Precisamos de mais mulheres em posições de liderança. Mas como chegar lá?

Por Girls With Style / gws@gwsmag.com

Uma vez, tive a oportunidade de assistir uma palestra de Luiza Helena Trajano, Presidente da rede de lojas Magazine Luiza. Em meio a tantas colocações incríveis sobre varejo, cultura empresarial, administração e gestão, ela soltou uma frase que ecoou em mim e me fez pensar a respeito. Luiza disse exatamente as seguintes palavras: “Tire da cabeça que cota para mulher em conselho empresarial é uma coisa discriminatória. Isso é um processo de transição para acertar uma situação de desigualdade”.

A colocação de Luiza Helena me pôs a pensar que precisamos de mais mulheres em posição de liderança. Mas como chegar lá? Pensar no papel que a mulher ainda ocupa nos altos cargos empresariais e no que ela tenta, almeja e luta para ocupar. E, claro, no que as empresas fazem para deixar a realidade mais perto do cenário ideal. Infelizmente, a realidade e o ideal, ainda parecem estar longe um do outro.

henn kim(Ilustração: Henn Kim)

Uma pesquisa divulgada em março de 2016, do International Business Report (IBR) – Women in Business, realizada pela Grant Thornton, em 36 países, mostrou que no Brasil a presença de mulheres em cargos de CEO e CFO aumentou de 5%, em 2015, para 11%, em 2016. No mesmo período, houve queda de 4% no volume de empresas no país sem mulheres em cargos de liderança: o índice saiu de 57% para 53%. Seriam ótimas notícias, se em dezembro passado, o IBGE não trouxesse à tona um estudo mostrando que a diferença salarial entre homens e mulheres aumenta em cargos de chefia, chegando a bater 32%. O retrocesso é grande! Enquanto, em 2005, o salário médio pago às mulheres em cargo de chefia era equivalente a 71% do valor pago aos homens, em 2016, esse número caiu para 68%. Associando estas informações com as do parágrafo acima, vemos que mulheres são vistas como uma boa mão de obra, em geral qualificada e dedicada, mas ainda assim, e por diversos motivos, uma mão de obra barata.

O reflexo da desigualdade de gênero da política
E isso não acontece apenas nos altos escalões das empresas brasileiras, mas também no nosso cenário político. Na última eleição para deputados da Câmara Federal, apenas 9,9% mulheres foram eleitas. Isso quer dizer que uma mulher é eleita para cada dez deputados homens eleitos. Dos 81 senadores, 11 são mulheres, ou seja, 13,6%. Considerando os estados, apenas um elegeu uma mulher para o governo – Suely Campos, em Roraima.

“O Brasil ocupa o 120º lugar no ranking que mede o índice de mulheres nos parlamentos, perdendo até para países islâmicos, cuja cultura desprestigia a mulher na vida pública”, informou a advogada especialista em direito eleitoral e processual eleitoral e presidente do Instituto Paulista de Direito Eleitoral (Ipade), Karina Kufa, ao site Huffington Post.

De acordo com artigo 10, parágrafo 3º, da Lei 9.504/97, de todas as candidaturas apresentadas por um partido ou coligação, 30% delas tem que ser de mulheres. É a famosa “cota” que Luiza Trajano citou em sua palestra. Infelizmente, ela ainda não surte tanto efeito nas urnas, uma vez que os partidos buscam cumprir a cota sem se preocupar com a qualidade política, administrativa e de gestão de quem se candidata.

quotes

 

A mulher e a teoria do labirinto
Até em áreas culturalmente femininas, como enfermagem, biblioteconomia, ensino básico e trabalho social (áreas especificamente estudadas pela socióloga Christine Williams), sem falar na gastronomia, o homem chega antes do que a mulher a cargos administrativos e de supervisão.
Seja no mercado de trabalho, ou na política, a mulher sempre enfrenta diversos níveis de dificuldades para “chegar lá”. E eles vêm de todos os lados… Um trecho de um artigo publicado na Harvard Business Review tenta explicar como isso acontece:

