Mulheres com deficiência: Mulheres invisíveis?

Por Girls With Style / gws@gwsmag.com

Olá. Meu nome é Mariana, 27 anos, jornalista, amante de gatos. Também sou uma pessoa com deficiências físicas e, por muito tempo, fui apenas a “menina com problema na perna”. A Mariana, que é jornalista e louca por gatos, não existia. Vivia à margem. Em primeiro plano, as deficiências. Sempre. Até mesmo no currículo. Após os dados gerais existia a inscrição “a candidata é portadora de deficiências físicas”.

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Ilustração: Autor Desconhecido (Pinterest)

Ser um rótulo em dose dupla – mulher e deficiente — antes de ser uma pessoa é engraçado. A gente acaba deixando de existir. Nos tornamos outra coisa, algo definido por agentes externos. Nossos gostos, hobbies, amigos, empregos, tudo é pensando através das coisas que damos, ou não, conta de fazer. Nossas qualidades ou gostos acabam sendo suprimidos; “mas você não pode gostar de bicicleta, você não dá conta…” Quando se é mulher e deficiente, a invisibilidade toma proporções ainda maiores.

Mulheres, em qualquer parte do mundo que você ponha os pés, necessitam reivindicar existência em todos os momentos do dia porque mulheres não são sujeitos plenos de direito e precisam ser cuidadas por um homem, por um Estado, por um marido, um pai… Não podem se virar sozinhas tendo as mesmas condições que os caras porque são mais fracas, estéricas, incapazes, diminutas emocionalmente.

Pessoas com deficiência também estão nesse patamar. Precisam ser cuidadas por alguém. Não têm espaço de fala porque precisam ser, sempre, representadas por alguém. Até mesmo na construção dos seus direitos. Pessoas com deficiência não têm capacidade de pensar por si mesmas. São inaptas. Não são dignas porque não têm condições de produção dentro de uma engrenagem capitalista. Precisam ser escondidas. Merecem favores do Estado. Por que dar voz a quem vive de favor na sociedade?

Aqui chegamos ao ponto: para você, qual o papel ocupado pelas mulheres com deficiência na mídia? Nas artes? Na internet? Na universidade? Pare, reflita um minuto… Você provavelmente pensou: “ué, não me lembro agora de nenhuma mulher assim nesses lugares”. Correto! A mulher com deficiência, simplesmente não existe. Por não existir, também não fala, não pensa, não transa, não se educa, não se diverte. Apenas não. Sua existência é negada em dobro.

Para sua surpresa, esse não é um daqueles textos que apresenta soluções. Não vou dar conselhos de autoestima ou sororidade. Não vou dizer “ponha-se no lugar do outro e pare”. Se você, por um segundo parar para pensar que existe essa realidade, antes desconhecida, já estamos no lucro. Só conseguir enxergar aquilo que vemos. Visibilidade é o primeiro passo para uma reconstrução de lugares para as mulheres que, como eu, tem algum tipo de deficiência.

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