das mais destacadas da cena literária internacional, Chimamanda Ngozi Adichie parte de uma historia de amor para debater questões prementes e universais como imigração, preconceito racial e desigualdade de gênero. Bem-humorado, sagaz e implacável, Americanah é, além de seu romance mais arrebatador, um épico contemporâneo.”

♥ A mágica da Arrumação, Marie Kondo

“A mágica da arrumação” questiona nossa relação com os objetos, porque os guardamos e como fazer disso uma maneira de não apenas colocar a casa em ordem, mas nossa própria vida. É isso tudo mesmo! E se você não leva muita fé, olha quem já leu e recomenda: https://www.youtube.com/watch?v=4rsbdneF-zA

♥ Fahrenheit 451, Ray Bradbury

“A obra de Bradbury descreve um governo totalitário, num futuro incerto mas próximo, que proíbe qualquer livro ou tipo de leitura, prevendo que o povo possa ficar instruído e se rebelar contra o status quo. Tudo é controlado e as pessoas só têm conhecimento dos fatos por aparelhos de TVs instaladas em suas casas ou em praças ao ar livre. O livro conta a história de Guy Montag, que no início tem prazer com sua profissão de bombeiro, cuja função nessa sociedade imune a incêndios é queimar livros e tudo que diga respeito à leitura. Quando Montag conhece Clarisse McClellan, uma menina de dezesseis anos que reflete sobre o mundo à sua volta e que o instiga a fazer o mesmo, ele percebe o quanto tem sido infeliz no seu relacionamento com a esposa, Mildred. Ele passa a se sentir incomodado com sua profissão e descontente com a autoridade e com os cidadãos. A partir daí, o protagonista tenta mudar a sociedade e encontrar sua felicidade.”

♥ Quarenta dias, Maria Valéria Rezende

“A escrita de Maria Valéria é super ágil, parece que tudo foi feito de uma vez, sem voltar uma página para conferir o que saiu. A história de como Alice vai parar em Porto Alegre e o que acontece depois é narrada num caderno escolar da Barbie, que vira a confidente deste desabafo tão pungente de uma mãe que, de repente, se vê constrangida pela filha, colocada contra a parede e coagida a abdicar de sua vida.”

♥ Quarto, Emma Donogue

O livro, narrado por Jack, foi meio que inspirado no caso Fritzl. Para quem não se lembra (e para encurtar a história), em 2008, na Áustria, foi descoberto que Josef Fritzl tinha sequestrado, estuprado e mantido em cativeiro a própria filha, Elizabeth, num bunker construído sob a casa em que viviam. Ela teve um filho antes de Jack, que morreu por falta de assistência médica e foi enterrado no quintal da casa. A fuga dos dois também passa por um hospital. Mas, no livro de Emma Donoghue, Mãe e Jack simulam uma doença para que o Velho Nick (sequestrador) leve o menino para o Lá Fora. Uma boa parte do livro é dedicada a mostrar como é a vida da Mãe e de Jack após saírem do Quarto. Essa perspectiva é bastante perturbadora, porque todo o mundo e a vida de Jack se resumiam àquele cubículo. Sair do Quarto parece mais traumático para Jack do que ser libertado. Afinal, ele não conhecia o Lá Fora.”

♥ Contos de Mentira, Luisa Geisler

“São pequenas histórias densas, que retratam o ser humano sozinho, acompanhado de sua incompletude”. Contos de mentira reúne dezessete textos, alguns sobre pequenas mentiras metafóricas, outros sobre pessoas que vivem uma existência de mentira. Histórias que falam de sentimentos humanos antiquíssimos. “Li uma reportagem sobre o assunto que me chamou atenção. Segundo o texto, a mentira mais falada era ‘está tudo bem’, ‘não tem nada de errado comigo’. Achei interessante. São coisas tão humanas, que não sentimos como mentiras. Veio então a ideia de fazer um livro sobre essas mentiras simples, que têm um significado muito humano”, conta Luisa. São breves histórias com ares de curtas cinematográficos, cheias de desafios e determinação. Não se trata aqui de narrativas convencionais, com princípio, meio e fim. Cada história começa no meio da história ou em um ponto qualquer do seu percurso, sem que nenhum fato marcante nos diga: neste ponto tudo teve início. Cabe ao leitor embarcar neste trem em movimento. A viagem vale a pena.”

Volto semana que vem, Maria Pilla

“Pessoalmente, achei que o livro fosse mais pesado. Os relatos curtos são divididos por ano e local, sem ordem cronológica, sem entrar na crueldade dos detalhes. Ao contrário, percebi que ela se ateve, em vários trechos, a momentos bastante sensíveis, como a rabanada das presas e a reconciliação com a mãe. Diria que, se um militante pudesse manter um diário, seria bem parecido com a obra de Pilla, que conta, em menos de cem páginas, momentos de toda sua vida antes, durante e depois da ditadura: a infância em Porto Alegre, a prisão em Buenos Aires, o exílio em Paris.”