“Uma metáfora melhor para aquilo que a mulher enfrenta no campo profissional é a do labirinto, imagem com história longa e variada na Grécia antiga, na Índia, no Nepal, na cultura indígena das Américas do Norte e do Sul, na Europa medieval. Como símbolo contemporâneo, transmite a ideia de uma jornada complexa rumo a uma meta digna do esforço. Cruzar um labirinto não é algo simples nem direto; exige persistência, consciência do próprio progresso e uma análise atenta das dificuldades mais à frente. É esse o sentido que queremos usar. Há, sim, caminhos para a mulher que aspira ao alto comando — mas caminhos repletos de voltas e desvios, previstos e imprevistos. Já que todo labirinto tem uma rota viável para o centro, subentende-se que as metas são atingíveis. A metáfora reconhece os obstáculos, mas não é, em última instância, desalentadora. Se pudermos entender as diversas barreiras que compõem esse labirinto, e como certas mulheres acham um jeito de transpô-las, nosso esforço para melhorar a situação será mais eficaz”.

Como barreiras para se chegar ao centro do labirinto, podemos apontar o preconceito que ela sofre apenas por ser mulher, o preconceito e estereotipagem que a mulher negra sofre, resistência à liderança da mulher, a conflituosa relação entre o comportamento que se espera de um líder e o que se espera de uma mulher, a responsabilidade com os filhos e o pouco tempo para investir em capital social.

Para transpassar essas barreiras, Alice H. Eagly, autora do artigo e professora de psicologia e titular da cátedra James Padilla Chair of Arts and Sciences da North-western University, em Illinois, nos Estados Unidos, aponta que a saída mais eficaz é que a organização entenda a sutileza e a complexidade do problema e ataque simultaneamente suas múltiplas causas. Logo, a empresa que deseja ver mais mulheres chegando à ala executiva deveria tomar as seguintes providências:

• Conscientizar as pessoas sobre as raízes do preconceito em relação à mulher no comando e desconstruir essa cultura. Expor vieses arraigados tem sido a meta de muitas campanhas de diversificação. O risco é que seus efeitos sejam minados se as lições transmitidas não forem respaldadas por aquilo que gerentes dizem e fazem no dia-a-dia da empresa.

• Mudar a cultura das longas horas de trabalho. É preciso se atentar mais e avaliar a contribuição relativa de cada indivíduo, do que “o tempo que ele passa na empresa”. Na medida em que a empresa pode adotar medidas objetivas de produtividade, a mulher que precisa cuidar da família, mas tem hábitos altamente produtivos de trabalho, terá a recompensa e o estímulo merecidos.

• Reduzir a subjetividade da avaliação de desempenho. Uma maior objetividade em avaliações também combate o efeito de preconceitos arraigados na hora de contratar e promover. Para que haja justiça, os critérios devem ser explícitos e os processos de avaliação projetados para limitar a influência de vieses conscientes ou inconscientes de quem toma as decisões.

• Garantir uma massa crítica de mulheres — e não só uma ou duas — em postos executivos para afastar o problema do simbolismo. Se vira um símbolo, a mulher acaba enquadrada em papéis estereotipados: a “sedutora”, a “mãe”, a “mascote”, a “dama-de-ferro” (ou, na descrição mais expressiva de uma executiva de banco: “Quando estreia nesse setor, a mulher ou é uma devassa ou uma gueixa”). Essa estereotipagem limita as opções da mulher e torna difícil sua ascensão a postos de responsabilidade. Quando não é parte de uma reduzida minoria, sua identidade como mulher fica menos saliente e é mais provável que a reação dos demais seja balizada por sua competência.

• Evitar instalar uma única mulher em equipes. A direção da empresa tende a dividir seu pequeno contingente de gerentes do sexo feminino entre vários projetos, com a ideia de garantir diversidade a todos. Mas vários estudos revelam que a mulher, nessa posição de minoria absoluta, tende a ser ignorada pelos homens.

