Aplicativo Secret não revela nenhum segredo que a gente já não conheça: A sociedade machista, preconceituosa e odiosa

Por Girls With Style / gws@gwsmag.com

Por Pollyanna Assumpção:

Instalei o Secret no meu celular em um domingo a noite e vi o número de usuários crescer em cinco dias. E cinco dias foi o tempo que levou pra alguém me ofender anonimamente. Me chamaram de “a baranga da festa Sex Tape”. Pra quem não sabe, Sex Tape é uma das festas que eu produzo e toco. Não usaram meu nome, mas pelo contexto da mensagem e pelos detalhes eu sabia que era eu. Veio um comentarista anônimo e disse: “Qual das barangas? Aquilo é a visão o inferno”. Dessa vez se referindo às minhas sócias, uma delas inclusive é a garota do mês de julho da coluna 10 coisas. Somos três mulheres completamente diferentes entre nós, cor de pele, cor de cabelo, tamanho do peito, da barriga, das pernas, do braços, da bunda, nossas personalidades então não podiam ser mais diferentes. Mas somos apenas pessoas e sermos apenas pessoas foi motivo suficiente para sermos chamadas de barangas no Secret. Um aplicativo que, vejam só, o objetivo é compartilhar os SEUS segredos, não suas opiniões nada construtivas sobre os outros.

Como vocês devem saber, os posts aparecem como sendo criados por amigo ou amigo de amigo. E pra minha surpresa, o post me chamando de baranga havia sido criado por um amigo. E se tem uma coisa que eu sou, é super criteriosa pra adicionar pessoas no meu Facebook. Por causa do meu trabalho, sou adicionada diariamente por várias pessoas e não tenho problema em negar todas. Já me chamaram de metida por causa disso. Não ligo. Não sou metida, sou cuidadosa. O que me fez saber que alguém no meu Facebook, alguém que eu confiei a ponto de adicionar na minha rede social mais exclusiva, abriu o Secret pra me chamar de baranga. Aí eu parei pra me perguntar porque e vim escrever sobre isso.

secrets-1

Passei dias vendo todos os tipos de agressão nesse app. A quantidade de gays expondo outros gays foi algo que ultrapassou todos os limites do aceitável. Existe uma guerra entre os gays ativos e passivos e o termo passivo vem sendo usado como ofensa, assim como muitos homofóbicos usam a palavra GAY como ofensa. Como se pra trepar com alguém não tivesse que ser um ativo e um passivo. E como se ter qualquer uma dessas posições fosse melhor ou pior, superior ou inferior. Porque ser passivo é pior? Porque te coloca numa posição afeminada? Então ser fêmea é pior que ser macho? Cada preconceito entre os gays denota o machismo arraigado mesmo dentro de uma minoria escrachada pela sociedade conservadora. A velha máxima do “pode ser gay, só não pode parecer mulher”. Nisso também temos pessoas trans* e drag queens sofrendo ataques justamente por não estarem presas ao binarismo esperado pela nossa classe de gays conservadores e machistas do Secret.

Podemos falar também das centenas de fotos de pessoas nuas, homens e mulheres, com nome, detalhes, até telefone dos alvos do ataque. Revenge porn da pior qualidade. Apavorante a quantidade de fotos de meninas nuas menores de idade sendo expostas no app, provavelmente por seus colegas vingativos. A situação está fora de controle e ninguém mais está livre de ofensas. O machismo inerente aos ataques a gente encontra nas milhares de ofensas de piranha, vadia, rodada, arrombada. Ameaças de estupro também estão rolando. Mais uma coisa pras mulheres se preocuparem, afinal não precisamos nos preocupar com mais nada no dia a dia, né? Que o diga esse post do Buzzfeed, “29 coisas que nós mulheres evitamos fazer porque tememos pela nossa segurança”. Pelo jeito tá pouca coisa pra se preocupar, manda mais coisa.

secrets-2

Basicamente o Secret, criado pra ser um app onde as pessoas falam de si mesmas e sobre suas vidas, virou um quadro negro de ofensas dsa pessoas que não gostamos. Me perguntei o que levou essa pessoa a abrir o celular e fazer um post pra me ofender. O que essa pessoa tem contra mim? Nunca saí da minha casa pra ofender ninguém, fazer mal a ninguém. Mas essa pessoa achou que era divertido abrir um aplicativo pra me chamar de baranga. E é esse tipo de violência que nós mulheres estamos sujeitas no dia a dia. Quando a gente acorda de manhã, toma banho, passa um batom vermelho, coloca uma calça justa e por algum milagre estamos com a autoestima nas alturas, já que a sociedade não colabora muito pra que a gente se sinta bem, estamos sujeitas a agressões sexuais por estarmos “gostosas demais” ou ao ódio alheio que prefere nos humilhar, nos ofender, nos destruir, apenas por diversão. Lembrando que fui ofendida por um “amigo”, assim como as milhares de mulheres que são agredidas verbalmente ou fisicamente diariamente por seus maridos, amigos, pais, avôs, tios e pessoas que elas confiam. O Secret é apenas um microcosmo da sociedade doente e violenta que vivemos.

Talvez a minha intenção feminista nesse texto seja apenas pedir que as pessoas parem de colaborar com um mundo de sofrimento e dor. Meu feminismo prega que as pessoas sejam felizes da forma que elas quiserem mas não é fácil ser feliz com o mundo te colocando pra baixo o tempo todo. Bullying real ou virtual não é divertido ou engraçado. Como disse muito bem a Juliana nesse post: Por um mundo virtual e real com mais empatia. É triste pro alvo do ataque e também é triste pra pessoa que comete. Ninguém feliz precisa ofender ninguém gratuitamente. Você que ataca pessoas porque acha divertido: Você é feliz?

Curtiu o post? Que tal dar uma forcinha e ajudar a gente a divulgar o GWS? Dá um like, compartilha, um tuite também vale! :)

Ah, e pra saber mais do nosso universo encantado, é só seguir a gente nas redes sociais:

Instagram // Twitter // Facebook // Tumblr // Newsletter do GWS

assinatura Pollyana

 

Tags:


5 + 1 =


0 Comentários