♥ Por favor, Cuide da Mamãe, Kyung-sook Shin

“Por favor, cuide da Mamãe conta a história de Park So-nyo. Moradora de uma aldeia no interior da Coreia do Sul e mãe de cinco filhos já crescidos, ela desaparece ao chegar a Seul para visitá-los. Como fez a vida toda, o marido, com quem Park é casada há mais de 50 anos, simplesmente supôs que a esposa o seguia e a deixou para trás numa estação de metrô. Essa é a última vez que Park é vista.
Enquanto a procuram pelas ruas da cidade, o marido e os filhos relembram a vida de Park So-nyo e repassam mentalmente tudo o que não disseram a ela. Por meio de suas vozes, começamos a entender os desejos, as dores e os segredos de uma mulher que ninguém nunca conheceu de verdade. E, à medida que o mistério do seu desaparecimento se desenrola, deparamos com um enigma ainda maior, comum a todas as mães e filhos: como o carinho, a exasperação, a esperança e a culpa somam-se para dar origem ao amor.
Terno, redentor e belamente escrito, Por favor, cuide da Mamãe reconecta o leitor à própria história e a seus sentimentos mais profundos. Ao mesmo tempo um retrato da Coreia do Sul contemporânea e uma história universal sobre família e amor.”

♥ Um, Dois e Já, Inés Bortagaray

“Primeiro livro da uruguaia Inés Bortagaray no Brasil, Um, dois e já é uma delicada ode às memórias afetivas. Na novela, a história é narrada em primeira pessoa por uma menina que conta a viagem de verão da família até um balneário uruguaio, dentro de um carro apertado, no início dos anos 80. A voz da narradora, ora lírica, ora jovial, mas nunca infantilizada, descortina a paisagem plana e melancólica do Uruguai, e revela a dinâmica familiar, na qual ela ocupa a peculiar e determinante posição de irmã do meio. Num relato repleto de humor e ironia, aparecem as disputas, as estratégias, alianças e brigas pelo lugar na janela e pela atenção paterna. Nos momentos de silêncio, ela cria histórias mentais, faz digressões, analisa os gestos do pai e da mãe, e pensa nas pequenas perdas da vida.”

♥ Hoje é o Último Dia do Resto da Sua Vida, Ulli Lust

“Sempre ensinaram a nós, mulheres, que o mundo era um lugar a ser temido. Disse bem: ERA! Nosso lugar também é na estrada – se assim desejarmos! Por isso, vamos ler “Hoje é o último dia do resto da sua vida”, da austríaca Ulli Lust, que conta a história vivida por ela na adolescência ao viajar com uma amiga até a Itália sem um centavo no bolso. Lançado em 2015 pela WMF Martins Fontes, é um super quadrinho com mais de 400 páginas!”

— ♥ —

Comentar

Tags:

Vale a pena assinar os apps das Kardashians?

Por Nuta Vasconcellos / nuta@gwsmag.com

Apesar de não ser assunto recorrente aqui no GWS, quem me acompanha nas redes sociais, sabe que sou um pouquinho obcecada com a família Kardashian/Jenner. Isso inclui acompanhar todas no twitter, instagram, snapchat, comprar algumas revistas, livros, Lipkits de Kylie Jenner e até papel de presente Kimoji (os emojis da Kim). Então claro, que assim que elas lançaram os seus aplicativos, assinei todos para ver o que eu achava. Mas se tem uma coisa que a família matriarcal real americana sabe fazer é dinheiro, obviamente, os apps não são gratuitos. Cada um, custa $2,99, algo em torno de R$9,86. E elas são muitas, né? Cinco irmãs, o que dá uma média de quase R$50,00 por mês para ver as meninas serem blogueiras.

Mas e aí? Vale a pena? O que elas falam nos aplicativos? É interessante? Conteúdo é relevante? Depois de alguns meses assinando todos e acompanhando as postagens todos os dias, achei que seria legal fazer um post sobre o que vocês podem esperar em relação aos aplicativos das irmãs.

♥ Kim Kardashian

gws-kim-kardashian-app

Por coincidência, minha Kardashian favorita, também é dona do melhor app. Parece que quando o assunto é tecnologia, senhora Kardashian West quebra mesmo a internet. O que eu mais gosto no app dela é que ela de fato, dá o que os fãs esperam. O que queremos ver em um aplicativo de uma celebridade que é famosa por compartilhar sua vida e todos os momentos? Sim, queremos ver os bastidores da vida dela, saber mais do ciclo de amigos, ver fotos exclusivas e dicas. E você encontra tudo isso no app dela. Fotos de viagens, festas, dicas de onde comprar por um preço camarada peças inspiradas nos looks dela, vídeos respondendo perguntas dos fãs, vídeos com os amigos, squad de beleza (que ela chama de inner circle) bastidores de fotos e o “CURRENTLY“, aonde ela compartilha o que ela anda amando, odiando, comendo, usando, ouvindo, assistindo, lendo, desejando e qual o kimoji representa aquele momento. Isso sem falar nas dicas de produtos de beleza, como repetir seus penteados. Kim também sabe falar sério. Essa semana ela abordou o racismo e falou sobre a campanha #Blacklivesmatter e também já fez post sobre o Genocídio Armênio.

Post recente que mais gostei: Como manter seus cabelos lindos, limpos e quais penteados usar, ficando 5 dias sem lavar.

Vale assinar: Se você quer vários momentos insiders da vida de Kim e dicas de produtos de beleza e roupas. Assim como Kim, o app tem a vibe “tudo sobre mim” no caso, sobre ela.

Penso em cancelar a assinatura? Não!!!!

♥ Khloé Kardashian

gws-khloe-kardashian-app

Na minha opinião, o app mais útil e completo de todas as irmãs. Koko capricha nas dicas e é daquelas que você sente vontade de reproduzir tudo. Obviamente, muitas dicas fitness, de comida (muitas receitas!), até roupas para malhar. Assim como o app da Kim, tem dicas de produtos de beleza, looks e compras, vídeos com amigos no estilo youtuber, daquele jeito engraçado que só Koko tem. O melhor dessa linha é quando ela grava com a melhor amiga, Malika, velha conhecida de quem acompanha o reality. Os vídeo chamados EBONY & IVORY são sempre muito engraçados. Muitas dicas de arrumação e organização, passo a passo de rotina de beleza e listas de “must-have” de comidas até acessórios de malhar.

Outra coisa bem legal do app é que ela abre muito espaço para outras mulheres. Tem uma tag fixa chamada “Damn Gina!”, em que ela divide histórias de mulheres inspiradoras (alguns homens também) e já passaram pela tag: Ashley Graham, Amma Asante e Emma Watson. Outra tag fixa é a “Fan sou-off”, em que leitoras/fãs são colaboradoras e escrevem suas histórias em posts inspiradores. Já rolaram os temas: “não tem problema em ser solteira”, “lidando com ansiedade social” e “como é ser uma mãe jovem”. Koko nunca decepciona.

Post recente que mais gostei: O que comer antes de depois de malhar

Vale assinar: Como disse no começo do post, na minha opinião é o app mais completo e útil. Se você gosta de ver vídeos de bobeira de entretenimento, dicas de arrumação da casa e comidinhas fáceis, rápidas e saudáveis, app da Khloé é pra você.

Penso em cancelar a assinatura? Não!

♥ Kylie Jenner

gws-kylie-jenner-app

O app mais baixado da família é de Kylie, a caçula. Mas na minha lista, ele fica em terceiro lugar. O aplicativo é bom e é visível como ela dedica tempo e ideias para ele, mas não me prende muito. Muito get the look, muitos posts de fãs que fazem homenagens para ela com desenhos e fan arts no geral, maquiagem, maquiagem, maquiagem, todas as novidades sobre a Kylie cosmetics em primeira mão (isso é bem legal e facilita as chances de conseguir comprar os disputados batons!) e assim como Kim tem o “CURRENTLY“, Kylie tem o “The Temperature” em que ela conta seus favoritos do momento.

O app tem essa vibe “eu, eu, eu” parecido com o da Kim, mas o da irmã mais velha passa a sensação de que as dicas serão úteis para a sua vida, o mesmo não acontece com o app da Kylie que parece só para admirar tudo sobre ela mesmo. O mais legal do aplicativo dela é sem dúvidas a rádio. Sim, uma rádio de verdade, 24 horas e eu já conheci muita música legal de hip hop e pop por lá. De vez em quando ela faz uns programas ao vivo com os amigos e as irmãs. Bem legal!

Post recente que mais gostei: 5 lojas vintage do Etsy para conhecer

Vale assinar: Se voce quer saber em primeira mão sobre as novidades de Kylie Cosmetics, se você é super fã da Kylie.

Penso em cancelar a assinatura? Sim, mas sou apegada a rádio e gosto de saber das atualizações da linha de cosméticos dela. Mas em algum momento, vai acontecer.

♥ Kendall Jenner

gws-kendall-jenner-app

Considero Kendall a irmã mais low profile. Ela é bem Jenner mesmo (só quem assiste o reality entendeu) e nem a convivência com as irmãs mais velhas, deixou muita coisa Kardashiana nela, ao contrário de Kylie. O aplicativo dela tem essa vibe. Não é muito pessoal é mais chic do que os das irmãs, eu diria. Não espere vídeos com as amigas, momentos insider, dicas de beleza, informações pessoais sobre ela. Você vai gostar muito mais do aplicativo da Kendall se for ligada a moda e ao high fashion do que ao universo Kardashian.

Os posts geralmente são inspiracionais, tipo “mood” do momento, onde ela faz umas colagens de fotos tipo tumblr com fotos do universo fashion, ícones do cinema, moda e paisagens. Ela também posta uns D.I.Y interessantes e tem uma tag fixa chamada “idol workship” que ela fala sobre pessoas que admira. Já passaram por lá Patti Smith, Bill Cunningham e Vvivienne Westwood.

Ela mostra muito os desfiles que faz, um pouco do backstage na tag fixa chamada “Backstage pass” mas nada super exclusivo ou que você não veja parecido no FFW.

Post recente que mais gostei: “Os melhores hambúrgueres do mundo” uma lista com os hambúrgueres que ela comeu e mais gostou, pelas viagens pelo mundo. Um post totalmente fora da linha que ela segue e ficou bem legal.

Vale assinar: Se é super fã do universo fashion. Acompanha desfiles, gosta dos grandes nomes da moda (fotógrafos, estilistas, editoras de revista) e gosta de inspiração visual.

Penso em cancelar a assinatura? Já cancelei semana passada. Apesar de gostar do universo que ela apresenta no aplicativo, não é nada exclusivo e consigo o mesmo conteúdo em outros veículos gratuitamente.

♥ Kourtney Kardashian 

gws-kourtney-kardashian-app

Kourtney é uma das melhores personagens do reality, tem o melhor snapchat das irmãs e é tão linda e com uma personalidade incrível. Mas ela, na minha opinião, não consegue passar nada disso no aplicativo. O conteúdo é raso, pouco pessoal e ela demora muito para atualizar com novidades.

Às vezes ela aborda o tema certo, mas de forma desinteressante, como por exemplo quando ela fez um vídeo sobre a decoração da cozinha e sala familiar da casa dela. Em vez de fazer um vídeo como Koko faria, com ela andando pelo espaço e falando sobre ele, fez um vídeo frio com narração do decorador. Boring. A maioria dos posts que acho interessantes são as receitas sempre orgânicas e saudáveis. Amo! Ela poderia fazer mais vídeos sobre isso e não só a receita escrita acompanhada de uma foto. Fica frio demais.

No app da Kurt, muitas vitrines (incluindo coisas para crianças), #TBT (fotos antigas) e dicas de decor. Mas como eu disse, tudo de forma rasa e mal aproveitada.

Post recente que mais gostei: Como fazer água de rosas e smoothie de bananas com espinafre

Vale assinar: Somente se voce for realmente muito fã da Kourtney e quer dar essa força ou se quer app ostentação de assinar todas as irmãs.

Penso em cancelar a assinatura? Cancelei semana passada.

A boa notícia é que se você ficou curiosa para testar algum, os 7 primeiros dias, são gratuitos. Curtiram o post? Vocês assinam os apps? Quais gostam mais? Vamos conversar aí nos comentários!

— ♥ —

assinatura_2016_nuta-vasconcellos1

1 Comentários

Tags:

Julho no Clube do Livro GWS: “Hoje é o último dia do resto da sua vida”, Ulli Lust

Por Girls With Style / gws@gwsmag.com

Por Laíza Felix:

clube-do-livro-gws---collage---julho

Como julho normalmente é mês de férias, vamos fazer uma leitura de viajante! Sempre ensinaram a nós, mulheres, que o mundo era um lugar a ser temido. Disse bem: ERA! Nosso lugar também é na estrada – se assim desejarmos! Por isso, vamos ler “Hoje é o último dia do resto da sua vida”, da austríaca Ulli Lust, que conta a história vivida por ela na adolescência ao viajar com uma amiga até a Itália sem um centavo no bolso. Lançado em 2015 pela WMF Martins Fontes, é um super quadrinho com mais de 400 páginas!

Essa leitura é super especial por dois motivos: esse é o nosso primeiro quadrinho e também marca nossos aniversário de um ano de grupo no Facebook e dois de Clube do Livro! E pra comemorar, estamos sorteando o livro do mês lá no grupo. É só comentar no post da promoção que vamos sortear, amanhã, quarta-feira.

>> Participe do Clube do Livro <<

— ♥ —

assinatura_2016_laiza-felix

Comentar

Tags: