Estive pensando sobre talento…

Por Nuta Vasconcellos / nuta@gwsmag.com

“Na minha época, você tinha que ser mais talentoso pra ser cool.”

Foi com esse pensamento, depois de ouvir uma banda muito bem falada entre a geração que acabou de chegar nos 20 anos que percebi algo que no fundo, eu espero estar errada: Os ídolos dessa geração parecem ser pessoas com ótimo senso estético, com os endereços dos lugares mais divertidos de L.A, New York e London mas sem nada na cabeça.

Este não é um texto saudosista. Essa era a minha única meta desde que decidi escrevê-lo. Não quero fazer um texto “minha geração foi mais feliz que a de vocês”. Quero escrever um texto apenas e unicamente para dar minha opinião.

Sinto falta de letras com frases que batiam no coração, sinto falta de música carregada de sentimento. Somente sinto falta. Essa falta não é exclusiva musical, mas é particularmente preocupante (pra mim) aí. Sinto falta da profundidade de “The End” dos Beatles, da verdade de “Mad World” do Tears for Fears. Do sentimento de uma garota totalmente sem máscaras como Alanis Morissette em “You Oughta Know”, daquela rebeldia de alma, não de roupas do Nirvana em “In Bloom” ou algo tão tocante como Oasis em “Live Forever”.

Tudo parece momentâneo, parecido, superficial. Eu espero estar errada, quero muito estar errada. Talvez eu esteja tendo acesso a apenas uma parte de tudo que tem por aí. Ou talvez todo mundo tem que ter 15 minutos de fama hoje em dia, e 15 minutos é pouco pra produzir algo histórico. Talvez eu esteja ficando velha e mesmo sem querer, esse tenha sido um texto saudosista. Ou talvez essa geração só queira dançar, desistiu de mudar o mundo e resolveu aproveitar enquanto isso aqui não explode. Can’t blame them.

Mas não consigo parar de me perguntar… Será que a “falta de sentimento” que vejo nas músicas ainda está dentro das pessoas que as fazem? Será que elas carregam um diário com coisas mais profundas, mas que seria cafona demais pra divulgar? Como aquela imagem no Tumblr que você achou uma graça, mas meio cafoninha pra dar reblog. Coisas dessa geração, que parece estar mais preocupada em parecer do que ser.

Na verdade, esse texto não é sobre geração, ou sobre música. É sobre ser real. Estamos de fato nos tornando mais superficiais? Ou isso é apenas o que escolhemos mostrar? A dúvida permace, mas fica a dica do que eu acho, seja qual for a resposta: Não se importem (tanto) se você não tem o celular que todo mundo tem, se você não tem a bolsa it do momento, ou se seu tumblr não tem só imagens “cools”.

Seja verdadeira com você mesma. Pode não ser tão cool, mas é muito mais legal (se vocês entendem o que eu quero dizer). Requer muito mais coragem.

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13 Comentários

  • Carolina Vianna

    curti!

  • mia

    ótimo texto. :)

  • Nuta Vasconcellos

    Obrigada meninas! =)

  • Isa

    Sabe o que acontece? Hoje em dia existem MILHÕES, TRILHÕES de artistas.. daí em primeiro lugar, ninguém consegue conehcer tudo e além disso, acabam havendo muitas repetições e tal.. é complicado.. mas tem muita coisa nova boa também, com sentimento.. exemplo: Adele. As músicas dela tem sentimento, não? Bruno Mars também…. Acho que os artistas bons acabam se perdendo hoje em dia…

  • Nuta Vasconcellos

    Exato Isa! é muita informação… muito fácil aparecer, lançar sua música. Poxa, a Adele foi pra mim um sopro de alívio!! hahaha

  • Gabriela

    Tb sinto e vejo isso mas musicalmente falando tem mta coisa boa por aí sim! Nem sempre é rock mas é verdadeiro e com atitude.

  • Diana

    Concordo com o post! Eu sinto isso tbm, que tudo hoje em dia se basea no ‘mostrar’ e não no ‘ser’. Na verdade, confundem o mostrar com o ser. Um exemplo: ‘Ser nerd’ antigamente era algo quase que humilhante, imagina não ter vida social, ser inteligente a ponto de ser considerado ridículo e talvez ser feio, estranho ou com gostos fora de moda. Hoje, ser nerd consiste em óculos Wayfarer de grau, camisa xadrez e conhecer Mario Bros. O lance agora é fingir e brincarmos de ser quem nós queremos ser momentaneamente, até a moda passar. Ser o que somos é mto chato e sempre soa marginal.

  • carolguido

    Parece que as pessoas se tornaram o que elas aparentam, né? Parece que resolveram assumir personagens que não conseguem sustentar e que, ao mesmo tempo, as fizeram esquecer quem são. No fim não sobra nada, só a aparência.
    Tá bizarro, tô sentindo isso em relação ao mundo também.

  • Clarissa

    Gostei muito do texto.

    Uma coisa que me irrita muito é que hoje em dia a maioria das pessoas tem uma fome incrível pra ouvir o que é cool e pra sairem por aí vomitando o nome de mil “bandas do momento”. Mas na verdade não conhecem essas bandas à fundo, ouvem só umas poucas músicas, só o que tá tocando. É difícil encontrar alguém que pare pra escutar um disco inteiro da mesma banda porque parece que tem tanta coisa nova surgindo que parar pra conhecer melhor uma única banda é perder tempo e ficar pra trás na corrida besta do “quem conhece mais”.
    Acho que essa corrida acaba estimulando as bandas novas pra não se esforçarem muito e produzirem um som cada vez mais descartável.

  • Tais Trindade Araújo

    ” (..) um tempo em que você tinha que ser original e tinha que ter uma espécie de talento dado por Deus pra começar. Você não podia manufaturar isso. Toda e qualquer pessoa que estava por aí nos anos 50 e 60tinha um grau de originalidade (…)” – Bob Dylan

  • Carol Lancelloti

    Adoro como vc pensa igualzinho a mim rs

  • Nuta Vasconcellos

    Achei que ia rolar uma galera criticando esse post… hahaha mas pelo visto vcs entendem o ponto de vista! Clarissa, concordei muito com vc…

  • Cris Albu

    É um alento abrir um blog e ler algo que concorda, que sente, mas que ainda não havia tomado forma em seu pensamento. Algumas pessoas despertando para a noção de falta de sensibilidade no mundo mostra que nem tudo está perdido. Obrigada.