As mulheres revolucionárias que mudaram a história

Por Nuta Vasconcellos / nuta@gwsmag.com

A gente bem sabe que com tudo que está acontecendo no país, nossa mente naturalmente se volta para assuntos políticos e revolucionários. Pensando nisso, achei digno fazer um post em homenagem as mulheres que mudaram e muito, o rumo da história feminina no mundo. Listando as seis que vocês precisam conhecer.

– Simone de Beauvoir

Ela é considerada a papisa do feminismo. Seu livro, “O segundo Sexo”,  foi visto como um atentado ao pudor na época do lançamento, em 1949. Só nos anos 60, as mulheres viram a real importância da obra, que criou as bases do feminismo e é tida como uma das 100 mais importantes do século 20. Está tudo ali: a forma como as tradições políticas e sociais justificam o patriarcado e a opressão masculina, como criaram a tese da inferiorização da mulher, os programas para a liberação feminina, o questionamento da instituição do casamento.

Com o livro em punho, as mulheres mudaram o mundo. Além disso, a própria vida de Simone, que representava a quintessência da liberdade, inspirou milhões de jovens. Ela viveu uma das maiores histórias de amor de todos os tempos com Sartre, sem nunca morar com ele. Sem ” O Segundo sexo” não existiria aborto, divórcio, nem mulheres ministras e presidentes.

– Betty Friedan

Os machistas fizeram de tudo pra colocar ela pra baixo, associando seu nome e sua feiúra – que ela afirmava ser “uma praga” em sua vida – a um bando de mal-amadas. Betty foi vítima de piadas a vida toda, mas deu a volta por cima e entrou para a história como ícone da luta feminina.

Tudo começou quando ela escreveu o livro “A Mística Feminina”, em 1963, que se tornou o estopim da chamada “segunda onda” do movimento de emancipação, o Women’s Lib. No livro, a psicóloga Betty, que tinha que ser apenas dona de casa, mostrava a insatisfação de mulheres como ela, impedidas de atingir todo seu potencial. Entre outras coisas, brigava pelo nosso direito de ter uma profissão e pela divisão de tarefas domésticas. Antes dela, nada disso era discutido.

Coco Chanel

Ela apareceu nos anos 20 e nos livrou do espartilho, das roupas apertadas e dos chapéus incômodos e nos deu de presente o conforto e o luxo contido. As peças leves de jérsei, a bolsa a tiracolo, o suéter folgado, o cardigã, o tailleur, o estilo estilo navy e o pretinho básico são algumas das inúmeras invenções da francesa Gabrielle Bonheur Chanel, conhecida como Coco Chanel. Ela também foi uma das primeiras mulheres a aderir o estilo boyish. Em 1909 abriu uma butique de chapéus. Pouco depois, um ateliê de costura, teve um sucesso enorme, mesmo antes de lançar o perfume Chanel no 5 e a bolsa 2.55. Continuou a criar e brilhou até morrer, aos 88 anos, no hotel Ritz, onde morava. Teve vários namorados, mas nunca se casou.

– Frida Kahlo

Uma das mais famosas artistas mexicanas é vista por muitos como um ícone da criatividade feminina. Em 1913, com seis anos, Frida contraiu poliomielite, a primeira de uma série de doenças, acidentes, lesões e operações que sofreu ao longo da vida. A poliomielite deixou uma lesão no seu pé direito, pelo que ganhou o apelido de Frida pata de palo (ou seja, Frida perna de pau). Dizem que por isso, mais tarde, passou a usar longas e exóticas saias, que se tornaram uma de suas marcas registradas.

Frida começou a pintar depois de ficar gravemente ferida em um acidente de ônibus, no qual fraturou a coluna e a pélvis. Ela produziu diversas pinturas enquanto se recuperava e também foi ativista política, juntando-se à liga das jovens comunistas e à organização mexicana dos comunistas. Kahlo foi uma das primeiras mulheres famosas a se assumir bissexual e uma das primeiras mulheres que se tem notícia a se casar e morar em casas separadas como ela fez com Diego Rivera em 1940.

