Seja você mesma, mas de verdade! Use sua autoestima.

Por Nuta Vasconcellos / nuta@gwsmag.com

“Seja você mesma”. Se você acompanha meus posts aqui no GWS a muito tempo, sabe que eu sempre bati nessa tecla e sempre fui de escrever textões muito pessoais, principalmente sobre algumas conclusões que fui chegando ao longo da vida em relação a autoestima, amor próprio, relacionamentos e minha jornada sobre ser mulher. De uns tempos pra cá, devo admitir que tenho sentido pouca vontade de escrever e compartilhar. Eu não parei de escrever e continuo na minha trajetória de me desenvolver e de me conhecer cada dia mais, mas por algum motivo eu bloqueei a vontade de compartilhar por aqui minhas mudanças, descobertas, vontades e conclusões. Eu demorei um tempo para entender realmente por que isso estava acontecendo e eu acho que é por isso que levei tanto tempo para escrever esse post. No fundo, eu sabia que tinha mais a ver com o que eu estava vendo por aí, principalmente nas redes sociais, do que diretamente comigo, ou algo que eu não queria compartilhar.

seja voce mesma de verdade

Imagem tumblr 

Outro dia a Carol Guido postou a seguinte mensagem no instagram dela e eu peço licença para reproduzir aqui:

“É fácil encontrar-se preso nas crenças de outras pessoas. Não porque você tem uma mente fraca ou as pessoas têm más intenções. É porque quando você presta atenção às palavras dos outros sem se sintonizar com sua intuição, você corre o risco de pegar bagagens que não são suas.
Com o tempo o peso fica mais pesado, diferentes tipos de bagagem começam a se juntar com outras e você faz o seu melhor para levá-las. Ou você se vê lutando com tarefas simples em sua vida diária, porque você nem percebe o peso que você está carregando.
É hora de sintonizar consigo mesmo. Seja o curador de suas próprias crenças. Manter uma mente aberta, ouvir os outros, levá-lo em consideração, mas não se esqueça de estar presente e atento, então você só leva o que você precisa. Crenças que pertencem a você não vai colocar mais peso sobre seus ombros. Elas irão tirar dos seus ombros o que você está desnecessariamente carregando. Não se envolva com o que vai contra a sua intuição.”

Esse texto caiu como uma luva, não para o que eu estava sentido, mas exatamente com o que eu estava com medo de fazer outras pessoas sentirem, ou simplesmente, o que eu estava vendo acontecer por aí o tempo todo. Percebi que eu estava com medo de influenciar porque cada dia que passava eu percebia que as pessoas se sentiam seguras e abraçadas quando um grupo de pessoas lhes diziam exatamente como elas deveriam sentir, pensar, agir e falar. Isso ficou tão claro pra mim que foi um pouco desesperador. Sempre me perguntam por que o GWS não tem grupo no facebook. “Todo blog tem!” “De tal blog é tão legal”. Eu não duvido que seja. Mas eu digo que o GWS já viveu essa fase (afinal, começamos como um grupo no finado orkut que virou uma comunidade de amigas online e offline) e eu aprendi demais com esse grupo. Aprendi principalmente que quando muita gente se junta, pessoas dos mais diferentes tipos, com diferentes vivências, intenções e energia, aquele espaço pode gerar muita coisa legal, construtiva e interessante, mas mesmo com a melhor das intenções, de alguma forma acaba virando um livro de regras com hierarquia de participantes e acabamos levando esse livro de regras pra nossa vida real.

