A linha tênue entre liberdade de expressão e discurso de ódio

Por Girls With Style / gws@gwsmag.com

Por: Juliana Oliveira

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As redes sociais viraram um grande palco de discussão para os mais diversos temas. Opiniões controversas que ficavam apenas ali em um bate papo de bar, hoje se tornaram públicas e ganham repercussão nacional. Quando a gente acredita que o mundo está finalmente evoluindo, vem uma série de comentários racistas, misóginos, xenófobos e quase leva embora nossa esperança na humanidade. Um monte de gente é ofendida e humilhada por causa de “simples” comentários, mas você supostamente tem que ficar bem quieto. Afinal, liberdade de expressão, censura ou opinião, são apenas alguns dos termos utilizados para justificar as agressões que as pessoas falam por aí.

Não existe nenhuma espécie de filtro entre o que se pensa, fala e escreve. As pessoas têm plena convicção de que o direito de liberdade de expressão é justificativa para praticar o ódio para todos os lados. Mas, esquecem que o outro lado tem os mesmos direitos.

Chamou goleiro de macaco? Apenas sentimento à flor da pele. Ficou contra? Você tá querendo censurar! Chamou a blogueira de gorda e levou uma resposta bem dada? Era apenas uma opinião. Disse que pobre nordestino deveria ser impedido de votar e alguém se revoltou? Cadê o direito da liberdade de expressão?

Mas, o que geralmente esse tipo de pessoa não sabe é o que o termo “liberdade de expressão” realmente significa e as responsabilidades que vem agregadas a ele. O direito de manifestar livremente opiniões e ideias está garantido legalmente para todos que vivem num país democrático como o nosso. Mas, ele não é absoluto, o exercício dessa liberdade não deve afrontar o direito do outro. Esse direito serve para garantir as vozes dissonantes, a multiplicidade dos pensamentos, independentemente das forças que operam o Estado. Com outras palavras, ninguém vai ser preso (ou torturado) por se assumir gay, por ir contra o governo vigente, por escrever uma música que questione o sistema ou usar uma camisa com frases que contrariem o Estado, como um governo totalitário faria.

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O grande problema é que muitas vezes, a liberdade de expressão é usada para camuflar a manifestação preconceituosa contra minorias étnicas, sociais, religiosas e culturais, prática também conhecida como: discurso de ódio, que além de ir contra os princípios da liberdade de expressão não assegurando o direito a pluralidade, mata. Sim, mata! Porque pessoas são assassinadas ou culturalmente massacradas em consequência desses discursos. E quando a gente vê um sujeito em pleno debate político presidencial dizendo “Vamos enfrentar essa minoria. Vamos enfrentá-los, não vamos ter medo”. Ele incita o pior no ser humano, o ódio ao outro e não temos dimensão do que isso pode acarretar. Afinal, se ele pensa isso, muitos outros também pensam e ganhar respaldo nacional para “enfrentar” uma minoria é algo muito perigoso. É um pensamento segregador que vai aos poucos ganhando força e é um retrocesso na conquista da democracia.

Discursos de ódio disfarçados de “minha opinião” podem ser o primeiro passo para um caminho em que a liberdade de fato, seja extinta. Afinal, Hitler também tinha um ponto de vista, uma opinião, assim como a ditadura militar.

Mas ainda bem, ainda vivemos em uma democracia. Sendo assim, graças a isso você pode falar a merda que quiser, mas esteja ciente de que terá que lidar com as conseqüências. Afinal o Estado também tem leis pata punir difamação, injúria, racismo e calúnia. Querer ter o direito assegurado passando por cima de tudo e todos? Sorry, isso não é a democracia que você tanto prega que vive. A democracia respeita as pessoas, todas elas.

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