• Ajudar a reforçar o capital social. Na necessidade de cuidar da casa e da família, a mulher, muitas vezes, acaba subjugando a importância de criar um capital social. A organização pode ajudar a mulher a entender por que cultivar contatos merece mais atenção.

• Estabelecer políticas de recursos humanos favoráveis à família. Isso pode incluir flexibilidade de horário, divisão do trabalho, trabalho em casa, benefícios para adoção, alternativas para quem precisa cuidar de filhos ou de idosos e creches na empresa. Esse apoio pode permitir à mulher permanecer no trabalho durante a fase mais exigente da criação dos filhos, construir capital social, permanecer atualizada e, em última instância, disputar postos mais elevados.

• Incentivar o homem a usufruir benefícios favoráveis à família. Quando só a mulher tira proveito de políticas ligadas à família, há riscos. Optar por benefícios como licença-maternidade generosa e trabalho em meio período desacelera a carreira da mulher. Qualquer iniciativa voltada a um equilíbrio maior entre trabalho e família deve buscar a participação de homens para evitar dificultar, sem querer, o acesso da mulher a papéis essenciais de gerência.

Mas o que levaria empresas a combater essa desigualdade em suas cúpulas?
Para começar, a marca/empresa ganhará uma maior simpatia do público, já que há uma crescente valorização da marca e de produtos e serviços de empresas que valorizam a diversidade e, portanto, a responsabilidade social. E quem faz a mudança acontecer agora, já se mostra mais aberto a mudanças em geral, tais como fusões e incorporações, onde culturas tão diferentes estão sendo obrigadas a conviver visando um único objetivo.

Outra vantagem é que, aderindo a diversidade dentre seus gestores, aumenta-se a capacidade de reconhecer talentos e empregar as ideias de seus funcionários. E em um tempo em que o presidente da maior potência mundial não acredita nas mudanças climáticas e suas consequências negativas para o mundo, descobrimos que mulheres, em geral, são mais preocupadas com as questões do meio ambiente. O livro “Gênero: Uma Perspectiva Global”, das autoras Raewyn Connel e Rebecca Pearse, traz dados que revelam que nações onde as mulheres têm um status político mais alto são as que menos emitem gases de efeito estufa por habitante. Em países com que somos maioria no Parlamento, maiores são as chances de ratificar tratados ambientais.

No livro, as autoras dedicam um capítulo inteiro à analise de alguns trabalhos que vêm sendo feitos no âmbito do gênero relacionado às mudanças climáticas e trazem uma série de teorias, pesquisas e estudos que mostram a importância de afinar o debate ambiental e a filosofia feminista.

As mulheres podem usar o poder da sua influência para ajudar a fazer acontecer a mudança que elas desejam. Elas controlam 51% da riqueza privada e podem usar esse poder coletivo para impulsionar a mudança social. Essa é uma maneira eficaz de fazer com que as empresas se levantem e escutem o que as mulheres querem.

As mulheres são mais filantrópicas e empáticas do que os homens. Em cada nível de renda, eles dão à caridade com mais frequência do que os homens – e eles tendem a doar mais dinheiro em média do que os seus homólogos masculinos, de acordo com a pesquisa Women Give 2012, conduzida pelo Instituto de Filantropia da Mulher, na Universidade de Indiana, nos Estados Unidos. Combinando isso com o seu sucesso crescente, é provável que os esforços de responsabilidade social de pequenas e médias empresas vão aumentar e assumir novas formas, o que pode muito bem mudar a maneira como todos nós pensamos sobre responsabilidade empresarial.

O que tudo isso nos leva a crer?
Que ainda falta um longo caminho… E que, para ter êxito, não podemos percorrê-lo sozinhas. Mais do que precisarmos de umas as outras para chegar lá, precisamos quebrar essa mentalidade e cultura machista e tacanha que cria percalços em nossos labirintos.

