A (não) liberdade feminina

Por Girls With Style / gws@gwsmag.com

Por: Juliana Sampaio

largeImagem: We Heart It

Tenho uma amiga. Doidinha que só ela. Dessas que fala alto, que bebe à beça e não tá nem aí pra nada. Essa minha amiga foi beber num domingo à noite. Já começa errado porque domingo é dia de assistir Fantástico e descansar, afinal de contas a semana começa na segunda, né meu povo? Foi beber. Beber num churrasquinho com amigos. Aposto que fazia aquilo que ela sempre faz, Gargalhava alto, falava besteiras e pedia mais uma pro garçom. Falo com propriedade: eu conheço meu eleitorado. Num dado momento da noite, já tarde, passando de meia-noite, ela pegou um táxi rumo a sua casa. Já entrou avisando o destino. Mas sério, gente: pense em como ela devia estar depois de tomar umas e outras? Essa amiga simplesmente deu o mole de cochilar no táxi. Meu pai do céu! Tem que ser muito burra ou estar querendo algo pra co-chi-lar no táxi. Tava pedindo, né? Quando ela acordou, o taxista estava em cima dela. Aposto que estava de decote.

Queridas, escrevo isso com um único objetivo: deem-se ao respeito. Se vocês acham que tem o direito de sair de madrugada depois de um chopinho com amigos, eu lhes aviso: vocês não têm. Como eu havia dito anteriormente, essa menina é daquelas espalhafatosas que acham que porque paga as próprias contas pode sair por aí se dando ao desfrute. Me perdoem, eu não sou machista, maaaaaaas mulher tem que se dar ao respeito pra querer ser respeitada. Aposto que vai ter meia dúzia de mocinhas por aí dizendo que a culpa é do taxista.  Que ele não respeitou a garota, que ele foi movido pela cultura do estupro, que acredita que uma mulher bêbada, sozinha e com roupa curta tá sempre afim de sexo. Deixa a tia explicar uma coisa pra vocês: o homem nunca tem culpa. Ele estava ali fazendo o trabalho dele, cansado e se depara com uma mulher dormindo no seu táxi. É lógico que isso vai dar bigode. Homem tem vontade, desejo e é homem. É assim mesmo, né? NÃOOOOO! MIL VEZES NÃOOOO.

Eu gostaria, do fundo da minha alma, que essa história fosse um conto. Desses bizarros que a gente lê por aí. Mas não é. Eu gostaria, com todas as minhas forças, que esse discursinho não existisse nesse mundo. Mas existe. Pois é. A gente ouve muito por aí, a gente se dói e compartilha da mesma opinião: lugar de mulher é onde ela quiser e a culpa NUNCA é da vítima. Há mortais que dizem que “é muito chata essa geraçãozinha de mulheres feministas”, que “os direitos já são iguais”. São mesmo, amig@s? Você acredita MESMO de verdade, que a mulher tem a mesma liberdade de ir e vir do homem? De se comportar como quiser sem ser julgada?

Pense nesse taxista acompanhado de um passageiro do sexo masculino. Pense nesse passageiro indo pra casa, depois de tomar umas biritas com os “brothers”. Cês acham que em algum momento esse cara teria que se preocupar em mandar mensagem pra um amigo com a placa do taxi que ele embarcou só para ficar mais tranqüilo? Ou teria que segurar a onda no bar de quantas cervejas bebeu pra não vir nenhuma engraçadinha achando que já que ele tá bêbado, não vai se importar se ela passar a mão na bunda dele? Não, meus caros. Homens desconhecem esse tipo de preocupação.

Por isso sim: Vou continuar me ofendendo com “psiu”. Vou continuar me doendo com ofensas. Vou manter aqui minha postura de falar alto, beber pra caralho e sair trocando as pernas dos barzinhos da vida. Vou gargalhar aos berros. Vou bater papo com garçom, vou perder a linha dançando Spice Girls no fim da festa. Vou rebolar até o chão. Vou usar decote. Não vou usar decote. Vou tirar foto fazendo biquinho. Vou fazer o que eu bem entender. Então é por conta dessas minhas atitudes que você acha que eu não mereço respeito? Que eu fique sem o seu respeito. Se precisar eu queimo sutiã, vou à luta e mostro os peitos. A liberdade feminina e a igualdade real de gêneros sempre serão minha luta diária.

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