O que aprendi sobre autoestima e por que toda garota tem algo incrível para mostrar pro mundo

Por Nuta Vasconcellos / nuta@gwsmag.com

Desde sempre, o conteúdo do GWS foi voltado para autoestima. Eu acredito que isso aconteceu naturalmente e se tornou o tema principal do site por uma questão totalmente egoísta. Eu percebi, ao longo da vida, como eu deixei de aproveitar oportunidades pessoais e profissionais porque eu não confiava em mim o suficiente. Não me sentia inteligente o suficiente, bonita o suficiente.

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(Fotos por Léo Mello da Camisa Preta Filmes)

Percebi que eu deixei passar  pessoas e oportunidades porque eu não tinha autoestima. Eu não acreditava em mim mesma. Eu acredito, que desde muito nova, somos ensinadas a não nos sentirmos boas o suficiente. Claro, não é uma coisa assim, escancarada, mas aquela mensagem quase que subliminar. Sempre temos que melhorar, nos ajustar, agradar, se enquadrar. É uma forma discreta de nos diminuir em todos os sentidos. Eu tive a autoestima muito baixa ao longo da minha infância, adolescência e inicio da vida adulta. Já contei essa história por aqui algumas vezes. Desde muito cedo, senti em casa a pressão de ter que ser bonita e ser muito mais cobrada que meu irmão para, além de ser linda, ser organizada, boa dona de casa e aluna exemplar. Tudo isso, protegida por uma redoma em que eu não podia sair sozinha porque era perigoso, não podia sentar de perna aberta porque eu era mocinha e era extremamente importante com quem eu perderia a minha virgindade. Enquanto isso, eu observei meu irmão se descobrir, explorar. Ele podia deixar a cama desarrumada, chegar tarde, comer um pote de sorvete. Ele podia experimentar, tentar, errar, acertar, cair de bicicleta, ganhar um corte gigante nas costas depois que o bico da prancha bateu nele enquanto tava no mar. No mar, eu tinha que ficar sempre na beirinha.

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A cobrança de ser tudo tão cedo, muito antes de saber quem você é, é um tiro na autoestima. Não, eu não culpo minha mãe. Esse é o conceito de criar meninos e meninas que tem passado de geração para geração há anos. Inclusive ela também foi criada assim. Aliás, bem pior do que eu, já que as filhas tinham que ficar em casa enquanto meu avô levava os filhos ao clube. E se você está se perguntando porque estou falando da minha mãe e não do meu pai, nenhuma novidade aqui também. Ele não teve influência nenhuma na nossa criação, então sim, eu também tive que lidar com a rejeição logo cedo. Mais uma quebradinha ali na autoestima.

Eu cresci e aos poucos fui colando a minha autoestima como quem cola uma xícara. Bom, aqui temos a notícia ruim… Depois de passar metade da minha vida não me sentindo boa o suficiente eu não sinto que construí uma autoestima e sim que colei todos os pedacinhos e entendi a importância dela para seguir em frente, pra tocar projetos, para me expressar, para ser quem eu acredito. Levei tempos pra entender o que Noel Gallagher queria me dizer quando falava: “When you’re happy and you’re feeling fine, then you’ll know it’s the right time”. Mas eu entendi. E assim que eu entendi, eu mudei. Mudei minha postura na vida e quando sinto medo, vou com medo mesmo. Eu falo tanto sobre isso justamente porque sei que é uma luta diária. Tento passar para garotas o que eu mesma tenho que lutar pra ter. Eu já disse isso aqui também. Autoestima é exercício, igual academia ou matemática. Tem que praticar e tem dia que não vai rolar. Mas tem que levantar a cabeça, focar nos pontos positivos e sempre lembrar: Toda garota tem algo incrível para mostrar pro mundo. Essa frase que hoje estampa nossos cadernos, patches e adesivos não é uma frase vazia, que veio do nada. Foi uma coisa que pensei, escrevi sobre e observei. Observei principalmente através dos comentários nos meus textos e e-mails que recebi de vocês ao longo desses anos falando sobre autoestima por aqui.

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(Foto: Lucas Landau)

O que percebi? Que muitas garotas se sentem inferiores, inseguras dos seus talentos, de quem são. Observei como nossa autoestima é massacrada e que temos que nos lembrar o tempo todo que somos suficientes sim, que temos que nos jogar no mundo, conquistar nosso espaço. Ela é para lembrar você, sua amiga, sua mãe e todas as mulheres do mundo que todas somos especiais, únicas e talentosas.

