Empreender: O que vai fazer parte da sua vida quando você decidir seguir esse caminho

Por Girls With Style / gws@gwsmag.com

O que é empreender? Para nós, é um movimento interno e externo. A experiência interna é única; diferente para cada uma e em cada fase do empreendimento. Já, externamente, alguns elementos bem práticos passam a marcar ponto no cotidiano de qualquer pessoa que decide empreender. Não tem como fugir do pacote CNPJ, contador, impostos, nota fiscal… Para começar, e já que a experiência interna é única, resolvemos responder individualmente  à pergunta: o que passou a fazer parte da sua vida, internamente, a partir do momento que começou a empreender? A gente gostou tanto do exercício, que escolhemos começar o texto compartilhando nossas respostas, e aproveitar para vocês nos conhecerem um pouco mais, já que em breve, estaremos ministrando o curso Quero empreender, e aí? No Espaço Criativo GWS.

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Ilustração: Henn Kim 

Fe: “Vixi!!! Não tem outro jeito de começar essa resposta! Empreender, para mim, foi ao mesmo tempo uma conquista e um desafio. A conquista da autonomia da agenda, do tempo, do planejamento, das ideias e do investimento. O desafio de equilibrar esse monte de prato e entender que tudo bem se algum deles cair. Mais que tudo, empreender foi ser minha maior parceira, minha maior motivadora, minha melhor amiga. Foi entender e aceitar minhas fraquezas e aprender a reconhecer e valorizar meus talentos. Foi abrir mão de um monte de certezas e mergulhar num mar de vulnerabilidade e presença. Sentir na pele (e na cabeça e no estômago) o que é se entregar e trabalhar só com uma possibilidade: tentar ao máximo e dando o meu melhor. Conhecer um monte de gente incrível, receber ajuda de onde nem imaginou e trocar, compartilhar, fazer junto. Para resumir, o que mais passou a fazer parte da minha vida foi independência e auto-responsabilidade, pessoas maravilhosas, vulnerabilidade e amor por mim e pelo que escolho colocar no mundo todos os dias. Uma vida mais interessada e interessante!”.

Ju: “No instante em que decidi empreender, passou a ser parte da minha vida um exercício permanente de me abrir, aceitar, dialogar, persistir, automotivar, criar esperança, estar presente, acreditar e alimentar minha coragem. Se lesse isso há três anos, provavelmente cairia na risada. “Meio hippie isso aí, não?”. Quando comecei, estava tranquila com o que chamo “parte estrutural da coisa”: finanças, planejamento, orçamento, organização, planilhas, contratos, metodologias, estudos. Me apresentar, criar um posicionamento, me vender, e fazer o negócio acontecer no mundo pareciam os maiores desafios. Eu sabia dos porquês e para que’s desse movimento na minha vida: queria experimentar o tempo, as relações, a vida e o trabalho de outras formas. Logo no início, um antigo desafio deu as caras como o mais difícil: acreditar em mim. Reconhecer e dar valor à minha história, ao que é realmente importante, a meus talentos, características e fraquezas, e à vulnerabilidade. Estar disponível para o incerto, pedir e receber ajuda. Mudar comportamentos. Ressignificar ideias, como a de fracasso… Com muito apoio (e algumas enxaquecas), fui entendendo como persistir nos momentos de dúvida, medo, e vergonha. Aprendi a encontrar apoio em mim quando depende só da minha pessoa colocar o meu melhor para fazer acontecer. Acreditar nas minhas ideias e me posicionar. Empreender colocou ainda mais presente no meu dia-a-dia suar bastante para transformar ideias em acontecimentos, ouvir muito e exercitar empatia. Ter foco, tomar decisões, arriscar, abrir mão. Me conectar e descobrir maravilhosidades nas pessoas lindas que conheço. Ser minha melhor amiga, e a cada instante ser desafiada a persistir na escolha de acreditar e agir com e por amor. (por mais hippie que isso possa parecer ;). <3″

Agora, mudando o foco para o externo, o caminho passa a ser bem mais parecido. É inevitável, alguns itens passarão a fazer parte da rotina e toda empreendedora. Além do combo CNPJ e contador que falamos lá em cima, podemos acrescentar nessa lista: infraestrutura, redes sociais, site, nome, marca, se apresentar, definir produtos ou serviços, custos iniciais, cartão de visitas, papelaria, planejamento, recebimentos, gastos, vender, posicionamento de marca, etc.

