O fim da adolescência…

Por Girls With Style / gws@gwsmag.com

… Ou “uma breve reflexão sobre o desespero que bate quando se passa dos vinte anos”.
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Contardo Calligaris, psicanalista e colunista da Folha, escreveu um pequeno e interessante livro sobre adolescência que saiu pela Publifolha recentemente (é daquela coleção “Folha Explica”, conhecem?). Enfim, no livro ele esclarece que a adolescência é uma invenção recente, do início do século XX e que consiste, basicamente, numa forma de postergar o início da vida adulta.
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Não é difícil perceber que, em muitas outras culturas, se tornar adulto é um marco bem definido, visível e paupável. Seja uma ocorrência biológica, como a primeira menstruação, ou um ritual aparentemente sem sentido, como sair pra caçar um urso usando apenas uma tanga, a maioria das sociedades prevê um marco bem específico depois do qual o cidadão deixa de ser criança e se torna adulto, sem nenhum tipo de limbo ou fase de transição. Na nossa cultura, de outra forma, essa mudança de status é absurdamente difusa e ainda conta com esse meio-termo em que você sente que pode tudo, mas quase nada é permitido: a adolescência. Dá pra pensar em algumas coisas que poderiam significar o início da vida adulta, como sair da casa dos pais, pagar as próprias contas, construir uma família, mas são todos limites imprecisos e bem subjetivos.
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O fato é que, depois de ler esse livro, não consigo deixar de pensar que o que fazemos com as pessoas na nossa sociedade é mais ou menos o que fazemos com animais domésticos: impedimos seu contato com o mundo com a desculpa de protegê-los e, contraditoriamente, os tornamos indefesos. Diferente da maioria dos bichinhos, contudo, nós, humanos, depois de aaaaaanos sendo convencidos de nossa incapacidade, imaturidade e irrelevância, somos finalmente lançados ao mundo e convidados a agir como gente grande (coisa que poucos de nós tiveram a chance de aprender, diga-se de passagem).
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Não é à toa que os vinte e poucos anos são uma fase de tanta frustração, confusão e ansiedade: quando a gente finalmente acredita que é imaturo, besta, incapaz e até meio zarolho, a vida finalmente nos convida pra dançar. O jeito é resgatar um pouco da coragem infantil, da arrogância adolescente e do carão atemporal e se jogar como nunca antes. “Nãos” dolorosos serão ditos, lágrimas rolarão, retrocessos virão a cavalo, mas nós, as jovens senhoras e os jovens senhores, perseveraremos, lutaremos e venceremos. E que venha a a vida adulta!
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p.s.: Gostaria de dedicar esse post aos meus ex-colegas de faculdade e eternos amigos. Vocês sabem quem são.
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6 Comentários

  • Gabriela

    :’) (e eu nao nem achei aos 18!!)

  • Gabriela

    GENTE DIGITEI TUDO ERRADO, corrigindo >>>>>> :’) (e eu nem cheguei aos 18!!!)

  • Diana

    Tenho 21 anos e meu dias infinitos de reflexão sobre mnha vida foram escritos nesse post.É tão dificil ter que ser adulto quando todos criticam sua imaturidade e, ao mesmo tempo ,não permitem que sejamos adultos…

  • Iga

    super espelho! =D

  • saumensch

    Acho que vou imprimir esse post e por debaixo da porta de todos os pais repreensivos q eu conheço.
    Felizmente os meus nao fazem parte dessa lista. Ufa

  • Carlos Alberto

    Achei bem interessante inclusive postei algumas coisas aqui ditas, no meu trabalho de psicologia sobre“ final da adolescência “ hoje tenho 25 anos ainda sou bem confuso em relação a tudo que realmente acreditava ser adulto. Mas enfim com o tempo tudo s e resolve.
    Obrigado.