Que a dor de uma, seja a dor de todas

Por Girls With Style / gws@gwsmag.com

Por Luisa Turbino:

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Já começo esse texto com uma verdade que muitas vezes dói de ouvir: Nem sempre as pessoas mais próximas a nós, ficarão ao nosso lado. Ok, aí vocês podem me dizer que estes não são amigos de verdade, mas se você fizer uma análise ao longo da sua vida e reparar nas coisas que aconteceram à sua volta, vai perceber que essa é uma afirmação verdadeira. Nem sempre, aonde você esperava por suporte, você conseguiu. Principalmente quando estamos falando de violência cometida por alguém que também faz parte do mesmo círculo social ou familiar. Mulheres que sofrem violência (física ou verbal ou sexual ou emocional), são na maior parte das vezes, cometida por pessoas próximas. Infelizmente, e por inúmeros motivos, muitas delas, ainda não conseguem denunciar o agressor à polícia.

Entretanto, mulheres que tomam a difícil decisão de denunciar e de expor seus agressores e passam pelo momento difícil e doloroso de contar àquelas pessoas próximas: “Eu fui agredida.” em busca de conforto e apoio, acabam sofrendo uma grande decepção. Em primeiro lugar é preciso bater na tecla da culpabilização da vítima. “O que será que ela fez para que isso acontecesse?”, “Ah, mas ela tá pedindo pra alguma coisa acontecer, bebeu demais” ou “Que isso, mas ela deu razão, irritou ele e falou coisas que não devia”. Depois, sempre virão aqueles que dirão que a mulher está mentindo, querendo chamar atenção.

Na época da faculdade, durante uma festa, uma menina da minha sala saiu do banheiro acusando dois meninos, envolvidos com o centro acadêmico, de terem tentado estuprá-la e ela não ficou calada. Fomos todos parar na delegacia, depoimento daqui, depoimento de lá. Lembro com riqueza de detalhes que ninguém, mas NINGUÉM acreditou na menina. Nem a polícia, nem as outras pessoas do centro acadêmico, nem os amigos dela. No dia seguinte, a história da faculdade era sobre a menina que tinha inventado um estupro no banheiro durante uma festa. Ficou por isso mesmo, a moça sumiu do mundo, largou a faculdade e foi tentar começar a vida de novo.

Pra você, miga, que ouviu algum tipo de comentário assim, saiba que a culpa não é sua. Não deixe que coloquem a culpa de uma agressão em você. A CULPA NÃO É SUA. Muitos irão tentar fazer você se perguntar se aquilo aconteceu mesmo, se você não está louca, se não está exagerando. Não se deixe enganar. A gente sabe bem quando está passando por uma situação de abuso. No fundo, a gente sempre sabe. É muito mais fácil e conveniente acreditar que a mulher está se sujeitando à toda aquela exposição constrangedora por algum outro motivo. Afinal, aquele seu amiguinho gente fina que te paga cerveja na balada e te chama para jogar vídeo game no final de semana não pode ser essa pessoa que agride uma mulher.

gws-quote-não-seja-amiga-do-abusadorPor último, existirá a postura que provavelmente mais dói: a da pessoa que te ouve, sabe dos detalhes de tudo que aconteceu, acha uma história horrível, te oferece apoio, faz textão feminista no facebook e, no fim, continuará uma linda amizade com o agressor como se nada, absolutamente nada, tivesse acontecido. Se você não acredita que agredir uma mulher e repetidamente negar o fato é uma covardia definidora de caráter, isso diz muito sobre você. Se você considera um agressor uma pessoa boa o suficiente para ser seu amigo e estar presente na sua vida, isso diz muito sobre você. Se você acha que nada disso deveria interferir na sua relação de amizade com o agressor por que é bobagem, isso diz muito sobre você.

Eu fico tentando imaginar a mágoa dessa mulher ao perceber que muitas pessoas não acham uma agressão motivo suficiente para se romper uma amizade. Imaginem vocês ter que assistir aos seus “amigos” continuando a vida na normalidade, postando fotos com seu agressor, convidando seu agressor pras festinhas na casa dele, replicando os dizeres do seu agressor, elogiando seu agressor. Imaginem como é se sentir insignificante, sentir como se o seu sofrimento não tivesse representado nada pra ninguém além de vocês mesmo e pedir para voltar no tempo e sofrer calada e não contar nada disso para ninguém.

As recentes hashtags #MeuPrimeiroAssedio e #MeuAmigoSecreto usadas nas redes sociais para denunciar assédios sofridos por mulheres de todo o Brasil, são um passo importante para que nós possamos aprender a lidar com a dor e o sofrimento alheio. Nós, mulheres, precisamos desaprender tudo que nos ensinaram sobre rivalidade feminina e nos defender. Precisamos apoiar as decisões das outras, precisamos incentivar a denúncia, precisamos entender que AGRESSÃO NÃO É JUSTIFICÁVEL, em hipótese alguma.

Precisamos não aceitar uma agressão juntas, nos dar forças para combater. Precisamos falar sobre violência contra mulher. Todo dia. Toda hora. Para isso, é preciso solidariedade e empatia para que possamos, de fato, combater a violência contra a mulher. QUE A DOR DE UMA SEJA A DOR DE TODAS.

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