Listando assim pode parecer bem assustador. Mas a gente realmente acredita que pode ser mais simples do que parece. E é justamente sobre isso que vamos falar, compartilhar e experimentar no curso “Quero empreender, e aí?” Abordaremos conhecimentos e ferramentas práticos e descomplicados para desmistificar a burocracia e entender como começar um negócio. Com muita conversa e troca, vamos entender o caminho que cada uma precisa percorrer para chegar onde quer e desenhar um plano de ação, realizável (de fato!), com passos necessários para os próximos meses. Entender se precisa de ajuda e como buscar e o que precisa ajustar (em si e na sua vida) para dar esse passo. Por fim, levantar possíveis obstáculos (externos e internos) e desenhar estratégias para contorná-los caso apareçam. Tudo isso em um ambiente acolhedor e poderoso.  Ah! E a gente ainda garante que esse processo que parece difícil é uma delícia, leve e divertido! Vamos juntas?

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Uma reflexão sobre o passado, o presente e o futuro da realidade da mulher na sociedade.

Por Nuta Vasconcellos / nuta@gwsmag.com

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The Future is female

Hoje é dia internacional da mulher. Pessoalmente, sempre achei importante falar sobre hoje e a data nunca passa batida aqui no GWS. Já teve post por aqui explicando porque a gente não precisa de flores e sim de respeito e ano passado, falei sobre a importância de valorizar o trabalho feito por mulheres com o movimento #IndiqueMulheres que felizmente, acabou inspirando até página no facebook. Fora do GWS, eu também escrevi sobre o tema, quando era colaboradora da Honey Pie, no post Dia internacional da mulher: O que isso realmente significa? 

Sim, o dia de hoje já foi tema diversas vezes e hoje, será mais uma vez. Eu estava pensando sobre tudo que nós mulheres já passamos e o que realmente mudou. Triste é perceber que pode até parecer que foi muita coisa, mas na real, nem foi. Tem muita coisa que funciona exatamente como no tempo da sua avó e só está mascarada. Eu listei 3 coisas da nossa realidade que analisando passado e o presente, nem são tão diferentes assim. Bora tentar fazer um futuro melhor?

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Next stop: ♀

1. Mulheres e o trabalho

Renderia um post inteiro, ou até mesmo dois, falar sobre a realidade de trabalho da mulher, mas vamos tentar resumir. Antes de realmente abrir o tópico, queria fazer um desabafo sobre as pessoas que insistem em dizer que hoje em dia, mulheres e homens estão no mesmo patamar quando o assunto é mercado de trabalho. Por favor, se informem mais. Na verdade, observem mais.

Hoje em dia podemos trabalhar? Podemos! Todas as mulheres do mundo? Não. Em alguns países as mulheres ainda não podem trabalhar e em várias profissões, mesmo que de forma velada, nós não somos bem-vindas (ou mais triste ainda, bem vistas). Estamos em todas as carreiras possíveis? Estamos… Mas em que número? É proporcional aos homens na mesma carreira? Você sabe que a resposta é não. O problema é claro, começa na educação. Somente em 1827, surgiu a primeira lei sobre educação das mulheres, permitindo que freqüentássemos as escolas elementares, as instituições de ensino mais adiantado ainda eram proibidas. Mulheres brancas, claro. As negras, nem isso podiam. E somente em 1879  nós começamos a poder frequentar ensino superior. Mas as mulheres que assim escolhiam, não eram bem vistas.