Eu tenho total consciência da relevância que o GWS tem e teve em temas como feminismo, autoestima e desenvolvimento pessoal e profissional. Mas definitivamente eu não quero ser pra vocês e não quero que o GWS ou meus posts, se tornem um livro de regras de comportamento, de linguagem e de pensamento. Somos muitas, somos únicas e somos diferentes. Podemos e devemos pensar diferente quando o assunto for autoestima, dieta, cirurgias, relacionamentos, virgindade, aborto, beleza, apropriação cultural, gênero, moda, estilo… A lista não teria fim. Tudo que eu menos quero é que a leitora do GWS não pense por si própria. Tudo que menos quero é que vocês leiam algo e tornem aquilo a verdade absoluta da vida de vocês e reproduzam por aí com bordões de “seja menas”.

seja voce mesma

O feminismo, a autoestima e nosso desenvolvimento pessoal é extremamente particular. Nossas opiniões e atitudes só precisam ser coerentes para uma pessoa: Nós mesmas. Não é saudável para o nosso crescimento como ser humano ter medo de expor nossos pensamentos, ideias e conclusões. O seu processo de descobrimento e desenvolvimento é só seu. Não acelere, não finja acreditar no que não acredita, não se sinta culpada por pensar o que você pensa e o mais importante: Não tenha medo de mudar de ideia. O medo e a insegurança só distanciam a gente de nós mesmas e tudo que queremos ser. Tô escrevendo esse post pra te dizer que você deve se distanciar de tudo que te faça se sentir pressionada, com medo ou culpada por suas crenças e forma que você leva a vida, ou por você ter mudado. Temos que ser livres. Pra pensar agir, falar, mudar de ideia, voltar atrás, mudar de novo. Se construir, se reconstruir. Então se você faz parte de um grupo online ou offline que você não se sente livre para se expressar ou ser quem você quer ser, pode ter certeza, esse não é o lugar pra você. A vida não é um livro de regras pré estabelecidas e o mundo não foi construído com ideias imutáveis e nós também não devemos ser. Muita coisa que aprendemos, hoje sabemos o quanto absurdas são, mas não se engane. Muita coisa que estamos ouvindo agora, em um futuro vamos perceber o quanto radicais, não saudáveis e erradas são. Não se deixe levar pela massa, ou pelo grupo que você participa. Mantenha sempre seu senso crítico. Esse post maravilhoso chamado: imersos na cultura, não temos capacidade de detectar coisas controversas, do “Não sou exposição” aborda um pouco sobre isso.

Vocês já assistiram o filme “A Onda“?  Se não, assistam e vocês vão entender o que eu estou querendo dizer. O filme lida com um assunto extremo, mas não é diferente do que estamos vivendo ultimamente com outras questões. Em resumo, queria dizer que quero voltar a compartilhar mais da minha trajetória de desenvolvimento por aqui e nas redes sociais. Mas gostaria muito que vocês soubessem que nem eu, nem o GWS fazemos parte de nenhuma caixinha, de nenhum movimento, crença ou grupo. Somos independentes e livres. Exatamente como eu desejo que vocês sejam.

— ♥ —

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Economia colaborativa: você sabe o que é?

Por Nuta Vasconcellos / nuta@gwsmag.com

A Economia Colaborativa está super presente na sociedade moderna de maneira cada vez mais forte, mas talvez você nunca tenha se dado conta ou sequer relacionado este nome a alguns dos diversos empreendimentos que possivelmente já utiliza ou ouviu falar a respeito.

Em busca de um modelo colaborativo de consumo onde o viés capitalista de lucro, tal como a gente conhece, é substituído pela lógica de divisão do acúmulo, a Economia Colaborativa é hoje uma das bases pelas quais pessoas podem compartilhar serviços que antes eram concedidos somente por grandes corporações. É também um modelo que agrega pessoas que buscam organizar maneiras mais sustentáveis de enxergar e se relacionar com o local onde vivem. Maravilhoso, né?

GM

Ilustração: GM

Nesse sentido, projetos de cunho cultural, alimentício, de mobilidade, de trabalho, de educação, meio-ambiente entre outros tantos temas são fomentados a partir de iniciativas populares com o fim de transformar cenários locais. São pessoas interagindo entre si e propondo mudanças!

