Carta para um cabelo crespo.

Por Girls With Style / gws@gwsmag.com

Por: Luiza Brasil

cabelos-crespos

Olá querido cabelo,

Tudo bem?

Resolvi escrevê-lo após recordar-me de um episódio um tanto constrangedor, para mim e para você. Lembra de uma vez que estávamos no salão e enquanto nossa cabeleireira atendia outra cliente, resolvi fazer as unhas? Isso faz tempo, acho que uns 6 anos ou até mais. A manicure, que adorava bater um papo e tinha muitas opiniões sobre diversos assuntos que variavam entre política, novela, futebol e celebridades decidiu dar o seu pitaco sobre a minha presença no centro de beleza e, claro, ela não fez a menor questão de te poupar. E em mais um “minuto de sabedoria” daquela senhora, saiu a seguinte declaração: “Ainda bem que você está aqui para dar jeito no seu cabelo. Ele não é adequado para você. Você é muito bonita e ele não te valoriza”!

Te defender? Brigar? Dar uma lição de moral? A minha reação inicial foi de tamanha perplexidade, que eu não consegui pensar em nada disso, somente me limitei em dizer que adequado ou não, aquele era o meu cabelo e que não, eu não estava ali para me submeter a alguma química alisamento.

A sorte, é que tamanha insensibilidade da moça atingiu alguém que talvez tivesse um pouco mais de consciência do poder, imponência e respeito que você, crespo que é, tem e merece. Quantas vezes eu não ouvi relatos de meninas e mulheres que não conseguem se libertar de forma alguma dos alisantes, apliques e até mesmo das tranças?! Eu mesma fui uma que durante muitos anos encarei o rastafári como um “estado natural” seu e só depois dos 18 anos de idade é que consigo passear com uma certa tranquilidade por vários estilos, que incluem o black power, o nagô, o midi, o grande, o beeeem grande, o side hair…Vejo que hoje em dia a transição do cabelo com química para o crespo, tornou-se uma prática bastante comum e divulgada nas redes sociais. Não é algo fácil, pois até mais do que mulheres que cultivaram sua “crespisce” desde que nasceram, esse “ritual” de passagem em uma idade em que você já tem uma personalidade definida, já construiu uma imagem, mexe bastante com o nosso ego, nossos medos e inseguranças. Isso é realmente um ato de coragem, de bastante admiração e digo até mais, uma ato de amor para/com você. Sinceramente, queria enviar uma flor e um “muito obrigada” para cada uma dessas guerreiras.

Captura de Tela 2014-07-16 a_s 18.27.08Ilustração: Dê Lírios

Bem aventurados foram os pais da pequena Blue Ivy Carter que simplesmente balançaram os ombros para um abaixo-assinado no qual era pedido para que eles penteassem as madeixas de sua pequena de apenas dois anos, sob alegação de que a filha do casal-astro Jay-Z e Beyoncé andava por aí com dreads e tochas de cabelos embaraçados. Mal devem saber essas pessoas o quanto essa questão dói, fisicamente e moralmente, para as meninas, que desde tão novas são condicionadas a vê-lo como feio, fora do padrão,“inapropriado”, “ruim”, entre outros termos mais ou menos grosseiros, e que de alguma forma encaram o fato de você ser crespo uma ofensa e te rebatizam com nomes como “étnicos” ou “toin-oin-oin”. Sem contar os inúmeros procedimentos que muitas vezes passamos para deixá-los com um aspecto mais “sociável”.

Ah, outra coisa que incomoda profundamente é a condição de algumas pessoas para você crescer e aparecer. “Ah, mas o seu cabelo ainda faz uns cachinhos”, “Mas vc viu o cabelo da fulana? Faz uns cachos maravilhosos! Aí sim fica bonito!”, “ Passa pelo menos um relaxante para soltar essa raiz dura”. Muitas pessoas só gostam de você de fato se for minimamente aceitável, pois você é impactante e, pasme, te consideram agressivo.

Não passa na cabeça delas que assim como os lisos, existem vários tipos de crespo e não necessariamente é aquele cabelo enrolado que todos querem imitar, mas caso não seja, ainda sim temos total condição de deixá-los macios, exuberantes e lindos, sem precisar escondê-los ou recorrer a métodos extremamente agressivos, que modificam totalmente a sua estrutura como os permanentes. Nem eu, nem você precisamos passar por isso, apenas aceitem.

Bom, hoje fico por aqui. É claro que eu sei que tudo que tem um pouco mais de personalidade, tem às vezes seus dias temperamentais, difíceis e que é necessário um pouco mais de paciência. Mas quero deixar bem claro que não tenho absolutamente nada contra você. Pelo contrário! Te valorizo, te respeito, tenho orgulho e gosto de você assim, bem do jeito que você é. VOCÊ PODE TUDO!

Beijos afetuosos,

Luiza.

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