Mercado de trabalho, mulheres e deficiência

Por Nuta Vasconcellos / nuta@gwsmag.com

Consegui meu primeiro emprego aos 18 anos. Era minha responsabilidade checar se o ponto eletrônico de uma empresa de telemarketing funcionava corretamente. O que eu fazia, o dia todo, era abrir e fechar um sistema e ver se tudo estava OK. De hora em hora, seis vezes ao dia. No resto do tempo, nada. Fiquei nessa função por cinco meses até entrar na faculdade e conseguir meu primeiro estágio em TV.

Giada Ganassin

Ilustração: Giada Ganassin

Essa oportunidade surgiu porque a empresa precisava se adequar à Lei das Cotas para evitar multas do Ministério do Trabalho. Essa lei completou 25 anos em 2016 e, resumidamente, diz que todas as empresas com mais de 100 empregados devem contratar pessoas com deficiências congênitas ou reabilitadas. A medida que o número de funcionários aumenta, aumenta a porcentagem de cotistas.

Anos mais tarde, já formada em jornalismo, tive a oportunidade de trabalhar em São Paulo. Eles praticamente me imploraram para aceitar o serviço porque não existia alguém, com deficiências, com tantas qualificações e experiência. Eu era perfeita para a vaga! Ao invés disso, aceitei um emprego de assistente administrativa em uma metalúrgica da minha cidade porque ficava muito caro me contratar como jornalista. As duas vagas existiam por conta de cotas.

Há cotas também em concursos públicos, programas de pós-graduação, programas do governo como ProUni e Bolsa Família. Segundo dados do IBGE, 6,2% dos brasileiros possuem algum tipo de deficiência; cerca de 45 milhões de pessoas. Desse total, segundo dados de 2015, apenas cerca de 400 mil estão trabalhando. Se separarmos por gênero, cerca de 259 mil são homens e 144 mil, trabalhadoras mulheres. Segundo dados do Ministério da Educação divulgados em 2015, apenas 0,42% dos ingressos em universidades apresentam algum tipo de deficiência. Não encontrei dados sobre pessoas com deficiência em programas de Mestrado ou Doutorado mas afirmo, com a segurança da experiência, que são raros os casos.

Na minha vida profissional, já vivi as várias realidades que existem no mundo dos PCDs: já tive empregos apenas para cumprir cotas, já trabalhei em vagas que exigem menos qualificação que as minhas porque deficiente é, apenas “auxiliar de alguma coisa”, também já tive oportunidades grandes porque não raras as pessoas com deficiência extremamente qualificadas e especializadas em algo…

Falo de um lugar de privilégio, tive oportunidades, criei oportunidades. Me empenhei em estudar e continuo fazendo isso porque, acredito no clichê “conhecimento é poder”. Mas, já parou para pensar naquela moça cega, ou cadeirante, ou surda, que mora em uma micro cidade onde as questões de deficiência são vistas como uma maldição divina e por isso é preciso se resignar e viver da proteção dos outros? Qual as chances de ela trabalhar? Quais as chances que ela tem de se empoderar da sua própria vida? Sejamos sinceras, nenhuma. Ou ela vai morar com família pra sempre ou vai arrumar um marido e viver, apenas, naquele universo fechado.

Portanto, quando você ouvir falar sobre cotas para pessoas com deficiência reflita sobre a importância de se discutir sobre isso e de pensar como, na prática, ela se configura. Mais e mais.  Em todos os lugares. Sob todos os aspectos. Não ache o assunto chato ou tente mudar o tema da conversa. É importante falar sobre isso e dar voz para quem mais entende do assunto: nós, pessoas com deficiência. Dar oportunidade de trabalho para alguém é quase uma salvação de vida. É dar independência. Dignidade. É preciso fazer muito ainda, mas se for possível começar exercitando a empatia, já é um ótimo começo. Todos nós ficamos felizes com novos espaços de fala. É uma questão de humanidade. 

assinatura-mariana-silva


Warning: file_get_contents(http://graph.facebook.com/comments?id=http://www.gwsmag.com/mercado-de-trabalho-mulheres-e-deficiencia/&summary=1): failed to open stream: HTTP request failed! HTTP/1.1 403 Forbidden in /home/gwsmag/www/wp-content/themes/gws/archive.php on line 63
Comentar

Tags:

