Tire aqui, suas dúvidas básicas sobre o feminismo.

Por Girls With Style / gws@gwsmag.com

 

Por Pollyana Assumpção:

I-am-a-feminist

Circula por ae uns textos escritos por homens sobre questões básicas sobre feminismo que sempre me incomodaram justamente porque são escritos por: homens. Se eu tivesse que responder perguntas ou desfazer mitos sobre o movimento, o que eu poderia falar?

Elaborei então alguns temas sobre o assunto e pretendo resolvê-los da forma que acho mais condizente com a minha ideologia e da forma mais simples do mundo. Todas são convidadas pra acrescentar pontos ou discutir discordâncias.

 O que é feminismo?

Feminismo é a ideia fantástica de que homens e mulheres devem ter os mesmos direitos. Percebam bem: mesmos direitos. Não significa que somos iguais. Ser igual é estar tendo nosso comportamento pautado pelo patriarcado. Ser igual aos homens é estar sob as regras que eles mesmos aplicam em suas vidas. No caso de homens e mulheres acredito que o melhor termo seria equidade. Equidade é quando dois grupos diferentes que tem valores diferentes, tem suportes diferentes para que ambos atinjam o mesmo objetivo. É tratar duas situações diferentes com justiça visando a igualdade. Querer igualdade sem mudar o sistema que vivemos é pensar como aqueles idiotas que falam “mimimi mulher não vai pra guerra, mulher não serve o exército, mulher não constrói muro”. Primeiro que mulher pode fazer tudo isso, e se vocês homens fizeram tudo isso pras vidas de vocês, lutem pelo fim do que vocês acreditam ser exploração e não encham nosso saco. Só é possível pensar em igualdade quando a sociedade não for criada em cima de um sistema que explora e oprime.

E homem feminista?

Homens não sabem o que é ser mulher e ponto final. Feminismo é papo de garota, é dividir experiência, é falar sobre si, seus medos, seu corpo, seus objetivos e sua luta. O máximo que homem vai conseguir falar sobre feminismo é uma opinião, um punhado de achismo, um livro de cagação de regras e eu já escrevi aqui antes sobre qual deve ser o papel dos rapazes no feminismo. Um homem nunca vai poder contar uma história de vida onde ele tenha sofrido algum tipo de violência por causa do seu gênero. Vai ter gente que vai dizer “mimimi mas homens são matematicamente as maiores vítimas de violência”. Nesse momento a gente volta ali pra primeira pergunta e relembra que os homens são basicamente responsáveis pela sociedade que agride e oprime, que manda pra guerra, que explora e transforma crianças em bandidos. Eles são maioria esmagadora nas cabeças dos governos, das empresas, na polícia, no exército, estão no controle de todas as vertentes que estão envolvidas na construção e manutenção da sociedade. Enquanto isso mulheres são estupradas por soldados da ONU em troca de água e comida, estupradas por soldados inimigos, mortas por ex-maridos que “não aceitaram o fim do relacionamento”, abusadas por estranhos nas ruas e tudo isso APENAS porque são mulheres. Existe uma diferença entre ser vítima de crimes comuns e vítima de crimes de gênero e de ódio. O homem que é assaltado não tem medo do assaltante do nada achar que é uma boa dar umazinha e mandar ele tirar a roupa. O que nos leva a próxima questão.

 Mas homem também é estuprado, Pollyanna.

É sim. Porque estupro não é sexo. Estupro é a forma hedionda de um homem mostrar pra uma mulher que tem poder sobre o corpo dela. É a forma grotesca de um homem mostrar pra outro homem que é mais poderoso que ele. É a forma que um homem tem de mostrar que é mais forte que sua vítima, que podem ser crianças, pessoas idosas ou incapazes de se defender devido a algum impedimento físico. Estupro não é sexo, estupro é demonstração de poder. O que me leva a próxima questão.

 Por que devemos pensar 2x antes de dizer que prostituição é escolha?

Porque é um engano achar que somos livres pra escolher qualquer coisa dentro do capitalismo que gera abismos sociais tão grandes entre nós. Quando eu penso em prostituição eu não penso nas modelos da novela da Globo ou na Bruna Surfistinha que era uma menina branca e rica que um dia resolveu fugir de casa porque brigou com papai e mamãe. Eu penso na mulher pobre e escravizada pela fome e pela necessidade de sustentar a si mesma e sua família que representa a maioria esmagadora das mulheres que se vendem nas esquinas. Penso na mulher que vende seu corpo em benefício dos homens e na menina ainda criança que se prostitui pra ajudar em casa ou forçada por sua família. Penso no homem que faz sexo com ela explorando seu corpo (o que eu considero estupro) e o homem que a explora na cafetinagem. No fim, é um homem que tira proveito do corpo daquela mulher. A prostituição pode ser uma exceção pra algumas mulheres mas é uma realidade dolorosa pra grande maioria. E se você que está lendo esse texto no seu smartphone caro ou com seu notebook no colo acha que a mulher que se prostitui poderia fazer qualquer outra coisa e que ela quis se prostituir porque era mais fácil, volte dez casas no seu feminismo e vá pro verbete EMPATIA. Aquela coisa bacana que faz você se colocar no lugar de alguém que não tem os mesmo privilégios que você e não vive na sua bolha.

 Pra ser feminista eu tenho que parar de fazer as unhas?

Pra ser feminista você não precisa ser nada além de alguém que consegue problematizar suas “escolhas”. Assim entre aspas porque não acredito em escolhas livres dentro da sociedade que te oprime pra se adequar o tempo todo. Todas as nossas escolhas são construídas socialmente e o mínimo que você pode fazer é pensar um pouco sobre o que te levou a achar que aquilo é “coisa de mulher” ou o certo a se fazer. Lembre-se que estamos o tempo todo reagindo ao nosso meio e que somos agentes de consumo. Não é errado pintar a unha, fazer dieta ou ser heterossexual se você souber que acha tudo isso normal porque foi normatizado pela sociedade e é o que ela espera de você. Errado é fechar os olhos pra problematização do porque nos comportamos de certa forma. Quebrar paradigmas tão antigos é uma longa jornada, externa e interna.

 Essas são as únicas questões que me importam?

Obviamente não. Se eu for escrever todas as questões que eu fico pensando sobre, não vai ter servidor que aguente o tamanho do meu texto. Mas acredito que as questões acima tem respostas nas entrelinhas que servem pra problematizar outras questões similares. A minha ideologia está dada e vocês podem concordar ou discordar. Mas lembrem que a sua experiência é só sua e ela não pauta a experiência do nosso grupo de mulheres como um todo. Somos várias e cada uma sofre opressão de um jeito. Mas antes de qualquer coisa lembre-se que feminismo é político e não é um produto. Não se deixe enganar por movimentos fofinhos que no final não mudam em nada nossa estrutura social e só mantem a mulher em papel secundário.

Não existe mudança real sem sacudir os pilares do sistema vigente. Lute.

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