A vaidade e o machismo

Por Girls With Style / gws@gwsmag.com

Post originalmente postado no blog Bainha de Fita Crepe. Por Márcia Mesquita:

Outro dia, fui questionada por me dizer feminista e, ao mesmo tempo, ter estudado moda, gostar de maquiagem, etc. Mas será que o ato de se enfeitar está estritamente ligado à opressão feminina? Ou a forma como isso é visto é que está?

Tenho uma teoria (de boteco, não estou sendo acadêmica nem pesquisadora aqui, pelamooorr) que o que oprime é a falta de escolha e o tolhimento da vontade porque o uso de adornos é tão antigo quanto a própria civilização e não é exclusivo de um gênero (só do homem ou só da mulher), ou de sociedades patriarcais ou matriarcais. Se pintar e se enfeitar é uma manifestação da cultura de diversas sociedades no mundo, por toda a nossa história.

Claro que não podemos esquecer que, em vários grupos, as mulheres são “obrigadas” a usarem artifícios, definir dolorosamente os corpos para se adaptarem a padrões de beleza de suas culturas (argolas no pescoço, pés mínimos, etc). Mas são imposições, não é o ato de se enfeitar em si ou o artefato sozinhos que fazem disso uma imposição machista.

Em diversas épocas e entre diversos povos, os homens já foram os “pavões” da história, sendo eles muito mais enfeitados que as mulheres, por exemplo. Já em outras épocas, homens e mulheres usavam zilhões de acessórios e roupas cheias de regrinhas. Pensem, por exemplo, nos nobres franceses dos séculos 17, 18: tanto homens quanto mulheres usavam roupas suntuosas, perucas, jóias e maquiagem.

O que diferencia, e eu aí eu concordo com essa teoria da estrutura da roupa limitar a mulher simbolicamente, é que algumas peças representavam o tolhimento, o MOVIMENTO físico (e isso é muito simbólico, podemos dizer) das mulheres. Espartilhos, crinolina, anquinhas e outras peças não deixavam a mulher (burguesa ou nobre, porque as pobres tinham a roupa mais simples e funcional para o trabalho) se mexer – literalmente. Com o crescimento do poder social da burguesia e da valorização do trabalho, a vestimenta de homens e mulheres se diferenciou drasticamente: homens sóbrios e básicos, mulheres enfeitadas.

Folheto de propaganda de espartilhos – ou objetos de tortura?

E, até hoje – salvo a excentricidade das décadas de 60, 70 e 80, e os rappers americanos – os homens também estão presos nesse conceito de sobriedade. Principalmente os latinos – os brasileiros. Por isso que eu sempre digo, para convencer meus amigos homens a aderirem ao movimento: o homem TAMBÉM é vítima das malicies do machismo.

O que eu acho que configura opressão/liberação são as distinções sociais da roupa/beleza. Traduzindo: as regras e imposições sociais (muitas delas reforçadas principalmente pela publicidade de marcas de cosméticos e moda, infelizmente). Coisas do tipo: a mulher TEM que ser bonita, corpo bonito, concurso de beleza para mulher, etc.

Se eu quero me depilar inteira – ficar que nem índia – ou se sou contra a depilação deve ser uma escolha minha, não? O problema é quando não temos escolhas, quando fazemos coisas arriscadas por causa desse padrão e também quando somos rechaçados por nossas escolhas.

Queimar sutiã foi um ato simbólico, não prático. Eu amo sutiã. Homem pode não saber, mas peito pesa, Brasil! Mesmo quando não é lá muito grande. Por isso, não vou queimar os meus jamais! Aliás, esse quesito sutiã é um preconceito que eu tenho e admito – mas isso é assunto para um post na catiguria humor.

O que eu queria dizer é isso: se vista ou não, se enfeite ou não, se depile ou não se VOCÊ gostar. Faça uso da nossa sociedade ultra-individualista nisso e faça valer sua vontade. O Machismo e outros preconceitos estão na falta de respeito por nossas escolhas.

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