Meta para 2015: Ajudar a construir um mundo melhor para as mulheres

Por Girls With Style / gws@gwsmag.com

Por Pollyanna Assumpção:

negahamburguer

(ilustra da maravilhosa Negahamburguer ♥)

Feliz ano novo para todas as pessoas que lêem minha coluna aqui no GWS! Que 2015 traga muito feminismo pra todas nós. Vamos falar sobre promessas de ano novo? Todo mundo faz promessas na virada. Tem gente que leva mais a sério, tem gente que cria poucos objetivos. O que importa é ter foco. Eu prometo que em 2015 vou ler mais livros do que li em 2014. Vou ler mais sobre ficção e mais sobre feminismo. Prometo também que vou tentar não atrasar minhas colunas no GWS. Prometo me formar, prometo voltar a nadar, prometo não ficar em silêncio quando encontrar pessoas falando bobagens pela internet, prometo lutar diariamente contra preconceitos mas prometo também não perder a cabeça com pessoas falando bobagem pelas redes sociais. Mas não prometo não perder a cabeça ao vivo. Sou dessas barraqueiras que arruma briga quando vê algo errado acontecendo pelas ruas. Muitos anos atrás arrumei briga com uma mulher que estava batendo na filha pequena no meio da rua. Em 2015 prometo continuar não aceitando desrespeito mesmo que ele não esteja afetando diretamente a mim.

 Vou contar o que me aconteceu na fila do mercado no fim do ano: uma senhora resolveu tirar satisfação comigo porque eu estava na fila errada do caixa no mercado. Ela resolveu tirar satisfação comigo me chamando de sapatão. Ela olhou pra mim e me chamou de sapatão bem baixinho, apenas para que eu ouvisse. Armei um escândalo, chamei de homofóbica, ameacei chamar a polícia, derrubei os pães dela no chão, fui bastante agressiva, confesso. Foi mais forte que eu. Aí veio o funcionário do mercado ameaçar me expulsar do local. Expulsar a mim, a pessoa que foi ofendida. Enquanto eu me revoltava e mandava ele prestar atenção em quem tinha sido ofendida de verdade, a senhora homofóbica fingia passar mal e fingia que tinha sido agredida. Quem lê meus textos aqui há tempos sabe que sou mocinha hétero. Meu problema jamais de forma alguma foi ser chamada de sapatão e sim com o fato de sapatão ser usado como ofensa. Em 2015 eu pretendo lutar mais contra a homofobia, mais a favor do direito das mulheres e que sua sexualidade não seja usada como ofensa.

 Ainda no fim de 2014, tive problemas com dois homens no mesmo dia que sentaram ao meu lado do ônibus e ambos tentaram me oprimir com suas pernas abertas, como se precisassem ocupar todo o espaço do banco. O metrô de NY começou a fazer uma campanha de conscientização contra o manspreading que se tornou um problema tão insuportável que ganhou até nome. Sempre tenho problemas com homens de pernas abertas, mas me marcou o fato de que os dois homens que sentaram do meu lado tentaram me oprimir da mesma forma NO MESMO DIA. Agi da mesma maneira com ambos. Abordei e pedi que sentassem de forma correta pois estavam me incomodando. Em 2015 eu prometo que continuarei reunindo coragem, porque eu sei que é preciso coragem para mostrar aos homens que eles não podem fazer o que quiserem.

 No fim de 2014 a Andressa Urach foi internada e quase morreu por causa do uso de hidrogel, uma substância pouco segura, que a ajudou a ter o “corpo perfeito”. Eu realmente fiquei tocada pela história e fiquei pensando em como sofremos diariamente em busca desse ideal de perfeição. Também vimos no fim de 2014 a Bella Falconi, a “musa do abdômen trincado” abandonando sua absurda rotina de exercícios porque eles estavam fazendo mal a sua saúde e se justificando para sites de fofocas porque não estava mais com o abdômen tão trincado assim. Já contei aqui minha saga com a balança desde que me lembro da minha existência e todas as loucuras que já fiz para emagrecer. Hoje vivo um pouco mais em paz com meu corpo, mas sim, ainda faço dietas. Apenas parei de me odiar como antes. Em 2015 eu prometo voltar a nadar e pedalar porque amo fazer ambas as atividades, porque a tendinite no meu ombro está cada vez pior e porque saúde não tem a ver com corpo perfeito. Prometo também me amar cada vez mais e ir em busca apenas do que eu quero pra mim e não do que a sociedade exige de mim.

 Dia 1o de janeiro, foi a cerimônia de posse de nossa presidenta reeleita, Dilma. Vimos vários jornalistões e muitos comentaristas de redes sociais criticando a roupa da presidenta, o andar da presidenta, a postura da presidenta, o peso e o corpo da presidenta. Como se para ser chefe de uma nação você precisasse ser musa. E se como se ser musa fosse algo realmente positivo para mulheres. Independente do seu voto, de suas críticas e de sua visão política, critique a Dilma profissionalmente. Critique a presidenta e suas atitudes políticas. Falar que a Dilma é feia, gorda, mal vestida, torta, dentuça, chamar de presidAnta, não te faz consciente politicamente ou de oposição. Te faz apenas um imbecil preconceituoso e machista. Nenhuma mulher é um enfeite no mundo. Em 2015 eu prometo lutar contra imbecis preconceituosos que julgam mulheres por suas roupas, corpos e beleza e não por sua representatividade geral.

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