Anorexia alheia.

Por Girls With Style / gws@gwsmag.com

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A anorexia alheia é um transtorno delirante caracterizado pela preocupação excessiva com a variação da massa corporal de todo e qualquer ser vivo, bem como pela necessidade compulsiva de emitir comentários e opiniões a esse respeito. O distúrbio é, freqüentemente, acompanhado por um padrão estético excessivamente rígido e acomete principalmente mulheres entre 15 e 112 anos.
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Além da percepção muitas vezes exagerada da abrangência corporal de outras pessoas, a anoréxica alheia se mostra incapaz de compreender o fato de que a maioria da população mundial tem acesso a balanças, fitas métricas e espelhos podendo, portanto, monitorar as alterações da própria silhueta. Ela se sente patologicamente impelida a observar, avaliar e comunicar os ganhos e perdas de peso (reais e imaginários) de todas as pessoas a todo o instante e sequer cogita a possibilidade de estar sendo inconveniente, desagradável e insuportável.
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Entre os sintomas recorrentes, constam a repetição semi-voluntária de frases como as seguintes:
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Nossa, como você engordou!
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Você estava tão magra e bonita naquela época…
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Cuidado pra não engordar!
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Tem certeza que vai comer isso tudo?
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Você já tentou a dieta da sopa?
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Você tem o rosto tão bonito, se emagrecesse ficaria linda!
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Como pode uma menina tão nova ser tão descuidada?
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Apesar da preocupação mais comum da anoréxica alheia ser o que ela considera excesso de peso no resto da humanidade, o emagrecimento também pode se tornar tema de seus delírios. Essa inversão é mais presente entre portadoras acima dos 65 anos de idade, ou quando o objeto de pesagem cognitiva é homem e gay (fenômeno conhecido na literatura científica como “efeito Cazuza”).
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O tratamento mais eficaz contra a anorexia alheia parece ser o bom e velho “ignora que passa”. Os delírios e divagações não devem ser alimentados com concordâncias, discordândias ou respostas agressivas e, sim, desprezados com elegância e ar blasé. Ao mesmo tempo, deve-se estimular a conversa sobre assuntos variados, promovendo uma maior gama de interesses e ocupações para a mente delirante.
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p.s.: Pras mais inocentes e desatentas que podem ter levado isso a sério, esse é um artigo irônico. A anorexia alheia não existe em nenhum manual diagnóstico, já na vida real….
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7 Comentários

  • Claudinha

    Aaaaah, não pode respoder: “nossa, como você tá velha!”? Ou “nossa, pelo menos eu não sou feia (quem nem vc – complemento opcional)”. hohoho
    :)
    Vou exercitar meu ar blasé e tentar manter guardada a minha voadora com os dois pés ;)
    Bjos

  • Vanessa Dantas

    Helena arrasando! ahahaha
    adoro teus textos!
    O engraçado é que existe a diferença entre a anorexia alheia e as que falam mal só por falar.
    Eu observo o 1o caso acontecer mais em pessoas mais velhas e tenho dois exemplos reais:
    minha vó e minha sogra.
    Minha avó é magra de natureza, então ela acha que ser magra é a coisa mais fácil desse mundo e, CLARO, que vive achando que é balela quando alguém diz que engordou por isso ou que não consegue emagrecer por aquilo. Pra ela isso não existe. Graças a deus ela me ama e eu sou magricela desde pirralha.
    Já minha sogra é o oposto, ela acha que todo mundo é magro demais, principalmente eu e o filho dela, meu namorado. Então ela diz que nós dois somos dois pirulitões, que a gente só tem cabeça. Legal de se ouvir da sogra, né? Vale salientar que ela se acha gorda e vive querendo emagrecer. Tem quem entenda?

    O pior de ser um distúrbio que ocorre em pessoas mais velhas é que, por conta do respeito, a gente nunca pode revidar e tem que ficar só ouvindo com cara de paisagem…

  • Isa Freire

    TAÍ A DOENÇA DE 1 EM CADA 2 AMIGAS MINHAS.. PQP…

  • Caroline Pepi

    Depois desse texto conclui que todos que convivem comigo sofrem de anorexia alheia, amazing!

  • Janaina S.

    AMEI o texto!
    E aquela clássica frase: “não queria te falar nada não, maass…” e solta a bomba! A vontade é dar aqueeeela resposta fofa

  • regina

    demais!!!!adorei este texto!!!Pena não ser a autora. sou expert no assunto.Bjs a todas. Minha resposta, depois de mais de meio século de experiência, é: fique tranquila/o( ou não se preocupe), eu tenho balança.

  • Juliana

    Genial esse texto!
    Bem que podia ter rehab pra isso… Ou quem sabe só um cházinho de simancol já resolvia…