Alguns exemplos são os projetos como o Floresta Urbana, que visa tornar a cidade mais verde através de intervenções em espaços públicos em São Paulo, a Horta Comunitária da General Glicério, iniciativa dos moradores de Laranjeiras, o Couchsurfing onde pessoas se transformam em anfitriões e oferecem quartos para mochileiros experimentarem a cultura de diferentes locais do mundo e o app Tem Açúcar?, no qual os usuários promovem o empréstimo de coisas entre vizinhos, evitando assim que você compre aquela furadeira que vai usar uma vez a cada 2 anos.

Mas como a Economia Colaborativa se relaciona ao feminismo? Os conceitos de economia feminista e economia colaborativa se fundem no sentido em que ambos buscam a ressignificação das relações de poder, consumo e distribuição de recursos. Como assim? Calma que já explico!

Alguns exemplos são as iniciativas como a Rede Feminaria, uma associação de empreendimento e suporte ao empreendedorismo feminino com consultorias a preços módicos e como o Coletivo Deixa Ela Em Paz que promove ocupações do espaço público por mulheres a fim de combater o machismo e a discriminação de gênero (e cujos lambe-lambes lindões você já deve ter visto por aí!). Outro exemplo é o Indique uma Mina, grupo colaborativo no Facebook onde mulheres indicam mulheres para vagas de emprego. Esses são apenas alguns dos projetos rolando por aí que unem o modelo colaborativo à economia feminista.

É possível dizer que caminhamos para novas formas de pensar a nossa relação com o entorno, quebrando paradigmas econômicos, de gênero e reinventando as relações interpessoais com criatividade e mobilização popular. Existem muitos projetos interessantes acontecendo, uma galera focadas em mudança e vale a pena buscar aqueles com os quais você se identifica. É o momento de fazer a diferença e, agir é a palavra de ordem!

Curtiu? Coloca o dedo aqui pra saber mais sobre o tema:

https://trama.net.br/

http://www.cidadecolaborativa.org/

http://consumocolaborativo.cc/

— ♥ —

assinatura_grazi_ximenes


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Diário da Lua Vermelha: Alinhando seu ciclo menstrual com a Lua

Por Girls With Style / gws@gwsmag.com

Estudar os astros, as plantas, as práticas espirituais antigas e os sistemas de magia nos ajuda a encontrar uma antiga feiticeira que existe em todas as mulheres, e a Lua é nossa grande aliada. É sob seus auspícios que saímos do domínio solar do consciente e adentramos o mundo interno, é ela quem revela as realidades ocultas, os mistérios cíclicos do sangue e da seiva. A Lua, grande espelho das águas inconscientes rege nosso ciclo mensal. Aprender a entender e respeitar os próprios ciclos é um segredo que as mulheres antigas dominavam, e que reside ainda dentro de todas nós.

Henn Kim

Ilustração: Henn Kim

Adentrar os mistérios lunares é mergulhar no profundo feminino, é aprender que somos parte integrante do todo, espelho e reflexo da natureza em seus aspectos mais luminosos e belos, mas também em todos as suas faces sombrias. Dançar com a lua e celebrar o eterno ciclo de vida, dentro e fora de si, entender nos ciclos da Terra e de si mesma, os movimentos de geração, nutrição, e destruição, e saber que a morte é tão necessária quanto o nascimento para a manutenção da vida.

Ao longo das eras, muitas crenças povoaram o mundo, e com elas as mais diversas ferramentas de cura foram descobertas, desde técnicas de cantos e toques de tambor, até a descoberta das propriedades físicas e energéticas de elementos naturais encontrados ao redor. Tudo isso constitui um legado ancestral que ainda pulsa dentro de cada mulher, aquela que traz a recordação, para que juntas possamos nos recordar de quem realmente somos, através das ervas, da lua, da magia. Uma das ferramentas mais utilizadas pelas mulheres para entender e acompanhar o ciclo menstrual e a influência lunar é o “Diário da Lua Vermelha”, um diário onde a cada ciclo uma nova mandala lunar é desenhada, juntamente com anotações diárias sobre nossos humores, sonhos, sensações físicas e emocionais e respostas fisiológicas do corpo. Com o passar do tempo, a utilização desse diário serve como um guia pessoal sobre o corpo feminino e a lua.

