Bordado: Como uma arte que parecia ultrapassada virou simbolo do feminismo atual

Por Nuta Vasconcellos / nuta@gwsmag.com

Esqueça tudo que você pensa sobre bordado. Essa técnica artesanal considerada coisa de vovó, que um dia foi apenas decorativa, com florzinhas, animaizinhos e dias da semana (quem nunca viu um pano de prato bordado terça-feira?) hoje está sendo uma das formas artísticas de expressar o feminismo, servindo como verdadeiro instrumento de debates para questões super atuais como a sexualidade feminina, a cobrança da beleza e a posição da mulher na sociedade.

bordado-riot

O novo bordado, que está sendo chamado de bordado feminista ou bordado riot é uma nova forma também de empoderar mulheres, porque tentam abordar temas como masturbação, tipos diferentes de corpos, sexualidade, questões de gênero, liberdade e autoestima feminina. O bordado também é uma forma de expressar a criatividade e a comunicação e uma forma de levantar questionamentos que são considerados tabus. Mesmo que repaginado, também é uma forma de manter a tradição daquela velha história do conhecimento que passou de mãe pra filha.

Sally-Hewett

É difícil saber bem como e quando essa nova forma de bordar começou, mas uma das precursoras com certeza foi a artista plástica britânica Sally Hewett. Interessada nas histórias sociais e políticas dos meios de comunicação e da arte, ela também sempre teve interesse no corpo humano. Corpos reais com pelos, estrias, celulite, rugas e todas as normalidades que a sociedade considera “imperfeições” e é isso que ela borda.

“Em um momento durante a minha educação artística, quando eu estava particularmente perdida e querendo saber para onde direcionar a minha arte, encontrei alguns aros de bordado que haviam pertencido a minha avó e comecei a bordar”, disse Hewett ao The Huffington Post. O tumblr também está recheado deles, só colocar na busca: feminist embroidery ou riot embroidery.

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Mas não pense você que o bordado feminista tá rolando só na gringa não. Essa nova forma de bordar está ganhando cada vez mais espaço no Brasil. Em São Paulo, inclusive, existe o Clube do Bordado, um coletivo de seis amigas que resolveram começar a se encontrar para aprender a bordar. Desses encontros renderam muitos pontos aprendidos, debates e a ideia de fazer coleções temáticas. A primeira coleção, com cerca de 20 bordados feitos à mão, explora o universo do soft porn e levou o coletivo a participar de feiras e exposições, transformando o hobby em negócio. O Clube faz encontros abertos, picnics e já realizam oficinas e workshops. Pra saber de tudo, é só se ligar no facebook, instagram ou tumblr do coletivo. Aqui no Rio de Janeiro não conheço nada tão organizado assim, mas conheço duas meninas super talentosas que fazem trabalhos lindos, a Julie Mrqs e a Lucia Alves de Carvalho. A Lucia inclusive promove de vez em quando algumas oficinas de bordados. Independente de vocês terem interesse ou não em bordar, vale seguir as garotas porque elas são incríveis.

E aí? Quem tá louca para começar a bordar? Vocês conhecem outros coletivos de bordado? Se sim, compartilhem aí nos comentários!

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