Precisamos mostrar que a diversidade de vozes e posturas é algo positivo em qualquer empresa. Que homem ser um pai presente não faz dele um profissional pior – e assim, não precisa ser sempre a mãe a ir às reuniões escolares, ou a levar ao médico, se ausentando sempre do trabalho pela família. Que os gestores entendam que as mães que saem meia hora mais cedo para pegar os filhos na escola não são funcionárias relapsas, que subjugam suas carreiras; ou que mulheres sem filhos não estão à disposição da empresa 24h por dia.

O caminho é longo, cansativo e cheio de pedras. Que possamos aprender com ele para nos lembrarmos quando chegarmos lá, que não foi a toa, e que tem muita mulher incrível para chegar lá também. Nos ajudemos!

— ♥ —

assinatura-de-post-mariana-barbosa


Warning: file_get_contents(http://graph.facebook.com/comments?id=http://www.gwsmag.com/precisamos-de-mais-mulheres-em-posicoes-de-lideranca-mas-como-chegar-la/&summary=1): failed to open stream: HTTP request failed! HTTP/1.1 403 Forbidden in /home/gwsmag/www/wp-content/themes/gws/archive.php on line 63
Comentar

Tags:

Consumo: Um ato social ou futilidade? E pra onde vamos em tempos tão inconstantes

Por Girls With Style / gws@gwsmag.com

Para muitas pessoas o consumo se tornou um dos maiores vilões do mundo contemporâneo. É muito comum escutarmos falar que parte das crises ambientais e sociais são consequências do chamado “consumismo” e que está nas mãos de nós, consumidores e consumidoras, parte da solução para os problemas que estamos vivendo. O incompatível nisso tudo é que quando ocorrem crises econômicas, somos chamadas para consumir mais para tentar “salvar” a economia, já perceberam?

henn kim

(Ilustração: Henn Kim)

No entanto, pouco se fala nos impactos gerados pela produção em si. Na visão moralista da relação produção – consumo, aqueles que produzem estão “salvos”, pois produzir é trabalhar e trabalhar é um ato digno, já o consumo estaria mais relacionado com futilidade e a pessoas desconectadas da realidade. Mas o consumo é um ato social. Consumimos para nos relacionar, para nos diferenciar, para nos aproximar ou afastar de determinados grupos e comportamentos.

Consumir não significa somente comprar. Consumir está diretamente ligado às nossas práticas diárias e nem sempre passa pelo ato de comprar. Fazendo reflexões desse tipo podemos colocar o consumo num outro lugar. As novas práticas de consumo que têm (re)surgido, como a colaboração e o compartilhamento, por exemplo, estão aí para mostrar que o consumo pode sim ser um atalho para a mudança social e econômica que se faz cada vez mais necessária no mundo em que vivemos e com isso, ainda temos a oportunidade de restabelecer vínculos sociais e recriar comunidades.

Repensar o consumo e reconhecer suas funções sociais, observar as novas formas de consumir que estão aparecendo pelo mundo todo, atribuir um novo significado a produção e as relações de trabalho através de movimentos como a colaboração e o compartilhamento, são alguns dos temas que serão tratados no curso “Novos Paradigmas do Consumo”, que vai acontecer no Espaço Criativo GWS. Vamos fornecer ferramentas para a compreensão das mudanças sociais e comportamentais que nos trouxeram até este momento e para a identificação e decodificação das manifestações culturais que estão se formando a partir dessas transformações.

novos-paradigmas-de-consumo-elis-vasconcelos-2-gws

Ao longo de três encontros, vamos refletir e trocar ideias sobre como indivíduos, marcas e empresas dos mais diversos segmentos podem se posicionar num momento em que tudo parece inconstante. Iremos conversar também sobre a chamada “nova economia”, novas formas de consumo, valor compartilhado, entre outros assuntos que estão ganhando cada vez mais visibilidade no mercado e nas relações sociais.