Antes de fazer o diário é muito importante entender sobre as fases da lua e seus efeitos, assim como entender sobre as etapas do ciclo menstrual. Nesse primeiro texto vamos aprender a confeccionar o diário, para nos textos seguintes nos aprofundarmos na relação entre a lua e nosso sangue. A palavra “menstruação” tem origem na palavra latina “menstruum” que significa tanto mês, quanto um solvente alquímico com a capacidade tanto de dissolver quanto de coagular. Desde os primórdios a menstruação e a passagem do tempo foram associados, e os primeiros calendários da humanidade seguiam o ciclo de 28 dias da lua, e entender como suas fases atuam na natureza é essencial para entendermos como ela influencia nossos corpos e emoções.

 

diario-lunar-2-gws

Para fazer o diário é só imprimir o diagrama acima a cada menstruação e seguir as instruções!

  • A primeira fileira numerada de 1 a 32, representa o ciclo.
  • Na segunda fileira, você vai preencher com os dias do mês, começando pelo primeiro dia de menstruação. Então se menstruar no dia 18, comece do dia 18 daquele mês em diante.
  • Na terceira fileira, são as fases da lua. Preencha as bolinhas com a fase certa da lua, no dia que menstruou. Use as legendas como referência pra pintar a bolinha!
  • Na quarta fileira indique com o símbolo escolhido para cada etapa do ciclo, como menstruação, ovulação, tesão, sexo, alterações emocionais,
  • Estabeleça um dicionário de símbolos sobre os assuntos que deseja manter controle, é necessário pelo menos um símbolo para menstruação, um símbolo para ovulação e um símbolo para o fluxo de corrimento vaginal.

Lua Nova: O céu aparenta estar sem lua, somos convidadas a mergulhar no vazio profundo, onde a racionalidade fica em segundo plano e o inconsciente vem à tona, trazendo para o espectro visível coisas que ainda estavam sob a superfície.  Etapa inicial do ciclo lunar, é o momento ideal para o início de novos projetos e objetivos

Lua Crescente: Aquilo que foi plantado durante a Lua Nova começa a nascer, e é hora de revisar esses projetos, fazendo as modificações necessárias, e de se empenhar para colher bons frutos.

Lua Cheia: A lua apresenta seu vigor máximo, e aquilo que foi plantado se encontra em seu ápice. É tempo de transbordamento, e de se entrar em contato com os frutos daquilo que foi semeado na Lua Nova, privilegiando a clareza para uma boa compreensão.

Lua Minguante: O que a Lua Cheia trouxe deve agora ser analisado, independentemente dos resultados alcançados. Na Lua Minguante aquilo que não funcionou será revisado e alterado se necessário for, preparando o solo para a semeadura da próxima Lua Nova.

Pronto, ao logo dos meses você vai começar a perceber com mais clareza as influências da lua sobre si, e como utilizar a seu favor esse conhecimento. Nos próximos textos, já com os diários em mãos, nos aprofundaremos nos poderes de nosso sangue, nas influências das fases da lua e de nosso ciclo biológico e hormonal, e a como utilizar magicamente cada período desses.

“Recordar, del latín re cordis: volver a pasar por el corazón”

— ♥ —

Por: Fernanda Grizzo (SURATI)

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Uma reflexão sobre o passado, o presente e o futuro da realidade da mulher na sociedade.

Por Nuta Vasconcellos / nuta@gwsmag.com

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The Future is female

Hoje é dia internacional da mulher. Pessoalmente, sempre achei importante falar sobre hoje e a data nunca passa batida aqui no GWS. Já teve post por aqui explicando porque a gente não precisa de flores e sim de respeito e ano passado, falei sobre a importância de valorizar o trabalho feito por mulheres com o movimento #IndiqueMulheres que felizmente, acabou inspirando até página no facebook. Fora do GWS, eu também escrevi sobre o tema, quando era colaboradora da Honey Pie, no post Dia internacional da mulher: O que isso realmente significa? 