Como começar a meditar

Por Girls With Style / gws@gwsmag.com

“Eu não consigo meditar.” é a frase que mais escuto dos amigos quando falo sobre o hábito da meditação no meu instagram. E olha que não falo pouco.Também, pudera. Quem, em plena correria do dia a dia, consegue parar a vida do nada e ficar sentado de costas eretas sem pensar em nada sem se distrair e em completa paz? Ninguém. E sabe porque? Por que meditar não é isso. Calma, deixa eu explicar melhor.

como_comecar_a_meditar

Fonte: Pinterest

 

O que é meditação

É a apreciação do momento presente. Meditar é treinar a nossa mente para estar no aqui/agora. Não importa se daqui a 10 minutos você vai tomar banho ou se você esqueceu de fazer a marmita de ontem ou se amanhã você precisa lembrar de avisar o chefe que tem médico na semana que vem. A meditação é uma prática para lidar com pensamentos como estes, que estão no futuro ou no passado, e nos ajudar a viver o presente e somente ele.

Pensando nesta definição, proponho uma reflexão que tem a ver com o início deste post. Se meditar é treinar a mente, será mesmo que você não consegue? Ou será que é mais uma questão de atualizar o que você entende sobre o que é meditar?  Pois é.

“Treinar” não combina com “não conseguir”. Porque todo mundo consegue treinar e a meditação não exige sucesso, somente prática. Pode se desfazer do estigma de estar com a mente vazia. Como bem disse a Monja Cohen neste vídeo“Nós não fazemos meditação para ter morte encefálica. Nós fazemos para acordar.” 

Como começar a meditar

Talvez você já tenha pesquisado um pouco e ficado confusa sobre os tipos de meditação que existem por aí. Ou talvez este texto seja o seu primeiro passo. De um jeito ou de outro, quero te encorajar a tomar as rédeas da sua prática meditativa sem medo. Como falei, existem vertentes e não há melhor ou pior forma de começar, nem pior ou melhor tipo de meditação. Existe o que combina mais com você. E quem melhor que você mesma pra definir isto? Ninguém.

O que vou falar aqui são algumas opções que eu já experimentei e / ou já ouvi falar super bem. A ideia é te dar um ponto de partida para explorar. A partir daí, saia testando tudo e se conectando consigo mesma para ver o que funciona melhor pra sua rotina, seu corpo e sua mente.

Meditando com aplicativos

Esta é a forma que mais gosto. Isto porque não importa onde estou, meu celular provavelmente estará por perto e fácil de acessar. Aqui estão alguns dos aplicativos que eu já experimentei ou já ouvi falar muito bem.

Headspace: Tem para: iOs e Android – Valor: $7,99 por mês (10 primeiras sessões grátis)

Eu Medito 5 Minutos:Tem para: iOs e Android – Valor: Grátis

Calm: Tem para: iOs e Android – Valor: Grátis (tem alguns programas de meditação pagos)

Insight Timer: Tem para: iOs e Android – Valor: Grátis

Zen App: Tem para iOs e Android – Valor: Grátis (tem alguns programas de meditação pagos)

Meditando com podcasts ou vídeos no youtube

Yoga with Adriane

Monja Cohen

Personare

Spotify

Meditando com música

Spotify

Meditando em aulas ao vivo

Dependendo de onde você mora, podem ter diversos lugares que oferecem aulas ou palestras e eu não conseguiria fazer uma lista. Mas como encontrar no Google? Aqui algumas dicas:

Centros Budistas: Muitos oferecem meditações semanais. Algumas vezes pagos, outros recebem doações.

Self-Realization Fellowship do autor do livro “Autobiografia de um Iogue”, existem centros pelo mundo todo.

Academias de Yoga: Normalmente tem também aulas de meditação.

Brahma Kumaris: Ensinam a meditação Raja Yoga. Já no site dá pra aprender mais.

Quanto tempo tenho que meditar?

Primeiramente, você não tem que. “Segudamente”, se você não tiver em uma aula presencial, quem define o tempo é você.

Para começar, eu indico 5 minutos. Isso porque todo mundo consegue tirar 5 minutos por dia pra fazer algo. Se você ficar menos tempo navegando no Insta ou no Facebook já consegue tirar este tempo.

Fora que a nossa vida moderna nos estimula a estar sempre distraídos ou fazendo mil coisas ao mesmo tempo. Por isso, parar pra apreciar o presente por 5 minutos já pode ser bastante desafiador para muitos de nós. Não exija de si mesmo já sair metendo o pé na porta e querendo meditar por 20 minutos ou 1 hora.

