Por Favor Cuide Da Mamãe – Opiniões do Clube do Livro GWS

Por Girls With Style / gws@gwsmag.com

Por Laíza Felix: 

Como sua mãe estava quando você a viu pela última vez? Se não mora mais com ela, talvez você conserve essa lembrança com mais cuidado. Mas se você se despediu dela antes de sair de casa hoje, talvez não se recorde nem da roupa que ela vestia. Embora a gente afirme com muita certeza que amamos nossas mães, dificilmente conseguimos olhar pra elas como seres individualizados, que tinham uma vida antes de nascermos e que, mesmo depois da nossa chegada, conservam sonhos, vontades, desejos. Estamos tão acostumadas a viver sob seus cuidados que chega a ser chocante quando a curva da vida nos obriga a trocar de lugar: a cuidar no lugar de receber cuidados.

É esse momento que “Por favor, cuide da Mamãe”, da sul-coreana Kyung-sook Shin, retrata ao contar a história do desaparecimento de uma mãe e como cada membro da família se comporta diante dessa tragédia. Em todos, algo em comum: pouco sabiam sobre a própria mãe. A culpa e o remorso machucam mais que a ausência da mulher dedicada e completamente entregue a sua missão de criar os filhos com poucos recursos e um marido distante. As lembranças de como ela era e as coisas que fazia trazem à tona a triste realidade de que ninguém olhava para mamãe como uma pessoa.

À medida que a velhice chegava, a saúde da mãe se deteriorava e a paciência da família diminuía. Por isso, fiquei com a sensação de que, antes de desaparecer fisicamente, a mãe já estava invisibilizada pela família, que só percebeu isso depois que os meses passaram sem sinais de que ela poderia ser encontrada. Não quero falar de como o livro acaba pois, apesar de triste e intenso, é uma história muito bonita e tocante. Lá no grupo, rolou muita emoção e identificação com a história. Confira algumas opiniões!

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Margareth Andrade: Nossa. Que felicidade ver esse livro na lista. Eu comprei e já li ano retrasado num momento crucial e que estava dando uma guinada na minha vida. Foi muito marcante pra mim. É um livro bem sensível e em vários momentos reconheci aspectos da minha família, do meu comportamento e dos meus pais e irmãos. Recomendo fortemente. Vou aproveitar e reler pra ver quais percepções tenho agora que minha vida já está mais nos trilhos. Se vocês forem emotivas como eu preparem a caixa de lenços.

Carolina Batista Ferreira: Deixei pra ler no último suspiro do mês, mas deu tempo e ainda bem que comecei a lê-lo. A história é cativante e perturbadora ao mesmo tempo, ao menos foi pra mim. Tenho muito conflitos com minha mãe e esse livro me revirou muito. Chorei várias vezes durante a leitura. Manas, pra mim parece as mulheres se anulam totalmente, perdem a identidade, ao serem mães. Quais os sonhos particulares da minha mãe ela abriu mão pra cuidar dos 3 filhos, bancar casa e marido aos vinte e poucos anos de idade? Penso o quanto ela e outras pessoas são inconsequentes ao ter filhos sem condições financeiras e emocionais pra dar estabilidade e sanidade ao ambiente. Minha arrogância pensar assim? Frieza demais da minha parte? Fico me questionando. Tão mais fácil ignorar minha mãe do que responder simplesmente, como a personagem fica recordando. Me vi muito nesse livro. E tenho eu ter mais paciência com a minha mãe, de verdade, objetivo de vida: ser uma pessoa descente com a minha mãe.

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