Sim, o dia de hoje já foi tema diversas vezes e hoje, será mais uma vez. Eu estava pensando sobre tudo que nós mulheres já passamos e o que realmente mudou. Triste é perceber que pode até parecer que foi muita coisa, mas na real, nem foi. Tem muita coisa que funciona exatamente como no tempo da sua avó e só está mascarada. Eu listei 3 coisas da nossa realidade que analisando passado e o presente, nem são tão diferentes assim. Bora tentar fazer um futuro melhor?

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Next stop: ♀

1. Mulheres e o trabalho

Renderia um post inteiro, ou até mesmo dois, falar sobre a realidade de trabalho da mulher, mas vamos tentar resumir. Antes de realmente abrir o tópico, queria fazer um desabafo sobre as pessoas que insistem em dizer que hoje em dia, mulheres e homens estão no mesmo patamar quando o assunto é mercado de trabalho. Por favor, se informem mais. Na verdade, observem mais.

Hoje em dia podemos trabalhar? Podemos! Todas as mulheres do mundo? Não. Em alguns países as mulheres ainda não podem trabalhar e em várias profissões, mesmo que de forma velada, nós não somos bem-vindas (ou mais triste ainda, bem vistas). Estamos em todas as carreiras possíveis? Estamos… Mas em que número? É proporcional aos homens na mesma carreira? Você sabe que a resposta é não. O problema é claro, começa na educação. Somente em 1827, surgiu a primeira lei sobre educação das mulheres, permitindo que freqüentássemos as escolas elementares, as instituições de ensino mais adiantado ainda eram proibidas. Mulheres brancas, claro. As negras, nem isso podiam. E somente em 1879  nós começamos a poder frequentar ensino superior. Mas as mulheres que assim escolhiam, não eram bem vistas.

Só nos anos 40 algumas poucas, pouquíssimas mulheres começaram a trabalhar e no Brasil, só em 1962 (MIL NOVECENTOS E SESSENTA E DOIS), foi criado o estatuto da Mulher casada, que garantiu entre outras coisas que a mulher não precisava mais de autorização do marido para trabalhar. Para você ter ideia de quanto isso é recente, uma pessoa que nasceu em 1962, hoje tem somente 55 anos. Como isso reflete no nosso presente? Vou explicar de forma simples: Vamos supor que a sua amiga começou a pegar pesado na academia. Ela malha todo dia, está cada vez mais preocupada e informada sobre nutrição e o resultado já é visível no corpo dela. Você, nunca malhou e nem nunca se informou sobre nutrição, mas depois de ver os resultados da sua amiga, um ano depois que ela começou, você se empolga também. Quanto tempo você vai levar pra ter o conhecimento, a disposição, o corpo e para pegar o mesmo peso que ela?  Vai demorar. Se você não tiver tempo, acesso ao conhecimento e oportunidades como ela, talvez, nunca.

O mercado de trabalho para homens e mulheres, explicado toscamente é mais ou menos assim. Eles tiveram acesso a educação primeiro, ao mercado de trabalho primeiro e ganharam notoriedade primeiro por puro privilégio e nós sentimos essas consequências até hoje. Segundo dados do IBGE de 2000, a PEA (População Economicamente Ativa) brasileira, em 2001, tinha uma média de escolaridade de 6,1 anos, sendo que a escolaridade média das mulheres era de 7,3 anos e a dos homens de 6,3 anos. Independente do gênero, a pessoa com maior nível de escolaridade têm mais chances e oportunidades de inclusão no mercado de trabalho. Mas se mais homens tem acesso, menos mulheres estão no mercado. Hoje, em 2017, existe uma significativa melhora entre as diferenças salariais quando comparadas ao sexo masculino. Mas ainda não foram superadas as dificuldades encontradas pelas trabalhadoras no acesso a cargos de chefia e de equiparação salarial com homens que ocupam os mesmos cargos.

