Sempre mais sororidade: A real mudança é por amor e não por didatismo

Por Girls With Style / gws@gwsmag.com

Por Pollyanna Assumpção:

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Semana passada rolou a “treta” da Anitta versus Pitty. Achei tudo um grande equívoco. Achei que as pessoas lidaram com isso de forma afobada e extremamente preconceituosa. Mas vamos parar pra pensar um pouquinho? A galera na internet está mais preocupada em gerar cliques que provocar uma discussão real sobre um assunto. A história todo mundo já conhece: Anitta e Pitty estavam em um programa de televisão. Anitta disse que as mulheres querem ser iguais os homens até no que não presta, Pitty disse que as mulheres podem ser o que quiserem. Imediatamente os times se formaram e o #teamanitta disse que Pitty era feminazi e o #teampitty disse que Anitta era uma machista. Em vez de simplesmente analisarem os argumentos, a polícia da internet já criou uma rixa entre as cantoras e falando que a Pitty devia esculachar Anitta. E olha, se você defende o feminismo e também defende que uma mulher deve escrachar a outra, acho que talvez você esteja com um conflito de conceitos. Por que Pitty deveria humilhar ou ofender outra mulher se ela se assume feminista? E por que você deveria?

A nova feminista do momento é a Taylor Swift e ela é um exemplo clássico de como as pessoas mudam de ideia. Hoje, as pessoas que estão exaltando suas novas músicas e suas novas declarações defendendo o feminismo, são as mesmas que anos atrás a ofenderam porque ela disse que não se considerava feminista. São as mesmas que já fizeram piada porque ela trocava sempre de namorado e “não conseguia segurar um homem”. Taylor cresceu, fez novas amigas, hoje anda por aí abraçada com Lena Dunham, Lorde, comemorando aniversário com Beyonce e foi impossível pra ela conviver com essas pessoas e não mudar sua visão de mundo. Quantas amigas e amigos já não me falaram que conviver comigo mudou a visão deles sobre muitas coisas e até seus próprios comportamentos? Quantas pessoas não foram diretamente responsáveis por eu ter me tornado um ser humano melhor nos últimos anos? E não foi porque essas pessoas falaram que eu deveria ser assim ou assado. Acredito na mudança por amor e não por didatismo. Deixar uma pessoa se aproximar de você e aprender com ela porque você a ama e admira é muito mais simples e efetivo que dar “aulas” sobre assunto. Duvido muito que Lena tenha chegado pra Taylor e a escrachado porque ela era machista. A gente aprende com quem a gente ama e respeita. A gente aprende por convivência e por exemplo de vida. Mas a gente aprende.

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A gente aqui no GWS bate muito na tecla da sororidade, da desconstrução diária que o feminismo nos provoca, do “apoie as irmã”, da autoestima e da aceitação. Pra mim esses casos que eu citei são exemplos claros de sororidade. Nós mulheres somos reprodutoras de um sistema opressor e é normal que a gente esteja tão inserida nele que não se dê conta de como estamos ajudando ele a sobreviver. Por isso é nosso papel diariamente se questionar em nossas próprias atitudes. Mesmo que a gente não concorde com algumas coisas, a auto avaliação é sempre importante. Anitta ainda é uma menina. Uma menina peituda e coxuda que fica linda de mini saia e sabe disso e usa isso a seu favor e que está fazendo sucesso pra caramba e ganhando um super dinheiro. Anitta além de ter uma origem social completamente diferente da Pitty, tem uma linha de trabalho mais diferente ainda. Mas isso não significa que ela seja mais “vadia” ou menos inteligente que a Pitty. Elas são mulheres diferentes, de origens diferentes, experiências diferentes e carreiras diferentes. Mas são tratadas pela mídia exatamente da mesma forma: como objetos. Lembro que no Rock in Rio durante o show da Pitty os comentários que mais víamos na mídia era sobre o corpo da Pitty. Ela estava mais gorda? Ela estava mais magra? Ela estava mais velha? Mais bonita? Ela era gostosa? Abrimos sites de fofocas e todas as notícias começam com “mais magra, fulana surge em festa”, “mais gorda, fulana passa dias em um SPA”. Pitty acabou de lançar um álbum novo, venceu uma depressão, passou por uma fase problemática e por conta DISSO emagreceu muito e mesmo isso tendo sido resultado de uma situação complicada, tudo que ela mais escuta agora é como está linda magra. Mais que ninguém, ela sabe o que é ter sua aparência e sua conduta escrutinada pela imprensa punheteira. Mesmo sendo uma artista conceitualmente tão diferente da Anitta. Pitty sabe como é. Pitty entende.

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Meu conselho é: Não desista daquela sua amiga que reproduz discurso machista. Todas nós podemos mudar e você mesma, levou um tempo para se tornar o que é hoje. Todas nós podemos acordar e percebermos que estamos sendo preconceituosas de alguma forma. Jogamos nossas inseguranças em cima das pessoas ao nosso redor e colocamos nelas nossas expectativas. Mas isso não significa que a gente não possa aprender com nossos erros e percebermos onde podemos melhorar. Pitty sabe disso e por isso jamais apoiou os pedidos de “acabe com a Anitta” como tanta gente na internet pediu pra ela fazer. Ela sabe que o caminho real de uma feminista é  ser uma amiga foda e mostrar pra ela como a vida é livre do lado de cá do feminismo. Anitta não precisa de esculacho. Anitta precisa de sororidade.

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