Opções coloridas para quem não aguenta mais os Cinquenta Tons de Cinza.

Por Girls With Style / gws@gwsmag.com

Oi, gente! Meu nome é Priscila Vanzin, moro em Porto Alegre, sou jornalista e tenho um blog chamado Trapo. Esse é meu primeiro post no Girls With Style. Fiquei supercontente com o convite das garotas, já que sempre curti o site, em especial porque adoro o tanto de assuntos que não se vê na maioria dos endereços de internet dedicados ao público majoritariamente feminino. Porém, contrariando o que acabo de elogiar, resolvi estrear minha participação aqui com um assunto nem tão novo, mas ainda polêmico. Espero que gostem e, concordando ou não, vou adorar saber a opinião de vocês. ;)

Imagina a cena: uma amiga – que nunca na vida disse ter lido qualquer livro não-técnico – vem contar para você que não consegue largar um tal romance, ~super quente~, de uma mulher que conhece um cara e eles transam, daí o sujeito demonstra uma certa tara que… no fim das contas, você já deve ter ouvido, visto, feito ou, no mínimo, sabido que existia. ‘Soft porn’, que safadinha! Oi? Enfim, a verdade é que não li nada além de alguns parágrafos do primeiro exemplar dessa hecatombe literária. Mas, confesso que não entendo tanto alvoroço pelos Cinquenta Tons de Cinza, cuja história é centrada em algo tão comum, que todo mundo faz, já fez ou ainda vai fazer: SEXO (ok, S&M eu já não sei se é tão mainstream assim, rs)!

Também ouvi relatos do tipo “meu marido não deixa eu ler o livro em público, vai que alguém nota e sabe do que se trata…”. Ingênua, eu achava que essa moda cinquentinha já estava morta e enterrada. Apesar de amar saia rodada, a onda mulherzinha-submissa sempre foi ponto fraco da minha paciência. Essa coisa de “em público seja pudica; em casa leia SOFT porn ~para mulheres~” me é de um estranhamento absurdo. Claro que seria ridículo afirmar que o sucesso do best-seller se deva exclusivamente a esse tipo de leitora, que pouco retrata a beleza que eu vejo em ser mulher – e livre -, mas garanto que elas existem aos montes.

Aliás, ainda nessa pegada feminista, Nina Lemos fez um contraponto interessante com Daniela Falcão, editora-chefe da Vogue, no programa Saia Justa. Ela também escreveu um manifesto de repúdio ao livro na não-entrevista da TPM.

“O tal príncipe é, também, superbom de cama, e tudo descamba para um machismo chocante. Ele exige que suas mulheres estejam limpas, depiladas e frequentem a academia quatro vezes por semana. Oi? As cenas de sexo lembram as da revista Sabrina. Ele é cheio de fetiches sadomasoquistas, mas também sabe olhar nos olhos e gosta de ambientes luxuosos. Tipo um Don Juán com toques de Casa Cor (…) Nada contra a pornografia. Tudo contra ‘romance açucarado para dar tesão em mulher idiota que acredita em homem rico lindo que pode salvá-la’. Os tempos mudaram. Merecemos mais.”

A partir daí me pego pensando se estaríamos carentes de produções culturais que estimulem nosso libido e estejam de acordo com nosso tempo. No fim das contas, Cinquenta Tons de Cinza seria algo do tipo ~Princesas da Disney~ sem cortes para a pós-menarca (primeira menstruação)? Os costumes evoluem, a sociedade começa a se abrir para milhares de questões que antes nem eram ditas em voz alta, e ainda tem gente que morre de vergonha de dizer para o mundo que leu sobre sexo. Ou superestima o feito num grau que chega a assustar.

Apesar de nem sempre ter as melhores impressões dos títulos como esse, arrolados em listas de mais vendidos, acho lindo o modo como esse livros-saga têm engrossado o time de leitores no mundo. Contudo, não acho que Mr. Gray, ou melhor, a escritora inglesa gênia do marketing, Erika Leonard James, vá fazer alguém terminar a triologia e sair procurando Joyce, Salinger, Hemingway, Fitzgerald ou qualquer livrinho bem escrito nas prateleiras mais ao canto.

Agora, se você discorda e acha que  Cinquenta Tons de Cinza é MA-RA, super desejo que encontre coisas tão bacanas para continuar lendo quando terminá-lo. E, se adiantar de alguma coisa nesse processo, aqui vão minhas dicas – nada muito erudito, veja bem, mas ainda assim bacana de se ler. ;)

Revista Granta n.6 – Sexo

A versão brasileira da revista inglesa “Granta”, lançada em 2010, reúne trabalhos de sete autores brasileiros e oito estrangeiros que se tematizam, de alguma forma, pelas relações “entre quatro paredes”. A sugestiva capa, que é uma reprodução do volume britânico, foi concebida pelo artista Michael Salu e concretizada pelo fotógrafo Billie Segal.

O Pau, de Fernanda Young

A capa, apesar da semelhança com o título, é na verdade a imagem de um pescoço registrada pelo fotógrafo Man Ray e escolhida pela própria escritora para ilustrar seu nono livro, lançado em 2009. O livro conta a história de uma mulher que se vinga do namorado mais novo por causa da traição. O plano? Deixá-lo sem o que mais dá orgulho a um homem, segundo Fernanda: o órgão genital do título. Mais escrachado do que trágico, vale conferir (assim como toda sua bibliografia, em especial Carta para alguém bem perto e Aritmética).

Charles Bukowski – Para ler qualquer coisa ou a obra completa!

Toda sua obra é permeada de repulsa, nojo, ódio, amor, paixão e melancolia. O alemão que passou a vida nos becos dos Estados Unidos, traz em cada poesia, cada romance e cada conto um pouco da vida do “Velho Safado”, como ficou conhecido no mundo inteiro. Esqueça eufemismos ou palavras bonitas para descrever o sexo, tudo é sujo e real. Se você ainda não leu, deveria muito.

A Insustentável Leveza do Ser, de Milan Kundera

Meu livro favorito na vida. Além de falar sobre a existência, de um jeito que te deixa refletindo a respeito, Kundera fala de amor e de sexo. E de como dormir com alguém é mais profundo do que o próprio sexo. Além disso, a história é cheia de cenas picantes, mas de um jeito que faz sentido. Recomendo muitíssimo!

A morte de Bunny Munro, de Nick Cave

Quer entender o sexo sob a perspectiva masculina? Taí uma boa escolha. O protagonista do romance é um sujeito meio sem perspectiva e completamente viciado em sexo. A história é ligeira, envolvente. É o tipo de livro excelente para se ler tomando algumas cervejas numa tarde de verão, em que não se tem nada pra fazer além de relaxar. Não espere uma obra-prima da literatura, somente diversão.

100 Escovadas Antes de ir Para a Cama, de Melissa Panarello

Quando perguntei para um amigo se ele tinha ouvido falar em Cinquenta tons de cinza ele logo me perguntou “Ah, é o novo 100 escovadas né?”. Não tinha feito a analogia, mas faz algum sentido. O livro é uma espécie de diário retratando todos os delírios, sonhos, medos e aventuras sexuais da adolescente siciliana Melissa, dos 15 aos 16 anos. Em suas pouco mais de 150 páginas, o livro abalou a cena literária italiana em 2003, ano de lançamento. Li na época, achei divertido. Hoje, não sei se a opinião seria a mesma.

Boa leitura garotas!

Tags:


5 + 3 =


0 Comentários