Namoro: O que determina um relacionamento abusivo e o que aprendi com os que eu vivi

Por Girls With Style / gws@gwsmag.com

Por Pollyanna Assumpção:

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Eu tenho sete ex-namorados. Comecei a namorar com 17 anos, sempre fui muito inábil ao lidar com homens e todas as minhas experiências amorosas foram tardias pros padrões da galera que eu andava. Mas resolvi escrever sobre isso, depois de ler o texto aqui no blog, A importância dele te fazer se sentir linda pra falar um pouco sobre o que eu aprendi sobre relacionamentos e relações abusivas. Todas nós já estivemos em uma e às vezes nem temos consciência do fato porque muitos abusos estão disfarçados de coisas “normais” no namoro.

Meu primeiro namorado me pediu em namoro apenas pra provocar a ex. Descobri isso depois. Doeu um pouquinho, nada demais, mas com certeza afetou minha autoestima e confiança no outro. Meu segundo namorado era meu calouro na faculdade. Talvez tenha sido um dos caras mais legais que namorei. Foi com ele que fiz sexo pela primeira vez e ele era meio hippie/músico/desligado e nunca me senti pressionada a nada. Eu tinha 17 anos, prestes a fazer 18 e na verdade tinha uma curiosidade muito grande sobre o sexo em si. Nunca fui uma romântica padrão que esperava meu grande amor e nunca fui criada pra esperar meu príncipe encantado e lembro que minhas amigas ficaram bem chocadas porque fizemos sexo com menos de 1 mês de namoro. Em pleno ano 2000, ver mulheres me julgando por estarem presas ao “tempo de relacionamento” era absurdo.

Então a primeira coisa que eu gostaria de discutir aqui é: meninas, façam o que tiverem vontade, quando se sentirem prontas. Minha opinião pessoal por experiência de vida minha e das minhas amigas: A curiosidade é grande e não existe príncipe encantado. Se vocês tiverem curiosidade de experimentar coisas nessa vida, apostem e se joguem, apenas respeitem o tempo de vocês e façam sexo com segurança SEMPRE. Porque NÃO, ele não está fazendo sexo sem camisinha “só com você” ou “porque você é diferente das outras”. Não  transem porque ELE quer e não deixem de transar porque suas amigas vão te julgar. A vida é sua, somente sua e são suas escolhas.

Terminei com meu segundo namorado pra ficar com o terceiro, mais ou menos como aconteceu com a Nuta (vocês lembram do post Estive pensando sobre ex namorados?). Esse terceiro foi meu mais longo e melhor namoro. Às vezes me arrependo amargamente de ter terminado com ele, mas também penso nas experiências de vida que tive justamente porque resolvi pegar o caminho oposto de tudo que eu vivia naquela época. Eu tinha acabado de fazer 21 anos, cortei meu cabelo super curto e queria viver a vida. Ele queria ir ao cinema, dormir juntinho e discutir sobre música.

A vida louca me ganhou e eu terminei esse namoro pra ver o que tinha aqui fora. Na verdade eu me senti sufocada porque ele era uma pessoa insegura e ciumenta, embora nem de longe agressivo. Mas o fato que ele ligava 50 vezes pro meu celular caso eu não atendesse era algo que hoje vejo como a tentativa de anulação da minha individualidade. Você pode e deve aprender coisas novas com a pessoa que você ama, mas lembre-se que sua vida é só sua e ninguém pode se sentir dono dela. Não é saudável fuxicar o telefone do outro, nem tranqüilo o cara te pedir as senhas da suas redes sociais. Não caia na balela que isso faz parte do relacionamento e pior: Que isso é sinônimo de confiança.

