Como lidar com o machismo e o assédio no ambiente de trabalho ou acadêmico?

Por Girls With Style / gws@gwsmag.com

Por Pollyanna Assumpção:

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Quando eu comecei a trabalhar com festas quase oito anos atrás, foi uma forma de viver uma adolescência tardia. Eu passei na faculdade muito jovem aos 16 anos, comecei a trabalhar com 18 e nunca mais parei, sempre emendando um emprego no outro, uma pós na outra, deixando a vida me engolir. Daí em 2010 eu tive a chance de parar com essa loucura, viver só produzindo eventos e poder fazer tudo o que eu quisesse. Eu comprei TV, videogame, viajei, fui a milhares de shows, corri atrás da minha banda favorita na turnê da América do Sul, cheguei a assistir 36 seriados ao mesmo tempo. E nesse meio tempo fui ficando cada vez mais presa na minha bolha politicamente correta com amigos antenados e militantes iguais a mim, todo mundo com uma história e forma de pensar similares as minhas e fui no geral esquecendo como era viver no mundo aqui fora. A gente sempre tem um vislumbre de conservadorismo quando ouvimos algum pedaço de conversa na fila do banco ou quando lemos algum comentário absurdo em portais de notícias, mas no geral eu estava vivendo em um mundo bem seguro filosoficamente para uma feminista.

Aí, o mundo girou, a vida mudou, eu cansei da adolescência tardia, furei a minha bolha e resolvi voltar a trabalhar e estou numa empresa ótima, cheia de pessoas legais que me receberam super bem mas que são pessoas com vivências e visão de mundo muitas vezes completamente opostas as minhas e embora eu esteja trabalhando num ambiente super receptivo, às vezes a gente ouve piadas ou bobagens machistas que preferia não ter ouvido. E como agir quando isso acontece? Será que se anular e evitar expor o que você pensa é uma boa solução pra isso? Eu acho que não.

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Entendo que por muitos motivos muitas mulheres prefiram se calar pra evitar aborrecimento. Por questões hierárquicas ou medo de perder o emprego ou alguma retaliação, mas acredito que viver dentro da opressão também não é a melhor solução pra vida de nenhuma mulher. O apagamento do assédio que as mulheres sofrem no trabalho, ou na faculdade por exemplo, é uma das mais antigas reivindicações das profissionais. Mulheres poderem fazer queixas formais de assédio sexual é uma coisa historicamente muito nova e até hoje muito difícil de provar devido a normatização da objetificação feminina em ambiente de trabalho. Ouvir piada machista, mesmo que não diretamente para você, também pode ser considerado assédio moral e se você não se sente confortável ou se sente agredida, engolir esse sapo não vai deixar sua situação melhor. O assédio não vai ter fim e nem seu sentimento de humilhação.

O machismo no ambiente profissional e acadêmico vai desde piadas bobas que “todo mundo faz” e ninguém percebe o quão ofensivas são, até casos de real agressão verbal ou sexual. Nos casos mais bobos, minha posição é sempre a mesma: Evito conflito com o colega, até porque provavelmente eu gosto dele pessoalmente e explico de forma assertiva porque aquela piada sobre mulheres não é legal e porque talvez ofenda mulheres que ele conhece. Muito frequentemente, a socialização masculina normatiza a violência contra a mulher como piada e muitos deles que riem disso, jamais encostariam um dedo numa mulher. Muitos deles apenas não entendem o quão ofensivas suas piadas podem ser. E como muitas mulheres que eles conhecem são vítimas reais de homens em situações que eles consideram piadas. Todas as vezes que agi dessa forma, acabou numa discussão saudável, gerando uma reflexão, onde todas as pessoas expuseram sua forma de pensar.

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Quanto a casos de real violência, realmente só posso aconselhar a denúncia. Nunca sofri casos assim em nenhum lugar que trabalhei, mas se os homens na rua não deixam de nos assediar mesmo quando deixamos claro que não estamos interessadas, por que um homem colega de trabalho pararia de assediar uma mulher só porque ela resolveu ignorar? Lembra quando éramos crianças e arrumávamos briga na escola e a mãe falava “ignora ele que ele te esquece”? Alguma vez você ou seu colega esqueceram? A provocação parou? O homem abusivo não vai parar de abusar só porque você finge que não está vendo ou ouvindo. O silêncio só gera crise, medo, graves cicatrizes na sua autoestima e segurança como profissional. Entendo que temos contas pra pagar e o mundo nos engole e sim, temos medo o tempo todo. Mas será que vale a pena?

Todo dia lemos casos de mulheres que foram ignoradas pela polícia e pela justiça. Ir atrás de punição para quem nos agride é uma saga no mundo todo, não só no Brasil. As mulheres não tem sua palavra levada em consideração apenas porque são mulheres e não são confiáveis. “Mulher é tudo piranha mesmo, fica por aí saindo com geral, rebolando com aquela saia em ambiente de trabalho, ela estava provocando, ela estava pedindo”. É isso que mulheres agredidas sexualmente ou moralmente ouvem quando denunciam. Porém não podemos nos acomodar no papel de vítima. Feminismo não é vitimismo, não é dizer que precisamos ser protegidas e sim expor a agressão considerada normal pela sociedade. Lutamos não só por salários iguais como por condições sociais iguais. E se esconder não vai ajudar na mudança.

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