Empatia e respeito pela vivência diferente: Discordar de uma pessoa não significa lutar contra ela.

Por Girls With Style / gws@gwsmag.com

 

Por Pollyana Assumpção:

o feminismo não te obriga a nada!

Sempre digo que feminismo pra mim é uma questão de reconstrução diária. Vejo minhas ideias de hoje em dia e fico me perguntando como podia ser tão equivocada há apenas dois anos. Vejo até certos textos que escrevi aqui pra vocês há apenas um ano e me vejo tão diferente hoje em dia. Tenho algumas questões bem mais consolidadas na minha mente, alguns posicionamentos bem mais fincados no meu idealismo e tenho me importado bem menos com questões pessoais e bem mais com questões de classe. Porque nós mulheres somos uma classe, não se engane. Não existe pra mim individualidade numa sociedade que nos enxerga como massa. Dito isso, gostaria de dizer como tem sido pra mim assustador ver o movimento feminista lutar contra si mesmo e ver muito mais ódio que luta.

Acredito que antes de qualquer coisa somos seres humanos e isso já é o suficiente para que tenhamos respeito pelo próximo, suas vivências e experiências. Discordar de uma pessoa não significa lutar contra ela. Discordar de um posicionamento teórico ou prático não justifica a agressão e a violência. Porém discordar de alguém não justifica o silenciamento também. Não gosto de frequentar grupos online de feminismo porque acho que se perde muito tempo tentando derrubar discursos e discutindo sobre quem está certa. Todos os grupos que já fiz parte tinham brigas diárias por causa de discordâncias e tenho muito pouco tempo pra perder dessa forma. Algumas grandes fanpages feministas viraram apenas points para discurso de ódio. Quando foi que as mulheres começaram a rachar umas as outras?

Vamos lá gente, acho que a primeira coisa que devemos ter pela companheira é empatia e respeito pela vivência diferente. Se a moça gorda foi lá e falou sobre como é difícil ser gorda, não faz a babaca e diz que também é difícil ser magra. Não confunda bullying com opressão e rejeição social. Aceita o discurso e aprenda um pouco com ele. Não se valha de uma experiência que você desconhece e fale sobre ela porque leu, conhece alguém ou ouviu falar. Não seja aquela menina egoísta que ouve alguém falar de um sofrimento e responde com “eu também sofro muito”. Respeita as minorias dentro da nossa minoria, respeita as vivências, respeita a experiência, respeita o discurso.

Ao mesmo tempo me preocupa muito ver moças iniciantes no feminismo sendo completamente maltratadas por outras mais antigas e sem paciência. Veja bem, ninguém aqui é obrigada a ensinar nada a ninguém não, sabe? Mas precisa mesmo rachar mina com dúvida boba ou com visão deturpada do que é ser feminismo? Precisa mesmo tanto ódio, tanto discurso violento, tanto racha com quem pensa diferente? Primeiro que todo mundo um dia já esteve equivocada. Ninguém aqui acordou feminista e entendedora de direitos humanos. Muito nos foi ensinado e dito e lembrem disso antes de responder “procura no google” como já vi muitas fazerem com meninas novas no rolê. Segundo que feminismo não é guerra de vertente ou pelo menos não deveria ser. Cada uma se alinha com a vertente que mais se identifica, porque antes de tudo feminismo é sobre experiência pessoal. Então para com os ataques porque a outra moça se identifica com outras ideias. Citando Jogos Vorazes: lembre-se de quem é o inimigo de verdade.

Sabe, eu acho que podemos discordar umas das outras na forma de ver detalhes mas não precisamos nos agredir. Eu mulher branca, heterossexual, classe média e cheia de privilégios definitivamente estou longe de ter a vivência de outras mulheres tão oprimidas pela sociedade pela sua cor, sua classe social, sua sexualidade e tantas coisas que nos faz diferentes. Nunca na vida terei suas experiências e por isso falo pela minha, somente pela minha. E apenas ouço as outras e tento aprender com elas. Mas tento diariamente fazer minha parte pra que esse mundo seja menos opressor pra todas. Pra mim isso é possível independente de divergências ideológicas simplesmente porque respeito a próxima, respeito sua fala e não agrido ninguém.

Com certeza serei criticada por ter uma visão paz e amor do movimento. Nem é minha intenção. Acredito de verdade que para haver uma revolução é necessário todas as quebras de paradigmas e ir fundo na discussão do movimento. É preciso que cada parte dele seja revisado e rediscutido porque mina empoderada é mina que sabe o que fala. É preciso o fim do racismo, do preconceito de classes, do controle dos corpos. É preciso de alguma forma que se rediscuta a relação entre a mulher pobre e a mulher rica que tem feminismos tão diferentes e objetivos de vida tão diferentes, assim como a mulher branca e a mulher negra com representações tão opostas dentro da história. É preciso respeitar a diferença e não oprimir. Seja atenta a si mesma e a próxima e se pergunte: o que eu posso fazer hoje pra criar uma real igualdade entre mulheres tão diferentes? Apoie sempre as irmã.

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