A viagem que mudou a minha vida Capitulo II – Mochilão pela Europa: De 1 mês em Milão a 3 em Londres

Por Carol Guido / carol@gwsmag.com

Recapitulando: No último post capítulo contei para vocês que em 2007 fui passar um mês em Milão, que de uma hora para outra decidi esticar a viagem para estudar em Londres e que eu não tinha um puto para fazer isso.

Agora vou continuar esta série, contando como a ida para Londres me mostrou que sou muito mais corajosa do que sempre imaginei e vou começar a fazer juz ao título deste livro: A Viagem que mudou a minha vida.

Ready?

Depois de ver os valores dos cursos, não mais em euros, agora em libras (ouch), fiquei me sentindo muito culpada de pedir o que realmente precisava para os meus pais.

Seriam três meses de curso em Londres, com aulas todas as tardes, de segunda a sexta. Eu precisaria de grana para o básico: aluguel de um quarto, passagens de metrô e alimentação (só cozinhando em casa). Sem compras, só com passeios gratuitos.

Pensei assim: vou pedir o dinheiro das aulas para os meus pais e tento me virar para me manter lá. Com o que eu ainda não tinha gastado do que levei do Brasil para o mochilão, dava para ficar um mês (morando no suburbio e fazendo muita economia). Para os dois restantes eu teria que arrumar bicos.

E aí fui eu mais uma vez falar com meus pais, via Skype, desta ideia maluca. Não contei os detalhes (sobre o quão apertado o orçamento era). Eu sabia que se falasse, eles me ajudariam, mas eu não podia pedir uma grana que sabia que ia fazer tanta diferença no orçamento. Ainda mais já estando lá, dando pouca brecha para eles recusarem. Eu precisava fazer isso por mim mesma. Se eu tive essa ideia dentro destas condições e achava totalmente possível, precisava colocar o meu próprio plano a prova.

Não me lembro muito bem como foram as conversas. Só sei que eles toparam. Pagamos o curso e da minha parte só faltavam as passagens e o lugar para ficar. Foi aí que tudo começou a degringolar.

Enquanto isso, os passeios por Milão…

Próxima parada: A preparação da viagem para Londres

Abril

O namoro mais fofo do mundo virou um inferno. A gente não conseguia se entender, vivíamos brigando e ele decidiu que não ia poder ir pra Londres comigo naquele momento.

E assim, quase de um dia para o outro, percebi que estaria indo para o Reino Unido sozinha em poucas semanas, sem dinheiro, sem ninguém.

Segura essa.

Mas mesmo do outro lado do oceano, eu sabia que poderia contar com a minha família e amigos se algo apertasse. Então fui em frente e comecei a busca de um lugar barato para morar.

Nos sites tipo classificados eu não encontrava nada no preço ou encontrava, mas não tinha nenhuma referência positiva. Até que o namorado-mais-prá-lá-do-que-prá-cá fala:

– Carol, toma aqui este telefone de um amigo que fiz num festival de música eletrônica. Ele mora em Londres e aluga uns quartos para brasileiros. O nome dele é Léo.

(sei lá, não lembro o nome do cara, to inventando para facilitar)

Aí fui ligar pro tal do Léo.

– Oi Léo, aqui é a Carol, sou namorada do fulano, que mora em Milão, vocês se conheceram ano passado no XXXIsrael (inventei este também, óbvio). Tudo bem?

– Oi Carol! Tudo! E aí, o que você manda?

– Então cara, tô indo pra Londres daqui a 15 dias e tô procurando um quarto pra alugar em torno de 100 pounds por semana. Você tem?

– Pô Carol, eu não alugo mais quartos. Mas conheço um outro brasileiro que aluga. Ele de repente te ajuda. O nome dele é Márcio (inventei), anotaí o telefone.

OK. Liguei pro Márcio.

– Oi Márcio, meu nome é Carol, peguei seu telefone com o Léo, ele é amigo do meu namorado, tudo bem?

– Oi Carol. Tudo! Que Léo?

– Ah, ele alugava uns quartos pra brasileiros, mas me falou que não aluga mais, aí me deu os seus contatos.

– AHHHHH sim. Claro! Falaí.

– Então cara, tô indo pra Londres daqui a 15 dias e tô procurando um quarto pra alugar em torno de 100 pounds por semana. Você tem?

– Pô, no momento eu tô sem nenhum, mas posso ver pra você. Me liga daqui a uma semana que eu te falo se consegui e tal.

– AH tá bom, beleza. Obrigada. Beijo!

– Beijos!


Depois de uma semana

– Oi Márcio, aqui é a Carol, conhecida do Léo, tudo bem?

– Leó? Ah! Oi Carol. Pô cara, ainda não consegui seu quarto. Pode me ligar daqui uns 5 dias?

– Sabe o que é Márcio, tô com a passagem comprada pra daqui a 7 dias, fico meio tensa. E não conheço mais ninguém que alugue por esse preço, será que você não consegue nada mesmo?

– Sei como são estas coisas, mas eu não tenho nenhum quarto agora. Mas fica tranquila, se a gente não conseguir nada pra você, você vem e fica na sala daqui de casa alguns dias até arrumar algo. Tem vários brasileiros que moram aqui comigo, você vai curtir. Me liga de novo em 5 dias, tá?

– Errrr. tá. Beijo, obrigada!

– Nada!


Dois dias antes da viagem

– Oi Márcio, é a Carol, conseguiu algo pra mim?

– Cara, não tem nada por enquanto. Estou vendo com outro brasileiro, mas ele ainda não me deu a resposta. Mas faz assim: vem e me liga do aeroporto. Te dou as coordenadas de como chegar aqui. Aí te pego na estação do metrô e você vem aqui pra casa. Fica na sala por uns dias. É tranquilo.

– Errr… OK. Cara, só tenho você aí. Vou totalmente aleatória. Não vai me deixar na mão.

– Fica tranquila! Todo mundo que vem pra Londres passa por isso. Eu vou fazer por você o que fizeram por mim quando eu vim. Vem e me liga. Estou te esperando.

– Beleza. Você pode me dar o endereço da casa que você mora ou de algum amigo seu, só pra eu poder passar para a imigração?

– Pois é Carol, até te dou para você ter como segurança, mas você não pode passar para a imigração. Sabe, é um assunto tenso, tem vários brasileiros que estão em Londres ilegalmente. Não podemos correr o risco.

– Errr… Entendo. Tá bom, obrigada. Até depois de amanhã.

– Até!

Eu fui sem o endereço que ia ficar. Eu não conhecia o cara, não tinha dinheiro, estava brigada com o namorado e apavorada.

Não me perguntem como eu posso ter feito uma loucura destas. Nem eu sei. Sabe aquelas situações que a gente vê acontecendo nas novelas e fala: “Ninguém faz isso! Novela é uma porcaria mesmo”. Então. Eu sou a prova viva de que as pessoas fazem loucuras sim.

Acho que estava tão empenhada em testar meus limites, seguir em frente com o máximo de independência que já tinha tido na vida, que fui. Mas eu não fui tão boba. Sabia que a imigração ia me barrar nestas condições (sem lugar, sem dinheiro, sendo brasileira, jovem e mulher). Então eu bolei um plano.

Mas só vou contar no próximo capítulo… Até quarta que vem!

– Capítulo 1

– Capítulo 3

– Capítulo 4

– Capítulo 5

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