Mulheres viajantes: As dores, as delícias de ser uma mulher viajando sozinha

Por Girls With Style / gws@gwsmag.com

Viajar só entre amigas é perigoso? E viajar sozinha? Por que mulheres desacompanhadas por  um homem são colocadas como em uma situação de risco? A cada dia mais proliferam-se dicas em sites e blogs de como as mulheres devem se portar em viagens para não serem um alvo fácil, os conselhos vão desde usar uma aliança falsa até não visitar determinados países sem a companhia de um homem. Tais informações nos trazem indicativos importantes sobre o que é esperado do comportamento de uma mulher.

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Polyvore

Para além disto, será que o fato de nós, mulheres do século XX e XXI viajarmos sozinha se deve ao empoderamento provocado pelo movimento feminista? Ou já tivemos outras mulheres que fizeram o mesmo? A ideia de que nós somos a geração que faz, acontece, tem pressa, tem iniciativa, acaba por criar paralelamente um asco pelo passado. Um passado que lemos como antiquado, em que as pessoas não faziam nada para se satisfazer, em que as mulheres não tinham possibilidades e nem almejavam novos espaços. É uma pressa que engole até mesmo a narrativa.

O que nos falta de fato é fazer as pazes com um passado que em muito se aproxima com a nossa realidade, pois ali também existiram sonhos e frustrações que se assemelham um tanto com as nossas vivências. Uma destas angústias de caráter feminino, é como a sociedade enxerga e avalia mulheres que viajam sem uma companhia masculina. Seja esta análise consciente ou não. Temos vestígios históricos de mulheres que viajam sozinhas desde o século IV. O livro Mulheres Viajantes, da portuguesa Sónia Serrano é uma ótima fonte sobre isto, pois elenca personagens do século IV ao XXI e os seus diferentes objetivos.

Diante de alguns questionamentos próprios sobre como foi pra mim a minha primeira viagem sozinha e as minhas viagens entre amigas, senti a necessidade de falar e contar sobre isto, pois muitas vezes fui abordada como uma mulher corajosa por alguns, e até mesmo, digna de pena, por outros. Afinal, por que gera tanto burburinho? Me parece que algo sai das nossas caixas de normalidade e foi esse ponto que me interessou. Isto está bem relacionado ao que esperam de nós, enquanto mulheres, aos espaços que podemos ocupar. Afinal, vocês já ouviram a expressão “lugar de mulher”? Pois bem, faz parte da estrutura em que estamos inseridos, o regulamento de nossos corpos também (não só os femininos), um poder que atua diretamente nessas relações, o que o filósofo francês Michel Foucault chamará de biopoder. Com essa pulguinha de incômodo sobre o “lugar de mulher” e certa dor depois de ver como muitos reagiram à cobertura midiática sobre a morte das jovens argentinas no Equador, decidi criar o projeto Mulheres Viajantes, em que publico relatos de mulheres que viajam sem companhia masculina, como forma de expor as delícias e as dores, as nossas possibilidades e constituir uma rede de apoio. Um sonho ou não, a minha vontade é que possamos não mais pensar se pode ser perigoso ou não viajar só.

Quer falar mais sobre isso? Vai ter workshop sobre Mulheres Viajantes no Espaço Criativo GWS! Vem saber mais aqui.

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