Quer consumir moda de um jeito mais consciente? A gente te conta como começar

Por Girls With Style / gws@gwsmag.com

Por Letícia Santos e Carol Fajardo, da Estilo Domingo

Você já leu por aí, inclusive aqui no GWS sobre consumo consciente. Um dos conceitos básicos é raciocinar: É impossível uma roupa custar US$ 2 e ter sido produzida sem algum tipo de exploração no meio do caminho. O assunto tá fervendo, ainda bem! Mas torcemos para que você vá além e não fique só na leitura e na conversa. Torcemos para que você dê um passo a mais e comece, ainda que devagarzinho, a pensar naquilo que consome, que compra, que coloca por cima de seu corpo e dentro da sua casa.gws-consumo-consciente-aspas

Porque a real é essa, a indústria da moda – do jeito que funciona agora – pode ser muito ruim para muita gente. Desde o trabalhador escravo, até o impacto no meio ambiente e mesmo a fissura que a gente tem por comprar mais e mais e sempre achar que não é suficiente e querer ter mais, e querer competir com o coleguinha para ver quem tem mais, quem pagou mais caro, quem usa a última tendência, quem é fashion, quem é mais descolada… Aí a gente começa a viver em torno dessa competição, dessa loucura de compras, começa a trabalhar mais para comprar mais.

Vamos parar para pensar? Qual a diferença significativa traz para a nossa vida querer ser mais fashion que uma amiga? Ou comprar algo só para exibir nas redes sociais? Ou usar uma bolsa de vários milhares de realidades e se endividar? Nenhuma, minha gente. A bolsa não toma cerveja com a gente! A bolsa não te dá super poderes! E a competição vazia só traz coisas bad vibes para quem se engaja nela. É melhor ser parceira do que rival, não é? E likes no instagram não resolvem nossas questões da vida real. Por isso defendemos com unhas e dentes o consumo consciente. Porque além de fazer pressão nessa indústria para uma mudança, esse pensamento também muda positivamente a vida de muita gente. Nossas mudanças passam a criar pequenas mudancinhas no mundo que, juntas, começam a fazer diferença. Consumir desse novo jeito é a gente começar a revolução que a gente quer para o mundo. É fácil? Não, não é fácil.

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Mas antes de continuar o post, melhor a gente se apresentar: Somos Letícia e Carol e trabalhamos como consultoras de estilo com foco em autoestima e consumo consciente na Estilo Domingo e lidamos diariamente com a dificuldade de algumas das nossas clientes em entender a importância de consumir de uma forma diferente. A gente mostra uma bermuda de algodão, feita à mão, de uma loja slow fashion, confortável e bem acabada e… A cliente ainda insiste na similar da loja de departamento. E isso é normal e nosso trabalho é justamente ajudar nessa questão. Garantimos que dá muito mais emoção juntar uma grana para comprar uma peça que é mais cara, mas que você pega direto da mão de quem fez, com carinho, num tempo normal de trabalho, sem pressões absurdas de venda, com materiais sustentáveis, de fibras orgânicas que são fresquinhas e que vão durar mais no armário. Garantimos a mesma emoção de passear por aí com uma peça na pele que é “cruelty-free” – não maltratou bichinhos nem humanos, nem meio-ambiente. São novos tempos e precisamos de novas formas de consumir.

Se você tá querendo começar e não sabe como, onde comprar, o que tem de legal por aí, preparamos algumas dicas de atitudes e marcas bacanas para começar as consumir melhor. Confere aí:

 1 – Compre menos

Comprar não é existir/ser! A gente não precisa de tudo que compramos – muitas vezes nem damos conta de usar tudo o que temos. E vamos ser sinceras? Aquela sensação maravilhosa depois de comprar uma peça nova só pelo prazer das compras ou porque estava em liquidação dura quanto tempo? Algumas horas no máximo.

2Valorize o trabalho local

Quando for comprar, prefira produções pequenas, produções locais, tecidos naturais (orgânicos, se puder). Busque peças com maior qualidade para que durem bastante no armário e não precisem ser repostas tão rápido. Procure conhecer artesãos, grupos e feiras do tipo “compro de quem faz”. Você prefere dar seu dinheiro suado para o empresário-super-rico-que-paga-mal-quem-faz-a-roupa ou investir um pouco mais naquele artesão do seu bairro, com quem você vai conversar, olhar no olho, saber como ele fez a peça? Além disso, em tempos de crise, uma forma de ajudar seu país é comprando local.

3 – Cuide do que você já tem

Importantíssimo cuidar do que a gente já tem, do que vai ser colado na nossa pele e mostra para todo mundo um pouco do que a gente é. Leia as instruções de lavagem, pendure direitinho, pesquise como tirar manchas, tenha uma costureira parceira para pequenos ajustes. Dica de ouro: Lave menos! Uma calça jeans pode ser usada em torno de 10 vezes antes de ser lavada (a não ser que tenha sujeiras aparentes), sabia? As peças vão durar mais e em melhor estado. E de quebra, você ajuda na economia da água.

