O quanto nossos pais influenciam nosso amor próprio e confiança?

Por Girls With Style / gws@gwsmag.com

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Quem me acompanha no twitter ou na minha vida real sabe que estou passando por grandes mudanças na minha forma de viver. Eu criei dois objetivos pra 2015: arrumar um emprego e fazer minha dieta. Como tá todo mundo em crise e emprego não tá fácil, o único que tenho controle e está dando certo é a minha dieta. Mas parece meio estranho que uma pessoa que milita tanto sobre liberdade de ser o que quiser, contra a ditadura dos corpos e da beleza, sobre auto aceitação, não se aceita de verdade. Quem lembra do meu textinho sobre como é ser gorda deve lembrar que eu nunca neguei minha dificuldade de aceitação. Sempre sonhei em ser aquela pessoa que se olha no espelho e só vê qualidades, mas não sou assim e nem sei se um dia serei.

Uma vez eu estava discutindo alguma bobagem com a minha mãe e disse que se eu tinha problemas de aceitação a culpa era dela que me criou gordofóbica porque ela também era gordofóbica e sempre foi paranóica com dietas e me ensinou que ser gordo é feio e que o mundo não aceita gordos. Ela naturalmente ficou ofendida daquele jeito que mães fazem e saiu reclamando. Eu acho que quando você vira mãe e pai o cuidado em existir deve ser ainda maior, afinal agora além de tentar ser uma pessoa melhor pro mundo você também tem que ensinar uma pessoa a ser melhor pro mundo, pro próximo e pra si mesmo. E o que se fala pra uma criança e um adolescente é exatamente o que vai construir aquela personalidade.

Tenho algumas amigas com filhos homens e o assunto é sempre o mesmo: a dificuldade de criar um hominho decente nesse mundo que não é nada legal com mulheres e com minorias em geral. Como parte do trabalho que elas fazem em casa, de ensinar respeito, igualdade, valores, acaba sendo desconstruído na escola e na rua porque as outras famílias continuam criando seus filhos de forma opressora. Como ensinar seu filho e sua filha valores que serão destruídos em segundos na rua? Não faço a menor ideia, mas tenho uma irmã de 17 anos que ajudei a criar e um dos cuidados que sempre tive foi de tentar anular nela as coisas que achava defeituosa na criação que meus pais deram pra mim e acabavam repetindo com ela. Quando você é criada em um meio tóxico, o que foi no meu caso em algumas questões, o trabalho de reconstrução é muito maior. Você precisa olhar no espelho todo dia e lembrar o que é errado e fazer o que é certo. E eu tentava diariamente mostrar o que era certo pra minha irmã desde que ela era bem novinha e é muito interessante ver o processo de crescimento de uma pessoa e como ela passa por várias fases e que no geral aqueles bons valores ficam e que se tudo der certo ela vai acabar se afinando com pessoas de valores similares e juntas tentando fazer um mundo melhor.

aspas-emporerar-filhosAcho que a maior questão aqui é que quando você é um adulto responsável por outra pessoa, é seu dever entender que você deve colaborar para a formação de uma pessoa mais forte e não destruir aquela pessoa com ideias e opiniões ruins. Existe uma grande diferença entre criar uma criança mimada e uma criança com amor. Muitos dos nossos problemas são consequência de uma criação complicada, cheia de preconceitos e falta de apoio. Como esperar que sua filha se olhe no espelho e se ache linda e segura se você em vez de ensinar que ela é bonita do jeito que é e ensinar a enfrentar o mundo, você prefere dizer que ela é gorda e deve fazer dieta? Como esperar que seu filho tenha um bom rendimento e ambição acadêmica se tudo o que você faz é dizer que ele não fez mais que sua obrigação quando tira boa nota? Pais são a referência principal da vida de uma criança e o que eles falam é o que as molda pra vida. Se os pais não ensinarem a uma mocinha a se empoderar, pode levar muito tempo até que ela se empodere sozinha e as cicatrizes criadas nesse meio tempo muitas vezes são eternas.

Fiquei apaixonada por esse projeto que vi recentemente e que trata do empoderamento de meninas negras e crespas desde a mais tenra idade. Uma das minhas grandes amigas comentou que gostaria de ter tido esse empoderamento desde cedo. Ela foi deixar o cabelo dela naturalmente crespo ser enfim natural muito depois dos 30. Numa de nossas conversas sobre o assunto, lembro que falei que sendo branca, cabelo naturalmente liso, não fazia ideia do que era abrir um anúncio de shampoo e produtos de beleza em geral e não me ver representada. Vejo um projeto como esse, com uma mãe preocupada em mostrar pra sua filha desde pequena o que é empoderamento e representatividade e me emociono de saber que existem tantas mulheres maravilhosas criando outras mulheres maravilhosas.

Que um dia todas nós possamos olhar pra nossa infância e encontrar amor, apoio e suporte.

assinatura Pollyana

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