Relação séria com o tricô.

Por Girls With Style / gws@gwsmag.com

“Nós temos como comprometimento vestir indivíduos que busquem peças originais, confortáveis, únicas e atraentes.” Com essa preocupação, a Tchibi vem firmando seu nome na moda. A trajetória é intimista.

Marie, estilista da marca, que sempre foi encantada pelo tricô e crochê, fez dessa adoração um business. A Tchibi, já atuante na época, estreou em 2009 no Rio Moda Hype, com um DNA handmade moderno conquistável.

E apesar de Marie afirmar que a mudança em seu trabalho é constante, o styling dos looks de tricô da marca continua atual e fresh. E é com esse fôlego que o GWSMag conhece um pouco mais do universo Tchibi.

GWSmag: A estreia da Tchibi foi no Rio Moda Hype em 2009, mas recentemente houve desfile da marca em solo cearense no Dragão Fashion. Esclarece pra a gente onde e como surgiu a Tchibi.

Marie: Bom, me envolvo com moda desde adolescente. Lá pelos meus 15 anos comecei a estudar (em cursos extra curriculares) e costurar os primeiros modelos numa máquina de costura antiga e caseira, que minha mãe usava de vez em quando para costurar barras de suas próprias roupas. Mas o envolvimento com handmade veio mais cedo, com o tricô e crochê. São memórias da infância. Acredito que tudo isso indiretamente faz parte do DNA e criação da marca, que surgiu ao meio de toda essa paixão por expressão, arte e moda.

GWSmag: Desde a estreia, até a recente coleção do verão 2012, algo mudou no seu trabalho com a Tchibi?

Marie: A mudança é constante. Acho que é importante estar aberto a novidades, não só como marca, mas como indivíduo também. Se a mudança vem acompanhada de evolução, é sempre bem vinda. Dependendo do tema, a minha abordagem com a marca muda, e isso sempre cria um desafio a cada modelo novo.

GWSmag: Como você consegue trabalhar com o tricô e o crochê, uma característica da Tchibi, e ainda garantir um visual contemporâneo?

Marie: Tenho esse comprometimento de valorizar técnicas artesanais e que façam os designs serem únicos e exclusivos, mas também acho importante estar aberta a uma estética mais contemporânea. Muitas pessoas acabam deixando o handmade de lado pelo simples fato de não achá-lo moderno ou usável o bastante, então umas das minhas preocupações é colocar essas técnicas em um contexto mais próximo do dia-a-dia. Requer muita pesquisa e ideias pouco comuns para encontrar novas aplicações ao que é considerado ‘batido’ pela maioria das pessoas. O conceito é inovar.

GWSmag: A Tchibi também assumiu o design masculino. Há alguma diferença no comando das duas linhas?

Marie: A linha masculina ainda é um pouco tímida comparando com a quantidade de modelos femininos que a marca tem, mas gostei muito da recepção e repercussão positiva que os designs masculinos tiveram após o desfile no Dragão Fashion. Prometo boas surpresas para os garotos durante os próximos meses, o projeto masculino será nossa ‘meninas dos olhos’! Fazer masculino requer algumas preocupações diferentes quanto ao shape e a cartela de cores. E as formas são um pouco mais ‘clean’.

GWSmag: No que você está trabalhando agora? Qual a sua nova inspiração?

Marie: Estou trabalhando em vários projetos diferentes. Não quero levar a marca somente para uma direção, acho que experimentar faz parte do crescimento e do processo de ter uma marca de vanguarda. Estou desde fazendo um figurino para capa de cd até cuidando de vestidos de noiva. A inspiração vem diretamente do meu lifestyle, ou seja, está conectada normalmente com sentimentos e experiências pessoais.

GWSmag: Qual o estilo da mulher e do homem, que vestem Tchibi?

Marie: Nós temos como comprometimento vestir indivíduos que busquem peças originais, confortáveis, únicas e atraentes. Pessoas que tenham como intuito exprimir seus sentimentos através de seu estilo pessoal… Espero que as roupas da Tchibi sejam uma ferramenta para isso.

GWSmag: Como é a Marie estilista, trabalhando no dia-a-dia?

Marie: O meu trabalho ainda não segue uma rotina linear (tanto de ideias como de horários), o que me possibilita a cada dia tentar algo novo. O trabalho resume-se a experimentações de modelagens, texturas, cores e materiais, mas nas épocas que tenho que entregar encomendas, a rotina pode ser um pouco mais mecânica, levando em consideração que costuro também boa parte das peças.

GWSmag: Num ramo tão competitivo e de muita pressão como a moda, o que você faz para não perder o foco de vista?

Marie: Cada dia é uma prova, a evolução é constante e a pressão é para que em cada projeto eu consiga me superar como estilista. É assim com todo mundo, e acho que isso justifica um pouco a pressão constante que ronda nosso dia-a-dia. Tem que ter muita força de vontade para não perder o foco e não desistir dos sonhos/objetivos a serem alcançados. Uso a internet a meu favor e como uma ferramenta de comunicação. Às vezes recebo mensagens de pessoas de lugares diferentes do mundo ou mesmo entrevistas (como essa que estou respondendo) e acredito que isso seja um incentivo e uma espécie de feedback do trabalho e esforço que vem sendo apresentado até o presente momento. Esse tipo de coisa ajuda a gente manter o foco nas horas mais difíceis, porque sim, as dificuldades são muitas, e o jogo de cintura tem que ser maior ainda. NEVER GIVE UP!

GWSmag: Tem como eleger algum estilista que pra você foi ou é um dos mais fortes das passarelas?

Marie: Bom, resumir em um só nome para mim soa um pouco complicado, mas posso citar alguns nomes como Junya Watanabe, Yohji Yamamoto (esse vídeo é ótimo e na minha opinião descreve muito o que na minha cabeça seja um criador de moda), Alexander McQueen, Jum Nakao, Jun Takahashi, Alexandre Herchcovitch e marcas como Everlasting Sprout, Chanel e Missoni.

GWSmag: Algum conselho para quem está ou quer ingressar no business da moda?

Marie: Bom, como eu disse já anteriormente, NEVER GIVE UP! Confie em suas ideias e conceitos, mas sempre tenha a humildade de evoluir e aprender durante o exercício da profissão. Experimente, sempre seja aberto a novas ideias e utilize os recursos a sua volta! Muita gente espera ter uma estrutura de empresa grande para começar a criar, mas acho que isso é uma grande bobagem. Acredito no INDIE POWER, ou seja, na força das pequenas marcas e acho que juntas (dentro de seus poucos recursos) possam chamar a atenção do grande público. Busque sempre referências em seu próprio universo pessoal — porque o que é feito com coração, é verdadeiro e relevante para esses dias onde tudo soa tão superficial.

 

 

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