– Virginia Woolf

A emblemática escritora inglesa revolucionou a literatura do século XX ao abordar em seus livros questões relacionadas à mulher e ao seu papel na sociedade. Em 1917, fundou com seu marido, Leonard Woolf, a editora Hogarth Press, o que deu a Virgínia a chance de publicar seus livros assumindo a própria autoria, prática incomum para as mulheres da época. Virginia é considerada a maior romancista da língua inglesa e foi integrante do movimento modernista inglês. Em 1922, chegou a viver um romance com a também escritora Vita Sackville-West, o que a levou a abordar a questão homoafetiva e feminista em alguns de seus livros, inspirando futuras leitoras e ativistas anos depois.

– Leila Diniz

Leila Diniz quebrou tabus de uma época em que a repressão dominava o Brasil, escandalizou ao exibir a sua gravidez de biquini na praia, e chocou o país inteiro em uma entrevista ao jornal O Fluminense em que dizia: “Transo de manhã, de tarde e de noite” e “Você pode muito bem amar uma pessoa e ir para cama com outra. Já aconteceu comigo”.  Depois dessa publicação que foi instaurada a censura prévia à imprensa, mais conhecida como Decreto Leila Diniz, e ela foi até perseguida pela polícia política, quando em plena ditadura, foi acusada de ter ajudado militantes de esquerda. Considerada uma mulher à frente de seu tempo, ousada e que detestava convenções. Foi admirada por poucos e criticada por muitos, na sociedade conservadora das décadas de 60 e 70, por ser defensora do amor livre e do prazer sexual feminino. Leila é sempre lembrada como símbolo da revolução feminina , que rompeu conceitos e tabus por meio de suas ideias e atitudes.

 


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A vaidade e o machismo

Por Girls With Style / gws@gwsmag.com

Post originalmente postado no blog Bainha de Fita Crepe. Por Márcia Mesquita:

Outro dia, fui questionada por me dizer feminista e, ao mesmo tempo, ter estudado moda, gostar de maquiagem, etc. Mas será que o ato de se enfeitar está estritamente ligado à opressão feminina? Ou a forma como isso é visto é que está?

Tenho uma teoria (de boteco, não estou sendo acadêmica nem pesquisadora aqui, pelamooorr) que o que oprime é a falta de escolha e o tolhimento da vontade porque o uso de adornos é tão antigo quanto a própria civilização e não é exclusivo de um gênero (só do homem ou só da mulher), ou de sociedades patriarcais ou matriarcais. Se pintar e se enfeitar é uma manifestação da cultura de diversas sociedades no mundo, por toda a nossa história.

Claro que não podemos esquecer que, em vários grupos, as mulheres são “obrigadas” a usarem artifícios, definir dolorosamente os corpos para se adaptarem a padrões de beleza de suas culturas (argolas no pescoço, pés mínimos, etc). Mas são imposições, não é o ato de se enfeitar em si ou o artefato sozinhos que fazem disso uma imposição machista.

Em diversas épocas e entre diversos povos, os homens já foram os “pavões” da história, sendo eles muito mais enfeitados que as mulheres, por exemplo. Já em outras épocas, homens e mulheres usavam zilhões de acessórios e roupas cheias de regrinhas. Pensem, por exemplo, nos nobres franceses dos séculos 17, 18: tanto homens quanto mulheres usavam roupas suntuosas, perucas, jóias e maquiagem.

O que diferencia, e eu aí eu concordo com essa teoria da estrutura da roupa limitar a mulher simbolicamente, é que algumas peças representavam o tolhimento, o MOVIMENTO físico (e isso é muito simbólico, podemos dizer) das mulheres. Espartilhos, crinolina, anquinhas e outras peças não deixavam a mulher (burguesa ou nobre, porque as pobres tinham a roupa mais simples e funcional para o trabalho) se mexer – literalmente. Com o crescimento do poder social da burguesia e da valorização do trabalho, a vestimenta de homens e mulheres se diferenciou drasticamente: homens sóbrios e básicos, mulheres enfeitadas.

Folheto de propaganda de espartilhos – ou objetos de tortura?

E, até hoje – salvo a excentricidade das décadas de 60, 70 e 80, e os rappers americanos – os homens também estão presos nesse conceito de sobriedade. Principalmente os latinos – os brasileiros. Por isso que eu sempre digo, para convencer meus amigos homens a aderirem ao movimento: o homem TAMBÉM é vítima das malicies do machismo.

O que eu acho que configura opressão/liberação são as distinções sociais da roupa/beleza. Traduzindo: as regras e imposições sociais (muitas delas reforçadas principalmente pela publicidade de marcas de cosméticos e moda, infelizmente). Coisas do tipo: a mulher TEM que ser bonita, corpo bonito, concurso de beleza para mulher, etc.

Se eu quero me depilar inteira – ficar que nem índia – ou se sou contra a depilação deve ser uma escolha minha, não? O problema é quando não temos escolhas, quando fazemos coisas arriscadas por causa desse padrão e também quando somos rechaçados por nossas escolhas.

Queimar sutiã foi um ato simbólico, não prático. Eu amo sutiã. Homem pode não saber, mas peito pesa, Brasil! Mesmo quando não é lá muito grande. Por isso, não vou queimar os meus jamais! Aliás, esse quesito sutiã é um preconceito que eu tenho e admito – mas isso é assunto para um post na catiguria humor.

O que eu queria dizer é isso: se vista ou não, se enfeite ou não, se depile ou não se VOCÊ gostar. Faça uso da nossa sociedade ultra-individualista nisso e faça valer sua vontade. O Machismo e outros preconceitos estão na falta de respeito por nossas escolhas.


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A estética e a influência dos anos 20

Por Nuta Vasconcellos / nuta@gwsmag.com

Todo mundo sabe que de tempos em tempos, uma década volta para nos inspirar. Na moda, no cinema, na música e tudo isso que envolve a nossa tão controversa e amada cultura pop. Eu também acredito que essa influência é comportamental. Quando nosso olhar se volta para uma década, estamos também buscando os valores da mesma.

Depois de toda a influência dos anos 90, agora vivemos toda adoração pela estética e pelo comportamento sessentista; que é a cara de uma garota original, cheia de personalidade e sem medo de se destacar, sem medo de se divertir.

Mas engana-se quem acha que as primeiras “rebel girls” nasceram lá nos anos 60. Mesmo que as décadas de 30, 40 e 50 tenham sido um pouco sem graça quando o assunto é comportamento feminino, os anos 20 foram importantíssimos para a construção e evolução do que (a gente) acredita ser uma garota estilosa (pausa para refletir se você acha que estilo é sinônimo de roupa). A mulher dos anos 20, foi fundamental para que as garotas dos anos 60 pudessem se divertir e principalmente, fundamental para que elas pudessem queimar o sutiã. Aliás, foi lá naquela década que surgiu a primeira it girl do mundo, Clara Bow, atriz de Hollywood. Naquele tempo também tínhamos Louise Brooks (uma das mulheres mais lindas do mundo na minha opinião) atriz e com certeza, uma mulher a frente do seu tempo e Alice Paul ativista que lutou pela direito do voto das mulheres.

Aos poucos, bem aos poucos, eu percebo que essa mulher anos 20, está dando as caras na estética e no comportamento atual. Até os anos 20, a mulher era educada para ser “fada do lar” (sim, isso mesmo que você leu) e era considerada incapaz, veja bem, INCAPAZ de fazer suas escolhas, e por isso, precisava, (eu disse PRECISAVA) de um “responsável”, fosse ele pai, irmão ou marido para fazer isso por ela. Até os anos 20 mulher  não podia trabalhar, não podia votar. Tinha que usar espartilho. TINHA QUE. Mulher “direita” não usava batom vermelho, roupa que mostrava a pele. Não bebia, não fumava, não usava cabelo curto. Isso era coisa de homem.

Os anos 20 mudaram tudo isso. As mulheres se posicionaram e lutaram pelo que acreditavam. E se hoje em dia já é difícil ser uma garota, você imagina naquele tempo? Mas elas conseguiram o que realmente, parecia impossível. Elas se livraram do espartilho, colocaram as costas e braços de fora, maquiagem de “puta” na cara, cortaram os cabelos e foram dançar jazz.

O filme “O Grande Gatsby” que estreia por aqui no dia 7 de junho é baseado no livro de mesmo nome do autor F. Scott Fitzgerald que originalmente foi lançado em 1925. O livro é uma crítica ao “sonho americano” e toda a estrutura conhecida até então. A prova que a “geração anos 20” estava longe de ser uma geração conformada. Na moda, desde o ano passado é visível o desejo pela volta da estética da década como vimos nos desfiles da Gucci, Ralph Lauren, Marc Jacobs e Etro. A garota dos anos 00’s assim como a garota dos anos 20 luta pelo direito de usar o que quiser, como quiser. Sem ser tachada de puta ou santa.

Além da transformação estética a mulher dos anos 20 foi trabalhar, ganhou direito ao voto, bebia, fumava, dirigia, expressava seus desejos sexuais. A mulher dos anos 20 era um soco no estômago do machismo. Ela incomodava e quebrava todo o conceito de mulher princesa, da mulher delicada, frágil. Ela era rock’n’roll e mostravam isso com seus decotes, com seu cabelos curtíssimos, com os vestidos de melindrosa. A silhueta era mais vertical e longelínea, com a cintura deslocada para baixo. Os tecidos eram leves, fluidos como a seda. Foi o primeiro grito da androginia, com mulheres usando peças do guarda-roupa masculino. Hoje em dia com certeza usaria blusa de banda, calça jeans, all star preto e levaria seu cartaz para a marcha das vadias.

A luta de uma garota dos anos 20 não morreu, mas vamos dizer que ela passou um tempo adormecida. Foi difícil para as mulheres dos anos 30, 40 e 50 darem um passo tão grande e revolucionário como as da década anteior. Tinha que ter muito peito, muita coragem, e elas que assistiram de perto, sabiam que não foi nada fácil. As garotas dos anos 60, 70, 80 e 90 aproveitaram essa liberdade, esse direito de ser livre que foi conquistado pela mulher dos anos 20 e viveram ali, sem grandes preocupações.

Mas a garota dos anos 00’s percebeu que o machismo foi “domado” mas não abolido. Ele está ali, nas entrelinhas, nas piadinhas do dia a dia, nos salários mais baixos mesmo exercendo a mesma função do homem. Que mesmo livre dos espartilhos, a mulher continua “escrava” da beleza e dos padrões pré – estabelecidos.

A mulher 00’s enxerga que doenças como a bulimia e  anorexia, que o estupro e que até as revistas femininas são ainda frutos do machismo incubado na nossa sociedade. A mulher 00’s também tem consciência de que ser feminista não é o oposto de ser feminina. Aliás, a mulher 00’s sabe que feminismo não é o machismo invertido como nossa sociedade tenta pregar. A mulher 00’s enxerga que o machismo faz mal não só para as mulheres, mas para os homens também.

Com essa consciência a mulher dos anos 00’s busca inspiração na mulher dos anos 20. E é essa influência que vamos começar a ver nas vitrines, no cinema e no novo comportamento feminino que vem chegando de mansinho, assim como foi naquela época, mas vem chegando, para mais uma vez, revolucionar  o mundo.


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Em fotos: Riot Grrrl

Por Marie Victorino / marie@gwsmag.com

Riot Grrrl foi um movimento que surgiu nos anos 90 (EUA), dedicado à expressão radical do feminismo através da arte, da música e do ativismo. Um bando de garotas punk lutavam pelo poder feminino (#girlpower).

Inspiradas pelo punk feminino dos anos 70/80 (Siouxsie Sioux, The Runaways/Joan Jett, Patti Smith, Kim Gordon…), elas tinham uma forma de expressão agressiva, mas bastante criativa. Bandas como Bikini Kill e Bratmobile foram precursoras do movimento com um som hardcore, letras pesadas e apresentações, digamos assim, furiosas.

Além da música, as Riot Grrrls criavam fanzines para tentar extrair as implicações políticas de temas polêmicos, para propagar suas ideias contra o sexismo e discutirem experiências pessoais sobre estupro, racismo, distúrbios alimentares, homofobia, etc. As publicações eram feitas em casa, com colagens e tinham uma linguagem forte e com muitos palavrões. Até um manifesto foi escrito.

No final, o movimento acabou recebendo críticas por ser muito fechado (apenas garotas brancas de classe média) (#panelinha) e até Courtney Love deu seu pitaco dizendo que achava doutrinário e de censura: “Olha, você tem essas meninas muito fortes e inteligentes, mas quem disse que você tem o direito inegável de não ser ofendido? Ser ofendido é parte de estar no mundo real. Me sinto ofendida toda vez que vejo George Bush na TV! E, francamente, a música não era tão boa!“. hahahahaha.

 

Bikini Kill

Pra assistir!

Fanzines

Pra ler!

The Raincoats


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