Como eu descobri o empoderamento e a sororidade através da maternidade

Por Girls With Style / gws@gwsmag.com

 

Faz um tempinho, as meninas postaram um texto aqui sobre parceria feminina e sororidade, falaram sobre o quanto nós mulheres precisávamos nos unir, em lugar de competir e criticar umas às outras. Claro, fazia todo sentido, porém, eu, que desde nova sempre preferi andar com os meninos, fazer coisas de menino, me vestir como menino, não consegui realmente mudar meu pensamento e me sentir mais próxima das minhas companheiras de gênero. Shame on me.

gws_sir

 

{Ilustra da Magra de Ruim, feita especialmente para esse post ❤}

Mas naturalmente, meu pensamento vem mudando nos últimos meses. Passei a defender mais os direitos das mulheres, a me identificar mais com feministas que antes me davam nos nervos e levantar bandeiras que pareciam um tanto quanto bobocas antes. Em suma, passei a defender as mulheres em absolutamente tudo e a exercer tudo que aquele post que eu li aqui, lá atrás, dizia.

Não, não foi do dia pra noite. Mas organizei as ideias, entre uma mamada e outra da Siena (Sim, agora sou mãe!) a principal responsável por essa evolução do meu pensamento. Quando a gente engravida e posteriormente, quando temos filhos, queremos conversar sobre aquilo, queremos nos sentir abraçada por pessoas que estão passando pelos mesmos problemas, dúvidas, perrengues, sem ser julgada ou criticada. E bom, como nós sabemos, é preciso ser mulher pra ficar grávida, parir, amamentar.

aspas2Nessa hora de nossas vidas, claro que queremos o apoio dos nossos companheiros e amigos, só que juro, homens parecem seres de outra espécie, ETs que não fazem a menor ideia da verdadeira magia da criação. Queremos conversar com nossa mãe, nossa médica, nossa irmã, nossa manicure e por aí vai… Nada nunca tinha trazido tanto à tona em mim, esse sentimento de sororidade e parceria entre as mulheres. Percebi isso quando me apaixonei por um grupo online só de mães, todo tipo de mulher que faz eu me sentir parte de uma grande comunidade da qual pra caber ali, só precisa-se ter um filho. E sei que muitas meninas não concordariam comigo, mas nada nunca tinha chegado perto de me fazer sentir tão empoderada antes. Desde o  parto ou toda vez que tiro meu peito pra fora pra amamentar minha filha.

Claro que nem todo mundo precisa ficar grávida pra entender que sim, “mulher” é um grupo social e sim, independentemente das mulheres supostamente bobas e arrogantes que existem, temos sim que nos unir, defender umas às outras e dar as mãos. Afinal, a real mudança é por amor, não por didatismo. Comigo foi assim: Descobri que quando mais precisamos, somos só nós mesmas que podemos nos ajudar.

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Tire aqui, suas dúvidas básicas sobre o feminismo.

Por Girls With Style / gws@gwsmag.com

 

Por Pollyana Assumpção:

I-am-a-feminist

Circula por ae uns textos escritos por homens sobre questões básicas sobre feminismo que sempre me incomodaram justamente porque são escritos por: homens. Se eu tivesse que responder perguntas ou desfazer mitos sobre o movimento, o que eu poderia falar?

Elaborei então alguns temas sobre o assunto e pretendo resolvê-los da forma que acho mais condizente com a minha ideologia e da forma mais simples do mundo. Todas são convidadas pra acrescentar pontos ou discutir discordâncias.

 O que é feminismo?

Feminismo é a ideia fantástica de que homens e mulheres devem ter os mesmos direitos. Percebam bem: mesmos direitos. Não significa que somos iguais. Ser igual é estar tendo nosso comportamento pautado pelo patriarcado. Ser igual aos homens é estar sob as regras que eles mesmos aplicam em suas vidas. No caso de homens e mulheres acredito que o melhor termo seria equidade. Equidade é quando dois grupos diferentes que tem valores diferentes, tem suportes diferentes para que ambos atinjam o mesmo objetivo. É tratar duas situações diferentes com justiça visando a igualdade. Querer igualdade sem mudar o sistema que vivemos é pensar como aqueles idiotas que falam “mimimi mulher não vai pra guerra, mulher não serve o exército, mulher não constrói muro”. Primeiro que mulher pode fazer tudo isso, e se vocês homens fizeram tudo isso pras vidas de vocês, lutem pelo fim do que vocês acreditam ser exploração e não encham nosso saco. Só é possível pensar em igualdade quando a sociedade não for criada em cima de um sistema que explora e oprime.

E homem feminista?

Homens não sabem o que é ser mulher e ponto final. Feminismo é papo de garota, é dividir experiência, é falar sobre si, seus medos, seu corpo, seus objetivos e sua luta. O máximo que homem vai conseguir falar sobre feminismo é uma opinião, um punhado de achismo, um livro de cagação de regras e eu já escrevi aqui antes sobre qual deve ser o papel dos rapazes no feminismo. Um homem nunca vai poder contar uma história de vida onde ele tenha sofrido algum tipo de violência por causa do seu gênero. Vai ter gente que vai dizer “mimimi mas homens são matematicamente as maiores vítimas de violência”. Nesse momento a gente volta ali pra primeira pergunta e relembra que os homens são basicamente responsáveis pela sociedade que agride e oprime, que manda pra guerra, que explora e transforma crianças em bandidos. Eles são maioria esmagadora nas cabeças dos governos, das empresas, na polícia, no exército, estão no controle de todas as vertentes que estão envolvidas na construção e manutenção da sociedade. Enquanto isso mulheres são estupradas por soldados da ONU em troca de água e comida, estupradas por soldados inimigos, mortas por ex-maridos que “não aceitaram o fim do relacionamento”, abusadas por estranhos nas ruas e tudo isso APENAS porque são mulheres. Existe uma diferença entre ser vítima de crimes comuns e vítima de crimes de gênero e de ódio. O homem que é assaltado não tem medo do assaltante do nada achar que é uma boa dar umazinha e mandar ele tirar a roupa. O que nos leva a próxima questão.

 Mas homem também é estuprado, Pollyanna.

É sim. Porque estupro não é sexo. Estupro é a forma hedionda de um homem mostrar pra uma mulher que tem poder sobre o corpo dela. É a forma grotesca de um homem mostrar pra outro homem que é mais poderoso que ele. É a forma que um homem tem de mostrar que é mais forte que sua vítima, que podem ser crianças, pessoas idosas ou incapazes de se defender devido a algum impedimento físico. Estupro não é sexo, estupro é demonstração de poder. O que me leva a próxima questão.

 Por que devemos pensar 2x antes de dizer que prostituição é escolha?

Porque é um engano achar que somos livres pra escolher qualquer coisa dentro do capitalismo que gera abismos sociais tão grandes entre nós. Quando eu penso em prostituição eu não penso nas modelos da novela da Globo ou na Bruna Surfistinha que era uma menina branca e rica que um dia resolveu fugir de casa porque brigou com papai e mamãe. Eu penso na mulher pobre e escravizada pela fome e pela necessidade de sustentar a si mesma e sua família que representa a maioria esmagadora das mulheres que se vendem nas esquinas. Penso na mulher que vende seu corpo em benefício dos homens e na menina ainda criança que se prostitui pra ajudar em casa ou forçada por sua família. Penso no homem que faz sexo com ela explorando seu corpo (o que eu considero estupro) e o homem que a explora na cafetinagem. No fim, é um homem que tira proveito do corpo daquela mulher. A prostituição pode ser uma exceção pra algumas mulheres mas é uma realidade dolorosa pra grande maioria. E se você que está lendo esse texto no seu smartphone caro ou com seu notebook no colo acha que a mulher que se prostitui poderia fazer qualquer outra coisa e que ela quis se prostituir porque era mais fácil, volte dez casas no seu feminismo e vá pro verbete EMPATIA. Aquela coisa bacana que faz você se colocar no lugar de alguém que não tem os mesmo privilégios que você e não vive na sua bolha.

 Pra ser feminista eu tenho que parar de fazer as unhas?

Pra ser feminista você não precisa ser nada além de alguém que consegue problematizar suas “escolhas”. Assim entre aspas porque não acredito em escolhas livres dentro da sociedade que te oprime pra se adequar o tempo todo. Todas as nossas escolhas são construídas socialmente e o mínimo que você pode fazer é pensar um pouco sobre o que te levou a achar que aquilo é “coisa de mulher” ou o certo a se fazer. Lembre-se que estamos o tempo todo reagindo ao nosso meio e que somos agentes de consumo. Não é errado pintar a unha, fazer dieta ou ser heterossexual se você souber que acha tudo isso normal porque foi normatizado pela sociedade e é o que ela espera de você. Errado é fechar os olhos pra problematização do porque nos comportamos de certa forma. Quebrar paradigmas tão antigos é uma longa jornada, externa e interna.

 Essas são as únicas questões que me importam?

Obviamente não. Se eu for escrever todas as questões que eu fico pensando sobre, não vai ter servidor que aguente o tamanho do meu texto. Mas acredito que as questões acima tem respostas nas entrelinhas que servem pra problematizar outras questões similares. A minha ideologia está dada e vocês podem concordar ou discordar. Mas lembrem que a sua experiência é só sua e ela não pauta a experiência do nosso grupo de mulheres como um todo. Somos várias e cada uma sofre opressão de um jeito. Mas antes de qualquer coisa lembre-se que feminismo é político e não é um produto. Não se deixe enganar por movimentos fofinhos que no final não mudam em nada nossa estrutura social e só mantem a mulher em papel secundário.

Não existe mudança real sem sacudir os pilares do sistema vigente. Lute.

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Ter amor próprio e autoestima, significa não querer mudar nada em você?

Por Nuta Vasconcellos / nuta@gwsmag.com

mulher com autoestima

Durante toda a minha infância e adolescência, eu nunca fui feliz com o meu corpo. Outro dia, arrumando minha caixa de recordações, encontrei um diário meu de 1995 em que eu escrevi: “Amanhã começo a dieta para ser igual a todas as minhas amigas”. Aquilo me deu um aperto no coração. Em 1995, eu tinha apenas 10 anos, muito nova para me sentir tão diferente de meninas de 10 anos como eu, muito nova para achar que eu precisava mudar para me encaixar.

Sempre fui mais alta que minhas amigas, mais gorda e a única calçando 39. Quando olhava para elas, abria as revistas ou assistia TV, eu nunca me via ali. Cresci “sabendo” que beleza, não era um dos meus atributos, afinal, tudo que representava beleza, eu não me via representada lá. A primeira vez que comecei uma dieta eu tinha apenas 10 anos de idade e desde então, durante toda a minha infância e adolescência isso foi uma constante na minha vida. Dietas, tentativas de me exercitar, engorda, emagrece, toma remédio… enfim, contei sobre isso no post “Nem gorda, nem magra“.

Durante todo esse processo eu ganhei estrias, celulites, flacidez, flacidez nos seios, flacidez nos braços…. Cada dia mais e mais longe do que a mídia me dizia que era bonito. Eu não me achava digna de sair nas fotos com as amigas, não me sentia digna de ir para a piscina, de usar as roupas que eu gostava. Eu não me achava digna de dar mole para o garoto que eu achava gato, não me sentia digna de dançar em público, de colocar um biquini. Veja bem, eu não me sentia DIGNA, o que é totalmente diferente de não sentir vontade. Eu sentia vontade de fazer tudo isso, eu sofria e tinha criado pra mim a regra que eu “não podia” porque não estava dentro do padrão das pessoas que eu via na TV e nas revistas. Eram essas pessoas, da TV e das revistas que usavam biquini, que namoravam, que se exibiam. Portanto, eu deveria me esconder. Quando você acha que não é digna, que tem que se esconder, você passa a se odiar. Odiar o fato de estar presa àquele corpo que não pode viver plenamente.

Eu fui crescendo, mudando meus valores, minhas referências, fui me tornando feminista, descobrindo toda a podridão que cerca a mídia e a indústria cosmética, que se alimenta da baixa autoestima para vender e fui percebendo que éramos todas bonitas. Cada uma com sua particularidade, pontos fortes, mas que ninguém era perfeito, nem mesmo aquelas modelos da capa da VOGUE. Foi um processo até perceber que sim, eu era digna de ser feliz. Que ter celulites, estrias e flacidez era normal e que outras garotas também tinham e se não tinham, com certeza tinham algo que não gostavam nelas também.

Percebi que nada disso era motivo para tortura, para sofrimento. E que meu corpo, era meu e que eu nunca viveria dentro de nenhum outro. Eu não podia odiá-lo. E que a minha vida, era minha, e que eu não poderia deixar ela passar e não viver. Então, de pouquinho e pouquinho, fui mudando meu comportamento e me sentindo livre para aproveitar as coisas que sempre quis. Comecei a reparar e valorizar mais as coisas que eu gostava em mim. Meus cabelos, minha boca, minhas pernas, minha personalidade. E que eu não era só as coisas que eu considerava “defeitos”, como meus braços, meus seios ou meus pés. Autoestima pra mim é isso. É saber que você tem seu valor, sua beleza e principalmente que o amor próprio é essencial para ter uma existência  saudável.

Mas isso significa que eu não quero mudar nada em mim? Se amar é essa ideia radical de que se você se submeter a qualquer procedimento, ou dieta não é exemplo de autoestima? De amor próprio?

Estou falando disso porque comecei a pensar sobre depois de sempre ver comentários do tipo: “Fulana não é exemplo de empoderamento, faz plásticas”, “sicrana não é exemplo de amor próprio, tá de dieta”. Mas pera aí. Eu amo incondicionalmente a minha mãe. Eu amo meu namorado, amo meus amigos. Mas se eu pudesse, mudaria várias coisas neles. Não esteticamente, o que quero dizer é que AMAR algo não significa achar que aquela coisa deve ser imutável.

Se amar, ter autoestima na minha opinião é saber que você é DIGNA. É saber que se você quiser mudar algo em você é porque VOCÊ deseja e não porque é o que a revista diz, ou porque seu namorado prefere você de cabelos compridos, ou sua mãe acha que você precisa de uma dieta. É ir malhar, não porque você odeia o seu corpo e quer mudá-lo, mas porque você o ama e sabe que se exercitar faz bem pra ele. Se amar, na minha opinião é saber que você até faria uma plástica nos seios, mas não significa que se você não fizer, não vai usar biquini ou ficar nua na frente do seu namorado, ou se olhar no espelho e se achar feia.

Eu quero mudar um monte de coisas em mim. Acho irreal e não humana a ideia de que um dia a gente possa estar 100% satisfeita com quem somos. Digo isso tanto fisicamente, quanto mentalmente, profissionalmente. A gente sempre tem o desejo de mudar algo, em algum campo, melhorar algo, aperfeiçoar. Isso é do ser humano, o que é maravilhoso! Afinal é por causa dessa insatisfação humana que evoluímos em tantos campos da tecnologia e ciência por exemplo.

aspas-autoestimaA Nuta de 10 anos queria mudar, a de hoje, também quer. A diferença é que a de hoje não quer para agradar ninguém, pra se encaixar em nenhum grupo, pra ser digna de nada. A Nuta de 10 anos de idade estava começando a se odiar, um sentimento que eu levei e alimentei durante muitos anos. A de hoje quer mudar porque se ama, porque acha que é digna. Hoje vejo que o corpo é meu e as regras são minhas, inclusive para mudanças. Hoje eu sei que vou me amar com as pessoas me classificando como gorda, como magra, como bonita, como feia… Vou viver do mesmo jeito, aproveitar a vida do mesmo jeito. Mas eu quero ser livre para me experimentar como EU quiser. E se eu quiser fazer dieta pra isso vou fazer, se eu quiser fazer plástica para isso vou fazer. E se eu não quiser, e sentir vontade de comer uma pizza inteira, eu vou comer e ninguém tem nada a ver com isso.

O que constrói uma mulher segura, com amor próprio não é o fato dela ter ou não plásticas, de ela fazer dieta ou não, dela fazer tratamento de celulites ou não. O que constrói uma mulher segura é o fato dela saber quem ela é e o que ELA quer. E continuar se amando, antes, durante e depois de qualquer processo. É saber que toda mudança que você deseja fazer, tem que ser fruto do amor próprio e não do ódio. Afinal, em qualquer peso, com qualquer pele, com qualquer cabelo, você é sempre, sempre digna.

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ELLE BRASIL A PRIMEIRA REVISTA NACIONAL A ENTENDER A NECESSIDADE DE MUDAR O JEITO DE FALAR DE MODA

Por Nuta Vasconcellos / nuta@gwsmag.com

Por: Dhyogo Oliveira e Nuta Vasconcellos

Desde que terminei a faculdade de moda, comprar revistas do segmento se tornou algo atípico pra mim, até o mês passado. A crise do editorial uniu-se à crise do mercado e o jornalismo de moda brasileiro virou politicagem. Publicidade disfarçada e marca bacana sem poder anunciar (por falta de verba), sem falar na “cagação” de regra que é inserida a cada 20 páginas de anúncios. “Você tem que ter isso”, “Você tem que se vestir com aquilo”, “Seja magra como a modelo fulana de tal” se tornou tão anos 90, que parecia mesmo que as revistas tinham parado no tempo. Os blogs surgiram e os múltiplos olhares sobre a moda nos faz enxergar os dois lados do assunto antes de tomarmos aquilo como verdade. Passei a encarar, então, as revistas de moda como instrumentos de trabalho e não mais um veículo pelo qual eu buscava informação, inspiração e conhecimento.

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(Magá Moura e Ju Romano)

Até que a Elle completou 27 anos no Brasil e decidiu, finalmente, mostrar que está atenta a esta mudança, não só de mercado mas, sobretudo, de comportamento. A mudança começou da capa. Um papel espelhado que refletia a imagem do leitor, sugeria que o mesmo devesse estar na própria capa, a chamada que virou hashtag #VocênaCapa.

E, se moda é feito de gente, feito de rua, feito de comportamento, nada mais justo. Quis ver de perto aquele burburinho que estavam fazendo nas redes sociais então comprei a publicação e me surpreendi: o recheio da revista estava coisa linda de se ver. Dentro da revista dava pra ver gente que consome moda: negros e brancos, gordos e magros, novos e velhos. Pela primeira vez no Brasil uma revista de moda decidiu libertar gente que, assim como eu, ama o assunto mas nunca se viu representado por nenhuma dessas publicações. A edição estava icônica e quem pensou que o motivo fosse o mês de aniversário, se enganou. A revista divulgou na última semana as três versões de capa para o mês de junho e mostrou que seu posicionamento continua firme ao escalar três mulheres “normais” para o shooting. O interior da revista conta com um manifesto em forma de editorial que, confesso, me deixou arrepiado. No anúncio de capa a mensagem “MODA SEM REGRAS” deixa claro que a Elle adotou um novo discurso e quem ganha com isso tudo, somos nós.

ellebrasil-junho2015-  NINA GRANDO do blog OVELHA

(Capa de Junho com Nina Grando)

É ótimo que, finalmente, uma publicação de grande nome como a Elle tenha analisado de verdade o que o consumidor de moda e o comportamento das pessoas em tempos de selfie querem dizer, uma coisa que muitos blogs, já tinham percebido. Queremos olhar para aquelas páginas e nos sentir representados. Queremos mostrar que a pirâmide que dá origem às tendências agora se inverteu. Moda não vem mais de passarela, de estilista ou de um seleto grupos de marcas de alta costura. Pode até vir, mas moda vem sobretudo, do street style, da personalidade de cada um, das relações humanas, do acesso às diferentes culturas, do comportamento e das diferenças entre as pessoas, de gente como eu e como você.

O GWS levanta a bandeira da autoestima, amor próprio e empoderamento feminino desde de 2009, quando eu me lembro bem, dar uma olhada nas revistas nas bancas e na maioria dos blogs, era desesperador. Hoje, 6 anos depois, esse assunto virou tema principal de quase todas as publicações online.O que é maravilhoso, mas poucos “nomes grandes” como a ELLE compraram essa briga de verdade. Esperamos apenas que não seja uma tendência e sim, uma mudança real dos padrões sociais e de beleza.

nuta-e-marie-na-capa

Não resistimos e também quisemos ser capa da Elle!

A ELLE está de parabéns por essa edição de maio histórica que prega do começo ao fim o amor próprio, mostrando que é possível sim fazer ótimas matérias, dar dicas de moda e beleza sem querer mudar alguém ou encaixar ela em um padrão. É isso que a gente quer nas bancas todo mês, esse deve ser o papel das revistas femininas! Que comece a revolução.

Esse post foi escrito pela Nuta Vasconcellos  e pelo Dhyogo Oliveira por compartilharem o mesmo sentimento. O post foi inspirado no post original Elle Brasil encontra nova maneira de falar de moda  postado no blog do Dhyogo, o “Sem geração” um blog incrível com conteúdo de qualidade e feito com amor. Visitem!

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