Estereótipos e desigualdade de gênero na infância

Por Girls With Style / gws@gwsmag.com

Mês passado, falamos aqui no blog sobre e-book da Marília Lamas, chamado “De menina e de menino”  que levanta uma discussão sobre como os brinquedos e outros itens de consumo infantis contribuem para a reprodução de estereótipos e a manutenção de desigualdades entre os gêneros na infância e como isso se estende pela nossa vida adulta.

A Marília é uma garota tão incrível e estudou e pesquisou tanto essa questão antes de escrever o livro que conversar com ela sobre o tema é ganhar uma chuva de conhecimento! Por conta disso, achamos que seria incrível trocar uma ideia com ela para o nosso canal no youtube e entender mais sobre essa questão tão importante e pouco discutida.

Confere aí o vídeo! Se curtir dá aquele like esperto e assina nosso canal!


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Como trabalhar com Jornalismo de Moda, com Luiza Brasil

Por Girls With Style / gws@gwsmag.com

Pra quem não sabe, abrimos as portas do Espaço Criativo GWS em grande estilo! O primeiro curso que rolou por aqui, foi jornalismo de moda com a Luiza Brasil, a Mequetrfismos, uma garota que a gente admira demais, já foi musa 10 coisas e tem uma carreira profissional incrível. Nosso encontro por aqui foi tão legal que achamos que rendia um vídeo sobre o tema. Como é trabalhar com jornalismo de moda? O que é melhor, ser formada em moda ou jornalismo? Como entrar em um meio totalmente desconhecido? Tem muita dica boa e um pouco da história da carreira dela.

Quem perdeu a primeira edição, se liga: Em 2017 tem mais Luiza Brasil no GWS! Não conhece nosso canal no youtube? Tem muita coisa legal por lá! Assina, dá aquele like esperto e fica ligada na gente por lá também.

Tem dúvidas sobre a profissão ou a carreira da Luiza? Deixa sua pergunta aqui ou no vídeo que a gente passa pra ela.


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Empreendedorismo feminino: Os primeiros passos para seu e-commerce

Por Girls With Style / gws@gwsmag.com

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(Ilustração: Henn Kim)

Nos dias de hoje, como falar de empreendedorismo feminino sem falar de e-commerce? Se não for impossível, é quase! rs Esse desdobramento do varejo, que completou 21 anos de Brasil este ano, é uma das principais apostas das mulheres para colocar em prática o seu lado empreendedor.

Para começo de conversa, é preciso deixar claro que e-commerce é toda a forma eletrônica de se vender um produto ou serviço: loja online, grupos de Facebook, canais no Instagram, WhatsApp, telefone… Se você vende por qualquer um desses canais, já pode se considerar uma e-varejista.

Uma pesquisa de 2011 (que nem é tão recente assim) do data center Maxihost, mostrou que o crescimento anual do número de mulheres empreendedoras já era de 30%. Atualmente, mais de 50% das lojas online do país pertencem a mulheres. E elas são, também, o maior público dos e-commerces, encabeçando os setores de moda, beleza, acessórios e livraria.

Para umas é apenas uma diversão, para ganhar uma renda extra; para outras é dedicação exclusiva, é carreira. Mas para os dois grupos é, antes de mais nada, adentrar em um universo que por muito tempo foi bem masculino: o dos negócios e da tecnologia.

Existem muitas mulheres incríveis que estão aí para servir de exemplo; que começaram pequeno e que hoje figuram entre as maiores varejistas dentro do seus setores. E de diversas áreas! Podemos falar desde Luiza Helena Trajano, presidente do Magazine Luíza, que tem representatividade tanto no físico, quanto no online; passando pelas sócias Cristina Horowicz, Cynthia Horowicz e Sylvia Sendacz, donas de uma das lojas de moda plus size femininas mais conhecidas, a Flaminga; e finalizando com  Alice Freitas, diretora executiva da Rede Asta, que faz um trabalho incrível com artesãs de diversas cooperativas do Brasil todo, incentivando e orientando na produção, e revendendo os artesanatos no online e nos pontos físicos da Rede Asta (vale muito a pena conhecer!).

Mas nem todo mundo começa grande, podendo montar uma equipe com todos os profissionais necessários para fazer a roda girar, dispondo de um escritório, com um centro de distribuição, ou com todos os softwares que um e-commerce precisa. Na maioria das vezes, quando você abre sua loja, você é o social media, a empacotadora, a que leva os pacotes nos Correios, quem limpa o chão e serve (e bebe!) o cafezinho. A dura realidade de quem não tem muito dinheiro, mas mesmo assim quer empreender.

Os primeiros passos para o seu e-commerce

A primeira coisa que eu recomendo para quem quer se aventurar no e-commerce é ler bastante sobre o assunto. Mesmo que você não consiga, por agora, ter um sistema de back-office (provavelmente você nem sabe o que é isso), se a sua loja crescer, você vai precisar. É melhor estar por dentro daquilo que você vai investir tempo, esforço, dinheiro e sonhos. Indico este Guia Para Iniciantes que vai falar exatamente tudo que você precisa saber antes de começar.

Agora, se você já tem alguma familiaridade com o tema, então recomendo acessar a Revista E-Commerce Brasil, que trata de temas acerca do e-commerce de forma mais profunda.
Depois, é preciso analisar o quanto pode e quer investir financeiramente no seu projeto, de acordo com as necessidades do seu futuro negócio. Por exemplo, se vai vender produtos que você mesma faz (como artesanatos, acessórios, cosméticos naturais ou roupas), pode começar testando a aceitação e saída do seu produto vendendo pelo Instagram, ou criando uma lojinha no Elo7 ou Tanlup (plataformas de lojas virtuais em que você cria seu perfil, cadastra os produtos que quer vender e repassa uma comissão ao site por cada venda efetuada). Assim, você consegue analisar se vale a pena, ou não, investir em um site próprio, o que implica em contratar uma plataforma de e-commerce, meios de pagamento, certificados de segurança e contratos com transportadoras, ou Correios.

Mas se você quer abrir uma loja que vai revender outras marcas (ou levar sua loja física para o online), como loja de roupas, móveis, ou sapatos, estamos falando de um projeto maior. De cara você já vai ter demandas como um centro de distribuição e logística complexas. Nesses casos, vale a pena você estruturar bem o seu projeto e plano de negócios e se programar para investir em um site próprio, com todos os custos que isso implica. Como seus produtos não são únicos, você precisa estar preparada para se destacar no mercado e fazer sua marca ser vista, o que vai requerer um investimento pesado em marketing.

Outra opção seria vender em marketplaces, como Lojas Americanas, por exemplo. Marketplaces são sites maiores e já reconhecidos no mercado que firmam parcerias com varejistas menores para ofertarem seus produtos. Assim, você compra no site das Lojas Americanas, por exemplo, mas o produto é vendido e entregue pela loja X. O que cada um ganha com isso? O marketplace ganha mais variedade de produtos, sem a responsabilidade e os custos da entrega; e o pequeno varejista ganha visibilidade e uma cartela bem maior de clientes do que se ele vendesse apenas na sua loja.

Marketing é a alma do seu e-negócio

Mas investir em marketing necessariamente é um investimento pesado, financeiramente falando? Nem sempre! Existem estratégias orgânicas que você ainda pode fazer para conseguir atenção para sua marca, além de capitalizar e fidelizar clientes.

Nas redes sociais é preciso definir, de acordo com o seu público-alvo, as suas estratégias. Pense em você como cliente: marca que só faz postagem sobre seus produtos, que não interage com o público, que não responde reclamações, que não tira dúvidas e que não fala de outros assuntos que estão dentro da sua realidade ganha o seu like? Dá vontade de compartilhar, ou indicar para amigo seguir? Pois é, não dá! E é nisso que você precisa pensar antes de estar presente nas redes sociais. Nesse mundo, ou se faz um trabalho bem feito, ou é melhor nem estar presente.

É preciso também pensar se faz sentido para a sua marca, ou para o seu público, que você esteja presente em todas as redes sociais. A cada dia aparece uma rede social nova e muitas vezes queremos nos fazer presente em todas e não fazemos um bom trabalho em nenhuma. E no final, nada surte efeito.

Facebook Ads é importante? É! Precisa gastar uma graninha? Precisa! Foi-se o tempo em que marketing orgânico bastava para fazer sua marca decolar. E é por isso que precisa estudar para saber investir bem o seu dinheiro nessa ferramenta (ou contratar quem saiba). Com ela você pode segmentar e isso é incrível! Leia, estude, faça testes com valores pequenos, entenda! Assim, você consegue fazer mais com pouco.

Outra coisa que precisa de atenção: e-mail marketing! Se não souber como e quando fazer, o resultado é uma enxurrada de gente se descadastrando da sua base de e-mails (e ninguém quer isso. NINGUÉM!).

Personalize já!

E não dá para falar de e-mail marketing sem falar se personalização. Um precisa andar lado a lado do outro. Por exemplo, faz sentido avisar a um cliente que mora no nordeste que o inverno chegou e sua coleção está linda? Você estará apenas desperdiçando disparos, correndo o risco de irritar o cliente.

Invista em simpatia e carinho. O bom é que não custa relativamente nada. Cliente bom gosta de se sentir mimado, importante para a empresa. Peça sempre no seu cadastro (mesmo que você venda pelo Instagram, ou pelo WhatsApp) a data de aniversário do cliente. Faça uma conferência diária de quem está fazendo aniversário e envie um e-mail especial, oferecendo desconto, frete grátis ou um brinde caso ele realize uma compra naquele dia.

Pesquisas afirmam que na maioria das vezes é o detalhe quem faz o cliente preferir você a um concorrente tão bom quanto. Então, invista! Gosta de ganhar um cartão? O cliente também. Um agradecimento pela preferência, ou votos de que a roupa nova faça sucesso são coisas que encantam o consumidor. Produza uma embalagem bonita, que tenha a ver com seu público e sua loja. Esse diferencial é o famoso “UAU!” que toda loja deve buscar junto ao cliente. Fazer o básico é apenas sua obrigação. Fazer além, cativa e fideliza.

Use e abuse do content marketing

Você não precisa se vender o tempo todo, toda hora para todo mundo. Antes, a tática do “compre baton” funcionava. Hoje, não mais. O cliente não quer você martelando na cabeça dele que você precisa comprar, ou que ele é melhor. E o content marketing veio para te salvar disso. Fale para o seu público de diversos temas que importem para ele, se faça presente na vida dele para além do que você vende, debata, informe, crie discussões saudáveis, levante a auto-estima, incentive… Só não mande o “compre baton”!

Para isso, um blog é sempre a melhor saída. Por lá você vai trazer a cliente, que vai virar leitora, que vai divulgar seu conteúdo e, consequentemente, sua marca. E se fazendo presente na vida deles, é fácil eles lembrarem de você quando precisarem comprar. Quer exemplo de marcas (não necessariamente de mulheres) que têm blog bacana? Dois que eu acho muito bem feitos: Flaminga e Meu Móvel de Madeira.

Ainda assim não se garante na gora de fazer? Tem cursos para isso; mas tem gente muito boa no mercado escrevendo de graça em vários blogs dessa internet incrível. Não vai ser por falta de oportunidade que você vai deixar de fazer content marketing legal para o seu e-commerce.

A venda não acaba na conversão

Queira saber como o seu cliente recebeu o seu produto, se ficou satisfeito, se teve alguém problema… Se interesse! E resolva rapidamente caso o feedback não seja positivo (não serviu, chegou na cor errada, veio com alguma avaria). É a sua chance de reverter a primeira imagem negativa que ficou.

Aproveite o pós-venda para pedir um feedback do seu serviço e do produto. Pesquisas mostram que produtos com review de outros clientes vendem mais! Caso não tenha um site, publique um print dos comentários e agradecimentos feitos pelos seus clientes.

Se você abriu o link do guia que eu indiquei no começo deste post, viu que tem muito mais coisa para se falar para quem está entrando no e-commerce. Aqui, eu consegui tratar apenas de algumas que eu acho extremamente importantes e não exigem necessariamente muito investimento – mas mesmo assim muita loja continua falhando miseravelmente! =/

Mas a boa notícia é que, para quem quiser se aperfeiçoar, estudar mais sobre esses assuntos e inúmeros outros que envolvem o e-commerce (precificação de produtos, analytics, WordPress, plataforma, design, edição de vídeos etc), basta acessar o Centro de Treinamentos do E-Commerce Brasil e se inscrever em quantos cursos quiser com 20% de desconto! Basta usar o cupom ECBRGWS e pronto! O cupom é válido até o dia 31 de janeiro de 2017.
Agora é com vocês! E boas vendas!

— ♥ —

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“De menina e de menino”: livro de Marília Lamas, que discute gênero desde infância

Por Nuta Vasconcellos / nuta@gwsmag.com

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A Marília é uma dessas mulheres que não tem como não admirar. Formada em jornalismo pela UFRJ e pós-graduada em Sociologia Política e Cultura pela PUC-Rio, no livro “De menina e de menino”, ela abre a discussão sobre gênero desde a infância. O livro é baseado na pesquisa que ela desenvolveu para a monografia da pós graduação e o desejo de transformar a monografia em livro vem de um amor antigo: “Sempre tive uma ligação fortíssima com os livros. Minha primeira experiência profissional foi em uma editora e lá essa paixão só se fortaleceu”, conta Marília.

Há seis anos ela trabalha no canal Multishow e desde o ano passado é roteirista por lá. Escreve programas de humor, webséries e, semanalmente, o TVZ ao vivo. Mas “De menino e de menina” não é o primeiro livro dela. Em 2015 ela lançou “São Jorge: a saga do santo guerreiro”. A diferença dessa vez é que Marília escolheu fazer tudo de forma independente e escolheu o GWS pra embarcar nessa missão com ela. A novidade que a gente conta aqui em primeira mão é que agora, além do nosso clube do livro GWS , nosso clubinho onde todo mês lemos um livro juntas e fazemos uma resenha sobre ele, expandiu! Criamos um selo para ajudar novas autoras a lançarem seus ebooks e livros de forma independente. É escritora? Tá cheia de dúvidas e inseguranças para lançar seu primeiro livro? A gente te dá uma ajuda! Escreve pra gente e continuamos esse papo por e-mail.

Marilia lamas

Voltando ao e-book da Marília, “De menina e de menino” pretende discutir e desnaturalizar a lógica que norteia a divisão por gêneros nos brinquedos e demais itens de consumo oferecidos às crianças. Trata-se de uma discussão sobre como os brinquedos que lotam as prateleiras das lojas contribuem para a reprodução de estereótipos e a manutenção de desigualdades entre os gêneros: para elas, bonecas, panelinhas, cor-de-rosa, a casa, a delicadeza; para eles, carrinhos, tratores, azul, a rua, a força, a liberdade. Para compreender o que motiva pais de crianças a seguir essa lógica, Marília entrevistou sete mães e pais de meninas e meninos de diversas faixas etárias, entre outubro e novembro de 2014. Esta é uma análise da infância e das relações que se articulam nesse período: entre brincadeiras, bonecas e carrinhos podem se encontrar modos de reprodução de desigualdades de gênero profundamente estabelecidas na sociedade e sobre as quais pouca reflexão é produzida. O objetivo da discussão proposta pelo livro é pôr em cheque essas desigualdades, rompendo com estereótipos e com conceitos tidos como naturais pelo senso comum.

Como surgiu a vontade de Marília de fazer um livro que discute gênero? Por que é importante falar sobre isso? Perguntei pra ela.

“Acho que essa foi a primeira questão que eu tive na vida: por que certas coisas são “de menino” e outras são “de menina”? Nunca entendi a categorização das cores, por exemplo. Eu gostava de brincar com todo tipo de brinquedos e ouvi muitíssimas vezes que determinada coisa “não era pra mim”. Eu tive panelinhas, bonecas, estojinhos de maquiagem, mas nunca ganhei um carrinho, pegava os do meu irmão, que é nove anos mais velho, clandestinamente. Hoje, quando penso na criança que fui, acho que eu já era feminista (risos), porque eu ficava inconformada com isso.” 

A divisão dos brinquedos nas prateleiras das lojas é realmente assustadora: a seção dedicada às meninas tem todo tipo de miniatura de utensílios domésticos, além de bonecas (que são bebês, pra elas brincarem de ser mães). Tudo rosa. Já os meninos recebem pequenos aviões, carros, tratores, bolas… A separação casa/rua fica muito nítida. As meninas brincam de ficar em casa cozinhando e cuidando dos filhos; os meninos são estimulados à aventura, a desbravar a rua. Como é possível romper com a desigualdade de gêneros na sociedade se estimulamos as crianças a perpetuar estereótipos, a reproduzir os velhos papéis sociais de sempre?

“Se queremos homens dividindo honesta e igualmente a criação dos filhos e os trabalhos domésticos com as mulheres, por que seria um absurdo que os meninos também brincassem com panelinhas e bonecas? Se as mulheres são tão capazes de dirigir e pilotar aviões quanto os homens, por que não damos carrinhos e aviões às meninas?”

O que não podemos negar é que estamos em um tempo que a discussão sobre o papel do homem e da mulher nunca esteve tão em voga. Mas o que achei mais interessante no livro da Marília é que ela vai lá na origem da questão, desde a barriga da nossa mãe, como ela mesmo fala no livro, com a pergunta “é menino ou menina?”. Mas eu sempre tenho uma dúvida: Discutir sobre isso vai fazer essa estrutura que vivemos um dia se quebrar ou isso é uma utopia? Falar sobre isso só nos ajuda a compreender com mais clareza a estrutura que vivemos? Marília acredita que sim:

“A mudança acontece lentamente, porque os estereótipos estão enraizados na gente, é dificílimo romper com isso. Mas acredito de verdade no poder da informação, do conhecimento e do debate como agentes de mudança.”

Claro que um dos principais e mais poderosos agentes de mudanças são os pais. Afinal, como criamos nossos filhos é fundamental para se formar uma nova sociedade.  Para o livro, Marília conversou com vários pais, de meninos e meninas. Perguntei pra ela o que ela ouviu de mais preocupante e o que mais deu esperanças em relação a criação e a nossa próxima geração de adultos:

“Ficou muito claro pra mim que o caminho a ser percorrido é longo. Ouvi o pai de um menino dizer que não daria uma boneca a seu filho, ‘pra ele não achar que certas coisas são normais’ e entendi que havia ali uma referência à homossexualidade. Então são duas questões. A primeira é que brincar de boneca (ou seja, brincar de cuidar de um neném) é algo tão associado à mulher, que o fato de um menino querer brincar com uma boneca sugere a esse pai que o filho poderia querer ‘ser menina’ ou ‘ser gay’, e não que o filho está simplesmente brincando de ser pai. Quando falo sobre meu livro, aliás, muita gente a princípio acha que estudei casos de crianças transgênero. Não é esse o tema. Mas quando falamos em menina brincando de carrinho e menino brincando de comidinha, as pessoas imediatamente acham que estou falando de crianças que não se identificam com seu gênero. Elas não concebem que uma menina pode querer brincar de carrinho e continuar sendo menina, cisgênero, heterossexual. Que um menino brinca de comidinha e não deixa de ser menino por isso. Que essa é uma discussão sobre papéis sociais e não sobre sexualidade. A segunda questão é que esse pai que falou em não deixar o filho ‘achar que certas coisas são normais’ deixou claro que, para ele, homossexualidade é algo ruim e que deve ser evitado (e que a educação recebida em casa pode evitar, o que é ainda mais louco). Apesar de não ser esse o meu tema, também me assusta saber que os pais ainda têm expectativas e fazem planos quanto à sexualidade dos filhos, quando deveriam se preocupar apenas em garantir que os filhos sejam pessoas felizes, saudáveis, honestas.”

Mas e quando o assunto são as meninas? Será que estamos construíndo garotas mais seguras e esclarecidas sobre suas possibilidades?

“Tive esperanças ouvindo mães de meninas. Algumas, em especial, demonstraram grande interesse na pesquisa e pareciam querer a minha opinião sobre o que elas diziam, como se dissessem: ‘E aí, estou fazendo certo, de acordo com o que você pesquisou aí?’. Risos. Eu não podia dar opinião para não influenciar as respostas, mas espero que elas leiam o livro, se identifiquem ali e entendam que estou com elas.”

Ficou com vontade de ler? Este é um livro digital e é possível comprar pelo site da Amazon, neste link: http://bit.ly/demeninaedemenino. Custa R$ 8,99 e não é necessário ter um Kindle para ler. Qualquer pessoa que comprar vai receber o arquivo, que poderá ser lido no computador, no celular ou no tablet. Existe um aplicativo de leitura do Kindle, gratuito, que permite que o usuário leia o que ele compra na Amazon em qualquer aparelho. Está tudo lá na página de compra do livro.

Por que é tão importante falarmos sobre isso? Marília me responde com um trecho do livro: “É inadiável a discussão pela desnaturalização de estereótipos. Se, como afirmou Simone de Beauvoir, ‘a natureza, como realidade histórica, não é um dado imutável’, a cultura também não o é. Essa é uma pauta fundamental para a construção de um futuro em que mais meninas sonhem e mais mulheres sejam aquilo que desejam ser: engenheiras, donas de casa, mães, médicas, modelos, presidentas: mulheres livres.” 

— ♥ —

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