4 – Reaproveite e reforme

Vá a brechós, feiras de troca, mande reformar, use a criatividade para criar novos looks com peças antigas. E venda, revenda e troque suas peças também! Se uma peça nova de uma marca com produção slow fashion está muito cara para o seu bolso agora, quem sabe você não encontra algo parecido em um  brechó? Trocar roupas com as amigas também é uma forma incrível de reformar o seu guarda-roupa e o delas.

5 – Pesquise e converse sobre o assunto com os amigos!

Influenciar alguém a ter uma atitude bacana é importante para ir disseminando mudanças por aí.

6 – Comprar e ter menos

Essa atitude garante mais tempo para coisas que importam mais nas nossas vidas. E ajuda a ter uma vida mais organizada, sabia? Quanto mais COISA a gente TEM, mais espaço a gente tem que TER só para guardar essas coisas, mais tempo a gente passa arrumando e mais frustração a gente sente na hora de escolher um look e perceber que “não temos nada pra usar”. Ter um guarda-roupa mais enxuto é mais saudável, prático e fácil de compor.

 7 – Entenda a produção das peças

Pergunte em suas lojas favoritas como funciona a cadeia de produção das peças deles. Pressionem, demandem, digam que querem tudo explicadinho. Tá cheio de marcas grandes que já sacaram a vontade do consumidor de ser mais consciente e criaram estratégias de marketing para se vender mais “verde”. Tente certificar que a marca está dizendo a verdade.

Agora, a gente dá pra vocês o caminho das pedras! Marcas com propostas lindas para você ir entrando no clima, pesquisar e considerar virar cliente:

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Gabriela Mazepa 

A moça trabalha com o conceito de ‘re-roupa’: reforma peças, e ressignifica roupas, usando tecidos de qualidade que seriam descartados. Ela ainda dá vários workshops e cursos para quem quiser aprender a fazer isso em casa.

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Flavia Aranha

A estilista trabalha em duas frentes: peças atemporais (nada de última tendencinha) que vão viver muitas estações no seu armário e tecidos (algodão e linho) e corantes naturais. Tudo produzido artesanalmente. E tudo lindo, numa loja charmosa na Vila Madelena em São Paulo.

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Maria Tangerina

A marca de bolsas e mochilas fofas produz suas peças em parceria com uma ONG paulistana e só utiliza matéria prima brasileira. E tudo isso tá explicadinho em detalhes no site da marca.

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Catarina Mina

Uma marca com as bolsas de crochê mais lindas que você já viu e que criou o movimento #umaconversasincera, em que expõe todo o custo de cada uma de suas peças. Na loja virtual, há uma linha de bolsas concebida inteiramente por suas crocheteiras – e elas recebem todo o lucro pela peça. Ou seja, as artesãs que trabalham com a Catarina Mina são bem mais que apenas funcionárias.

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Svetlana

A marca carioca une a filosofia vegan e técnicas sustentáveis em sua produção de peças. Nada de bichinhos envolvidos e peças em neoprene de cair o queixo. Não tem loja física, mas é fácil encontrá-la em diversos bazares cariocas.

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Señorita Galante

Roupas feitas à mão, em tricô e crochês incríveis, com pontos e lã gigantes. Tudo feito por Anna Galante, que criou a marca. Ela também participa da campanha Laços Unidos Contra o Frio, que produz mantas de tricô e crochê para doação no inverno. Vale conhecer, mesmo!

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Luiza Perea

Sapatos feitos à mão e foco nos saltos baixos. Sabe aquele sapato lindo e confortável? A lojinha fica na Vila Madalena em São Paulo, mas podem ser enviados para todo o Brasil.

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Honey Pie

A marca paulista trabalha com ateliê próprio, equipe pequena e produção idem. Todos os tecidos e materiais são nacionais, assim como a mão de obra. A marca não trabalha com coleção e cria de acordo com o desejo da estilista. Uma das características mais legais da marca é que se você não encontrar seu tamanho na loja, pode pedir para confeccionarem especialmente pra você. Sabe quem ama e usa? A Pitty Leone!

Se você ainda tiver dúvidas de como começar, pode contar com a ajuda de uma consultora de estilo com foco em consumo consciente. Nós, da Estilo Domingo, trabalhamos dessa forma: foco em autoestima e no consumo consciente. Você vai aprender a se amar e a amar as roupas que você já tem. Vamos ensinar o passo-a-passo da compra inteligente para que você passe a consumir de um jeito diferente, consciente e só quando precisar de verdade. Para que você se olhe com carinho no espelho e mude completamente sua relação com roupas e compras. Quer saber mais? Entra no nosso site www.estilodomingo.com.br e curte a gente no facebook!

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