Amar é: Preto no branco.

Por Girls With Style / gws@gwsmag.com

Por: Luiza Brasil

Estar com quem se gosta e te completa é maravilhoso e ter alguém que você possa se sentir “cúmplice” nas mais diversas ocasiões é uma delícia. Tudo isso, seja do time dos solteiros ou do time dos casados, a gente sabe que é muito gostoso de viver. Como nos votos mais tradicionais de casamento, é a coisa mais linda amar e respeitar na alegria e na tristeza, na saúde e na doença… mas e nas diferenças?!

Um dia desses, li sobre a família mais fotogênica (e uma das mais requisitadas para campanhas publicitárias) da Grã-Bretanha. Engana-se quem pensa naquele estereótipo de “família de propaganda de margarina”, que tanto vende-se no Brasil. A trupe dos Rowleys é composta pelo casal Kimberley e Antônio, além de seus três filhos – “mesticíssimos” -, se assim posso falar. Uma misturinha boa, bonita e encarada com muita naturalidade, isso é o mais importante e talvez a chave do sucesso.

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Já estive em relacionamentos interraciais e sei bem como é isso. O grande segredo para dar certo é simplesmente não encará-lo como tal. Não levar como um estigma da relação a raça dos envolvidos, entender o outro não como uma cor de pele, mas sim como dois indivíduos e suas respectivas diferenças. O peso da palavra “interracial” nunca foi uma questão para mim e creio que para os outros envolvidos também não.

Mas um namoro/casamento/relacionamento de maneira geral não é só composto por você e seu parceiro(a). Existe uma rede de relacionamentos muito grande que inclui amigos, colegas de trabalho, família, entre outros e, em muitos casos, aí que pode estar o X do problema.

É inacreditável, mas muita gente ainda encara isso como uma barreira ou algo sobrenatural. Perguntas e falas do tipo “Nossa, mas ela é negra?”, “Como serão os filhos de vocês?”, “E a namorada do ‘cabelão’?!” ou ainda “ATÉ que é bonitinha!” e “Teve bom gosto na morenona!” serão coisas recorrentes e isso exigirá muito jogo de cintura seu e, principalmente, do amado(a).

Depois de todos esses discursos tão carregados, mesmo que inocentemente, do velho “racismo velado”, sei que às vezes dá vontade de colocar à toda prova o nosso espírito mais “justiceiro”, mas vai por mim, o melhor que você faz é encarar tudo com muita naturalidade e espontaneidade, aos poucos a coisa se torna mais familiar e tudo entra nos eixos. Mas claro, insultos são inadmissíveis e devem ser repreendidos sempre com muita elegância e, sim, reporte tudo ao seu boy/girl. Caso ele/ela não faça nada para a contornar a situação, o melhor a fazer é CAIR FORA. Afinal, se ele/ela não se impõe entre os mais próximos, imagina como será para essa pessoa encarar o relacionamento de vocês para o resto do mundo?

4dcdf597992ff3dcb37688ad70f17b96Campanha United Colors of Benneton

Em minhas leituras outra coisa que me deixou bastante reflexiva foi o relato de uma menina negra que só se relacionava com caras negros. Entre as justificativas dela era o fato deles entenderem com mais facilidade que os brancos coisas do dia-a-dia sócio-cultural e físicos como a religião, o nariz largo, os lábios grossos e principalmente os cabelos. A alegação da moça é que os rapazes negros ao conviverem com suas mães já estão mais habituados com a questão do cabelo crespo, entendem melhor que naturalmente acordamos com as madeixas “amassadas” e que toda essa preocupação estética é uma realidade relacionada à nós, mulheres afro. Concordo que são de fato assuntos extremamente delicados e não tão fáceis quanto se pensam, mas me preocupa bastante essa mentalidade, pois para mim, pode refletir em uma perigosa “discriminação ao contrário”.

Sim, em escolas em que a grande maioria é branca, como a que eu estudei, ficava claro qual era a preferência dos meninos, talvez por ser uma referência que a maioria tenha em casa. A melhor forma de lidar é não encarar como complexo, achando que ninguém te quer, pois pensando “fria e calculistamente” isso não deve acontecer só com você, mas também com aquela amiga mais cheinha, aquela que o pessoal chama de “Olívia Palito”, a que anda com um visual super excêntrico ou, ainda, com a menina da outra turma conhecida por seus “cabelos vermelhos-cor-de-fogo”. Em mais ou menos tempo, você e sua “galera” amadurecem (eles também), você aprende a ressaltar suas principais qualidades e sua autoestima eleva à milésima potência. Às vezes é basicamente isso que a gente precisa para ser vista com outros olhos, principalmente se esse olhar em questão é o masculino.

É, chegou o meu momento de passar uma mensagem final e, certamente, está é: não ame cores, ame pessoas! Ok, isso pode ser um baita clichê. Se você já faz esse exercício ao longo da sua vida (acredito que as leitoras e leitores do GWS estão aqui por causa disso), parabéns! Ajude a espalhar essa mentalidade que considero maravilhosa.

Caso ainda não pratique, calma, não se culpe. Apenas carregue contigo a ideia de que quando você gosta de verdade de alguém, não é só uma coisa de pele, mas sim de alma.

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