Fanzine: O que é e como surgiu essa imprensa alternativa

Por Nuta Vasconcellos / nuta@gwsmag.com

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Em 2012,colocamos em prática o sonho de ter o GWS em versão impressa e lançamos a primeira edição do nosso fanzine, assim de forma tímida, sem muita pretensão. Mas a ideia deu tão certo, que vamos lançar a segunda edição em grande estilo! Com “Encontro Criativo” como falamos nesse post aqui.

Mas muitas leitoras perguntam pra gente, afinal de contas, o que é um fanzine? Fanzine é uma publicação impressa independente. Quem produz, pode expressar suas ideias e pensamentos sem restrições. O fanzine nasceu nos Estados Unidos nos anos 30, quando os poetas usavam o material para divulgar suas poesias, mas fanzineiros de carteirinha afirmam que o fanzine no formato como conhecemos hoje, surgiu no final da década 70, junto com o movimento punk na Inglaterra.

O primeiro exemplar de um fanzine que se tem notícia pode ter sido escrito ao som de Sex Pistols. Essa publicação chamava-se Sniffin’ Glue,  editada em 1976 na cena do punk rock britânico. Nos anos 70 e 80 o fanzine era instrumento do movimento contracultura e dos punks como forma de divulgar suas ideias sem nenhuma censura. Nos anos 90 foi a maior forma de espalhar as novas bandas do grunge, divulgar o movimento Riot Grrrl , o trabalho de quem não tinha muito capital para se mostrar no mercado, como ilustradores e desenhistas de quadrinhos e instrumento fundamental para os fã-clubes divulgarem novidades dos artistas. Eu mesma recebia todo mês um fanzine das Spice Girls em casa com todas as novidades sobre elas, bem antes da internet ser um lugar popular.

Os Fanzines viraram a imprensa alternativa, a solução para uma minoria se manifestar e espalhar por aí uma ideia, um conceito, um estilo de vida que estava longe da mídia mainstream.

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Nos anos 00’s os zines (apelido carinhoso) se transformaram em e-zines, fanzines online, mas de uns tempos pra cá, o clássico impresso tem ganhado força inclusive no universo da moda. Na gringa, algumas marcas começaram a fazer fanzines como a Urban Outfiters com o “DIY or DIE” que rolou com evento e tudo ano passado. O ” Crush Fanzine” tem apoio e divulgação da marca Open Ceremony e Tavi Gevinson editora da Rookie magazine já fez evento para as leitoras produzirem fanzines e já se declarou colecionadora, principalmente dos feministas.

Mas qual o papel do fanzine nos dias de hoje? Com a internet, fazer uma revistinha pode parecer uma coisa boba, mas a chance de entregar conteúdo em mãos para a pessoa que você acredita que vai curtir suas ideias em forma de papel ainda é única. A internet é um mundo de possibilidades, mas você tem que ter a “sorte” de chamar a atenção da pessoa no meio de um furacão de links. Fora que: Quem não gosta de recortar, pintar e colar? Não é uma delícia poder fazer isso e ainda por cima espalhar um pouco do que você acredita por aí? E como leitora? Não é gostoso ter aquele material físico, onde você pode ler e reler sua matéria favorita e fazer coraçãozinho em volta dela?

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Existem Fanzines sobre música, filmes, poesias, vegetarianismo, HQ’s, política e até fanzines que divulgam outros zines. Até pouco tempo no Brasil esse universo ficava bem restrito ao underground, voltado para bandas punks, movimentos como o feminista ou anarquista. Mas isso vem mudando, e os fanzines estão começando a fazer parte de um universo mais abrangente. Mas a gente não pode negar que os fanzines feministas e do movimento Riot Grrrl foram os que mais  inspiraram o GWS nessa nova empreitada.

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Se você se interessou e quer saber mais sobre esse mundo, um bom começo é pelo blog brasileiro 365 fanzines, criado para disponibilizar um zine por dia. Lá vocês vão encontrar em pdf fanzines incríveis. Aliás, recomendo a leitura dos zines: True Lies, Cinisca, Muchacha e o Histérica e o e-zine Pretty Pony Mag.

Curtiram saber um pouco mais sobre Fanzines? Que tal começar o de vocês?

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