— ♥ —

assinatura_elis-vasconcellos


Warning: file_get_contents(http://graph.facebook.com/comments?id=http://www.gwsmag.com/consumo-um-ato-social-ou-futilidade-e-pra-onde-vamos-em-tempos-tao-inconstantes/&summary=1): failed to open stream: HTTP request failed! HTTP/1.1 403 Forbidden in /home/gwsmag/www/wp-content/themes/gws/archive.php on line 63
Comentar

Tags:

Mulherartes: um coletivo de artistas mulheres

Por Marie Victorino / marie@gwsmag.com

Sábado passado rolou a primeira edição do Mulherartes, no Coletivo Machina, na Lapa, um evento que une artes de mulheres. Aliás, além do evento, existe o coletivo que tem essa missão de dar visibilidade aos trabalhos criativos de mulheres da música, artes plásticas, fotografia, poesia, tatuagem entre outras formas de manifestação criativa.

O evento teve duas partes, sendo uma com exposições, tatuagens, comidinhas e depois, em um clima mais de festa, noite adentro num dos lugares mais legais da Lapa, com bandas de minas e dj’s. O evento estreou com a casa cheia e isso só mostra o potencial que a gente tem de fazer coisas incríveis, ainda mais quando nos unimos. Olha como foi:

mulherartes-gws-2

mulherartes-gws-3

mulherartes-gws-7

mulherartes-gws-5

mulherartes-gws-6

mulherartes-gws-1

mulherartes-gws-8

mulherartes-gws-4

mulherartes-gws-11

mulherartes-gws-10

mulherartes-gws-9

Ficou curiosa pra saber quem são as artistas ou como expôr sua arte nos eventos? Entra na página Mulherartes, no Facebook que lá tem você encontra as aristas, contatos e também confere uma cobertura mais completa do evento!

As fotos desse post foram feitas pela Camila Mantovani, uma linda de 18 anos, fotógrafa que tem muito potencial artístico e é super girl power! (Eu me emociono com as novinhas grlpwr!)

— ♥ —

assinatura_2016_marie-victorino-1


Warning: file_get_contents(http://graph.facebook.com/comments?id=http://www.gwsmag.com/mulherartes-um-coletivo-de-artistas-mulheres/&summary=1): failed to open stream: HTTP request failed! HTTP/1.1 403 Forbidden in /home/gwsmag/www/wp-content/themes/gws/archive.php on line 63
Comentar

Tags:

Documentário GORDA, de Luiza Junqueira do ‘Tá Querida’

Por Nuta Vasconcellos / nuta@gwsmag.com

Se você ainda não conhece a Luiza Junqueira, pode ir se inscrevendo no canal dela o “Tá Querida“. Lá a Luiza faz os vídeos clássicos que você espera de uma youtuber, com dicas, um pouco sobre a vida pessoal, ’50 fatos sobre mim’ e temas importantes como masturbação feminina e gordofobia. O equilíbrio perfeito entre as futilidades que a gente ama e papo sério que podemos e devemos debater.

luiza junqueira Luiza Junqueira do canal ” Tá Querida” e diretora do documentário “GORDA”

Além de youtuber, Luiza é videomaker e juntando o útil ao agradável ela fez em 2013 o belíssimo e poético curta chamado “Espelho Torcido” (te desafio a assistir sem se emocionar). E agora, em 2016, lança hoje no seu canal do youtube o documentário “GORDA”, que ela mesma produziu, dirigiu, roteirizou, editou e fez a coloração, junto com Aline Rosa. Todo o resto, ela teve ajuda de uma equipe composta apenas por mulheres, 15 ao total, que doaram seu trabalho para o projeto.

GORDA

O Espelho torcido foi em 2013 minha tentativa de tentar iniciar meu processo de empoderamento. Na época o filme teve bastante repercussão e a partir disso comecei a aceitar melhor meu próprio corpo.” – conta Luiza.

Daí para o GORDA, foi um pulo: “Quando fui fazer meu TCC no curso de Rádio e TV decidi que faria um filme que proporcionasse a mesma experiência que tive a outras mulheres. E daí surgiu a ideia de fazer o GORDA.”

