Mas é sobre depilação mesmo que estamos falando?

Por Girls With Style / gws@gwsmag.com

Por Pollyanna Assumpção:

depilação

(Imagem: Didi Helene da página Um dia ainda viro cartunista)

“Mas tanta coisa pra essas feministas se preocuparem e elas ficam discutindo sobre depilação.” Alguma de vocês já leu ou ouviu isso por aí? Eu já. Várias vezes. E sempre tenho que responder: “nem eu aguento mais falar sobre depilação.” Mas o problema nessa questão é sobre depilar nossos pelos? Outro dia eu estava no twitter conversando com algumas amigas sobre propaganda de sabonete íntimo na televisão e algumas questões foram levantadas. Todo dia alguém surge com um produto novo para mulheres deixando muito claro que PRECISAMOS deles. SÉRIO? Ter que malhar, fazer as unhas, os cabelos, comprar roupa, maquiagem, sapatos, perfumes, fazer mil tratamentos estéticos por mês não deve ser suficiente. Sua vagina precisa de um sabonete só pra ela, que surpreendentemente não existe uma versão masculina. Os pênis não precisam de sabonetes especiais pra eles? Fica a dúvida.

Quando a gente para pra pensar sobre a quantidade de regras criadas para o corpo feminino, ficamos bastante chocadas. É quase impossível abrir qualquer site nessa internet sem que não exista alguém falando sobre como as mulheres TEM QUE SER. Mas quem diz como as mulheres tem que ser? Por que as mulheres tinham que ser de um jeito na década de 70 e hoje temos que ser de outro? Como e por que esses padrões todos mudam todo o tempo? Antigamente as mulheres eram felizes aparando seus pelos e arrasando na praia de biquíni. E a cada edição de uma Playboy, conferimos a nova modalidade de depilação feminina esperada pela sociedade. Inclusive, a cada mulher que tenta quebrar essas regras quando posa nua, dá início a uma entediante discussão onde todo mundo tem uma opinião sobre com o perdão da palavra, a boceta dela. Tá aí Nanda Costa e Vera Fischer que não me deixam mentir.

aspas2Gatas, nosso corpo é nosso. As regras são nossas. Ninguém deve nos dizer o que fazer com ele para sermos aceitas. Ninguém deve ser qualquer coisa que outra pessoa além de você mesma quer. A discussão aqui não é sobre depilar qualquer parte do seu corpo, sobre ser magra, sobre pintar as unhas ou usar maquiagem. A discussão é sobre o que te faz feliz. Você é feliz fazendo depilação total? Faça! Você chora sentindo dor e acha uma tortura passar por isso mensalmente mas se obriga porque “mulher não tem que ter pelos”? Pare agora! Não se agrida ou se machuque pra agradar outras pessoas. O seu corpo é seu e só seu.

Gosta de se depilar mas não tem dinheiro pra isso todo mês? Uma tesoura e creminhos podem te ajudar nesse processo. Tem gente que é feliz gordinha, depilada, peluda, de unha laranja e curta. Eu pessoalmente me livrei de um estigma desse há pouco tempo. Durante anos da minha vida me submeti a uma das coisas que considero mais desagradáveis das regras da beleza feminina: fazer as unhas. Sempre odiei e sempre me submeti. Até o dia que parei porque cansei de gastar tempo e dinheiro em algo que não curtia fazer. Mantenho minhas unhas limpas e curtas e usos creminhos pra cutícula não inflamar e pronto. Mas isso não me impede de deixar parte do meu salário em maquiagem todo mês. Todas nós podemos nos libertar de algo que possa vir a ser um martírio. Esse texto não é pra condenar nada do que mulheres fazem pra se sentirem bonitas. Eu acredito que você deve fazer o que for necessário pra se sentir bem consigo mesma. Feminismo é sobre respeitar escolhas: sejam elas peludas ou não.

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