Antes de qualquer habilidade, diploma ou oportunidade, a autoestima é a chave para uma vida feliz, bem sucedida, realizada e saudável. Precisamos aplicar nossa visão em relação a nós mesmas. Essa frase é um movimento, um mantra, um apelo. E queremos espalhar essa mensagem pelo mundo. “Toda garota tem algo incrível para mostrar pro mundo” não é só uma frase para estampar cadernos. É uma forma de fazer você que está lendo isso neste momento entender que você tem valor. Você importa e você é única. Ninguém mais tem o que você tem.

A gente sabe que não é fácil se encontrar. Se descobrir, entender quem você é, seus sonhos, seus desejos. Ao longo desse caminho, muita gente e muita coisa vai acontecer tentando diminuir sua autoestima, tentando tirar seu valor. Não, não é fácil se descobrir. Depois desse processo, se amar incondicionalmente é um desafio ainda maior. Mas não desista de você. Autoestima é um exercício e deve ser praticado diariamente até você dominar. Se ame! Agora vai lá, se joga e corre atrás dos seus sonhos.

— ♥ —

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5 Comentários

  • priscilla barreto

    Me vi eu seu texto Nuta!
    Passei por muitos perengues ao longo da vida, tambem me vi criada em uma redoma e tive minha auto estima estilhaçada, por pessoas que eu mais amava (quer coisa mais punk que isso)?
    Mas como você disse auto estima é treino e trabalho. E graças a muita reflexão, esforço (ajuda de várias sessões de análise), conversas, crises de choro e riso. Aqui estou eu entrando em uma nova decada e ansiosa pelo que esta por vir.
    Por mais que a gente caia do salto, as vezes a gente precisa “fazer a Dori” e continuar a nadar.

    Parabéns pelo texto
    bjs
    Pri

  • Jessica

    Vou colar aqui uma coisa que postei esses dias, que fala sobre perfeccionismo mas acima de tudo sobre o quanto o “ser perfeccionista” está ligado a essa baixa auto estima.
    “Já repararam o quanto podemos ser cruéis conosco?

    Estou rodeada de pessoas maravilhosas no que fazem que não acreditam em si mesmas e ao menor sinal de erro se dão as piores palavras possíveis.

    Perfeccionismo pode paralisar. Te travar por saber que vai fazer errado, ou não tão certo quanto gostaria.
    Eu sei disso, fiquei 3 anos sem desenhar e 6 meses sem conseguir estudar tatuagem direito por isso.

    Aquela coisa de não tá bom o bastante, tem que ficar melhor, aquele detalhe que estraga tudo e, posso falar? Ninguém se importa. Ninguém repara nessas coisas. E quando reparam? As pessoas tentam te ajudar. Elas tentam falar onde tu tá errando e como consertar. Elas te dão força pra melhorar.

    Como você corrigiria o erro de alguém que você ama, que você acredita, que você sabe que a pessoa tá indo no caminho certo, aquela pessoa que você deseja profundamente que tenha o melhor que puder ter e realize todos os sonhos que tiver? Como você fala com alguém assim? Certamente você não desmotiva nem tira os sonhos da pessoa. Pq então fazer isso consigo?”

  • Bárbara Bom Angelo

    Só para avisar que adorei o texto e compartilhei na minha newsletter: http://tinyletter.com/babibomangelo/letters/17-queria-ser-grande-mas-desisti

  • Gláucia

    Que texto lindo! Obrigada.

  • Samara

    Que texto maravilhoso! Passei por uma infância e adolescência semelhantes a sua. Amo minha família, mas vi meu irmão ter oportunidade de fazer/ser tudo que ele queria, minha mãe me superprotegeu e me colocou um monte de rótulos, meu pai não esteve lá tão presente. O resultado é uma falta de confiança que paralisa… muito triste! Mas estou lutando, estou buscando todo dia me valorizar.. e realmente, tem dias que parece que nada vai mudar, mas tem dias, que mesmo que por um minuto, sinto a pessoa forte que tem aqui dentro, foco nela para não desistir.
    Obrigada por compartilhar e por confiar em você! Somos todas fortes, únicas e guerreiras! <3