Profissão: blogueira

Por Carol Guido / carol@gwsmag.com

Já tô pra escrever esse post há um tempão, mas sempre deixava para depois. Muita gente já falou, conversas inteligentes surgiram, outras nem tanto, e eu ia perdendo a vontade a medida que o assunto parecia se tornar batido.

Aí veio o SPFW. Andando pelos corredores da Bienal me deparei com situações que as pessoas perguntaram a minha profissão e pela primeira vez eu resolvi responder “blogueira” (até por que foi a primeira vez que fui pra lá pelo GWS). As reações foram tão interessantes, oscilando entre encanto, descaso e repúdio, que resolvi resgatar a vontade de escrever o post.

Sério, a profissionalização dos blogs ter se tornado algo tão polêmico me fascina. É incrível.

Primeiro pela audiência que a gongação atinge. Onde tem a palavra “blog” acompanhada de qualquer adjetivo do gênero da esculhambação pode saber que é clique na certa. Comentários, compartilhamentos, mais visitas e cria-se um ciclo. No dia seguinte o coleguinha que também tá querendo um pouco da fatia desse bolo da visibilidade faz o dele também. E dá-lhe twitts, hashtags e posts em blogs (que ironia) especializados em gongação.

A roda da internet gira igual pra todo mundo. Você que escolhe se prefere bombar fazendo seu blog com assuntos que curte, ou se prefere fazer para zuar os outros aleatoriamente (afinal, você pode curtir fazer isso também, vai saber). Eu parto sempre do conceito de blog apenas como uma plataforma de publicação e você pode fazer com ela o que quiser. Com a dose certa de likes o potencial é grande. É só escolher o seu caminho e ir em frente.

Mas, se por exemplo, a sua intenção é chegar em casa e ler uns conteúdos legais na internet, vou te dar a boa. Você é a única pessoa que pode de fato fazer algo para acabar de vez com as blogueiras que mais odeia. Explico:

Sabe Domingão do Faustão? Então, quando tá passando na TV, você assiste e fala mal ou troca de canal? Se sua opção é a primeira, vai dar uma meditada e rever os seus conceitos. Mas se é a segunda, lembre-se deste exemplo na hora que estiver na frente do lap top e abrir um blog com conteúdo que você odeia. Como falei lá em cima, sem audiência a roda não gira, então seu poder é muito, mas muito maior que o de um gongador. Simplesmente clica no “x” e sai fora. Acaba logo com isso antes que comece o Fantástico, sabe?

Do mesmo jeito que as pessoas podem criar blogs para falar sobre o que quiserem, leitores também tem a opção de simplesmente não ler. É fácil e bom para todo mundo.

É válido lembrar também que existem muitos blogs bons por aí. Uma coisa que a Nuta sempre fala quando a gente debate esse assunto é: A melhor forma de protestar contra o conteúdo que não te agrada é divulgar quem manda bem. Esse é mais um momento que o leitor tem todo poder nas mãos e muitas vezes perde tempo com blogs que nem ele acha que vale a pena. Como já dizia a Val, hello, né gente?

E outra. Muito se diz sobre blogueiras fazendo propaganda de produtos que não usam ou publieditoriais sem nada sinalizando ou que colocam um aviso bem pequeno. Antes de falar qualquer coisa é bom deixar claro que aqui no GWS a gente sinaliza todos os publis e só falamos de produtos que a gente acha legais. E não se iludam pensando que a gente usa todo dia só por causa disso. A nossa escolha é feita pelo histórico da marca (confiabilidade, qualidade e etc), pelo que ela está querendo divulgar e se essas duas coisas casam com o que a gente curte falar no GWS. E pronto. Não tem mistério.

Assim como nós, grande parte dos outros blogs também funcionam assim. A maioria esmagadora das leitoras não vê problema nisso e é bom frisar: essa política é bem diferente de falar sobre qualquer coisa só para ganhar dinheiro.

Como já diz a nova gíria da internet: véi, na boa, se você tá comprando um produto simplesmente por que leu em um blog e não se deu nem ao trabalho de fazer sua própria pesquisa, ver se também gosta, se identifica, se fica bem em você e etc… Você tá fazendo errado. Pelo menos aqui no GWS eu sei que só tem leitora com discernimento. Apostaria muito dinheiro nisso, se eu tivesse. <3

Fora que não faz sentido (#FelipeNetoFeelings) todos as publicações fazerem anúncios e publieditoriais sem problemas enquanto os blogs são mal vistos ou qualquer coisa do gênero. Todo mundo faz publicidade, até os blogs que a gente menos imagina.

O argumento é que somos veículos independentes e pessoais, com toda aquela história de que blogueira vende a opinião e etc. Vou falar por mim e pelo GWS. Além da política clara que expliquei aí em cima, em nenhum momento nos sentimos menos independentes por conta dos nossos anunciantes. Muito pelo contrário. Os blogs podem escolher dizer não para algo que não achem que tem a ver com seu público e cada dia mais se faz um esforço para que todo o mercado compreenda isso. Se você anuncia no GWS, por exemplo, pode saber que só topamos por que acreditamos que tem tudo a ver com o nosso público.

Por outro lado, cabe a nós, blogueiras, estarmos sempre ligadas em como fazer propostas de publis mais divertidos, engraçados, informativos, ou com formatos diferentes e interessantes. Publicidade que entretém é legal pra nós, para vocês (leitoras) e para a marca que está anunciando nem se fala. Mas confesso que vejo que muitas blogueiras precisam se dedicar mais a entender e fazer as coisas acontecerem desta forma. E também o mercado de anunciantes de moda, que ainda precisa se abrir mais para novos formatos e ideias. É um trabalho de formiguinha (afinal somos a primeira geração de “profissão: blogueira”) onde todo mundo deve ficar atento para fazer a sua parte.

E por último, um grande viva aos publiposts. Afinal, ninguém vive de luz. E manter um blog bacana, bem feito e devidamente atualizado, não se faz por fotossíntese.

beijos, Carol

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