Quarto – Opiniões do Clube do Livro GWS

Por Girls With Style / gws@gwsmag.com

Por Laíza Felix:

gws-clube-do-livro-fevereiro-quart-de-jack-opinioes-2

Não foi dessa vez: o vencedor do Oscar 2016 de melhor roteiro adaptado foi “A grande Aposta”. Porém, “Quarto” deixou as leitoras do #ClubeDoLivroGWS bastante emocionadas com a história da mãe que cria uma rotina sensível e criativa para proteger o filho dos horrores de um cativeiro.

O livro, narrado por Jack, foi meio que inspirado no caso Fritzl. Para quem não se lembra (e para encurtar a história), em 2008, na Áustria, foi descoberto que Josef Fritzl tinha sequestrado, estuprado e mantido em cativeiro a própria filha, Elizabeth, num bunker construído sob a casa em que viviam. Durante os 24 anos em que esteve presa, Elizabeth teve sete filhos com o pai, dos quais um morreu com poucos dias de nascido e três foram criados pelo pai-avô e pela avó.

É que Fritzl, logo após capturar a filha, a forçou a escrever uma carta aos pais anunciando que tinha se juntado a uma seita e que eles não deveriam procurá-la. Porém, com o nascimento das crianças, Fritzl simulava um abandono na porta de sua casa, com uma carta de Elizabeth pedindo que ele e a esposa cuidassem da criança. O cativeiro só teve fim quando a filha mais velha adoeceu e precisou ser levada a um hospital, oportunidade em que Elizabeth também conseguiu sair do bunker e denunciar o pai.

Em “Quarto”, muitos desses fatos também aparecem. Uma diferença crucial é que a Mãe foi raptada na rua por um estranho, o Velho Nick. Ela também teve um filho antes de Jack, que morreu por falta de assistência médica e foi enterrado no quintal da casa. A fuga dos dois também passa por um hospital. Mas, no livro de Emma Donoghue, Mãe e Jack simulam uma doença para que o Velho Nick leve o menino para o Lá Fora. Como na vida real, os cativos são libertos. Mas esse não é o final da história.

Uma boa parte do livro é dedicada a mostrar como é a vida da Mãe e de Jack após saírem do Quarto. Essa perspectiva é bastante perturbadora, porque todo o mundo e a vida de Jack se resumiam àquele cubículo. É ali que ele se sente em casa, que tem uma rotina e que viveu sua primeira infância inteira. Sair do Quarto parece mais traumático para Jack do que ser libertado. Afinal, ele não conhecia o Lá Fora. Na verdade, ele tinha sérias dúvidas quanto a sua existência, pois todo o seu contato com o mundo exterior vinha da televisão, dos livros e das histórias que a Mãe lhe contava.

No clube, a maneira como Emma simula a narração de uma criança de cinco anos foi um dos pontos que deixou muita gente desconfortável, pois não parecia verdadeiro. Pessoalmente, achei o começo arrastado e difícil de engrenar. Mas quando Mãe e Jack começam a planejar a fuga, a tensão toma conta e você não consegue largar mais. Confira o que algumas leitoras acharam!

gws-clube-do-livro-fevereiro-quart-de-jack-opinioes

Ket Strapazzon Dos Santos: “Terminei a leitura e tanta coisa passou pela minha cabeça ao mesmo tempo. Senti pena, senti raiva, senti tristeza, esperança. Tudo misturado. Tem muita coisa gigantesca nesse livro pra ser debatida, mas a que me vem imediatamente à cabeça agora é perceber o quão livre eu sou de muitas formas e o quanto essa liberdade é preciosa e maravilhosa. Levantar, sair, ver o sol, sentir o vento, comer o que quero, quando quero, falar, ler, descobrir mais e mais. As mínimas coisas pra mim eram tão gigantescas pro Jack e pra Mãe (a casca de ovo, as massinhas de farinha), e isso me fez pensar na dimensão que a gente dá – ou não – pra tudo que nos rodeia. Tem muito mais, claro, mas essa é a primeira coisa que me vem agora, terminado o livro.”

Maíra Bueno: “Não quero parecer pedante, mas vamos lá. Parece que ela esconde, com a linguagem infantil, simplesmente falta de estilo. Era nisso que eu pensava o tempo todo: o livro não tem estilo literário quase nenhum. Não sou expert em como crianças falam (existe uma no mundo de quem gosto e com quem convivo), mas pelo que sei de literatura infantil, já vi pontos de vistas de criança mais bem construídos, mais fluidos. Parece uma boa história (e sim, fiquei vagamente obcecada com o caso da moça na Áustria) jogado no livro. Essa ~marmotice me cansou muito.”

Letícia Lima: “Achei que a parte em que eles estavam no quarto ia ser a mais pesada, mas me enganei. Foi mais doloroso ler a adaptação deles ao Lá Fora, a mudança de uma lei interna que governava a convivência e o cotidiano deles para regulamentos sociais e morais rígidos e confusos do círculo familiar e da sociedade que tem dificuldade em acolhê-los. Achei a escrita difícil também, compreendo que seja por emular o discurso de uma criança, mas acho que a tradução poderia ter sido melhor elaborada. Em determinados momentos eu conseguia até decifrar a frase original e isso me tirou um pouco o foco.”
E você, já leu esse livro? Conta pra gente nos comentários o que achou e entra no grupo do Facebook para participar. A leitura de março já está rolando!
assinatura_2016_laiza-felix

Tags:


3 + 4 =


5 Comentários

  • Cheel

    TENSO. É só isso que pensei quando li essas resenhas e a história na qual o livro foi inspirado. Gostaria de ler o livro,mas acho que vou partir pro filme antes . ele é bom? Outra coisa… Como posso participar do clube do livro? :) muito obrigada !beijo

    http://www.eunomadiando.blogspot.com.br

    1. Marie GWS

      Oi, Cheel! Pra participar do Clube do Livro, é só entrar no grupo do facebook: https://www.facebook.com/groups/clubedolivrogws/?fref=ts
      Bjs

    2. Maíra

      É bom, sim! Eu, pelo menos, achei melhor que o livro (atirem pedras!) Mas vale a leitura, de qualquer modo!

  • Bruna

    Eu li há uns meses. Achei pesado, é ruim mesmo de dar continuidade por causa da escrita, mas a historia me prendeu e eu eu tive que superar esse fato pra chegar até o final.
    E depois de ter visto o filme só consigo pensar em como ele não faz jus ao livro. Não sei, parece que falta taaanta coisa, tantas explicações que queria ver retratadas em um filme e ver os críticos de cinema lidando com isso, mas sei também que não dava pra fazer um filme de 5 horas nem uma trilogia e sem deixar sem final, aí não teria nem concorrido ao Oscar…
    A atuação da Brie e do Jacob são ótimas, isso eu gostei :)

    Beeijo

    Ps. Adorei o novo layout! Principalmente pq agora a caixa de comentários abre no meu computador e posso comentar tudo!

    1. Marie GWS

      Oba!! Obrigada pelas suas considerações sobre o livro e o filme! Vamos esparar mais comentários seus por aqui então! hahaha Bjs