Garotas, lutem pela sua liberdade!

Por Girls With Style / gws@gwsmag.com

Por Pollyanna Assumpção:

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Essa semana se falou muito em abuso no transporte público e no BBB e fiquei pensando um pouco sobre o assunto e isso me remeteu a quando eu me descobri feminista. Minha família é a típica família de classe média baixíssima que teve que ensinar os seus filhos a se virarem muito cedo, e isso inclui aos 11 anos já pegar ônibus pra ir pra escola sozinha. E mamãe sempre mandava eu ter cuidado com os tarados e usar roupas comportadas e tentar ser o mais invisível possível. Cresci tentando ser invisível, usando roupas largas, não exercendo de forma alguma minha sensualidade e essas cicatrizes até hoje estão em mim e sou uma pessoa mega discreta e reservada na forma que me visto. Acabou que virou um hábito e não sei me vestir de outra forma, embora hoje já use calças justas, coisa que nunca fiz até 3 anos atrás, quando me dei conta que não importa sua calça, sua saia, sua blusa, sua maquiagem, somos todas iguais. Foi nesse momento que me descobri feminista.

Embora desde muito nova eu tenha notado que mulheres são tratadas de forma diferente e sempre lutei pra me impor nesse mundo como igual, sempre achei que as mulheres diferentes de mim faziam um desserviço a forma que somos vistas. Quem nunca chamou a coleguinha de piranha que atire a primeira pedra. A grande verdade é que nós mulheres somos produtos da nossa criação machista e nós também julgamos o diferente, numa tentativa de nos protegermos. Se eu não ando com short curto na rua, eu não vou sofrer nenhum tipo de violência. Se eu não encher a cara na balada, eu não vou ser agarrada. Se eu for diferente da vadia, eu não vou ter problemas. Acontece gente, que nós não somos diferentes em nada. Usar moletom e calça larga nunca me protegeu dos tarados que mamãe mandava eu tomar cuidado. Eu continuava ouvindo as mesmas imbecilidades que as meninas de roupa curta ouviam. Porque nós ouvimos essas coisas porque pra sociedade nosso corpo é público. É por isso que ele é avaliado diariamente por todos: se você é bonita, depilada, magra, cheirosa, faz as unhas e todas essas avaliações diárias que a sociedade nos faz.

Eu me tornei feminista no dia que entendi que a mulher ao meu lado, mesmo sendo completamente diferente de mim é tão vítima do abuso quanto eu.Você pode estar voltando do trabalho as 17h e sofrer alguma forma de abuso apenas porque estava na rua, vivendo sua vida. Essa semana vários homens foram presos em São Paulo por estarem encoxando mulheres no metrô. Um deles chegou a tirar a calça de uma moça que gritou e foi socorrida. A imprensa começou a falar sobre o assunto e descobriram páginas no Facebook de gangues de encoxadores. As mulheres começaram a falar e a gritar sobre o sofrimento que é andar no transporte público e 98% das mulheres dizem que já sofreram algum tipo de abuso ou abordagem indevida de homens. E enquanto isso a violência sexual é vista como algo feita por doentes, por tarados. Quem são esses tarados que conseguem abordar 98% das mulheres? Será que são tarados a margem da sociedade? Ou é o seu vizinho? O seu amigo? Seu professor? Seu porteiro? O homem comum?aspas

Outro dia li uma reportagem: a jornalista ficou na rua do Centro de São Paulo e apenas esperou as cantadas chegarem. E depois foi falar com esses homens “galanteadores” e as respostas eram “eu elogio mesmo, só não gosta quem é feia” ou “se ela estiver sozinha eu falo mesmo, só não falo se for casada porque o marido pode vir brigar comigo”. Somos pedaços de carne em exposição esperando quem nos comprem e depois que somos compradas, então merecemos respeito?

Nós fomos programadas pra ignorar o abuso, fingir que ele não existe, pensar que a culpa é nossa que demos mole  por algum motivo e quem sabe conseguir viver sem grandes traumas. Não usar roupa curta, não ficar bêbada, não dar mole, não ser fácil, não responder a agressões, não seja, não fale, não rebole, apenas sobreviva.

Mas eu te digo, VIVA. Lute pelo seus direitos, lute pela sua liberdade.

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