5 é melhor que 0. Este é o mantra que funciona pra mim em todo novo hábito que quero incorporar.

Vale lembrar que existem estudos que comprovam que a meditação tem o poder de, literalmente, remodelar a nossa mente se feita por uma quantidade de minutos diariamente. Se você for do tipo que precisa das evidências científicas todas antes de começar, recomendo que você leia o livro “Sane”, da Emma Young. Se não der pra ler o livro (em inglês), faça uma  busca no Google Academics sobre o tema. Mas eu digo por experiência própria: o volume de informações e as divergências nos resultados dos estudos podem te deixar bem perdida e, ao invés de ser um estímulo para começar, acaba o efeito pode ser o contrário. Digo isso porque eu sou do tipo que estuda e vai muito a fundo sobre os assuntos que me interessam, e sei bem como é a sensação de ficar paralisada depois de tanto absorver conhecimento. hahaha

Se você for como eu, o meu conselho é se questionar: você acredita que experimentar a meditação pode te trazer algum malefício? Se a resposta for não, vai com tudo e comece pelos 5 minutos.

Melhores horários e posturas para meditar

Já sabe o que vou falar, né? Você quem sabe! hahaha Mas, para começar, que tal testar no horário que você tem menos estímulos externos? Por exemplo, se você estuda e tem que sair de casa de manhã muito cedo, talvez seja melhor meditar a noite, quando voltar pra casa. Ou se você tem filhos e praticamente não tem tempo sozinha, que tal tentar acordar 5 min mais cedo que as crianças ou tirar 10 minutos do seu horário de almoço no trabalho?

Se a opção inicial de horário não tiver funcionando, teste outro.

Quanto a postura: se você estiver sendo guiado por um app ou em for em uma prática presencial, é possível que já receba as instruções. Mas, em geral, você pode “quebrar as regras” e experimentar. Pra mim funciona muito bem meditar sentada numa cadeira, pés no chão, costas apoiadas na encosto da cadeira e mãos no colo fazendo um formato de concha. Também gosto muito de usar banquinhos de meditação pra ficar de joelhos.

Como falei nos outros tópicos: não tenha medo de testar e experimentar.

Pronta pra começar?

Tomara que este guia tenha sido útil pra você dar seu pontapé inicial e que você esteja animada pra criar este novo hábito na vida! Não deixe de me dar um alô lá no Instagram pra me contar o que achou do post! É @guidocarol.Vou adorar bater papo com vocês.

Só queria fazer uma última observação. Preste atenção na auto cobrança e não entre nessa. A meditação é um hábito para te trazer mais clareza mental, autoestima, baixar níveis de estresse e ansiedade. Se a cobrança por meditar for grande, não faz sentido e você perde o propósito de estar fazendo. Seja amorosa consigo mesma. Se esforce para criar um hábito diário, mas se não der, tudo bem. Seja sua melhor amiga e se permita estar em um eterno treinamento.

Combinado? Combinado!

assinatura_2017_carol-guido


Warning: file_get_contents(http://graph.facebook.com/comments?id=http://www.gwsmag.com/como-comecar-a-meditar/&summary=1): failed to open stream: HTTP request failed! HTTP/1.1 403 Forbidden in /home/gwsmag/www/wp-content/themes/gws/archive.php on line 63
1 Comentários

Tags:

Seja você mesma, mas de verdade! Use sua autoestima.

Por Nuta Vasconcellos / nuta@gwsmag.com

“Seja você mesma”. Se você acompanha meus posts aqui no GWS a muito tempo, sabe que eu sempre bati nessa tecla e sempre fui de escrever textões muito pessoais, principalmente sobre algumas conclusões que fui chegando ao longo da vida em relação a autoestima, amor próprio, relacionamentos e minha jornada sobre ser mulher. De uns tempos pra cá, devo admitir que tenho sentido pouca vontade de escrever e compartilhar. Eu não parei de escrever e continuo na minha trajetória de me desenvolver e de me conhecer cada dia mais, mas por algum motivo eu bloqueei a vontade de compartilhar por aqui minhas mudanças, descobertas, vontades e conclusões. Eu demorei um tempo para entender realmente por que isso estava acontecendo e eu acho que é por isso que levei tanto tempo para escrever esse post. No fundo, eu sabia que tinha mais a ver com o que eu estava vendo por aí, principalmente nas redes sociais, do que diretamente comigo, ou algo que eu não queria compartilhar.