Só nos anos 40 algumas poucas, pouquíssimas mulheres começaram a trabalhar e no Brasil, só em 1962 (MIL NOVECENTOS E SESSENTA E DOIS), foi criado o estatuto da Mulher casada, que garantiu entre outras coisas que a mulher não precisava mais de autorização do marido para trabalhar. Para você ter ideia de quanto isso é recente, uma pessoa que nasceu em 1962, hoje tem somente 55 anos. Como isso reflete no nosso presente? Vou explicar de forma simples: Vamos supor que a sua amiga começou a pegar pesado na academia. Ela malha todo dia, está cada vez mais preocupada e informada sobre nutrição e o resultado já é visível no corpo dela. Você, nunca malhou e nem nunca se informou sobre nutrição, mas depois de ver os resultados da sua amiga, um ano depois que ela começou, você se empolga também. Quanto tempo você vai levar pra ter o conhecimento, a disposição, o corpo e para pegar o mesmo peso que ela?  Vai demorar. Se você não tiver tempo, acesso ao conhecimento e oportunidades como ela, talvez, nunca.

O mercado de trabalho para homens e mulheres, explicado toscamente é mais ou menos assim. Eles tiveram acesso a educação primeiro, ao mercado de trabalho primeiro e ganharam notoriedade primeiro por puro privilégio e nós sentimos essas consequências até hoje. Segundo dados do IBGE de 2000, a PEA (População Economicamente Ativa) brasileira, em 2001, tinha uma média de escolaridade de 6,1 anos, sendo que a escolaridade média das mulheres era de 7,3 anos e a dos homens de 6,3 anos. Independente do gênero, a pessoa com maior nível de escolaridade têm mais chances e oportunidades de inclusão no mercado de trabalho. Mas se mais homens tem acesso, menos mulheres estão no mercado. Hoje, em 2017, existe uma significativa melhora entre as diferenças salariais quando comparadas ao sexo masculino. Mas ainda não foram superadas as dificuldades encontradas pelas trabalhadoras no acesso a cargos de chefia e de equiparação salarial com homens que ocupam os mesmos cargos.

E o que as mulheres fazem? 80% delas são professoras, cabeleireiras, manicures, funcionárias públicas ou trabalham em serviços de saúde. Mas a maioria de mulheres trabalhadoras estão no serviço doméstico remunerado. Na maioria, mulheres negras, com baixo nível de escolaridade e com os menores rendimentos na sociedade brasileira.

O que eu quero dizer com isso? Nossa realidade de trabalho, não a sua, ou a minha pessoalmente, a realidade de NÓS, MULHERES ainda está longe de ser a ideal. Outro grande problema que a mulher enfrenta é que nós ganhamos o “aval” para trabalhar, mas a maioria de nós ainda é 100% responsável pelo lar e filhos. Os homens precisam entender a importância de também serem responsáveis por isso. Falamos um pouco disso no vídeo com a Marília Lamas. Pra entender um pouco mais sobre essa diferença enorme entre mulheres e homens quando o assunto é horas de trabalho em casa e fora de casa, vale ler essa matéria da FOLHA. E para entender um pouco mais sobre como é difícil crescer na carreira sendo mãe, leia essa da revista Crescer.

O que podemos fazer para mudar nosso futuro? Contrate mulheres, estimule suas amigas a estudarem, se formarem, divulgue o trabalho de mulheres. Ajude a divulgar a ideia que a mulher pode ser o que ela quiser. Presidente, engenheira, publicitária, advogada. Se você tem um cargo de relevância, fale por nós, lute por nós. Esses dados não são uma crítica às mulheres que ESCOLHEM ser donas de casa. É um alerta para entender que nem sempre é uma escolha, às vezes é porque ela não vê outra saída e nós temos o direito de sermos realizadas em todos os campos. Sendo escolha dela ou não cuidar da casa, nunca, deve ser uma tarefa exclusiva dela. Ajude a criar e a conscientizar homens que saibam cuidar de casa e que sejam independentes e que não julguem a capacidade corporativa de uma mulher, pela maternidade.

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Ovaries before brovaries

2. A obrigação de ser linda

Eu realmente acredito que esse é um dos problemas mais graves para a realidade da mulher. No passado, no presente e infelizmente, no futuro.  Já quero começar esse post dizendo que você pode e deve ter a liberdade de emagrecer, engordar, malhar, não malhar, fazer tratamento estético, não fazer, depilar… Mas todas essas questões devem ser ESCOLHAS. E por mais que pareçam que são, a maioria delas não é.

