Para assistir: Documentário Dirty Girls

Por Nuta Vasconcellos / nuta@gwsmag.com

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Dirty Girls é um curta-documentário filmado em 1996, em uma escola de Los Angeles, nos Estados Unidos por Michael Lucid, quando ele estava no último ano do colegial. O documentário mostra garotas de 13 anos nos anos 90, que eram “mal vistas” pelos outros adolescentes da escola e coleta depoimentos dos outros estudantes falando sobre elas e também depoimentos das próprias Dirty Girls, falando suas visões sobre o mundo.


Dirty Girls – Legendado por dm_51521f9732a1c

Claro que Dirty Girls não foi o nome escolhido pelas meninas. Era assim que os colegas da escola as chamavam por sempre parecerem “sujas”, desarrumadas e rebeldes demais. O documentário pode tocar mais fundos pessoas como eu, que era adolescente nos anos 90. Principalmente se, assim como eu, vocês também eram a garota estranha de all star chamada de grunge ou emo. É uma volta no tempo ver como os adolescentes daquele tempo eram diferentes dos de hoje (rebeldes ou não) e é um respiro na história de Dirty Girls (que às vezes revolta tanto que dá uma certa ansiedade no coração) observar a moda e a música.

Impossível não notar as roupas que os adolescentes vestiam. A moda era completamente diferente, parecia mais orgânica e é aí que a sensação completa de nostalgia bate. Calças largas, óculos redondos pequenos, camisas da GAP, macacão jeans, cabelos bagunçados, nada tinha cara de tendência, ninguém parecia saber de moda, acompanhar desfiles ou ler VOGUE. Algo tão comum para as meninas de 13 de hoje. Qualquer uma que frequentou uma escola nos anos 90 vai se identificar. Tudo é muito saudoso e ao mesmo tempo melancólico. O toque final fica com a trilha sonora: “Batmobile” da Liz Phair.

Voltando a história, o documentário é um reflexo triste da nossa sociedade. Tem o grupo que oprime e o grupo que é oprimido. Em vários momentos do filme, podemos ver nos depoimentos que muita gente tem raiva das meninas, simplesmente porque não consegue entender a personalidade delas. Aquele velho caso de odiar o que você não conhece. Os depoimentos recolhidos são um show de preconceito. As garotas são chamadas de depressivas, malucas, estúpidas, ridículas. Riam dos seus ideais e dos seus projetos. Uma das cenas mais revoltantes é quando uma galera olha o fanzine produzido por elas… Comentários nonsense cheios de ódio para algo que deveria ser visto como uma manifestação de criatividade. Mas aí você para e pensa que no final das contas eram todos adolescentes só tentando se encaixar e que a maioria deles só estavam reproduzindo discurso. Nada diferente do que vemos rolar no facebook, certo? Muitos ali talvez admirassem as garotas, mas se a maioria ria delas eles tinham que rir também.

As principais “dirty girls” são Harper e Amber e é muito fácil se identificar com elas: Garotas que lutavam pela liberdade de se vestir como queriam, pela liberdade de ser mulher. A  filmagem pode parecer boba, tosca, mas acreditem, tem muito conteúdo. Uma das frases mais legais do filme e mais verdadeiras na minha opinião vem de Harper quando ela diz: “O motivo que as pessoas colocam outras para baixo é para elas se sentirem por cima. Para elas terem mais autoestima, mais poder, mais confiança. E isso é tão burro”. O documentário mostra como é difícil essa fase, as complicações de ser adolescente e diferente. Mostra a luta que é achar um grupo que você se identifica, mas ao mesmo tempo ser você mesmo. Mostra também como a escola é uma prévia do que é o mundo, do que é a sociedade, como as pessoas podem ser, como é ser fora do padrão e ser julgado por isso, e ao mesmo tempo tentar se encontrar, se conhecer e respeitar sua essência.

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Eu já considero o documentário um clássico desses que inspira outros filmes, editoriais, blogs, fanzines e coisas do tipo e já sou fã de Harper e Amber.E pelo visto, eu não sou a única. A revista (sempre foda) VICE fez um editorial inspirado no filme e ficou incrível.

Mas CALMA o mais legal é o seguinte: Elas cresceram, ainda são amigas e são FODAS!! Olhem o tumblr delas: Dirty Girls Project eu me emocionei com a descrição: “Do documentário homônimo de Michael Lucid, Amber e Harper Willat incentivam uma nova geração de Dirty Girls, para: Se levantar, correr atrás do que querem e surtarem”. O projeto Dirty Girls é algo bem maior e no site delas vocês podem conhecer mais. Elas tem como missão “Inspirar, influenciar, e defender as mulheres e meninas para o sucesso pessoal, social e comercial”  e ajudam várias garotas com o projeto. Ou seja, apenas minas fodas.

Assistam o documentário e conheçam mais sobre o projeto Dirty Girls. Garanto que vale a pena!

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