Sobre meninos e meninas.

Por Girls With Style / gws@gwsmag.com

Por Pollyanna Assumpção:

princesspeachtumblr_by_littletde-d69f20eQual era o seu brinquedo favorito na infância? O meu era um carrinho vermelho de fricção que batia na parede e voltava pra mim que meu pai trouxe do Paraguai nos tempos de muambeiro. Mas meu sonho mesmo era ter um carrinho de controle remoto. Eu morria de inveja do irmão da minha amiga que tinha um e nem brincava com ele. Eu também amava jogar vôlei, brincar de queimado, pular elástico e qualquer brincadeira que me deixasse roxa na perna. Tenho uma cicatriz em cima da outra no joelho de tombos repetidos porque estava correndo pra cima e pra baixo. Correndo como um moleque, mamãe cansou de me dizer. Mas meninas não correm? Não posso dizer que tive uma mãe opressora. Tive bastante sorte com a minha (oi mãe, ela lê minha coluna) e nunca fui impedida de fazer nada nessa vida por conta de ser mulher.

Em mundo de Kinder Ovo para meninos e meninas, eu gostaria que todo mundo se perguntasse porque existem coisas para cada gênero. Aliás, eu abri um Kinder Ovo de cada gênero e no ovo dos meninos veio um papagaio azul que também é uma pulseira e fica preso no seu braço e no das meninas veio um joguinho de empilhar coisas. Não entendi muito bem porque meninos não podem empilhar coisas e meninas não podem curtir papagaios, mas quem sou eu perto da indústria alimentícia.

Como já contei antes, um dos meus trabalhos é ser DJ e produtora de festas. Existem casas que já toco há anos e por causa disso todo mundo me conhece, mas existem casas que quando vou tocar pela primeira vez sempre passo pela mesma situação: o técnico de som homem querer me ensinar a mexer no meu próprio equipamento. Já houve uma vez que o técnico se ofereceu pra montar meu equipamento pra mim caso eu “não soubesse mexer na mesa”. Não vi ele se oferecer pra montar o equipamento de nenhum homem nesse dia e eu vi vários DJs homens chegarem e montarem suas próprias coisas. Os machinhos vão dizer que ele quis ser gentil. Eu vou dizer que ele duvidou da minha capacidade. Nós, mulheres, sabemos diferenciar a gentileza da condescendência. A gente sabe quando o cara quer ser bacana e quando ele acha que você não é capaz.

Quem aqui faz cursos ditos “de homem”? Tenho amigas em áreas de exatas que comem o pão que o diabo amassou. Todo mundo tem uma história de ter tido sua capacidade avaliada de forma diferente por ser mulher. Outro dia uma amiga minha no Twitter contou que uma amiga dela, advogada criminalista, não conseguiu um emprego porque a empresa achou que mulheres não tem o perfil pra direito criminal. Atualmente eu faço faculdade de produção fonográfica e a quantidade de mulheres é mínima. Numa turma de 40 aparecem 3 mulheres. Mulheres não podem trabalhar com música? Música é coisa de menino? Quantas bandas de mulheres você ouve? Eu por exemplo ouço pouquíssimas. Quantos homens fazem faculdade de pedagogia? Ser professorinha é trabalho de menina, né?

aspas2-menino-meninaOutro dia eu ouvi de uma mulher numa posição hierarquicamente superior a minha que eu era muito agressiva na minha forma de falar e que deveria ser mais suave. No caso dela foi uma crítica positiva a minha forma de trabalhar e não um julgamento moral. No meu outro trabalho eu preciso saber dosar gentileza e liderança, o que está sendo um novo mundo. Mas isso me lembrou quantas vezes mulheres tem suas opiniões invalidadas por “estarem de TPM” e porque uma mulher irritada é considerada histérica. Na maioria das vezes, uma mulher incisiva na sua forma de falar não é considerada uma líder nata, uma solucionadora de problemas. É uma bitch nervosinha e ainda gera comentários sobre sua sexualidade. Afinal, mulher muito macho só pode ser lésbica. Aliás, o que é ser macho? Por que um tipo de atitude é considerada coisa de homem?

Ser feminista é se reconstruir diariamente. Somos todos parte do jogo machista, seja no papel de opressor ou de oprimido. Nossa função para fazer um mundo melhor é diariamente se auto avaliar e ver o que podemos mudar com o objetivo de construir um mundo igualitário onde não existam ovos pra meninos e ovos para meninas. Que rosa seja apenas uma cor bonita para quem gosta de rosa, que mulheres e homens possam exercer a função que quiserem nessa vida, que existam mais mulheres taxistas, motoristas de ônibus, engenheiras, cientistas e membros de uma banda de rock.

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