seja voce mesma de verdade

Imagem tumblr 

Outro dia a Carol Guido postou a seguinte mensagem no instagram dela e eu peço licença para reproduzir aqui:

“É fácil encontrar-se preso nas crenças de outras pessoas. Não porque você tem uma mente fraca ou as pessoas têm más intenções. É porque quando você presta atenção às palavras dos outros sem se sintonizar com sua intuição, você corre o risco de pegar bagagens que não são suas.
Com o tempo o peso fica mais pesado, diferentes tipos de bagagem começam a se juntar com outras e você faz o seu melhor para levá-las. Ou você se vê lutando com tarefas simples em sua vida diária, porque você nem percebe o peso que você está carregando.
É hora de sintonizar consigo mesmo. Seja o curador de suas próprias crenças. Manter uma mente aberta, ouvir os outros, levá-lo em consideração, mas não se esqueça de estar presente e atento, então você só leva o que você precisa. Crenças que pertencem a você não vai colocar mais peso sobre seus ombros. Elas irão tirar dos seus ombros o que você está desnecessariamente carregando. Não se envolva com o que vai contra a sua intuição.”

Esse texto caiu como uma luva, não para o que eu estava sentido, mas exatamente com o que eu estava com medo de fazer outras pessoas sentirem, ou simplesmente, o que eu estava vendo acontecer por aí o tempo todo. Percebi que eu estava com medo de influenciar porque cada dia que passava eu percebia que as pessoas se sentiam seguras e abraçadas quando um grupo de pessoas lhes diziam exatamente como elas deveriam sentir, pensar, agir e falar. Isso ficou tão claro pra mim que foi um pouco desesperador. Sempre me perguntam por que o GWS não tem grupo no facebook. “Todo blog tem!” “De tal blog é tão legal”. Eu não duvido que seja. Mas eu digo que o GWS já viveu essa fase (afinal, começamos como um grupo no finado orkut que virou uma comunidade de amigas online e offline) e eu aprendi demais com esse grupo. Aprendi principalmente que quando muita gente se junta, pessoas dos mais diferentes tipos, com diferentes vivências, intenções e energia, aquele espaço pode gerar muita coisa legal, construtiva e interessante, mas mesmo com a melhor das intenções, de alguma forma acaba virando um livro de regras com hierarquia de participantes e acabamos levando esse livro de regras pra nossa vida real.

Eu tenho total consciência da relevância que o GWS tem e teve em temas como feminismo, autoestima e desenvolvimento pessoal e profissional. Mas definitivamente eu não quero ser pra vocês e não quero que o GWS ou meus posts, se tornem um livro de regras de comportamento, de linguagem e de pensamento. Somos muitas, somos únicas e somos diferentes. Podemos e devemos pensar diferente quando o assunto for autoestima, dieta, cirurgias, relacionamentos, virgindade, aborto, beleza, apropriação cultural, gênero, moda, estilo… A lista não teria fim. Tudo que eu menos quero é que a leitora do GWS não pense por si própria. Tudo que menos quero é que vocês leiam algo e tornem aquilo a verdade absoluta da vida de vocês e reproduzam por aí com bordões de “seja menas”.

seja voce mesma

O feminismo, a autoestima e nosso desenvolvimento pessoal é extremamente particular. Nossas opiniões e atitudes só precisam ser coerentes para uma pessoa: Nós mesmas. Não é saudável para o nosso crescimento como ser humano ter medo de expor nossos pensamentos, ideias e conclusões. O seu processo de descobrimento e desenvolvimento é só seu. Não acelere, não finja acreditar no que não acredita, não se sinta culpada por pensar o que você pensa e o mais importante: Não tenha medo de mudar de ideia. O medo e a insegurança só distanciam a gente de nós mesmas e tudo que queremos ser. Tô escrevendo esse post pra te dizer que você deve se distanciar de tudo que te faça se sentir pressionada, com medo ou culpada por suas crenças e forma que você leva a vida, ou por você ter mudado. Temos que ser livres. Pra pensar agir, falar, mudar de ideia, voltar atrás, mudar de novo. Se construir, se reconstruir. Então se você faz parte de um grupo online ou offline que você não se sente livre para se expressar ou ser quem você quer ser, pode ter certeza, esse não é o lugar pra você. A vida não é um livro de regras pré estabelecidas e o mundo não foi construído com ideias imutáveis e nós também não devemos ser. Muita coisa que aprendemos, hoje sabemos o quanto absurdas são, mas não se engane. Muita coisa que estamos ouvindo agora, em um futuro vamos perceber o quanto radicais, não saudáveis e erradas são. Não se deixe levar pela massa, ou pelo grupo que você participa. Mantenha sempre seu senso crítico. Esse post maravilhoso chamado: imersos na cultura, não temos capacidade de detectar coisas controversas, do “Não sou exposição” aborda um pouco sobre isso.