Nós sofremos uma pressão estética absurda e mais uma vez, cito um post muito importante que já rolou aqui no GWS: É sobre depilação mesmo que estamos falando? O problemático na questão da beleza da mulher é o TEM QUE SER. Nessa obrigação de ser linda, nós acabamos caindo em tantas armadilhas que não percebemos… Essa obrigação de ser linda que sentimos todas as vezes que vemos uma atriz, uma capa de revista ou ouvimos da nossa mãe que temos que fazer as unhas, é um soco na nossa autoestima. Mulheres sem autoestima correm menos atrás do que querem, acreditam que não estão prontas para realizarem seus sonhos ou até para fazerem coisas simples, como irem a praia. Uma mulher que é cobrada pela sociedade para ser linda e acha que não corresponde, é uma mulher infeliz. Eu falei sobre isso nesse post aqui.

Em 1952, o mundo viu nascer o Miss Universo. Um concurso aonde mulheres competem para se tornarem: A mulher mais bonita do mundo. Em 1971, existia um concurso em Portugal chamado “A mulher ideal” que além de ser linda, tinha que saber cozinhar e costurar. Os concursos mais importantes e valorizados desde então quando o assunto é mulher são os concursos de beleza e se apresentam das mais diversas formas. Além do próprio miss universo que existe até hoje, temos os concursos de modelos, para várias classes sociais, como a Garota da Laje. A cobrança da beleza está enraizada na nossa cultura.

Isso me faz lembrar uma citação de Naomi Wolf: “Uma cultura focada na magreza feminina não revela uma obsessão com a beleza feminina. É uma obsessão sobre a obediência feminina. Fazer dietas é o sedativo político mais potente na história das mulheres; uma população passivamente insana pode ser controlada”.  E isso faz muito, muito sentido. Não só em relação a magreza, mas na beleza em geral.

Você pode ser o que quiser. Por dentro e por fora. Mas vamos tentar fazer nosso futuro diferente? Não vamos mais nos permitir adoecer em nome da beleza, deixar de correr atrás do que acreditamos porque não nos achamos merecedoras, nem depilar ou não depilar porque alguém te disse o que é esteticamente certo. Vamos lutar pela liberdade REAL da nossa imagem.

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You own your body

3. Sexualidade

A repressão sexual da mulher existe desde que o mundo é mundo. Às vezes disfarçada de histórias santas, outras como “opinião” e muitas vezes, muitas, muitas como regras escancaradas. A repressão é tão grande, que não prejudica só a saúde sexual das mulheres, mas a forma que vivemos em sociedade, nossa estrutura familiar e claro, nossa autoestima.

Na história bíblica do começo do mundo, foi Eva, uma mulher que por conta de seus desejos carnais, tirou toda a humanidade do paraíso. Ou seja, se ela tivesse ficado lá, na dela, rezando, nada de ruim do mundo teria acontecido. Adão é completamente isento de qualquer responsabilidade. Ele foi uma vítima de uma mulher que estava pedindo. Ainda na bíblia, temos virgem Maria, que antes de ser conhecida por seu nome é conhecida como virgem. Mesmo sendo casada, mesmo Jesus tendo irmãos. Aliás mesmo a história dessa mulher sendo fantástica, nada parece ser mais importante do que ela ser casta.

Para ser classificada como puta, era fácil. Nos anos 20, mulher que dirigia, era puta. Nos anos 30, as que queriam ser atrizes? Também. Nos anos 60, mãe solteira era puta. Mas pensando bem, hoje em dia, também é fácil ser puta, né? Tá de short curto na rua: Calor? Moda? Se sente linda assim? Não, não. É puta. Postou selfie sensual? Vixiii, putíssima.

Ao longo da nossa história sempre ficou muito claro que a mulher para sociedade só pode ser duas coisas: Santa ou puta. Pra casar ou pra comer. Ignoraram completamente que somos seres sexuais, com vontades e desejos próprios, exatamente como os homens. O que é mais grave nisso tudo? Se somos mulheres e para a nossa sociedade só podemos ser duas coisas, estamos vulneráveis a todo tipo de violência. Foi estuprada? Tava pedindo. Engravidou? Quem mandou transar…. teve vídeo vazado na internet? Foi fazer vídeo pra que né, puta?

Assim como lááá no tempo de Adão e Eva, o homem é isentado de qualquer classificação.

Ser santa também não é fácil. A mulher que se sente cobrada a ter um certo comportamento, seja por uma criação rígida ou por um marido que ameaça até matar por causa do tamanho do seu decote, é uma mulher que vive reprimida e com medo. Não somos putas nem santas. Somos indivíduos com história, com momentos, com desejos.

Mas como mudar o nosso futuro?  Abrace a mulher que você é e se livre de rótulos e livre as outras mulheres também. Eduque os homens a sua volta. Seu pai, seus filhos, seus amigos. Parece óbvio, mas pra muito homem ainda não caiu a ficha da gravidade dessa prisão sexual da mulher.

Eu escolhi 3 temas, mas a lista poderia crescer infinitamente… Somos mulheres. Filhas, netas das mulheres do passado. Somos o presente. E precisamos criar mulheres fortes, precisamos ser fortes e fazer um futuro diferente. Somos muitas, somos sobreviventes, somos guerreiras. Não deixe nada, nem ninguém, fazer com que você se sinta diferente disso.

Feliz dia das mulheres.

 

As fotos são exclusivas do GWS e foram feitas pela Sthefany de Barros, instagram: @stefanybs

Styling e make: Bella Castro, instagram: @bellarlcastro

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Precisamos de mais mulheres em posições de liderança. Mas como chegar lá?

Por Girls With Style / gws@gwsmag.com

Uma vez, tive a oportunidade de assistir uma palestra de Luiza Helena Trajano, Presidente da rede de lojas Magazine Luiza. Em meio a tantas colocações incríveis sobre varejo, cultura empresarial, administração e gestão, ela soltou uma frase que ecoou em mim e me fez pensar a respeito. Luiza disse exatamente as seguintes palavras: “Tire da cabeça que cota para mulher em conselho empresarial é uma coisa discriminatória. Isso é um processo de transição para acertar uma situação de desigualdade”.

A colocação de Luiza Helena me pôs a pensar que precisamos de mais mulheres em posição de liderança. Mas como chegar lá? Pensar no papel que a mulher ainda ocupa nos altos cargos empresariais e no que ela tenta, almeja e luta para ocupar. E, claro, no que as empresas fazem para deixar a realidade mais perto do cenário ideal. Infelizmente, a realidade e o ideal, ainda parecem estar longe um do outro.

henn kim(Ilustração: Henn Kim)

Uma pesquisa divulgada em março de 2016, do International Business Report (IBR) – Women in Business, realizada pela Grant Thornton, em 36 países, mostrou que no Brasil a presença de mulheres em cargos de CEO e CFO aumentou de 5%, em 2015, para 11%, em 2016. No mesmo período, houve queda de 4% no volume de empresas no país sem mulheres em cargos de liderança: o índice saiu de 57% para 53%. Seriam ótimas notícias, se em dezembro passado, o IBGE não trouxesse à tona um estudo mostrando que a diferença salarial entre homens e mulheres aumenta em cargos de chefia, chegando a bater 32%. O retrocesso é grande! Enquanto, em 2005, o salário médio pago às mulheres em cargo de chefia era equivalente a 71% do valor pago aos homens, em 2016, esse número caiu para 68%. Associando estas informações com as do parágrafo acima, vemos que mulheres são vistas como uma boa mão de obra, em geral qualificada e dedicada, mas ainda assim, e por diversos motivos, uma mão de obra barata.

O reflexo da desigualdade de gênero da política
E isso não acontece apenas nos altos escalões das empresas brasileiras, mas também no nosso cenário político. Na última eleição para deputados da Câmara Federal, apenas 9,9% mulheres foram eleitas. Isso quer dizer que uma mulher é eleita para cada dez deputados homens eleitos. Dos 81 senadores, 11 são mulheres, ou seja, 13,6%. Considerando os estados, apenas um elegeu uma mulher para o governo – Suely Campos, em Roraima.

“O Brasil ocupa o 120º lugar no ranking que mede o índice de mulheres nos parlamentos, perdendo até para países islâmicos, cuja cultura desprestigia a mulher na vida pública”, informou a advogada especialista em direito eleitoral e processual eleitoral e presidente do Instituto Paulista de Direito Eleitoral (Ipade), Karina Kufa, ao site Huffington Post.

De acordo com artigo 10, parágrafo 3º, da Lei 9.504/97, de todas as candidaturas apresentadas por um partido ou coligação, 30% delas tem que ser de mulheres. É a famosa “cota” que Luiza Trajano citou em sua palestra. Infelizmente, ela ainda não surte tanto efeito nas urnas, uma vez que os partidos buscam cumprir a cota sem se preocupar com a qualidade política, administrativa e de gestão de quem se candidata.

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A mulher e a teoria do labirinto
Até em áreas culturalmente femininas, como enfermagem, biblioteconomia, ensino básico e trabalho social (áreas especificamente estudadas pela socióloga Christine Williams), sem falar na gastronomia, o homem chega antes do que a mulher a cargos administrativos e de supervisão.
Seja no mercado de trabalho, ou na política, a mulher sempre enfrenta diversos níveis de dificuldades para “chegar lá”. E eles vêm de todos os lados… Um trecho de um artigo publicado na Harvard Business Review tenta explicar como isso acontece:

“Uma metáfora melhor para aquilo que a mulher enfrenta no campo profissional é a do labirinto, imagem com história longa e variada na Grécia antiga, na Índia, no Nepal, na cultura indígena das Américas do Norte e do Sul, na Europa medieval. Como símbolo contemporâneo, transmite a ideia de uma jornada complexa rumo a uma meta digna do esforço. Cruzar um labirinto não é algo simples nem direto; exige persistência, consciência do próprio progresso e uma análise atenta das dificuldades mais à frente. É esse o sentido que queremos usar. Há, sim, caminhos para a mulher que aspira ao alto comando — mas caminhos repletos de voltas e desvios, previstos e imprevistos. Já que todo labirinto tem uma rota viável para o centro, subentende-se que as metas são atingíveis. A metáfora reconhece os obstáculos, mas não é, em última instância, desalentadora. Se pudermos entender as diversas barreiras que compõem esse labirinto, e como certas mulheres acham um jeito de transpô-las, nosso esforço para melhorar a situação será mais eficaz”.

Como barreiras para se chegar ao centro do labirinto, podemos apontar o preconceito que ela sofre apenas por ser mulher, o preconceito e estereotipagem que a mulher negra sofre, resistência à liderança da mulher, a conflituosa relação entre o comportamento que se espera de um líder e o que se espera de uma mulher, a responsabilidade com os filhos e o pouco tempo para investir em capital social.

Para transpassar essas barreiras, Alice H. Eagly, autora do artigo e professora de psicologia e titular da cátedra James Padilla Chair of Arts and Sciences da North-western University, em Illinois, nos Estados Unidos, aponta que a saída mais eficaz é que a organização entenda a sutileza e a complexidade do problema e ataque simultaneamente suas múltiplas causas. Logo, a empresa que deseja ver mais mulheres chegando à ala executiva deveria tomar as seguintes providências:

• Conscientizar as pessoas sobre as raízes do preconceito em relação à mulher no comando e desconstruir essa cultura. Expor vieses arraigados tem sido a meta de muitas campanhas de diversificação. O risco é que seus efeitos sejam minados se as lições transmitidas não forem respaldadas por aquilo que gerentes dizem e fazem no dia-a-dia da empresa.

• Mudar a cultura das longas horas de trabalho. É preciso se atentar mais e avaliar a contribuição relativa de cada indivíduo, do que “o tempo que ele passa na empresa”. Na medida em que a empresa pode adotar medidas objetivas de produtividade, a mulher que precisa cuidar da família, mas tem hábitos altamente produtivos de trabalho, terá a recompensa e o estímulo merecidos.

• Reduzir a subjetividade da avaliação de desempenho. Uma maior objetividade em avaliações também combate o efeito de preconceitos arraigados na hora de contratar e promover. Para que haja justiça, os critérios devem ser explícitos e os processos de avaliação projetados para limitar a influência de vieses conscientes ou inconscientes de quem toma as decisões.

