Um caso com Chuck Palahniuk

Por Girls With Style / gws@gwsmag.com

Post enviado por Isa Freire:

 

Como chamar os relacionamentos imaginários que você (ou no caso, eu) tem com seus autores preferidos? Eu prefiro chamar de affairs, sou dessas. Já tive meu affair com Gabriel Garcia Marquez, Milan Kundera, Chuck Palahniuk, um breve affair com Bukovski, Salinger e John Fante e recentemente Dostoievski e Shakespeare. Sim, sim, sou praticamente uma meretriz da literatura, me perdoem. Ou não. E reparem, nesse caso não sou muito bi-curious. Talvez seja porque as mulheres são mais parecidas comigo e não me trazem tantas novidades ou porque fico com ciúmes delas. Não sei, só sei que meus relacionamentos fluíram melhor com os meninos. Vou falar de todos eles por aqui. E vou começar pelo mais escrachado e escatológico, por aquele que a gente tem medo de amar.

Na vida real, ele seria aquele namorado que a sua mãe odeia, que usa drogas, que te bate, que já tomou um tiro, que te abraçaria e diria “gata, vamos comprar umas metralhadoras e sair matando todo mundo?”, enfim.. vocês entenderam, né? Antes de continuar a falar dele, vou apresentá-lo: Chuck Palahniuk, mais conhecido como o cara que escreveu o Clube da Luta. Não tô aqui falando dele como pessoa (ele é agrônomo e usa jardineira, ou seja, fofo), tô falando dele como escritor. E que escritor. Um cara que fala um monte de coisa que você pensa, mas JAMAIS teria coragem de pronunciar, eu repito, jamais. Ler os livros dele é angustiante, às vezes dolorido, às vezes nojento, mas no final, ao virar a última página você tem aquela sensação de “sou uma pessoa nova, o que eu aprendi aqui me mudou”. Tem livro melhor que esses?

Dele, recomendo pra vocês, um dos meus livros preferidos: O Sobrevivente. Leiam o primeiro capítulo e eu garanto que vocês vão se apaixonar. Depois desse, pra quem gostar: Assombro. Uma compilação de pessoas bizarras, contando seus casos, um mais esquisito que o outro que os levou a participar de um tipo de reality show daqueles em que luta-se pela sobrevivência, de verdade. De todos os livros do Chuck, dois já foram transformados em filme: Clube da Luta (que eu espero que todas vocês já tenham assistido, mas quem nunca assistiu, aproveita pra ler o livro antes #souchata) e Choke que foi traduzido como No Sufoco. Confesso que só gostei do segundo porque era uma adaptação de um livro que eu tinha gostado muito, mas o filme não é lá muito bom. O Sobrevivente, é a história de um cara contando sua vida de trás pra frente (o livro começa no capítulo 50 e vai até o 1 mas não é tão complicado de ler quanto parece) e está se suicidando dentro um avião (sozinho). Estava para ser produzido mas aí, 11 de setembro e bom… adeus O Sobrevivente versão cinematográfica.

Já li mais alguns livros dele: Diário, Monstros Invisíveis, Canção de Ninar e apesar de nosso affair já ter acabado, pretendo reviver nossos meses de romance pelo menos mais uma vez, ou duas, fiquei com saudades. Ele me mudou, ele me ensinou o quanto é legal ser louco, amassar a sua sanidade que nem uma bolinha de papel e jogar ela no lixo. Ensinou que o que os outros vão pensar, não importa. Todo mundo tem suas histórias bizarras, ADORE as suas. É legal ser diferente, é legal ter problemas, é legar fazer maluquices. Você não acha? Lê um livro desses e responde pra mim de novo depois.

assinatura-Isa

 

 

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