Vocês já assistiram o filme “A Onda“?  Se não, assistam e vocês vão entender o que eu estou querendo dizer. O filme lida com um assunto extremo, mas não é diferente do que estamos vivendo ultimamente com outras questões. Em resumo, queria dizer que quero voltar a compartilhar mais da minha trajetória de desenvolvimento por aqui e nas redes sociais. Mas gostaria muito que vocês soubessem que nem eu, nem o GWS fazemos parte de nenhuma caixinha, de nenhum movimento, crença ou grupo. Somos independentes e livres. Exatamente como eu desejo que vocês sejam.

— ♥ —

assinatura_2016_nuta-vasconcellos1


Warning: file_get_contents(http://graph.facebook.com/comments?id=http://www.gwsmag.com/seja-voce-mesma-mas-de-verdade-use-sua-autoestima/&summary=1): failed to open stream: HTTP request failed! HTTP/1.1 403 Forbidden in /home/gwsmag/www/wp-content/themes/gws/archive.php on line 63
2 Comentários

Tags:

Altar menstrual: Como acessar seu lado mais sensível e seus poderes oraculares

Por Girls With Style / gws@gwsmag.com

Meu primeiro post aqui no GWS foi sobre como alinhar seu ciclo menstrual com a lua e montar o seu diário da lua vermelha e como prometido no primeiro post, chegou o momento de se aprofundar mais nessa história e na sua conexão com a lua e com seu corpo. A Lua é o astro regente dos ciclos da água e da vida.  As marés, a seiva das plantas, o eletromagnetismo terrestre, os partos, são todos regidos por ela. É ela quem guarda os mistérios do inconsciente. Desde a antiguidade a lua foi relacionada ao feminino e suas propriedades foram atribuídas à diferentes Deusas, representantes dos três arquétipos lunares, a donzela, a mãe e a anciã, todas parte integrante do ciclo de vida, crescimento e morte, e todas partes de nós mesmas.

Captura de Tela 2017-04-19 às 11.32.32 PM

Ilustração: misangry

Desde o período Paleolítico já foram encontrados traços de culto à Deusa, como a Vênus de Hohle Fels, com 35000-40000 anos de idade. Sabe-se também que os primeiros calendários feitos pela humanidade eram baseados nos ciclos lunares e pinturas rupestres que relacionavam as fases da Lua e as atividades humanas. Ciclos da natureza já foram encontradas em diversos lugares. E assim como é um conhecimento antigo e comum entre as parteiras que a lua rege os nascimentos, os povos antigos conheciam a íntima relação entre a Lua e as mulheres, representando esses mistérios em suas Deusas e práticas ritualísticas. Mulheres de diversas tribos se reuniam nas chamadas “Tendas Vermelhas” em seu tempo de lua para acessar seu lado mais sensível e seus poderes oraculares, muitas vezes saindo de lá com previsões e aconselhamentos para a tribo. No post de hoje vamos aprender a criar a nossa própria tenda vermelha.

A Menstruação pode ser um período emocionalmente conturbado, pois é a fase de nosso ciclo onde estamos na nossa sombra, nosso arquétipo minguante e negro, encarando o inconsciente, mais abertas e sensíveis energeticamente e com a intuição mais afiada. O aspecto da Deusa associado a esse período é a Anciã, ou a Mãe Negra, adorada e ao mesmo tempo temida, a sábia bruxa, senhora do ciclo de vidamortevida. É hora de encarar de frente tudo aquilo que nos recusamos a ver sobre nós mesmas e sobre a realidade que nos cerca, por isso o corpo dói, as emoções parecem furiosas e incontroláveis. É preciso parar de negar e soterrar dentro de nós tudo aquilo que consideramos desagradáveis, para que então possamos lidar com isso de frente, despertando a força da donzela guerreira. Mas antes é preciso deixar morrer, é preciso sentir com intensidade e plenitude tudo aquilo que está sendo colocado diante de nós.

