GWS Entrevista!

Por Girls With Style / gws@gwsmag.com

Creio que aqui todo mundo sabe que o universo da moda não é feito só de plumas e paetês. Para quem está começando nesse ramo, ou então saindo da faculdade, há diversos desafios, principalmente quando se trata em se estabelecer e arranjar um bom trabalho. Pensando nisso resolvi bater um papo com Igi Ayedun (20) e Marcelo Salgado (20), responsáveis pela coleção feminina da marca Sumemo, do skatista Alex Poisé, que estreou recentemente no line up oficial da Casa de Criadores.

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Karla Gironda :: Igi, você pode me contar um pouco de como vocês foram parar na Sumemo?

Igi :: Eu já fazia styling pra marca, lookbooks também. E foi assim que eu conheci o Poisé. Nisso me chamaram para fazer a coleção feminina, que até então não existia. Daí eu chamei o Marcelo, que fez faculdade comigo (até eu largar o curso rs), pra montar essa coleção comigo.

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KG :: Cool, e quando vocês começaram a produzir a coleção, pensar num tema e tudo mais?

Igi :: Nós começamos no final de julho, mesmo sem a certeza de ir mesmo para a CdC. Então começamos pelas peças mais comercias, que no fim nem foram para a passarela. E sobre a coleção, nós não queríamos que fosse um teminha, sabe? É a mesma coisa que dizer, “ah, vamos fazer uma coleção Rock”, entende? Acho que isso é mal de quem faz moda no Santa Marcelina, quem sai de lá só quer saber de temão.

Marcelo :: Chegamos à conclusão que deveríamos estudar as origens da marca, que são o hip hop e o rock. Daí a gente viu na VH1 um documentário que falava, mais especificamente, sobre o ano de 77 em NY, e era aquilo que estávamos buscando. E durante a pesquisa, achamos muitos outros filmes.

Igi :: Como era muito abrangente e podia ser bem literal, também, mostramos pro Poisé, que morou lá. Então como toda a equipe sabia o que representou aquela época, todo mundo comprou a ideia.

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KG :: Qual foi a sensação de ver tudo pronto e depois na passarela?

Marcelo :: Foi novo, porque só fazíamos trabalhos pra faculdade, nunca pra passarela.

Igi :: O Marcelo sempre fez as roupas dele, eu nem sabia costurar direito. Ter toda uma equipe pra gente foi bem emocionante. Nossa emoção começou com as roupas, quando fomos pela segunda vez pra BH.

Marcelo :: Quando saiu a primeira leva ficamos mais tranquilos.

Igi :: Eu chorei muito, quando entrei na passarela, no backstage… foi muito esforço, muito trabalho. Deixamos de ser amigos e viramos parceiros profissionais. Nossa convivência ganhou uma outra proporção. O mínimo que queríamos era mostrar nossa competência.

Marcelo :: Tivemos muita liberdade pra criar, além da experiência que adquirimos de estar ali.

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KG :: Falando em experiência, mostrar o trabalho na passarela não é algo muito comum para os estudantes de moda, né?

Igi :: Todo estudante quer estar ali, ter uma projeção. É muito difícil ser estilista no mundo, principalmente no Brasil. Tem muita gente nas faculdade, cheios de vontade, mas não têm oportunidades. No nosso caso foi rabo pra lua mesmo. Porque não somos parentes de ninguém do meio, e nunca tivemos costas quentes.

Marcelo :: Acho que conhecemos as pessoas certas, apenas. Trabalhamos muito para conseguir isso. Os eventos acontecem, mas deveriam existir mais. Mais apoio das próprias universidades também. Elas deveriam incentivar mais os alunos a profissionalizar seus projetos.

Igi :: Não existe um grupo de profissionais brasileiros que busquem novos talentos, sabe? Cool hunting mesmo. O mundo da moda é muito fechado, é muito difícil de entrar. Ou você tem muita sorte (como a gente), ou tem alguém lá dentro. Muitas vezes o aluno tem um trabalho incrível, mas não tem pra quem mostrar. Não existe uma linha de contato entre as marcas e os estudantes de moda. Os que arranjam estágio naõ tem prospecção alguma, só ficam ali pra vestir modelos e não adquirem vivência ou prática.

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KG :: Com certeza muitos devem desistir no meio do processo, o que vocês acham que deve acontecer pra seguir em frente? Abrir uma marca própria, por exemplo?

Igi :: Abrir algo próprio nunca é o caminho.

Marcelo :: Não estamos preparados, acho até que a desistência está meio atrelada a isso.

Igi :: Tinha a Tânia (colega de faculdade), que era incrível, e isso já no primeiro ano, mas desistiu porque não tinha dinheiro pra pagar o curso, e não tinha mercado pras criações dela. Ela tinha duas opções, ou mantinha o curso, ou pagava as contas. O esquema é ir atrás de marcas grandes e propor mudanças. Desde estampas até novos tipos de modelagem. Lojas de departamento ou uma Osklen da vida. Pra não desistir é preciso dar a cara pra bater mesmo, tentar, realizar uma ideia, sintetizar, fazer um projeto e entrar no site das marcas, até achar o nome da pessoa certa e mandar um email. Eu fiz muito isso, enviava meu portfolio pra revistas, marcas, pouca gente respondeu, mas quem respondeu está na minha vida até hoje.

Marcelo :: Não tem dinheiro pra costureira? Faça você mesmo a roupa. Depois faça um ensaio, arranje modelo, fotógrafo, faz um vídeo, e tenta mostrar o seu trabalho pros outros.

Igi :: Tem que ir atrás mesmo, mas não só ligar, deixar currículo. Tem que achar o contato da pessoa responsável pelo que você quer, ir todo dia atrás disso até conseguir. Conseguimos esse desfile por isso, ninguém estava atrás da gente, então a gente foi e deu a cara pra bater. Mas o que falta também é saber o quão amadurecido seu trabalho é.

Marcelo :: Tem que ser realista. Até pro desfile, muita coisa que estava no papel que achávamos lindo nem fizemos, porque acreditamos que não iria dar certo.

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