Estive pensando: Sobre falar menos e dar mais exemplo

Por Girls With Style / gws@gwsmag.com

Por Isa Freire:

fale-menos-aja-maisFoto de Djuno Tomsni em Flickr

Depois de ter filhos, essa vira uma máxima na nossa vida. Não adianta falar pra não fumar com um cigarro na boca. Ou pedir calma, gritando. Não adianta reclamar que “magra” é elogio e no dia seguinte “nossa, como você tá magra, que linda” ser a primeira frase que sai da tua boca quando você encontra sua amiga. É muito bonitinho compartilhar tudo que a gente lê de bom na internet, mas vamos começar a atuar pra fazer as palavras valerem, também?
Seguinte, tudo começou numa conversa com uma amiga ontem, quando ela me dizia que estava super mal, pois tinha ido visitar sua comadre (risos) que tá com um filho lindo e por sua vez, passou o tempo todo reclamando do próprio corpo, porque o corpo não tinha voltado depois da gravidez e etc. Minha amiga, no alto de sua magreza ou gostosura de quem ainda não sofreu na pele a agressividade de uma gestação, se questionava e estranhava como seria possível que uma mãe se preocupasse com o próprio corpo, quando havia ali na frente dela, uma miniatura de gente que indubitavelmente, justificava qualquer gordurinha localizada ou estria.
Essa “peça” já me foi pregada diversas vezes… E assim como eu expliquei ontem pra ela, achei prudente “justificar” meu lado publicamente.
Primeiro de tudo. Não culpe uma mãe. Nunca culpe uma mãe. Se uma mãe tá chata, se ela tá magra demais, se ela tá gorda, se ela só come merda, se ela dá besteira pro filho comer, se ela coloca o filho de frente pra TV, se ela fez uma cesárea desnecessária (essa uma questão enooorme no mundo da maternidade), se ela reclama do próprio corpo, não interessa. A última das coisas que uma mãe precisa, porque na verdade ela já tem de sobra, é culpa.

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Então, tente ver o lado dela. Pergunte, escute, converse. Provavelmente ela precisa disso.
E quando uma mãe reclama porque o corpo dela tá feio, porque a barriga dela tá flácida ou ela tá cheia de celulite, não é porque ela olha pra criança e pensa “affe, não acredito que esse pestinha me custou essa piora de 100% no meu corpinho”. É porque as mesmas amigas que passam metade do tempo que tem com elas, exaltando que elas estão maravilhosas, que a maternidade transforma a pessoa num ser superior que não precisa malhar ou que elas já voltaram pro corpo de antes (o que nunca acontece fora do globo.com, aliás, já falo disso), passa a outra metade do tempo reclamando do próprio corpo, dizendo que querem emagrecer mais, que ultimamente tem malhado cinco dias por semana, que tem comido super bem, que têm tentado reeducar a própria alimentação, que não sabem como já sobreviveram tendo 5kgs a mais. Faz sentido? E isso não vale só pra mães, não. Eu já falei várias vezes que sofri de anorexia coletiva, na minha própria definição, porque por mais magra que eu estivesse, convivia com pessoas iguais ou ainda mais magras que estavam sempre reclamando do próprio corpo. E assim sigo agora, com meu corpo bem menos no padrão do que o de todas elas.
Voltando à questão do globo.com, amigues, vamos parar de exaltar essas mães que voltam ao mesmo corpo dois meses após parir? Isso não é factível, acho que em 99% dos casos. E não tem que ser um objetivo a ser alcançado quando você tá passando perrengue suficiente pra se readaptar a todo um novo esquema de vida. Eu não quero precisar voltar a ser gostosa. Pelo contrário, eu quero esquecer que um dia eu me importei tanto com isso, a ponto de magoar outras pessoas e competir por uma busca nada saudável e sem fim pelo “melhor corpo”, patrocinado pela mesma sociedade escrota, que eu tanto tento combater em outros aspectos.

Então é isso. Uma mãe que não investe o tempo, que ela não tem, em retornar ao corpo de antes, é incluída no mesmo grupo de meninas empoderadas com corpos fora do padrão. O pessoal que cultiva o corpinho dentro do padrão (alou, eu ontem) vira pra elas e diz que elas são lindas, mas se esforçam além da conta pra se manter dentro do que a revista “Shape” diz que tá certinho.

Sabe o que a gente podia fazer? Elogiar menos corpos, falar menos sobre corpos, se ver menos como figuras. A gente podia fingir, só por um tempinho, que realmente não importa. Porque gente, NÃO IMPORTA! E é tão, mas é tão libertador chegar a essa conclusão. Eu precisei de um filho na minha vida pra perceber, porque é difícil demais, mas agora eu sei e tô feliz e escrevo esse texto pra tentar incentivar mais alguém por aí.

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1 Comentários

  • alicia

    Não gostei do texto. Aqui se fala tanto que as mulheres devem defender as próprias mulheres, e nesse texto da a entender que vc inferioriza as mulheres magras. Aonde ja se viu mulher que valoriza malhação,que gosta de ser magra, não poder elogiar uma mulher gordinha?????? Só porque a mulher quer seguir um estilo de vida para ser magra, não significa que ela se veja como uma ‘figura’. alouu!! É chato isso. Cada uma na vida, escolhe o estilo de vida que quer ter!! e que cada uma seja feliz com isso!!! Só pq vc não quer mais ser magra, e não liga mais pra aparência, não significa que vc seja superior.