A intenção com seus trabalhos é dar voz  às mulheres gordas que, assim como ela, enfrentam preconceito diariamente: “Quero que as pessoas entendam que ser gorda é normal e pode ser belo. Quero mostrar que padrão de beleza é uma construção social e por isso pode ser ressignificado. A beleza é uma decisão pessoal.”

O documentário é sobre 3 mulheres gordas, todas com perspectivas diferentes em relação aos próprios corpos. Como essas mulheres foram escolhidas? “São mulheres que foram selecionadas em um formulário online com algumas perguntas acerca do tema do filme. O formulário teve mais de 550 inscrições em apenas uma semana no ar. Como a produção foi pequena, foram escolhidas apenas três mulheres que têm perspectivas diferentes em relação aos próprios corpos.”

luiza-junqueira-2

Sabemos que a autoestima das mulheres em geral é baixa e massacrada pela sociedade. Mas sabemos também que as mulheres gordas sofrem ainda mais com isso, a pressão é infinitamente maior. Vivemos em um tempo que a representatividade nunca esteve tão em alta. Mas a mulher gorda ainda assim é raramente vista na TV, em campanhas… Qual a melhor forma de lutar pra isso mudar?

“Acho que ainda não há representatividade gorda pois o capitalismo (sim terei que falar de capitalismo) cria necessidades impossíveis de serem supridas para gerar mais consumo. Então é colocado um corpo magro e quase impossível de se ter como padrão de sucesso e beleza. Quanto mais longe a pessoa estiver daquele corpo, mais indesejável e fracassada ela é. As pessoas continuam em uma busca infinita por um corpo perfeito e consomem produtos de dieta, programas de tv, revistas, cirurgias plásticas, roupas modeladoras, cosméticos, maquiagem… deve ser bem lucrativo, sabe? Mas eu acho que já tá na hora dessa galera cair na real que o público não é um robô de photoshop e as pessoas querem consumir sim e querem se ver representadas no que consomem. É uma pena pois eu acredito que seria muito mais lucrativo um consumo mais consciente e feliz que envolva amor próprio. Mas tenho esperanças que estamos caminhando pra isso. Cada vez mais pessoas estão tomando consciência de si e querendo se ver representadas. Por isso acho que o GORDA está repercutindo tão bem. Não sei qual a melhor forma de lutar pra mudar isso, mas a minha forma é produzindo conteúdo para tentar promover alguma representatividade e empoderar o maior número de pessoas possível.”

A gordofobia é socialmente naturalizada de tal forma que, em muitos dos casos, as próprias vítimas fazem do seu corpo um alvo de desprezo. Somente a partir de um esclarecimento individual é que elas finalmente se amarão e conseguirão espalhar o conhecimento adiante para combater o preconceito. Colocar a gordofobia como pauta de uma forma única e pessoal como acontece em “GORDA” é uma maneira de sensibilizar quem assiste. Por isso, o filme conversa não só com as mulheres gordas, como também com quem promove os discursos de ódio que afetam essas mulheres.

sessao-gorda-1

Você gostou do tema do documentário? Acha que gera um debate interessante? Pode ser gorda, magra, entendida do tema ou não,  que tal assistir o documentário com a gente e com a Luiza Junqueira no Espaço Criativo GWS? Vamos ter uma sessão de GORDA + debate sobre a autoestima da mulher gorda no dia 29/11, terça-feira, às 19h. As vagas são limitadas! Para se inscrever: bit.ly/GWSgorda

Luiza te inspirou? Segue ela no insta: @luizajunquerida!

assinatura_2016_nuta-vasconcellos1


Warning: file_get_contents(http://graph.facebook.com/comments?id=http://www.gwsmag.com/documentario-gorda-de-luiza-junqueira-do-ta-querida/&summary=1): failed to open stream: HTTP request failed! HTTP/1.1 403 Forbidden in /home/gwsmag/www/wp-content/themes/gws/archive.php on line 63
2 Comentários

Tags: