Grandes mudanças acontecem na sociedade quando mulheres são empoderadas

Por Girls With Style / gws@gwsmag.com

Por Pollyanna Assumpção:

Domingo foi a festa do Grammy e fora as apresentações musicais e as maquiagens maravilhosas das famosas, tivemos também um discurso do presidente Obama criticando a violência contra as mulheres. Em seu discurso ele disse: “Juntos nós podemos mudar nossa cultura para melhor, acabando com a violência contra mulheres e meninas. Artistas têm o poder único de mudar mentes e atitudes e nos fazer falar e pensar sobre o que importa, e todos nós em nossas vidas, temos o poder de dar o exemplo”. Ele também disse que uma em cada cinco mulheres já sofreram algum tipo de violência e logo depois do fim de seu discurso, uma sobrevivente chamada Brooke Axtell também deu seu depoimento sobre a violência vivida. Ela disse: “O amor autêntico não desvaloriza outro ser humano. O amor autêntico não silencia, envergonha ou abusa”.

Isso me lembrou aquele meme que brinca com “isso não é amor, amor é outra coisa”. Às vezes perdemos muito tempo na vida confundindo outras coisas com amor que dizem sentir por nós. Excesso de ciúme é comumente confundido com amor. Possessividade também é usualmente confundida com amar demais. Todo dia algum ex-namorado ou ex-marido mata uma mulher e a imprensa chama de crime passional como se fosse provocado por excesso de amor ou porque o cara não se conformava com o término. NÃO SE CONFORMAVA. Tadinho. Durante muito tempo, e até hoje em lugares mais interioranos, vemos homens sendo absolvidos de crimes cometidos contra mulheres porque teria sido um “crime de honra”. Um crime de honra é basicamente quando o cara descobre que sua esposa tem um amante e a mata e o juiz ficava do lado do marido assassino, porque afinal, “a piranha desonrou a honra do macho”.

aspas2Durante o discurso do Obama e da Brooke, a internet reagiu ao fato de Chris Brown estar na plateia, assim como sua ex: Rihanna. Também lembraram do caso da Madonna que foi agredida durante muito tempo em seu casamento com o hoje, respeitadíssimo, Sean Penn. E Rihanna e Madonna são mulheres que podemos considerar exemplos de liberdade sexual, individual e financeira. São mulheres que além de serem consideradas ícones sexuais, também são respeitadas como profissionais. E nem por isso elas deixaram de ser vítimas da violência doméstica, vítimas de um homem descontrolado e agressor. Tiveram suas vidas escancaradas e escrutinadas por todos os comentaristas de portais. Rihanna inclusive voltou a namorar Chris Brown anos depois e foi ofendida de todas as formas possíveis, INCLUSIVE por feministas. O que diferencia essas mulheres ricas, lindas e famosas de nós, moças normais, todas vítimas da sociedade que minimiza a agressão contra a mulher? Uma sociedade onde o maior portal de notícias cria uma enquete onde as pessoas devem votar se o beijo forçado no carnaval deve ser proibido! Afinal, não deve ser muito problema forçar uma mulher a beijar um homem. Uma sociedade onde um homem ser condenado a 7 anos de prisão por ter beijado uma mulher a força é visto pela maioria como exagero porque “Aaaaah, é só um beijo. Não quer ser beijada fica em casa, afinal é carnaval”.

Quando eu era jovem e ainda não tinha entrado no mundo do feminismo, lembro que nunca entendi muito bem porque mulheres ficam presas em relacionamentos abusivos, afinal “é só ir embora”. A grande verdade é que algumas mulheres não tem condições de se livrar de um relacionamento abusivo. Seja porque é dependente emocionalmente ou financeiramente do homem. Seja porque tem medo de ser morta, ou porque não tem como deixar os filhos. A dependência de outro ser humano, além do medo, são normalmente os fatores decisivos para uma mulher continuar sofrendo abuso. Uma das medidas do programa Bolsa Família é o auxílio ser depositado em nome da mulher e não do homem da família. O programa tem a consciência que muitas mulheres pobres são abusadas por seus maridos, muitos que maltratam a família pra sustentar seus vícios, e por isso deixar o benefício nas mãos do homem seria muito menos efetivo. Existem estudos sociológicos sérios que comprovam que o benefício ajudou a empoderar mulheres pobres dando a elas certa liberdade financeira, mesmo que pequena.

Grandes mudanças acontecem na sociedade quando as mulheres são empoderadas e se sentem seguras para mudarem suas vidas. Mas enquanto mulheres forem condenadas por crimes de honra, enquanto homens matarem suas mulheres em “crimes passionais”, enquanto estupros forem justificados pela roupa da vítima, o número de vítimas só tende a aumentar. O que a gente pode fazer pra mudar isso? O que você pretende fazer pra mudar esse mundo? Podemos começar por essa campanha maravilhosa lançada recentemente: empodere duas mulheres por dia, que tal?

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