Toda nudez será castigada? Um apelo pela desmistificação do corpo nu

Por Girls With Style / gws@gwsmag.com

Por: Isa Freire

Barbara Gondar

[❤ ilustra da super talentosa, Barbara Gondar ❤]

O desejo de escrever esse post veio de uma conversa que eu estava tendo com a Nuta sobre as pessoas chocadas com o desfile de Rick Owens, na semana de moda de Paris, aonde modelos desfilaram com o pênis a mostra. Comentários do tipo “Aonde esse mundo vai parar”, “É um absurdo essa vulgarização do corpo”,  foram feitos e na verdade, eles que me chocam. Estive pensando numa forma de falar sobre nudez sem parecer polêmica, louca e do contra e percebi que a única forma de conseguir isso era sendo natural. Natural como a nudez é.

Nunca na minha vida tive problema com nudez, nem a minha, tampouco a dos outros. Lembro que no colégio, depois da aula de natação, até o C.A. nos trocávamos todos juntos na mesma sala, a partir do C.A. começamos a nos trocar no banheiro, meninas em um e meninos do outro (o que obviamente atiçava a curiosidade de todo mundo… peraí, até ontem eu podia ver todos esses moleques pelados e agora não mais, será que nasceu um chifre colorido na barriga deles? será que o pinto deles agora fala?). Entendo a atitude do colégio, baseada nas nossas regras sociais, o que eu não entendo são essas regras sociais mesmo. Acho que se tivéssemos continuado na mesma sala, todos trocando de roupa juntos, talvez tivesse sido mais fácil para algumas das pessoas lidar com pessoas peladas, ou sexo, ou o outro sexo.

Quando digo que nunca tive problemas com minha nudez, não quero dizer que sempre amei meu corpo.. por exemplo, aos 13 anos eu tinha pavor de uma dobrinha que tenho debaixo da bunda (que hoje em dia eu nem sei mais se existe) e ficava de short na praia. O que quero dizer, é que eu seria a primeira pessoa a assinar um abaixo assinado implorando pela legalização do topless nas praias (e nas ruas… e no shopping). Às vezes me pergunto se só eu que acho absurdo que nesse calor infernal, do qual TODOS reclamam o dia inteiro, não seja permitido entrar no shopping de biquíni. SINCERAMENTE, minha gente.

Malditos sejam os portugueses que mandaram suas caravelas pra cá com aquela gente cheia de camadas e mais camadas de roupas e colonizaram os índios, que conheciam muito bem nosso clima e sabiam que o look do dia aqui no verão, não deveria passar de uma tanguinha e pinturas corporais. Garanto que seríamos muito mais felizes se tivéssemos continuado a seguir esse street style e não a moda (e a cultura toda) importada da Europa que copiamos até hoje. Quando foi que passamos a ver nossos corpos como máquinas sexuais? Que devem ser cobertas, escondidas, para não causar desejos incontroláveis? Por que o corpo humano ofende tanto?

aspas2Mas tudo bem… Eu aceito… Usemos roupas. Só não queiram fingir que as roupas nasceram junto com a humanidade. Que é anormal estar sem roupa. Que valor é esse que as pessoas atribuíram à nudez? Por trás do biquíni todas temos mamilo e uma linha entre as duas nádegas (porque né, mostrar o resto do peito e da bunda não tem problema). Alguns de nós tem pênis e outros temos vaginas, tem gente que tem até os dois e é ISSO, nada diferente disso.

E pra terminar, só me resta desejar boa sorte pra quem acha que esse mundo em que as crianças têm o primeiro contato com gente pelada em variações de playboy e filmes pornô (ou seja, paus sempre duros, com 50cm, mamilos rosas, peitos de silicone e corpos desprovidos de pelo) e que uma foto sua nua pode vazar na internet e acabar com sua vida em 10 minutos, é um mundo legal de se viver.

Depois de argumentar louca e freneticamente, fica aí meu apelo por mais gente normal pelada na rua, na TV, nos desfiles, no cinema e ONDE QUER QUE SEJA. Um apelo pela desmistificação da nudez.

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