Leituras do Mês – Junho

Por Carol Guido / carol@gwsmag.com

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Estou em recuperação depois da ressaca literária que foi o mês de maio e eis que minhas escolhas de junho foram uma verdadeira montanha russa! Uma leitura muito boa, outra muito ruim e outra média. Todas as emoções em um só mês.

Mas queria contar que tenho tentado fazer escolhas diferentes do meu perfil-leitora-de-best-sellers depois que li uma crítica super construtiva de uma de vocês lá no Censo GWS (nossa pesquisa de satisfação hehe). A diversidade tem me feito bem e voltei a sentir mais emoções com as leituras, o que é maravilhoso. Recomendo.

Mas vamos ao que interessa? Vou começar do pior pro melhor. Lembrando que isso aqui é apenas a minha opinião e quero muito saber a de vocês também.

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Fim, Fernanda Torres – ★

Fim é o primeiro romance da Fernanda Torres, que já vinha se aventurando no mundo das letras em colunas na Veja, Folha e contribuições pra Revista piauí (é com minúscula mesmo). Muito bem avaliado no Good Reads, mega recomendado pela amiga que me emprestou e com apenas 200 páginas.

O resumo do enredo vou roubar uma parte do site da editora, a Companhia das Letras: “O livro focaliza a história de um grupo de cinco amigos cariocas. Eles rememoram as passagens marcantes de suas vidas: festas, casamentos, separações, manias, inibições, arrependimentos.” Os cinco amigos são caras idosos, que contam pra nós, leitores, em primeira pessoa, como foram estas passagens marcantes, seus momentos antes de morrer, etc.

O estilo da Fernanda é bem carioca, bem Nelson Rodrigues, bem malandragem, alegria e melancolia nas ruas do Rio. Capa linda, narrativa com um bom ritmo, meio no estilo falo-tudo-que-vem-na-minha-cabeça-ao-mesmo-tempo. Lembrei do Gian Lucca. Texto descontraído e cheio de humor inteligente.

Neste ponto vocês devem estar pensando por que não gostei e tô falando só coisas boas. É que eu achei muito particular o fato de eu não ter gostado e não quero influenciar as pessoas que podem se encantar pelo livro. Se você curtiu minha resenha até aqui, acho que deve dar uma chance. Se não, vou pra parte ruim.

Dei uma estrela, por motivos de: não consegui criar apego pela história, achei os personagens principais uns babacas (mas muito babacas mesmo) e não me dava vontade de saber o que tava acontecendo na vida deles. Não gosto do Rio, não gosto do clima malandro, misturado a melancolia da cidade e não acho nada disso poético. Portanto, este livro obviamente não era pra mim. hahaha

Pra vocês terem uma noção, comecei a ler este livro em Abril, abandonei, e só voltei este mês. E confesso que nas últimas 50 páginas eu tava tão de saco cheio daqueles personagens que li meio na pressa, sem prestar atenção direito, mas eu li mesmo assim por que tenho procurado diversidade. E acho importante ter contato com coisas boas, mesmo que elas não sejam o meu estilo.

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Cidade da Meia Noite, J. Barton Mitchell – ★★★

Este livro me deu uma mistura de sentimentos. Eu talvez nunca teria tido contato com ele se a editora não estivesse me enviado quando viram que eu amo distopias. Então, obrigada pessoal da Jangada!

O resumo da história é: a terra é tomada por uma raça de alienígenas desconhecida, que espalha uma espécie de sinal telepático chamado de Estática. Este sinal entra na mente e corpo dos humanos, nos tornando servos destes ETs. As pessoas perdem seu poder sob si mesmas completamente. Os únicos que não são tomados pela Estática são os imunes, algumas poucas pessoas que por algum motivo desconhecido não são “sucumbíveis”. Além disso, as crianças até 17 anos (ou 16, não me lembro), conseguem conviver com a Estática na sua mente. Depois dessa idade, o sinal telepático toma conta e já era.

