Slow Fashion: O que é essa nova forma de consumir moda?

Por Nuta Vasconcellos / nuta@gwsmag.com

Eu me lembro bem quando comecei a me interessar por moda. Eu era adolescente e estava naquela fase de decidir o que eu seria da vida. Eu estava mergulhada no universo da moda. Naquele tempo, as coisas não eram tão facilmente acessíveis como hoje e para acompanhar as tendências e desfiles era preciso ir na banca comprar Caras Modas e assinar Directv para ver semanas de moda. Faculdade de moda era novidade e ninguém entendia bem o que se estudava lá.

Nem o fast fashion era fast. Lembro de ver peças em desfiles internacionais que só chegavam nas araras das grandes redes 1 ano depois. Conhecimento do vocabulário de moda? Pra poucos! Lembro que em 2003 entrei na Ellus pedindo por uma calça Skinny e recebi um ponto de interrogação como resposta. Hoje, qualquer vendedora sabe bem o que é o modelo skinny, boyfriend e flare. A informação de moda está absurdamente acessível com a internet e seus milhões de sites e blogs especializados no assunto. O que está no desfile de uma grife internacional hoje, estará facilmente em poucas semanas na vitrine da sua fast fashion favorita.

Não existe mais só coleção de primavera/verão e outono/inverno. Agora também temos alto verão, pre-fall, resort e cruise. Isso tudo acontecendo em 1 ano. Semanas de moda? Já perdi as contas de quantas acontecem ao redor do mundo.

Claro, é muito legal poder comprar peças que grandes estilistas fizeram parceria com redes de fast fashion, ou ver um desfile em Milão hoje e achar uma peça inspired na semana seguinte no shopping do lado da sua casa, ou ter aquela saia linda por apenas 10 dólares. Mas será que não estamos consumindo moda rápido demais? E será que não tem nada mesmo de negativo em relação a isso?

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Eu parei para pensar e vi muita coisa. Das mais fúteis, às mais sérias, muita coisa está errada na forma que consumimos moda nos dias de hoje. Já reparou como de um dia para o outro ficamos uniformizados? Consumimos peças dos mesmos lugares, das mesmas referências. As pessoas que fabricam moda assistem as mesmas palestras do líder mundial de previsão de tendências. Já vem tudo mastigado. Não tem que criar nem se inspirar. Só produzir e vender, vender e vender.

Nós, consumidores, também não temos mais que criar nada nosso. O “seu estilo” já está lá, pronto para ser consumido na vitrine da sua loja favorita. É só fazer uma ronda pelos blogs de looks do dia ou passear pelos corredores de uma semana de moda para perceber que mesmo que super “”estilosas””, as pessoas parecem em sua maioria, uniformizadas. Com o tênis da vez, a calça do momento, o acessório da temporada. Mas pera aí, estilo não era algo para refletir sua personalidade?  Tudo aquilo que te torna única?

Vivemos em um tempo que a moda virou sinônimo de frustração. Hoje o legal é ser seapunk, amanhã (literalmente) é normcore e nada parece mais contraditório. E não me venha falar que você tem opção. Se saia midi godê estiver na moda, as chances de você encontrar uma saia lápis caem 80%. Se cropped é o modelo de blusa da vez, esquece, porque não vai achar aquela long que você adora. E os tamanhos e diferentes tipos de corpo? Esquece! Você tem que vestir de 36 até 46 se quer ser considerada digna de andar vestida. E a mesma calça tem que servir em você que tem 1,75 e na sua amiga com 1,58. E aí a frustração não é só fashion, bate na autoestima também. E a maior frustração de todas: A coisa muda tão rápido, que enjoamos de tudo do nosso armário em uma velocidade absurda e nunca conseguimos ter o suficiente. A indústria da moda está produzindo 52 “micro-estações” por ano. Com as novas tendências que saem a cada semana, o objetivo do fast fashion é para que os consumidores comprem tantas roupas quanto possível, o mais rápido possível.

Se a essa altura do texto você também já acha que tempos os motivos suficientes para desacelerar, imagina se eu te falar que esses são os motivos mais fúteis? Não adianta mais tapar o sol com a peneira, gente. A forma que consumimos moda está fazendo mal ao nosso planeta, a nossa saúde física e mental e destruindo vidas de seres humanos e animais.