• Garantir uma massa crítica de mulheres — e não só uma ou duas — em postos executivos para afastar o problema do simbolismo. Se vira um símbolo, a mulher acaba enquadrada em papéis estereotipados: a “sedutora”, a “mãe”, a “mascote”, a “dama-de-ferro” (ou, na descrição mais expressiva de uma executiva de banco: “Quando estreia nesse setor, a mulher ou é uma devassa ou uma gueixa”). Essa estereotipagem limita as opções da mulher e torna difícil sua ascensão a postos de responsabilidade. Quando não é parte de uma reduzida minoria, sua identidade como mulher fica menos saliente e é mais provável que a reação dos demais seja balizada por sua competência.

• Evitar instalar uma única mulher em equipes. A direção da empresa tende a dividir seu pequeno contingente de gerentes do sexo feminino entre vários projetos, com a ideia de garantir diversidade a todos. Mas vários estudos revelam que a mulher, nessa posição de minoria absoluta, tende a ser ignorada pelos homens.

• Ajudar a reforçar o capital social. Na necessidade de cuidar da casa e da família, a mulher, muitas vezes, acaba subjugando a importância de criar um capital social. A organização pode ajudar a mulher a entender por que cultivar contatos merece mais atenção.

• Estabelecer políticas de recursos humanos favoráveis à família. Isso pode incluir flexibilidade de horário, divisão do trabalho, trabalho em casa, benefícios para adoção, alternativas para quem precisa cuidar de filhos ou de idosos e creches na empresa. Esse apoio pode permitir à mulher permanecer no trabalho durante a fase mais exigente da criação dos filhos, construir capital social, permanecer atualizada e, em última instância, disputar postos mais elevados.

• Incentivar o homem a usufruir benefícios favoráveis à família. Quando só a mulher tira proveito de políticas ligadas à família, há riscos. Optar por benefícios como licença-maternidade generosa e trabalho em meio período desacelera a carreira da mulher. Qualquer iniciativa voltada a um equilíbrio maior entre trabalho e família deve buscar a participação de homens para evitar dificultar, sem querer, o acesso da mulher a papéis essenciais de gerência.

Mas o que levaria empresas a combater essa desigualdade em suas cúpulas?
Para começar, a marca/empresa ganhará uma maior simpatia do público, já que há uma crescente valorização da marca e de produtos e serviços de empresas que valorizam a diversidade e, portanto, a responsabilidade social. E quem faz a mudança acontecer agora, já se mostra mais aberto a mudanças em geral, tais como fusões e incorporações, onde culturas tão diferentes estão sendo obrigadas a conviver visando um único objetivo.

Outra vantagem é que, aderindo a diversidade dentre seus gestores, aumenta-se a capacidade de reconhecer talentos e empregar as ideias de seus funcionários. E em um tempo em que o presidente da maior potência mundial não acredita nas mudanças climáticas e suas consequências negativas para o mundo, descobrimos que mulheres, em geral, são mais preocupadas com as questões do meio ambiente. O livro “Gênero: Uma Perspectiva Global”, das autoras Raewyn Connel e Rebecca Pearse, traz dados que revelam que nações onde as mulheres têm um status político mais alto são as que menos emitem gases de efeito estufa por habitante. Em países com que somos maioria no Parlamento, maiores são as chances de ratificar tratados ambientais.

No livro, as autoras dedicam um capítulo inteiro à analise de alguns trabalhos que vêm sendo feitos no âmbito do gênero relacionado às mudanças climáticas e trazem uma série de teorias, pesquisas e estudos que mostram a importância de afinar o debate ambiental e a filosofia feminista.

As mulheres podem usar o poder da sua influência para ajudar a fazer acontecer a mudança que elas desejam. Elas controlam 51% da riqueza privada e podem usar esse poder coletivo para impulsionar a mudança social. Essa é uma maneira eficaz de fazer com que as empresas se levantem e escutem o que as mulheres querem.

