Vamos falar sobre o comercial do Boticário.

Por Girls With Style / gws@gwsmag.com

Por: Marília Lamas

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Eu cresci assistindo a propagandas baseadas em preconceitos, estereótipos e em ideias nocivas ao desenvolvimento de uma sociedade igualitária e justa. Várias marcas de cerveja já retraram a mulher como objeto sexual masculino em seus anúncios. A Itaipava fez isso recentemente, com a campanha “Vem, verão”. Uma mulher em trajes mínimos desfila pra lá e pra cá servindo a bebida a homens em um bar, enquanto eles olham pra ela com malícia. No fim, a garçonete diz ao dono do bar: “Vai vender tudo”. Homens bebem, se divertem e afirmam sua sexualidade; a mulher serve a bebida e tem seu corpo objetificado e usado como chamariz para vendas.

Na época da Copa do Mundo de 2014, a mesma marca veiculou um comercial que mostrava alguns homens reunidos vendo um jogo na casa de um amigo. Não podia falar palavrão, senão a mulher do anfitrião, que não estava assistindo ao jogo, brigava. Os homens eram descontraídos, engraçados; a mulher era pudica, chata, reclamona.

São só dois exemplos, mas eu poderia citar muitos outros. Propagandas de cerveja têm um péssimo histórico quanto à representação feminina.

E as marcas de produtos de limpeza e culinária? “Panex: uma nova geração de panelas para uma nova geração de mulheres”, “Bombril: os produtos que evoluíram com as mulheres”. Insistindo em associar o universo dos cuidados domésticos exclusivamente à mulher, essas marcas contribuem com a manutenção do maior complicador da vida da mulher contemporânea: a dupla jornada de trabalho. Garantimos nosso acesso ao mercado trabalho, outrora dominado exclusivamente pelos homens, mas não houve o movimento contrário: os homens avançaram muito pouco em direção ao universo doméstico, aos cuidados com a casa. Não há, ainda, um equilíbrio, e a mulher que trabalha fora permanece sobrecarregada de maneira desleal. Esses slogans prestam, portanto, um desserviço à construção da igualdade de gêneros.

Atualmente está no ar na TV uma propaganda do novo smartphone Positivo Octa. Coberto por joias e sentado em um trono no que parece ser uma noitada, o funkeiro MC Guimê, representante do chamado funk ostentação, anuncia as incríveis qualidades do celular e promete: “As gatinhas vêm pra cima”. Claro, mulheres adoram homens que usam celulares caros. O slogan? “Positivo Octa: isso sim é ostentação”. Ostentação agora é um valor positivo, Positivo?

Podemos ser piores, mais vazios que isso? Acho que não (ou melhor, espero que não cavemos mais fundo nesse poço de futilidade, preconceito e mediocridade). Mas nada disso, meus amigos, incomodou a tradicional família brasileira. Não houve boicote à Itaipava, ao Bombril, à Panex, nem há qualquer movimento de repúdio ao Positivo Octa. E quando as mulheres se manifestam contra o caráter ofensivo de algum anúncio desse tipo, são chamadas de mal-amadas, malcomidas, frustradas.

O curioso é que essa tradicional família brasileira, apoiada e liderada por um pastor evangélico, agora propõe um boicote à marca O Boticário. Sim! O mesmo grupo que rejeita a chamada “patrulha do politicamente correto” se incomodou com uma campanha de Dia dos Namorados que mostra casais hétero e homossexuais se abraçando. Os abraços incomodaram, vejam só! A mensagem da campanha é simples e deveria ser unanimidade: “Consideramos justa toda forma de amor”. Mas o amor incomodou.

Diante disso, fica a pergunta: quem é mesmo patrulheiro, mal-amado, malcomido e frustrado aqui?

Vai amar, gente. Eu, hein.

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