A morte e a vida já foram indissociáveis, e é necessário aceitar o fim de certas coisas, para que então novas possibilidades se estabeleçam. É necessário podar uma planta para que ela cresça forte e dê seus melhores frutos, assim como é necessário se despedir de velhas realidades que não nos servem mais, afim de alcançar aquilo que realmente desejamos, por mais doído que isso seja, e esse processo é vivido inconscientemente durante a menstruação, por isso, conectar-se com esse período ameniza seus sintomas destrutivos. O corpo fala, mas quando não escutamos, o corpo grita.

A menstruação traz a limpeza desses aspectos, mas também traz a vida, e é esse o seu grande poder curador. Ao contrário do que nos fazem acreditar ao longo da vida, o sangue menstrual não é um sangue residual e sujo, e foi constatada recentemente a presença de células tronco nesse fluido. É um sangue biologicamente e energeticamente extremamente rico, e é daí que surgiu o antigo costume de se devolver o sangue para a Terra, colocando-os nas plantas ou sangrando diretamente sobre o solo. E por levar a vida a menstruação também cura, cura as mágoas e as feridas, leva embora angústias, traços de personalidade que não mais nos ajudam e traumas. O útero é o centro de poder feminino, e mesmo naquelas mulheres que nasceram sem útero ou que precisaram tê-lo retirado, seu poder vibra e permanece. Guardamos e acumulamos tudo em seu interior, e durante esse período deixamos que isso flua e seja absorvido pela Terra, com seu enorme poder de cura e transmutação, transformando tudo aquilo que agora se despede de você, em nova vida que flui em seu universo interior e exterior. Na morte mora a vida, e a vida, inerentemente, leva à morte, e esse é só um dos muitos mistérios da Deusa, da lua e seu.

Para se conectar mais profundamente com essa fase você pode montar um altar menstrual. Um altar é um pequeno espaço sagrado reservado e montado de acordo com uma função estabelecida, neste caso, o vínculo com seu sangue lunar. Ele funciona como um ancorador das energias que nele são colocadas, emanando aquilo para você. Ao montar um altar menstrual, intensifica-se conexão estabelecida com os mistérios do profundo feminino e do sangue.

Para montar o seu altar menstrual  você vai precisar de:

  • Incenso (incensos relacionados a energias femininas como o gêranio, jasmim, ou rosas são os ideais)
  • Vela vermelha
  • Terra, plantas, cristais ou sal grosso
  • Água ou vinho
  • Jarro menstrual (recipiente com tampa, geralmente feito de cerâmica, que armazena uma mistura de água e sangue menstrual)
  • Enfeites, imagens e o que mais você quiser

O tempo dedicado ao seu altar é um tempo dedicado a você mesma, então desligue o seu celular, feche a porta, e sinta-se relaxada e a vontade, se quiser, coloque músicas que te lembrem esse momento de conexão com seu feminino ancestral e sábio, e purifique a si e ao local com um incenso ou defumação. Quando sentir que está calma e conectada o suficiente, comece a arrumar o lugar escolhido, colocando uma toalha ou pano para forrar e dispondo os elementos da forma que lhe agradar. Você pode colocar elementos que remetam à Deusa, como imagens ou objetos, cristais vermelhos como a jaspe, de forma que aquele espaço se torne a sua conexão com si mesma e o poder que em ti reside. Quando quiser se conectar com essa energia, basta acender a vela e o incenso, e meditar.

Quer saber mais sobre magia e  a influência e presença da natureza na nossas vidas? Vou ministrar um curso no Espaço Criativo GWS em breve! Para se inscrever: Introdução a Magia, com Fernanda “Surati”

— ♥ —

assinatura_2017_surati


Warning: file_get_contents(http://graph.facebook.com/comments?id=http://www.gwsmag.com/altar-menstrual-como-acessar-seu-lado-mais-sensivel-e-seus-poderes-oraculares-2/&summary=1): failed to open stream: HTTP request failed! HTTP/1.1 403 Forbidden in /home/gwsmag/www/wp-content/themes/gws/archive.php on line 63
3 Comentários

Tags: