5 Lições que aprendi antes de “largar tudo”

Por Carol Guido / carol@gwsmag.com

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Largar.

Tudo.

Imagina o alívio que seria isso: Acordar e decidir que não quer mais viver a vida do jeito que tá. E assim, pára de ir pra faculdade, pro trabalho, pára de pagar as contas e ir a compromissos. Você pega sua mala e vai viajar. Ou finalmente começa o seu próprio negócio, ou até seu sonhado home office.

Simples assim.

Seria bom, né?

Mas, na boa, vocês já ouviram falar de alguma história real como esta? Nem eu. Mas certamente você já ouviu ou leu muitas histórias de pessoas que diziam ter “largado tudo”. Pois é.

Então, porque os relatos não batem com a expectativa? Sinceramente? Porque largar tudo simplesmente não existe. Não do jeito que a gente sonha ou imagina.

Há mais ou menos 2 meses eu larguei meu emprego e o dinheiro certo todo mês pra me dedicar ao meu sonho, o GWS. A Nuta e a Marie já tinham feito isso, só faltava eu.

Mas quando eu conto isso pra alguém, as primeiras reações que escuto são sempre associadas às palavras “coragem” e “inveja branca”. Como se eu tivesse me libertado de uma prisão e pulado direto num abismo que pode ter ou não, uma rede de segurança e um pote de ouro no final.

Mas não é bem assim que a banda toca. Só a parte do abismo. hahahhaa Mas tem toda uma preparação pré pulo que te faz sentir seguro pra correr algum risco. E desta parte a gente quase não ouve falar. Ou não quer ouvir, né. Sei lá.

Óbvio que pra tudo há uma excessão e o que funcionou pra mim, pode não funcionar pra outras pessoas. A questão é que estas são as únicas lições que eu conheço que não te colocam na dependência da sorte ou boa vontade divina. Só por isso já acho vale a tentativa.

1 – Trabalhe pros outros. Aprenda a ter paciência. Ser bom em alguma coisa exige treino.

Bom, comigo tudo aconteceu bem lentamente. Eu sempre soube que não queria fazer “carreira” em empresas grandes do tipo competitividade e lucro a todo custo. Por isso, desde o meu primeiro estágio, lá em 2008, até meu penúltimo trabalho, eu não conseguia durar muito tempo nos lugares e ficava louca de impaciência pra encontrar um emprego ideal.

Era sempre assim: Ou o lugar era legal, mas o salário era ridículo. Ou tinha que trabalhar full time, até finais de semana. Ou tinha chefes loucos / grosseiros demais. Por aí vai.

Mas aí eu percebi que não conseguiria chegar a lugar nenhum se não soubesse treinar minha paciência e dar tempo ao tempo pra crescer. Como eu ia ser dona de um negócio de sucesso ou ocupar um cargo super importante sem ter passado por nada na vida?

Quando percebi isso, fui enfrentando melhor as adversidadades e em paralelo o blog foi ganhando forma.

2 – Dê valor à todas as coisas que você aprende no trabalho. Principalmente sobre como lidar com pessoas. E use tudo que sabe pra aprimorar suas ideias e sonhos pessoais.

Aí veio a última empresa que trabalhei, o Zoom, onde fiquei 3 anos. Lá eu encontrei um ambiente amigável, chefes que me direcionavam, espaço pra crescer e muita pressão pra fazer as coisas acontecerem rápido e bem feitas. Posso dizer que foi tudo que eu precisava pra completar mais um ciclo de amadurecimento. Foi lá que aprendi na prática tudo que sei de internet, e-commerce, redes sociais, relacionamento com o cliente, com colegas de trabalho e construção de marca. Finalmente cresci em todas as funções que gosto e me identifico, além de ter conseguido melhorar meu jeito de lidar com os outros.

Durante este período a Marie também trabalhou numa empresa que gostava por muito tempo, a Nuta pegou alguns dos freelas mais desejados da moda e também trabalhou em outras áreas do jornalismo, experimentando e testando tudo na prática. Em paralelo começamos a incluir no GWS cada vez mais aprofundamento nas questões de autoestima, feminismo, empoderamento e outros assuntos que hoje são o coração do nosso blog. Coincidência? Acho que não.

3 – Aprenda a decidir qual o momento certo de seguir teu sonho

No meu caso, o GWS foi tomando espaço na minha vida de uma forma que eu não conseguia mais administrar no tempo livre. Mas com você não precisa ser assim. Pode ser que você já esteja segura antes disso.

A grande questão é essa: não dá pra sentir que você tá se jogando de um trampolim sem cama elástica embaixo. Tem que ter uma segurança, um planejamento. Se não, não é correr atrás dos sonhos, é fuga da realidade mesmo.

4 – Tenha uma reserva financeira ou freelas já engatilhados

Do dia que eu percebi que o GWS tava ocupando tempo demais, até o dia que eu realmente saí do Zoom, foram mais de 7 meses pensando e juntando todo o dinheiro que eu podia. Se contar de quando lançamos o GWS, até quando resolvi me dedicar a ele, foram quase 6 anos.

Sair do emprego e não ter mais o dinheiro certo ali todo mês assusta. Então você precisa de uma reserva. Ainda mais quando se tem aluguel pra pagar todo mês e não há mais a opção de voltar pra casa dos pais. Não se afobar agora que está tão perto de conseguir o que queria foi vital pra mim.

5 – Esteja sempre de coração aberto a tarefas chatas

E pra encerrar as minhas lições do dia, claro que também não dá pra achar que o que você nunca mais vai fazer trabalhos que não curte. Dentro do seu próprio negócio ou entre freelas que você vai pegar sempre vão existir trabalhos complicados, chatos ou que você não sabe nada a respeito. Não dá pra pensar muito. Se for importante financeiramente ou pra sua carreira, tem que pegar e fazer.

 

Sabendo que não sou nenhuma guru de porra nenhuma, preciso dizer que este tempo de paciência e aprendizado, apesar de sofrido, foi essencial pra eu conseguir “largar tudo” hoje. O fato de ter noção de como as empresas funcionam, como as coisas são aprovadas, avaliadas, como podem ser as relações entre chefes, funcionários, clientes, fornecedores. Tudo isso faz com que você coloque o pé no chão de uma forma que nenhum livro ou artigo sobre empreendedorismo pode fazer.

Agora é seguir em frente e esperar pelo melhor. E aí, deu pra se sentir mais preparada pra correr atrás do seu “largar tudo”?

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