Atualmente, a indústria da moda usa um fluxo constante de recursos naturais para produzir peças de vestuário fast fashion. No modo de funcionamento, esta indústria está constantemente contribuindo para o esgotamento dos combustíveis fósseis utilizados, por exemplo, na indústria têxtil, vestuário, produção e transporte. Reservatórios de água doce também estão sendo cada vez mais reduzidos para a irrigação do algodão nas safras. A indústria da moda também está lançando de forma sistemática, e em quantidades cada vez maiores, compostos artificiais como pesticidas e fibras sintéticas, o que aumenta a sua persistente presença na natureza. Alguns recursos naturais estão em perigo e as florestas e os ecossistemas estão sendo destruídos por coisas como a produção de fibras, levando a problemas como secas, desertificação e alterações climáticas. Isso sem falar no mais grave de tudo, o trabalho escravo. Você realmente acha sua bolsa baratex do site chinês é mais importante que a vida de uma pessoa? Acredite, tem alguma coisa muito errada e nada democrática no princípio de comprar roupas por preços irrealistas. Um salário digno é um direito humano e nós, consumidores temos que ter consciência do poder em nossas mãos. Nós estaremos no caminho certo somente quando olharmos para um vestido novo de U$8 como um alerta vermelho e não como uma boa pechincha.

A indústria mainstream da moda depende de produção globalizada, onde roupas são produzidas a partir da fase de concepção para o varejo em apenas algumas semanas. Com os varejistas que vendem as últimas tendências da moda a preços muito baixos, os consumidores são facilmente seduzidos a comprar mais do que realmente  precisam.

Então o que podemos fazer para mudar essa realidade? O movimento Slow Fashion, ou moda lenta pode ser a solução. Na contramão da produção de roupas massivas e de baixa qualidade, o slow Fashion defende a criação de peças atemporais, feitas à mão, com tecidos naturais e duráveis além da produção em baixa escala e em locais que funcionam mais como ateliês do que como indústrias. Aqui no Brasil, uma das marcas que já trabalha esse conceito é a paulista Honey Pie.

O slow fashion acredita  na reutilização das peças, de compras em brechó, em peças feitas na costureira e no escambo e compartilhamento entre amigos e familiares da mesma peça. E eu pessoalmente acredito que essa é a forma mais fácil de praticar slow fashion.

Por que vamos ser realistas? Na vida prática ainda é muito difícil viver sem as facilidades que o fast fashion apresenta. Nosso salário nem sempre é compatível com a vontade de comprar peças de ateliês, a facilidade de parcelamento das grandes redes também ajuda e a lista de “vantagens” não tem fim. Mas quando a gente acredita em uma coisa, temos que fazer ela acontecer.

Por a gente acreditar tanto nisso, sentirmos vontade de fazer alguma diferença no mundo. E foi assim, conversando sobre consumo consciente que tivemos a ideia de fazer um evento com essa proposta. Quantas peças até sem uso que você comprou em alguma fast fashion está aí, parada no seu armário? Ou com certeza você também tem uma calça jeans que você amava, mas não te serve mais. E tem um monte de gente como você, inclusive, eu. No dia 07/12/14 (anotem aí na agenda de vocês), o GWS vai fazer um evento em Botafogo, Rio de Janeiro, misturando tudo que a gente acredita: Consumo consciente e autoestima. Amanhã vamos falar mais sobre isso aqui e nas nossas redes sociais, então, fiquem ligadas.

Por enquanto eu espero que vocês tenham captado a ideia. Se você se tornar mais consciente na hora de consumir, com certeza irá refletir de alguma forma nas indústrias. Se o desinteresse por esse consumismo exacerbado for cada vez mais aparente, uma hora a indústria acabará se adaptando aos novos perfis de consumidores. Seja a mudança que você espera do mundo.

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Rosa: O tom da vez! Saiba as grifes que apostaram nas últimas semanas de moda

Por Nuta Vasconcellos / nuta@gwsmag.com

rosa

Em quase todos os desfiles da semana de moda de Paris, Milão e Londres que aconteceram semana passada lá estava o rosa. No mesmo mês, duas capas, das revistas NYLON e Wonderland também deram destaque a cor. Taylor Swift investiu em um look com cropped e saia rodadinha todo “rosa Barbie” para sua performance no I heart radio music festival que rolou no dia 21/09.

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Falando em “rosa Barbie” nem precisamos falar da Mochino né? A grife que tem sua coleção assinada por um dos estilistas que eu considero mais antenados com o que ainda está por vir, Jeremy Scott, fez seu último desfile, na semana de moda de Milão a coleção verão 2015 toda inspirada no universo da boneca e com isso é claro: muito rosa! Eu mesma que sou mais fã de cores como preto e cinza, cismei mês passado que queria um body cor de rosa. (Achei, obrigada Leader)

Essa cor quente intermediária entre o magenta e vermelho foi a cor que a sociedade elegeu para determinar e caracterizar elementos específicos das meninas. Claro que a gente não concorda que gênero tem cor, mas analisando a coisa socialmente, eu como feminista tentando ver o lado bom das coisas, prefiro ler essa onda pink como um momento para celebrar a força feminina. Uma forma de mostrar que mais do que nunca, o Girl Power está em alta!

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Meias de corrida em looks nada esportivos

Por Nuta Vasconcellos / nuta@gwsmag.com

Os elementos dos esportes sempre forçam a barra pra entrar no mundo fashion, já repararam? Aqui no GWS já falamos sobre várias como por exemplo a basketball shirt e uma das mais fortes que rolou ano passado, o tênis de corrida usado em looks urbanos.

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O sport chic é uma proposta que acredita que o esportivo pode ser chique e pra fazer funcionar vale misturar elementos que originalmente seriam contraditórios. Nessa onda, até o que você menos espera aparece em editorial de moda, como por exemplo, as meias de corrida da Nike. Meias com sandália no geral, muito populares nos anos 90, estão fazendo um come back na moda, mas as aparições constantes da meia de corrida da Nike com looks de status fashion começaram a chamar minha atenção. E como eu mato a cobra e mostro o pau, recolhi vários editoriais, street style e até senhorita Lorde passeando por aí com a sua.

Parece que a tendência começou com as Harajuku Girls no Japão, mas logo se espalhou.  Geralmente elas são usadas com sandálias mais pesadas com um visual mais moderno, flatforms, plataformas e também tênis, mas encontrei alguns looks com sandálias de tiras bem delicadas em contraste. Sei que é ousado, mas acho que alguns looks podem ficar bem interessantes! Gosto da atitude “rebelde” que esse tipo de mistura tem.

E vocês? Gostam? Usariam? Quero saber as opiniões!

 

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Monstros e lagartos… são tendência?

Por Nuta Vasconcellos / nuta@gwsmag.com

Sou do tipo que gosta de reparar nas entrelinhas das tendências e às vezes pescar uma observação muito pessoal. E foi nesse esquema que fui reparando aqui, reparando acolá, que alguns desfiles, vestidos e até imagens aleatórias que eu encontrava pelo tumblr da vida tem uma pegada de monstros, seres marinhos inventados pela mente humana, lagartos e até uma pitada de alienígenas.

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Fui reunindo tudo em uma pastinha no meu computador e agora acho que reuni provas suficientes de que sim! Pode ser uma micro, micro tendência, mas que tecidos verdes ultra justos com cara de “pele” de répteis escamados estão por toda parte, estão. Isso e mais um monte de elementos que remetem a essa estética. A primeira pessoa que tenho recordação de apostar nesse clima  foi a cantora Florence Welch quando usou, em 2013, na cerimônia do Grammy um vestido Givenchy verde com aparência de pele de réptil com direito até a espinhos.

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Depois disso, Jeremy Scott foi literal e deixou bem clara sua inspiração nesses seres na sua coleção de primavera/verão 2014. De forma bem mais sutil, mas também evidente, duas grifes – Oscar De La Renta e THE BLONDS – mostram inspiração do tema nas passarelas da NYFW, assim como Lady Gaga que também usa um look meio lagarto no clipe de Applause. Até as bonecas febre do momento, Moster High ganharam versão “swamp monster”. Falando em monstro marinho, a grife americana House of Cards, fez uma coleção toda inspirada no tema para o verão 2014.

Toda essa tendência me lembra os monstros marinhos clássicos do desenhos do Aquaman e também filmes e seriados “toscos” estilo “O Monstro da Lagoa Negra”, bem lado B , sabem?

Vocês gostam da estética? Usariam algo nessa vibe?

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