Buzzcut: Minha decisão de raspar o cabelo

Por Girls With Style / gws@gwsmag.com

Por: Letícia Monteiro

buzzcut

“Bonita até careca”. Esse foi um “elogio” que eu ouvi bastante desde que decidi raspar meus cabelos. E que me fez pensar em como a gente escorrega em ser verdadeiramente gentil e respeitoso com as outras pessoas sem perceber, por causa de preconceitos tão arraigados no senso comum que passam batido pra maior parte das pessoas. Ouço muita gente reclamar de outros elogios duvidosos piores do que esse, tipo “nossa, você é gordinha mas tem um rosto lindo!”, ou “tão bonita, que pena que é cadeirante”. E aqueles comentários pavorosos sobre negras que “Ficariam lindas se dessem um jeito no cabelo”? En-fim.

Pra mim, raspar o cabelo não foi nada assim tão radical. Nunca tive muito apego a cabelo comprido – na verdade, nunca consegui deixar ele crescer muito além dos ombros, no máximo, porque tenho uma “coceira” permanente pra mudar de visual. Não aguento ficar com a mesma cara por muito tempo. E cortar o cabelo é minha mudança favorita, porque é reversível (cabelo cresce), mas dura um tempo que não exige retoques constantes, tipo pintar as unhas (TETESTO).

Eu sempre curti a ideia de fazer um buzzcut pelo menos uma vez na vida, mas a vontade aumentou no ano passado, quando cortei um pixie bem curtinho pela primeira vez. Além de ter amado o ventinho na nuca, percebi que o meu cabelo cresce bem mais rápido do que eu imaginava. A própria decisão do pixie demorou um pouquinho mais do que eu normalmente levo pra fazer alguma maluquice capilar, porque – ai, por mais feminista que a gente seja, tem tanto ainda pra desconstruir em si mesma, né? – fiquei com medinho dos caras não me darem bola. O medinho passou uma vez em que tava conversando sobre isso com uns amigos num boteco e alguém falou “Mas pô, você não tá solteira mesmo com cabelo grande”? Good point.

Então, na hora de raspar eu já não tava nem aí pro que os caras iam pensar (e só para constar, o pixie fez o maior sucesso com os boys, o buzzcut também tá fazendo). Fiquei com calor, tive vontade, fui numa loja de eletrodomésticos e comprei uma máquina. Escolhi uma baratinha porque né, não sabia nem se eu ia gostar, quanto mais repetir o corte. Fiz sozinha, no meu banheiro mesmo, usando um espelho de mão pra dar uma olhada na parte de trás. Foi mais difícil do que eu pensava e na verdade ficaram umas falhazinhas na nuca, então eu aconselharia pedir ajuda pra alguém na hora de tentar rapar a cabeleira.

buzzcut-LETICIA

Primeiro cortei com tesoura bem curtinho, de qualquer jeito mesmo, porque percebi que não ia rolar fazer Britney. A máquina não ia funcionar direito no cabelo comprido. Comecei passando a máquina no pente 4 e a ideia inicial era raspar zero, mas na hora achei que ia estranhar muito e talvez não ficasse tão bonito. Acabei optando pela máquina 1, que deixa os fios curtinhos a ponto de aparecer um pouco o couro cabeludo, mas ainda marcando presença de cabelo, digamos assim. As partes mais difíceis, além da de trás da cabeça e nuca, são atrás das orelhas e nos rodamoinhos (descobri que tenho nada menos que três!), que exigem que você passe a máquina em vários sentidos diferentes para ficar uniforme.

Eu amei o resultado! Estou me sentindo linda, fresquinha, maior liberdade. Também estou me divertindo em brincar com contrastes, usando vestidinhos românticos, brincos estilo princesinha e maquiagem fofa. Antes, estava com uma franjinha bem menininha e me jogava nos meus amados looks boho, grunge e tomboy; agora faço o contrário e sou uma bonequinha careca porque tô aqui pra confundir!

Aconselho fortemente todas as garotas a se desprenderem da ideia de que existe “cabelo feminino”, e ainda mais de que “homem prefere isso ou aquilo”. Até porque o que adianta eles gostarem de algo em você se você sente vontade de ser ou experimentar outras coisas? A opinião que mais importa é sempre a sua própria. Como bem disse a Isa Freire nesse post, “Minha beleza não derivava nem do meu cabelo, nem de nenhum outro atributo físico. Minha identidade, minha beleza, minha segurança, minha força e minha coragem não estavam no meu cabelo, estavam dentro de mim, onde sempre vão estar.”

Tenha menos medo de passar a tesoura (ou navalha, ou máquina) nos fios, eles têm o resto da sua vida pra crescer o quanto você quiser. E se alguém te disser que você é “bonita até careca” (como se ser careca fosse a pior coisa do mundo, né), sugiro a resposta que eu tenho usado: “Mas claro que sou, eu não sou bonita só por causa do meu cabelo, oras”!

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2 Comentários

  • Maria Alzira

    Oi gata, td bem? Tb tenho o cabelo raspado, mas estou querendo deixar ele crescer de novo, porem nao sei uma maneira de deixar ele esteticamente “bonito” enquanto cresce sem parecer q ele esta sem corte. Vc tem alguma dica??? Agradeceria mt. Bjoss