Meu quarto namoro foi tão curto que nem me lembro direito mas o quinto namoro foi uma das minhas duas relações que hoje considero abusivas. Conheci esse ex por uma amiga e no início foi perfeito, quase amor à primeira vista. Começamos a namorar em uma semana juntos e ele era ótimo, se não fosse o fato de ser uma pessoa extremamente controladora e possessiva. No um ano e meio que ficamos juntos, parei de falar com todos os meus amigos direito, parei de sair, parei de beber, parei de fumar, não cortava meu cabelo porque ele só gostava de mulher de cabelo grande e vivia em pé de guerra porque eu me sentia violada em ter que abrir mão de tantas coisas que eu gostava por causa de alguém que eu gostava. Nosso término foi absurdo, ele me largou dentro do shopping e eu mandei um email mandando ele nunca mais aparecer. Na real, me senti aliviada. Não tinha coragem de terminar ao vivo, hoje entendo que tinha medo. O que aprendi desse relacionamento é que você não tem que mudar pra alguém gostar de você. Se a pessoa que você gosta te conheceu de uma forma, ela não tem o direito de querer que você mude. Não se anule por causa de ninguém. E da mesma forma não tenha esperanças de que o outro vá mudar por você. Não dá pra amar uma pessoa e querer que ela mude o que ela é. Se for assim, exatamente o que você ama nessa pessoa? Mas meu aprendizado principal é: não fique com alguém que você tem medo. Medo não faz parte do amor.

aspas2Meu sexto namoro foi complicadíssimo. Namorei um pobre menino rico alcoólatra que toda vez que bebia demais me envergonhava e gritava que eu só estava com ele por causa do dinheiro dele. Mais uma relação abusiva pra coleção. Ele era um típico caso de cara legal com todo mundo, com você, seus amigos, engraçado, divertido, até que ficava bêbado. Sabe, aquele caso que você sempre ouve falar da vizinha, da tia da amiga, da prima da cunhada, que namora um cara que todo mundo adora mas que na verdade é um babaca com ela e ninguém sabe? Era minha vida. E amigas, digo pra você que não existe coisa PIOR que namorar o babaca que é legal com todo mundo e você é a maluca que reclama do coitado. Desse namoro eu aprendi que se tem uma coisa que eu não quero é me relacionar com viciados em qualquer coisa, que nem sempre o cara legal com todo mundo é legal com você e principalmente aprendi a ser forte. Porque quando o namoro acaba, o cara legal sempre te transforma na maluca. E é bem capaz que você se sinta sozinha e que perca alguns amigos. Mas aí você descobre que eles nem eram seus amigos mesmo. Mas eu também aprendi que nem toda violência é física e a psicológica pode machucar tanto quanto.

Meu último namoro começou quando meu coração já tinha virado uma pedrinha de gelo. O cara veio atrás de mim e me bajulou por dias. Parecia bom demais pra ser verdade e obviamente que era. Ele se mostrou um mentiroso de mão cheia daqueles cheios de historinha pra boi dormir que na verdade está em um concurso de ego consigo mesmo e só queria colecionar conquistas. Aquele tipo de homem que tem orgulho de dizer “todas as minhas ex são malucas”. Sempre que conheço um cara que diz que todas as suas ex são malucas me pergunto se na verdade não foi ELE que deixou elas malucas. Uma das coisas que aprendi com esse relacionamento foi a pular do barco antes que ele afunde.

Relacionamentos são legais quando eles são bons para ambos. Uma vez eu fiquei com um cara por um tempinho e eu sempre dizia que estava meio feliz e meio triste: meio feliz porque estava com um cara que eu queria e meio triste porque eu sabia que não daria certo. Às vezes nós focamos demais em um relacionamento que não tem o menor futuro porque a esperança é a última que morre, sendo que garota, o maior amor é o amor próprio.

Aprenda a identificar sinais que mostrem que aquilo não era amor, era cilada. Se o cara te sufoca, quer mudar o que você é, te afastar dos seus amigos, se te agride física ou verbalmente, se te faz sentir feia, se te enrola, se você percebe que é apenas um brinquedo que ele usa pra alimentar o próprio ego, se ele ama a namorada mas também gosta muito de você, se ele tá fazendo amor com oito pessoas mas o coração vai ser pra sempre seu: PARE. Aprenda a identificar os sinais do abuso, não ache que sofrer por amor é normal ou que ele é um pobre rapaz confuso. Às vezes, amigas, ele é só um otário. Mas você não precisa ser uma também.

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