E o que as mulheres fazem? 80% delas são professoras, cabeleireiras, manicures, funcionárias públicas ou trabalham em serviços de saúde. Mas a maioria de mulheres trabalhadoras estão no serviço doméstico remunerado. Na maioria, mulheres negras, com baixo nível de escolaridade e com os menores rendimentos na sociedade brasileira.

O que eu quero dizer com isso? Nossa realidade de trabalho, não a sua, ou a minha pessoalmente, a realidade de NÓS, MULHERES ainda está longe de ser a ideal. Outro grande problema que a mulher enfrenta é que nós ganhamos o “aval” para trabalhar, mas a maioria de nós ainda é 100% responsável pelo lar e filhos. Os homens precisam entender a importância de também serem responsáveis por isso. Falamos um pouco disso no vídeo com a Marília Lamas. Pra entender um pouco mais sobre essa diferença enorme entre mulheres e homens quando o assunto é horas de trabalho em casa e fora de casa, vale ler essa matéria da FOLHA. E para entender um pouco mais sobre como é difícil crescer na carreira sendo mãe, leia essa da revista Crescer.

O que podemos fazer para mudar nosso futuro? Contrate mulheres, estimule suas amigas a estudarem, se formarem, divulgue o trabalho de mulheres. Ajude a divulgar a ideia que a mulher pode ser o que ela quiser. Presidente, engenheira, publicitária, advogada. Se você tem um cargo de relevância, fale por nós, lute por nós. Esses dados não são uma crítica às mulheres que ESCOLHEM ser donas de casa. É um alerta para entender que nem sempre é uma escolha, às vezes é porque ela não vê outra saída e nós temos o direito de sermos realizadas em todos os campos. Sendo escolha dela ou não cuidar da casa, nunca, deve ser uma tarefa exclusiva dela. Ajude a criar e a conscientizar homens que saibam cuidar de casa e que sejam independentes e que não julguem a capacidade corporativa de uma mulher, pela maternidade.

GWS-Stefany-de-Barros-Rafaela

Ovaries before brovaries

2. A obrigação de ser linda

Eu realmente acredito que esse é um dos problemas mais graves para a realidade da mulher. No passado, no presente e infelizmente, no futuro.  Já quero começar esse post dizendo que você pode e deve ter a liberdade de emagrecer, engordar, malhar, não malhar, fazer tratamento estético, não fazer, depilar… Mas todas essas questões devem ser ESCOLHAS. E por mais que pareçam que são, a maioria delas não é.

Nós sofremos uma pressão estética absurda e mais uma vez, cito um post muito importante que já rolou aqui no GWS: É sobre depilação mesmo que estamos falando? O problemático na questão da beleza da mulher é o TEM QUE SER. Nessa obrigação de ser linda, nós acabamos caindo em tantas armadilhas que não percebemos… Essa obrigação de ser linda que sentimos todas as vezes que vemos uma atriz, uma capa de revista ou ouvimos da nossa mãe que temos que fazer as unhas, é um soco na nossa autoestima. Mulheres sem autoestima correm menos atrás do que querem, acreditam que não estão prontas para realizarem seus sonhos ou até para fazerem coisas simples, como irem a praia. Uma mulher que é cobrada pela sociedade para ser linda e acha que não corresponde, é uma mulher infeliz. Eu falei sobre isso nesse post aqui.

Em 1952, o mundo viu nascer o Miss Universo. Um concurso aonde mulheres competem para se tornarem: A mulher mais bonita do mundo. Em 1971, existia um concurso em Portugal chamado “A mulher ideal” que além de ser linda, tinha que saber cozinhar e costurar. Os concursos mais importantes e valorizados desde então quando o assunto é mulher são os concursos de beleza e se apresentam das mais diversas formas. Além do próprio miss universo que existe até hoje, temos os concursos de modelos, para várias classes sociais, como a Garota da Laje. A cobrança da beleza está enraizada na nossa cultura.

Isso me faz lembrar uma citação de Naomi Wolf: “Uma cultura focada na magreza feminina não revela uma obsessão com a beleza feminina. É uma obsessão sobre a obediência feminina. Fazer dietas é o sedativo político mais potente na história das mulheres; uma população passivamente insana pode ser controlada”.  E isso faz muito, muito sentido. Não só em relação a magreza, mas na beleza em geral.