Os personagens principais são Holt, um garoto imune que corre pelo mundo caçando recompensas (o planeta tá destruído e os sobreviventes criam novas organizações e formas de ganhar dinheiro) e Mira, uma garota bem esperta que está sendo procurada pela principal organização social e tem uma recompensa pra quem conseguir captura-la. Obviamente o Holt vai atrás de Mira e as coisas não saem como previsto.

Os dois se completam muito, são personagens carregados de coisas que já viveram e os transformaram como pessoas. A leitura flui muito rápido por que você quer saber se tudo vai dar certo, você quer desvendar os mistérios que o autor propõe e entender se tem jeito da humanidade se livrar destes alienígenas malditos.

O autor, J. Barton Mitchell, é roteirista Warner e 20th Century Fox e talvez por isso, o livro tenha uma cara muito forte de filme de Hollywood, com muita aventura, efeitos especiais (você imagina tudo na sua cabeça, claro) e aquele mistério que vai se complicando cada hora mais, chegando a um ponto que você fala: P****!!!! Preciso saber logo o que tem por trás disso tudo, por favor pare de jogar mais elementos na história e desvende alguns pelo amor! #lostfeelings

Eu dei três estrelas por que, por um lado, fiquei muito envolvida e curiosa. Gostei muito do ritmo acelerado que as coisas acontecem e da curiosidade que o livro gera. Por outro lado, senti falta de explicações. É muita aventura pra poucos motivos. Em um determinado momento você fica sabendo um pouco mais sobre as organizações sociais dos humanos sobreviventes, mas achei a estrutura que o autor montou fraca, meio viajante. Sabe quando parece que o autor inventa elementos só pra resolver os conflitos que criou? Então.

Mas não adianta falar muito por que este livro faz parte de uma saga. Espero mais respostas e menos aventuras no próximo volume, pra ver se as coisas se equilibram.

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Deuses Americanos, Neil Gaiman – ★★★★★

Neil Gaiman dispensa muitas explicações. Eu nunca tinha lido nada dele fora algumas primeiras páginas de Sandman, que aliás, preciso retomar. Resolvi começar por este livro por que tava na promoção no Submarino. hahaha Regras da vida.

A história é sobre Deuses que vou chamar de tradicionais, ou seja, de civilizações antigas e povos que louvavam suas próprias entidades, versus, os novos Deuses, todos ligados a tecnologia e modernidade. A eminência de uma grande batalha entre estas duas forças acontece através de Shadow, um cara que acabou de sair de prisão um dia antes do previsto e está voltando pra casa pra retomar a vida, na medida do possível.

Tudo acontece nos Estados Unidos, entre diversas cidades e viagens que os personagens fazem. Imagino que este livro tenha um gostinho especial pra quem é americano ou mora lá há muito tempo. A cultura deles é bem presente ao longo da história, mas como é o pano de fundo, isso não atrapalha em nada.

Achei o Shadow maravilhoso e carismático, apesar de ser muito na dele. Isso me deu a liberdade de interpretar tudo que acontecia no livro do meu jeito, sem muita influência dos pensamentos da figura principal. Pra mim, esta foi uma sacada muito importante do autor. O livro é muito louco (não no sentido literal) e você precisa mesmo se deixar seus pensamentos livres e soltos pra absorver as analogias, diálogos interessantes e sutilezas do seu jeito.

Não posso falar muito da história, acho que qualquer coisa que eu diga vai virar spoiler, mas posso dizer que o mais importante não são os fatos e acontecimentos, mas sim o que você consegue interpretar deles.

Achei muito bom. Mesmo!

 

E vocês, já leram alguns destes? O que acharam? Quais foram as leitura de vocês no mês de Junho? Vamos conversar!

Ah e por falar em conversar, tenho dois avisos:

1 – Vamos começar um clube de leituras aqui no blog! Vocês pediram na pesquisa e acho que vai ser demais a gente ler juntas o mesmo livro  pra depois papear. Ainda tô pensando como pode ser a logística disso e aceito sugestões, viu gente. A ideia é já começarmos em agosto.

2 – Postei uma foto do livro da Negahamburguer no Insta perguntando se vocês queriam post e muita gente curtiu a ideia. Só queria dizer que não esqueci e vou fazer.

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