As mulheres são mais filantrópicas e empáticas do que os homens. Em cada nível de renda, eles dão à caridade com mais frequência do que os homens – e eles tendem a doar mais dinheiro em média do que os seus homólogos masculinos, de acordo com a pesquisa Women Give 2012, conduzida pelo Instituto de Filantropia da Mulher, na Universidade de Indiana, nos Estados Unidos. Combinando isso com o seu sucesso crescente, é provável que os esforços de responsabilidade social de pequenas e médias empresas vão aumentar e assumir novas formas, o que pode muito bem mudar a maneira como todos nós pensamos sobre responsabilidade empresarial.

O que tudo isso nos leva a crer?
Que ainda falta um longo caminho… E que, para ter êxito, não podemos percorrê-lo sozinhas. Mais do que precisarmos de umas as outras para chegar lá, precisamos quebrar essa mentalidade e cultura machista e tacanha que cria percalços em nossos labirintos.

Precisamos mostrar que a diversidade de vozes e posturas é algo positivo em qualquer empresa. Que homem ser um pai presente não faz dele um profissional pior – e assim, não precisa ser sempre a mãe a ir às reuniões escolares, ou a levar ao médico, se ausentando sempre do trabalho pela família. Que os gestores entendam que as mães que saem meia hora mais cedo para pegar os filhos na escola não são funcionárias relapsas, que subjugam suas carreiras; ou que mulheres sem filhos não estão à disposição da empresa 24h por dia.

O caminho é longo, cansativo e cheio de pedras. Que possamos aprender com ele para nos lembrarmos quando chegarmos lá, que não foi a toa, e que tem muita mulher incrível para chegar lá também. Nos ajudemos!

— ♥ —

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Consumo: Um ato social ou futilidade? E pra onde vamos em tempos tão inconstantes

Por Girls With Style / gws@gwsmag.com

Para muitas pessoas o consumo se tornou um dos maiores vilões do mundo contemporâneo. É muito comum escutarmos falar que parte das crises ambientais e sociais são consequências do chamado “consumismo” e que está nas mãos de nós, consumidores e consumidoras, parte da solução para os problemas que estamos vivendo. O incompatível nisso tudo é que quando ocorrem crises econômicas, somos chamadas para consumir mais para tentar “salvar” a economia, já perceberam?

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(Ilustração: Henn Kim)

No entanto, pouco se fala nos impactos gerados pela produção em si. Na visão moralista da relação produção – consumo, aqueles que produzem estão “salvos”, pois produzir é trabalhar e trabalhar é um ato digno, já o consumo estaria mais relacionado com futilidade e a pessoas desconectadas da realidade. Mas o consumo é um ato social. Consumimos para nos relacionar, para nos diferenciar, para nos aproximar ou afastar de determinados grupos e comportamentos.

Consumir não significa somente comprar. Consumir está diretamente ligado às nossas práticas diárias e nem sempre passa pelo ato de comprar. Fazendo reflexões desse tipo podemos colocar o consumo num outro lugar. As novas práticas de consumo que têm (re)surgido, como a colaboração e o compartilhamento, por exemplo, estão aí para mostrar que o consumo pode sim ser um atalho para a mudança social e econômica que se faz cada vez mais necessária no mundo em que vivemos e com isso, ainda temos a oportunidade de restabelecer vínculos sociais e recriar comunidades.

Repensar o consumo e reconhecer suas funções sociais, observar as novas formas de consumir que estão aparecendo pelo mundo todo, atribuir um novo significado a produção e as relações de trabalho através de movimentos como a colaboração e o compartilhamento, são alguns dos temas que serão tratados no curso “Novos Paradigmas do Consumo”, que vai acontecer no Espaço Criativo GWS. Vamos fornecer ferramentas para a compreensão das mudanças sociais e comportamentais que nos trouxeram até este momento e para a identificação e decodificação das manifestações culturais que estão se formando a partir dessas transformações.

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Ao longo de três encontros, vamos refletir e trocar ideias sobre como indivíduos, marcas e empresas dos mais diversos segmentos podem se posicionar num momento em que tudo parece inconstante. Iremos conversar também sobre a chamada “nova economia”, novas formas de consumo, valor compartilhado, entre outros assuntos que estão ganhando cada vez mais visibilidade no mercado e nas relações sociais.

— ♥ —

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