Você pode ser o que quiser. Por dentro e por fora. Mas vamos tentar fazer nosso futuro diferente? Não vamos mais nos permitir adoecer em nome da beleza, deixar de correr atrás do que acreditamos porque não nos achamos merecedoras, nem depilar ou não depilar porque alguém te disse o que é esteticamente certo. Vamos lutar pela liberdade REAL da nossa imagem.

GWS-Stefany-de-Barros-Bella-Castro-1 2

You own your body

3. Sexualidade

A repressão sexual da mulher existe desde que o mundo é mundo. Às vezes disfarçada de histórias santas, outras como “opinião” e muitas vezes, muitas, muitas como regras escancaradas. A repressão é tão grande, que não prejudica só a saúde sexual das mulheres, mas a forma que vivemos em sociedade, nossa estrutura familiar e claro, nossa autoestima.

Na história bíblica do começo do mundo, foi Eva, uma mulher que por conta de seus desejos carnais, tirou toda a humanidade do paraíso. Ou seja, se ela tivesse ficado lá, na dela, rezando, nada de ruim do mundo teria acontecido. Adão é completamente isento de qualquer responsabilidade. Ele foi uma vítima de uma mulher que estava pedindo. Ainda na bíblia, temos virgem Maria, que antes de ser conhecida por seu nome é conhecida como virgem. Mesmo sendo casada, mesmo Jesus tendo irmãos. Aliás mesmo a história dessa mulher sendo fantástica, nada parece ser mais importante do que ela ser casta.

Para ser classificada como puta, era fácil. Nos anos 20, mulher que dirigia, era puta. Nos anos 30, as que queriam ser atrizes? Também. Nos anos 60, mãe solteira era puta. Mas pensando bem, hoje em dia, também é fácil ser puta, né? Tá de short curto na rua: Calor? Moda? Se sente linda assim? Não, não. É puta. Postou selfie sensual? Vixiii, putíssima.

Ao longo da nossa história sempre ficou muito claro que a mulher para sociedade só pode ser duas coisas: Santa ou puta. Pra casar ou pra comer. Ignoraram completamente que somos seres sexuais, com vontades e desejos próprios, exatamente como os homens. O que é mais grave nisso tudo? Se somos mulheres e para a nossa sociedade só podemos ser duas coisas, estamos vulneráveis a todo tipo de violência. Foi estuprada? Tava pedindo. Engravidou? Quem mandou transar…. teve vídeo vazado na internet? Foi fazer vídeo pra que né, puta?

Assim como lááá no tempo de Adão e Eva, o homem é isentado de qualquer classificação.

Ser santa também não é fácil. A mulher que se sente cobrada a ter um certo comportamento, seja por uma criação rígida ou por um marido que ameaça até matar por causa do tamanho do seu decote, é uma mulher que vive reprimida e com medo. Não somos putas nem santas. Somos indivíduos com história, com momentos, com desejos.

Mas como mudar o nosso futuro?  Abrace a mulher que você é e se livre de rótulos e livre as outras mulheres também. Eduque os homens a sua volta. Seu pai, seus filhos, seus amigos. Parece óbvio, mas pra muito homem ainda não caiu a ficha da gravidade dessa prisão sexual da mulher.

Eu escolhi 3 temas, mas a lista poderia crescer infinitamente… Somos mulheres. Filhas, netas das mulheres do passado. Somos o presente. E precisamos criar mulheres fortes, precisamos ser fortes e fazer um futuro diferente. Somos muitas, somos sobreviventes, somos guerreiras. Não deixe nada, nem ninguém, fazer com que você se sinta diferente disso.

Feliz dia das mulheres.

 

As fotos são exclusivas do GWS e foram feitas pela Sthefany de Barros, instagram: @stefanybs

Styling e make: Bella Castro, instagram: @bellarlcastro

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